Notas iniciais
Ultimo capítulo dos "Prologos". O que finaliza a escrita em primeira pessoa.

Escuto um barulho na cozinha, como de louças caindo no chão, penso rapidamente que pode ser Alice, olho pelo canto da porta da cozinha, e a vejo.

Em frente à porta presencio-a comendo ou tentando comer, carne crua congelada da geladeira, ela estava possuída pela fome, percebi que ela estava diferente. Tentei me afastar sem fazer barulho, voltei à sala e empunhei meu rifle, voltei a cozinha para executá-la definitivamente.

Engatilhei a arma, entrei e mirei, ela não estava, dei meia volta em direção a sala, fui andando na ponta dos pés, sem fazer barulho algum em direção a porta, abri a porta da frente devagar, sinto um golpe vindo da minha esquerda, meu rifle cai no chão, e Alice agora estava em cima de mim, com um olhar predatório nos olhos, boca aberta e babando em meu rosto.

Faço uma força sobre humana para tirá-la de cima de mim, ela cai e se levanta com dificuldade, rapidamente pego o rifle e aponto. Algo me fez pensar em não atirar, mesmo longe da cidade havia casas ali por perto.

Esperei ela se aproximar, e acertei um golpe com a arma em sua nuca, escutei os ossos do pescoço quebrando, ela cai mais mesmo assim continua gemendo, miro em sua testa e desfiro um golpe com toda minha força que afunda seu crânio, e assim ela fica imóvel, agora morta de verdade como deve ser.

Decidi definitivamente abandonar aquele local, minhas roupas já estavam quase todas arrumadas eu tinha um problema com os mantimentos. Não posso carregar muita coisa, somente o que cabe na mochila.

Então pensei no delírio de Alice, no qual ela dizia que o carro do padrasto estava em casa, pedi para que fosse uma caminhonete, assim poderia levar minha moto. Tirei a moto para rua e encostei no descanso. Lavei as mãos e o rosto na pia da cozinha, peguei o rifle com a bandoleira e pus nas costas, tranquei a casa novamente, agora com o cadáver de Alice dentro.

Liguei a moto e fui em direção a cidade, a única referência que eu tinha era que a casa ficava próxima ao mercado, entrei na rua principal e estava um pouco mais calmo, parei a moto, desliguei e olhei ao redor. Indaguei. — Será que sou o único vivo aqui?

Tirei o capacete e atirei fora, não preciso mais disso, não existem leis agora, nem segurança. Acendi um cigarro e dei uma tragada demorada, o sol agora forte reluzia no tanque da moto.

Estava tudo calmo por um breve momento e comecei a pensar. Já havia atirado em uma pessoa e matado uma. Tudo estava muito confuso, eu só tinha a mim mesmo ali?

Eu queria respostas. Que bosta será que aconteceu pra tudo fica do jeito como está agora? O governo sempre está por trás das merdas que acontecem no mundo.

Avistei do outro lado da rua um corpo no chão parecia conhecido, me aproximei, e o chutei. Já estava completamente morto, revistei seus bolsos achei uma carteira, havia dinheiro e documentos, nada útil nessas condições, olhei seu pescoço havia um colar, aparentemente de prata, tinha um formato diferente parecia um martelo, com desenhos antigos, tirei dele e o botei em meu pescoço. Atirei o cigarro em cima do corpo, e fui em direção a moto.

Segui pela rua principal devagar, enquanto lembranças passavam em minha cabeça agora.

O dia estava mais longo do que nunca, mais mesmo assim de certa forma ainda queria que continuasse claro, vai saber o que mudaria quando tudo estiver escuro?

Avistei de longe o mercado, me aproximei e estacionei em cima da calçada, atravessei a rua caminhando, olhei as casas ao redor, a maioria aberta. Entrei em uma que fica exatamente na frente do mercado, a casa estava bagunçada, mais não destruída, procurei por algo que pudesse ser importante, não havia nada de mais, entrei na garagem e lá estava uma van.

As chaves estavam na porta, que alguém pensou em fugir nela, mas não teve tempo, entrei e dei partida, estava funcionando, olhei para trás, havia mais quatro bancos, sem contar o carona, e um grande espaço atrás, que no momento estava cheio de artigos de pesca, tive a certeza que se tratava do carro que Alice tinha mencionado.

Abri a porta traseira da van e comecei a retirar aquelas coisas que não me serviriam de nada, o carro continha bastante gasolina, pois era sexta feira, e provavelmente eles sairiam no fim de semana, estava tudo certo, abri a porta da garagem e o portão, avistei minha moto do outro lado da rua.

Engatei a marcha ré na van e sai da garagem, parando próximo a moto, a cidade estava calma aparentemente, abri a porta traseira, e após fazer muita força consegui botar a parte da frente da moto dentro da van, agradeci por ter uma moto de baixa cilindrada, muito mais leve que as demais, mesmo assim na hora de colocar o restante da moto dentro da van foi difícil e ainda a derrubei lá dentro. Fechei as portas e fui ao volante, liguei a van e voltei para cabana.

Cheguei e estacionei de ré em frente à porta da frente, entrei e avistei o corpo de Alice com a face totalmente desfigurada.

Peguei todos os enlatados que tinha e coloquei um grande saco de lixo os alimentos, as bebidas coloquei dentro da mochila, peguei outro saco de lixo, junto com cobertores, deixei tudo na porta da frente.

Fui até o galpão abri o armário de ferramentas, procurei umas cordas pra amarrar a moto no interior da van, voltei e amarrei a moto, demorei uns trinta minutos.

Enchi a com os suprimentos, peguei a chave da casa, fui em direção a porta para trancar, pensei em enterrar o corpo de Alice, mais só me faria perder tempo, e o tempo é mais precioso do que nunca agora.

Entrei na van e dei a partida, encostei a cabeça no volante, procurando uma solução pra tudo aquilo, e um destino para seguir, eu só queria era sair daquele lugar, mais ir pra onde?

Pensei em sair da cidade e procurar por outros sobreviventes ou pelo exercito, sei lá, alguém ainda deve estar vivo, sem perceber fiquei alguns minutos em devaneio, e ao levantar a cabeça enxerguei cerca de seis mortos vivos, vindo em direção ao carro, o barulho do motor deve ter atraído eles, sai dali imediatamente em direção a cidade novamente.

Andando pela rua principal muito devagar para não chamar a atenção, pois ela tinha um motor um tanto barulhento.

Observei a rua, e me perguntei que tipo de catástrofe aconteceu para que em poucas horas, uma cidade inteira ficasse abandonada e quase destruída? Segui em pela principal e para minha desgraça, havia um caminhão de bombeiros barrando a passagem, olhei no espelho retrovisor e enxerguei mortos-vivos se aproximando.

- Mais que merda! Era só o que faltava agora!

Dei marcha ré com velocidade, e senti que passei por cima de algum deles, parei o carro, para arrancar novamente e eles me cercaram, um deles arranhava o vidro tentando me alcançar, acelerei no fundo e passei por cima de mais um que estava logo na frente, agora era tudo ou nada, o caminhão de bombeiro barrava o caminho, só havia uma pequena passagem pela calçada, mas eu não tinha certeza se a van passaria ali, mas estava cercado, acelerei e fiquei em cima da calçada, mas um dos pneus traseiros ficou trancado entre o caminhão e a calçada da rua, acelerei para que pudesse sair o mais rápido dali.

Os zumbis já estavam me alcançando, já estavam batendo na lataria da van. Fechei os olhos como se quisesse acordar de um pesadelo, olhei para frente e avisto mais deles, fechar os olhos é ainda pior. Esses estavam perseguindo outra coisa, acelero mais forte e o barulho da alta aceleração da van ecoa, sendo tudo o que podia ser ouvido na cidade aparentemente deserta.

Notas finais
Agora começa a história real.
O que acharam?