Notas iniciais
Desculpem a demora, eu estou viajando e por isso estou sem acesso a internet, mas continuo escrevendo.... ^^
Logo, logo, estarei trazendo mais algumas coisas. o/
Boa Leitura.

Julia estava apoiada contra o volante, trêmula, a pensar no que aconteceu na ultima vez que esteve no acento de motorista. Levantou-se e, antes de olhar em volta, sentiu pisar em algo como uma base. O acelerador.

- Tudo bem...? – Disse Nanda se ajeitando ao seu lado, pois ainda estava meio sonolenta.

- Não, está tudo ótimo. – Julia se ajeitou no banco e sorriu, mostrando seus dentes brancos e alinhados.

Por algum motivo, olhar para a garotinha a deixou em um pânico maior ainda.

Olhou para o visor digital do carro, já fazia quinze minutos que aqueles dois saíram. Voltou a posição de minutos atrás e fechou os olhos.

Nanda retribuiu o sorriso e voltou sua atenção as arvores do lado de fora, que balançavam em sincronia. Primeiro, foram as árvores, que se exibiam para a garota suas folhas dos tons mais verdes até os mais amarelados. Depois veio o estrondo, pequeno e abafado pela distância.

Julia ficou apreensiva.

...

Pedro entrou na loja, ouviu o rosnar tímido, assustado, do cachorro e seguiu andando. Logo depois ouviu algo se chocar contra algo, com aquele comum estardalhaço.

- Bob, é você...? – Disse Pedro.

Pedro estremeceu, mas depois, se recobrou e apertou aos lábios. O rapaz podia sentir a hostilidade que agora emanava do local, como as ondas de calor que saem do asfalto. Seu arco havia ficado no lado de fora, o que o fez quase perder a cabeça e sair rogando pragas, mas lembrou-se do barulho de segundos atrás, quando entrou na loja, como se algo houvesse se libertado lá dentro. Como se uma feroz briga estivesse havendo, e no momento em que entrou a fez desaparecer.

Respirou fundo, e quando foi andar, pisou levemente na madeira rangente da loja. Seguiu entre uma ala até perceber um pequeno movimento próximo a uma das prateleiras, que fez o rapaz parar.

Se agachou e com a ponta de uma flecha entre os dedos foi se aproximando, parou proximo a prateleira e viu que aquele vulto era realmente Bob. Pedro chama o cachorro para si, preocupado, e percebe que o animal estava quieto, encolhido no local, com os dentes a amostra e focado no fim da loja.

Observou a direção em que o cachorro olhava, e arregalou os olhos. Entre a parte escura da loja, estava uma porta não percebida pelo rapaz. E no momento em que ele visualizou, a porta estremeceu. O estrondo segue alguns segundos depois, e um pequeno murmúrio o faz perder o equilíbrio da ponta dos pés e cair sentado na madeira rangente.

E Pedro sente um estardalhaço atrás da porta, provavelmente percebeu o que estava acontecendo ali. O rosnado de Bob, os estrondos e por não ter ninguem naquele local.

O rapaz segue com o animal em direção a saída e, quando estava proximo ao balcão, ele escuta a porta ceder e junto dela a luz desaparece. Deve ter sido causada pela porta puxar toda a afiação enquanto caia.

Sem pensar duas vezes, Pedro se acomoda por detrás do balcão, e abraça o animal que dá um pequeno latido.

- shiii! – disse o rapaz colocando o dedo indicador proximo a boca, enquanto segura o animal.

Ele deve ser a pessoa mais azarada e sortuda do mundo ao mesmo tempo, minutos atrás Pablo pegou a arma do balcão. Pelo menos ele tinha o seu arco, mesmo que no meio desse breu, fosse quase impossível ele conseguir acertar alguma coisa. Bem, não é impossível, mas seria como se um cego tentasse jogar um Quebra-Cabeça tentando formar uma imagem.

O rapaz fica de joelhos e coloca as duas mãos no balcão a procura de algum morto-vivo. Mas nenhum aparece no seu campo de visão. Olha para Bob, esse estava mais calmo. E suspirou.

Sua preocupação por Bob era como a de um pai para o filho, passaram por muita coisa juntos que se o animal, seu amigo, não estivesse ali le não seria o mesmo.

...

Encontrou ele 2 anos atrás, Pedro ainda se recuperava da morte de sua mãe. Uma mulher que vivia a partir do modo em que o seu coração dizia, sem questionar, sem lutar. Bob era um filhote magro, quase raquítico. Estava chovendo. Pedro seguia para casa após um treino de arco quando passou próximo de um beco, Bob estava lá, abandonado próximo a uma lata de lixo. E este se aproximou.

- Está tudo bem, garoto, está tudo certo. Eu não vou te machucar. – Diz Pedro, com uma voz suave.

O cachorro foi em sua direção, sem relutância. Talvez tenha sentido as intenções de Pedro, como sentiu as daqueles monstros. Pedro tinha certeza do que sentia, queria ser confiável a alguém, ser amado por alguém, incondicionalmente. O levou para casa e depois de tempos Bob já participava da sua rotina. Conseguiu o que queria, um amigo. E não o deixaria para trás, nem que a sua vida dependesse disso.

...


E de repente se viu ali, de pé, diante ao balcão e olhando para a porta, agora arrombada pelos mortos-vivos, que o levava a algum lugar. E então seguiu silenciosamente enquanto puxava o animal. Subiu a escada e se viu no segundo andar.

Lá, seu primeiro impulso é cobrir o nariz para bloquear o cheiro de carne putrefata e de vômito, juntamente com calor. A luz solar é dada apenas pelas brechas que há nos telhados, seus olhos demoram a se acostumar com o local, e quando se acostumam deseja que não tivesse visto isto.

Na sua frente um garoto de mais ou menos 10 anos, está a devorar um rapaz que não passa do 15 anos, aparentemente. Suas pernas estremecem quando o garoto levanta seu olhar em sua direção e repousa suas mãos sobre o peito do rapaz morto aos seus pés.

O garoto estava olhando-o fixamente. O garoto tinha cabelos curtos e escuros, os braços graúdos expondo feridas purulentas e a região torácica, juntamente com a boca, repletas de respingos de sangue e hematomas, que estavam expostas pela camisa completamente retalhada.

Pedro se perguntava, perguntas geravam uma espécie de batalha na sua cabeça. Por que? Como? Aqueles outros não eram cegos? Seria este um tipo diferente? Ou havia algo a mais?

Então um grito estridente, um grito do garoto, o libertou de seus pensamentos e o arrepiou por inteiro. Desviou os olhos arregalados para o pouco da loja que conseguia enxergar, e logo viu os mortos-vivos que estavam lá, e que agora se dirigiam em direção a escada da porta, atraídos pelo chamado do pequeno zumbi.

Olhou para sua frente, focalizando debilmente a janela, e com um breve suspiro, Pedro arrastou-se rapidamente para sua esquerda, tentando sair dali de cima. Abriu a janela, visualizou a queda. Abaixo de si havia um arbusto, daqueles que você encontra na maioria das casas, espinhento.

Não pensou duas vezes, segurou firme o pastor alemão entre seus braços, e pulou.

Caíram de costas. Olhos fechados com um pouco de dor, sentia o coração pesar. Bob saiu de seus braços e quando se preparava para levantar, algo agarrou sua perna.

- É melhor se levantar se não morrer aqui.

Notas finais
Essa haste em que Pedro apoia seu arco, é como um pequeno anzol, feito por ele mesmo como um meio para melhor locomoção com o arco.
O que acharam?
Reviews? '-'
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.