UN 2814 - Risco Biológico [Atualizada]
1 Capítulo 1: O inicio do fim do mundo
Notas iniciais
Boa leitura!
Acordo com um pulo da cama, suando frio e meus dedos trêmulos. Sempre é isso. Desde alguns anos atrás eu tenho pesadelos, quanto a isso, este dia não foi diferente.
Sexta-feira, 4 horas antes de tudo mudar.
Aproximo-me da mesa e lá há um recado, — Hoje peguei dois turnos então não voltarei, dê ração ao Bob e pegue esse dinheiro.
Vivo com meu irmão mais velho, mas é o mesmo que viver sozinho, ele é médico e passa a maior parte do tempo fora, então tenho que me virar. Não o culpo, ser o irmão mais velho e ter que cuidar de mim desde mais novo deve ser um fardo muito grande. Pelo menos já foi.
Sobre a mesa, coloco sem olhar a mão em uma cesta artesanal, feita uma vez pelo meu pai. Pego uma maça avermelhada e aparentemente muito boa.
Por uma mordida em minha perna vejo Bob, meu pastor alemão, com aqueles grandes dentes, latido intrigante que botava medo nos desconhecidos e pêlos macios, pois havia ido ao Pet Shop ontem, avisando-me que está na hora de alimentá-lo.
— Já está na hora de comer, garotão!? — Eu pergunto com aquela voz ridícula que se faz a algum um cachorro conhecido e ele responde abaixando as patas dianteiras, juntamente com a cabeça, e abana a cauda.
De vez em quando meu irmão está em casa, então Bob fica desobediente e mais agitado, mas geralmente ele é bem calmo e vai comigo quando treino arco e flecha nas horas livres.
Pego a sua tigela e a ração, deixando ele um pouco menos agitado e me dirijo a cozinha.
Eu pego algumas daquelas rosquinhas e coloco em meus dedos, enquanto espero Bob que se não vigiar, não come a ração. — Cachorro mimado com comida é assim. — Falo baixinho enquanto dou uma mordida na rosquinha.
Após isto vou indo em direção ao meu quarto, pegar meu equipamento de Arco e Flecha. Quando volto vejo Bob em frente a escada com a sua coleira de passeio, que pegou no quarto do meu irmão, coloco-a em seu pescoço e abro a porta.
— Vamos Bob.
2 horas antes.
Arco e Flecha... Nem lembro quando eu comecei, mas lembro muito bem a causa que você pode entender como medo infantil, na verdade, era apenas um medo infantil.
Certo dia, eu e alguns amigos de infância, assistimos a um filme de Zumbi, mesmo com medo após assisti-lo, decidimos criar um plano de sobrevivência, tínhamos oito ou nove anos e tentamos pensar em como sobreviver no que seria hoje um tipo de apocalipse. Com o objetivo de sobrevivermos, passamos dias naquilo, e com o tempo esse plano foi esquecido, pelo menos por mim, mas fiquei fanático filmes de zumbis. Alem de o plano ser esquecido, nós acabamos nos afastando cada vez mais com o tempo, o que me fez perder contato total com eles hoje em dia.
Depois de caminharmos um pouco, eu e Bob chegamos ao fim de um campo aberto, e o inicio de uma pequena floresta da região, que eram separados por uma grande cerca de arames. Lá em algumas árvores tinha alguns alvos colocados por mim quando mais novo. De vez em quando, Bob latia perto de uma árvore e eu acertava no alvo daquela árvore, isso o divertia. Assim, ele pegava a flecha e a trazia para mim. Uma brincadeira meio sem sentido, mas o ocupava. E no restante do tempo, eu praticava a distância, via até onde eu poderia me afastar e ainda sim conseguir acertar o alvo.
Passamos quase 2 horas lá, até que algo estranho aconteceu. Ouvi gritos de desespero, dava para entender pouco, mas lembro de uma pessoa gritar que todos iriam morrer e não havia salvação, após os Gritos, ouvi disparos, meio assustado, conclui que era algum furto ou algum tipo de crime que estava acontecendo ali próximo, achei melhor não ir ver, mas comecei a recolher algumas das minhas flechas que acabaram presas nos alvos.
Tudo estava indo bem, até que Bob, que estava com a coleira de passeio presa na minha calça e sendo segurado pela minha perna, começa a latir para a floresta e de lá sai um homem estranho.
Ele estava longe, mancava e fazia um som estranho, achei que era um bêbado, mas quando ele se aproximou vi seu rosto todo desfigurado, havia um corte profundo que rasgava um lado do seu rosto, seus dentes cerrados estavam à amostra o que fazia sua saliva sair da boca mesmo com ela fechada. Enquanto se aproximava ele caiu em um pequeno buraco, como se não pudesse ter visto aquilo e nada ao seu redor, Bob parou de latir quando ele estava levantando o que o deixou confuso, sem saber para onde ir e onde estávamos.
Isso até Bob latir de novo e ele vir em nossa direção novamente. – O que diabo é aquilo? E o que ele quer conosco? – Eu me perguntava. – Seu caminhar estranho, um baixo e assustador grunhido... – Estremeci. – Não... Ele não pode ser o que eu estou pensando, isso é impossível.
Eu não tinha tempo para saber se isso era o que eu estava imaginando, ele estava se aproximando enquanto eu estava lá sem reação. Eu tinha que correr e ir rápido para casa, mas não conseguia, só conseguia ficar lá, parado.
Bob que estava preso a minha calça, puxa-a, o que me joga para frente. O sol poente ofusca minha visão, meu coração acelera e enfim consigo fazer minhas pernas me obedecerem e se colocarem a correr. Eu não tinha coragem de olhar para trás enquanto corria, eu só queria poder acordar se aquilo fosse um dos meus pesadelos.
Atravessei a cerca de arames depois que Bob passou por baixo dela, mas ainda pude ouvir aquele grunhido horrendo, como se estivesse ainda me seguindo. Eu precisava olhar para trás, mas era muito difícil.
Mesmo meio desacreditado cheguei a rua, olho para trás, e aquele ser se emaranhava na cerca de arame, enquanto ia grunhindo como um animal que perdeu a caça. As ruas estavam desertas. Eu precisava de ajuda para saber o que estava acontecendo, tudo o que eu tinha certeza era que independente da direção eu iria me dar mal.
Ficar parado olhando aquela coisa me enojava.
Bob começa a rosnar e ponho-me a correr. Eu precisava olhar para trás mais uma vez, ter certeza que aquele ser com o rosto todo desfigurado e com um corte profundo que rasgava um lado da sua boca, mostrando assim os seus dentes cerrados e saliva a escorrer, não fazia parte da minha imaginação, mas não consegui.
Pego Bob pela coleira e sigo correndo, indo em direção a minha casa com Bob.
Não demorou muito e cheguei de volta ao meu bairro.
Tudo estava tão diferente em tão pouco tempo. Vidros quebrados pelas lojas, lixo e sangue; Sangue nas paredes, no chão, nas escadas, em tudo; Mesmo assim tudo estava tão calmo e isso não me pareceu bom sinal. Pensando bem, eu nem deveria passar por aqui, o problema é que aqui é a única rota que leva para a minha casa.
Olho para Bob e me pergunto. — O que eu faria se Bob começasse a latir e chamasse a atenção para nós? – Eu tinha que correr esse risco, minha sobrevivência dependia disto e o que quer que esteja nas ruas anteriormente, independente da quantidade, resolveu arruinar mais vidas em outro local.
Enquanto andava pelo caminho, senti um buraco no estômago. Fome talvez, mas provavelmente era medo. Peguei uma flecha com a mão direita, que por sinal estava a tremer muito. – É, era medo, eu nunca me senti tão aflito na vida. – De olho no caminho e em Bob, percebo que ele começa a ficar agitado, seguidamente veio um grunhido.
Era como aquele cara na floresta, eu tinha certeza, aqueles grunhidos estranhos e assustadores ainda persistiam na minha cabeça. Eu não sabia onde ele estava. Não até eu ouvir uma voz feminina.
Notas finais
Até mais =D
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