Tōryanse - One Shot
1 Capítulo 1
Era por volta de oito horas da noite; na frente de um prédio no centro da cidade eu me deparava estagnado debaixo do meu guarda chuva transparente. Esperava aquela imensa fila de carros parar e poder atravessar pela faixa de pedestre, juntamente daquela dúzia de pessoas aglomeradas em minha volta. A chuva apenas caia, não havia ventos e nem relâmpagos, era apenas aquele tipo de chuva que vem para deixar seu dia ainda pior.
Afinal, quando foi que me tornei tão infeliz? Trabalhando todos os dias da semana em um escritório fechado, aceitando horas extras apenas por não ter mais nada a fazer, me entupindo de café enquanto preencho papeladas e papeladas. Às vezes acho que me tornei um robô.
Começa a tocar Tōryanse e as pessoas atravessam a faixa. Kyon atravessava lentamente, as pessoas trombavam com ele e a água nas beiradas de guarda-chuvas alheios pingavam em sua roupa. Seus ombros já estavam ensopados, aquela camisa social branca de manga curta toda amarrotada, ele nem percebera que abotoou um buraco acima e em sua gravata preta mal colocada estava o prendedor de gravatas torto. O crachá da empresa preso no bolso esquerdo da camisa continha uma foto dele com a mesma expressão vazia que fazia no momento.
Quando chegou à metade da faixa, o tempo parecia ter parado e então cruzou com ele um homem, vestindo uma capa de chuva vermelha e com dentes dourados que reluziam em meio à sombra do capuz que cobria todo o seu rosto.
Lado a lado, o homem questionou:
— O que lhe aflige meu rapaz? Sua alma parece ter sido sugada de seu corpo, lhe restando apenas estes olhos caídos e cansados.
Sem responder em voz alta, Kyon buscava a resposta em seus pensamentos:
“Sim, quando foi que me tornei tão infeliz?”
— Olhe para mim... – Ordenara o homem misterioso!
Kyou virava lentamente a cabeça para o lado e parecia fazer um esforço maior para mover os olhos que estavam demasiadamente pesados.
— Lembre-se! Onde sua vida desmoronou?
Naquele instante em que olhares se encontraram, as pupilas daquele senhor emitiam uma luz branca e um clarão expandia-se para dentro da mente do Rapaz.
Quando? Quando foi que me tornei tão infeliz?
— “Kyon...”
Quem está me chamando?
Ah! É você, Jimmy?
Agora me recordo, estamos na sacada da minha casa... Havia me esquecido como ela era alta, quantos metros tem daqui de cima até lá em baixo? (Se recordando do quintal de uma casa ao lado que podia ser visto da sacada, localizada no ultimo andar daquele tríplex) Dez metros? Talvez quinze? É realmente alto... E o Jimmy, ele está ali olhando para a lua, sentado com as pernas do lado de fora... Isso é perigos--- Ah! Ele caiu!
O clarão foi se desfazendo e a silhueta do misterioso homem voltava a ganhar forma. Nos olhos afadigados de Kyon escorriam lágrimas e lentamente seu rosto apático ganhara tristes expressões.
— Foi na festa de aniversário de casamento de meus pais, há três anos... Jimmy era meu melhor amigo desde a infância.
— Você gostaria então de voltar àquele dia?
— Sim...! – Desaba em choro!
O homem sorri e puxa aquele catarro lá do âmago e cospe na mão, em seguida aperta a mão do rapaz que enxugava os olhos com a mão esquerda que derrubara o guarda-chuva.
— Foi lhe dado uma oportunidade de reviver este dia, você só tem ela, portanto faça a escolha de como viverá este dia! Mas devo lhe avisar, o preço de qualquer mudança será cobrado com um valor igual.
A mente de Kyon parecia estar em transe durante este estranho encontro, parecia irreal e seus sentimentos e memórias deixaram a sensação de terem sidos revirados.
Volta a tocar Tōryanse. E Kyon se depara no meio da faixa de pedestres, pessoas atravessando, vindas de direções opostas e se esbarrando. Ele olhava para suas mãos vazias e o guarda-chuva que derrubaste no chão havia desaparecido assim como a própria chuva. Ele vestia um uniforme escolar e carregava uma mochila preta levemente murcha por conter apenas um fichário, um livro e um estojo.
— Hei garoto, não fique parado no meio do caminho!
Abobalhado, ele estava confuso e não caíra a ficha ainda de que voltaste no tempo. Após terem lhe chamado a atenção, ele atravessou o restante da faixa. Ao chegar à calçada, checou seu celular que levou alguns segundo para descobrir em qual bolso de sua calça estava. A hora marcava 20:37 e o ano registrado na data era 2002! Mas o próprio celular, aquele modelo grosso e pesado, sem display colorido, foi o suficiente para cair a ficha do rapaz de que havia voltado no tempo. Algumas horas antes do fatídico dia de suas lembranças.
O celular começa a tocar Happy Together em 8 bit, era uma chamada de Jimmy!
Kyon ficou paralisado, suas mãos tremiam, seu coração estava disparado, seu estomago parecia ter virado uma gelatina e a própria sensação de seus membros parecia desaparecer. Sua coordenação motora estava desordenada, ele se apoiava no poste do semáforo. Seu estado assustado não lhe permitia atender a ligação persistente de seu amigo. Ele caminhou desengonçado por algumas quadras com o celular tocando, até encontrar um ponto mais isolado, uma escadaria pequena de uma loja que já havia fechado após encerrar o turno. Ele sentou em um degrau e voltou a chorar, abriu o berreiro por longos dois minutos. Após isso concentrou em se acalmar, inspirava pelo nariz e soltava o ar pela boca, vagarosamente.
Antes de retornar a ligação, muitas coisas passavam pela sua cabeça. Neste exato dia e horário, foi quando ele convidou Jimmy para o aniversário de casamento de seus pais que ocorreria no dia seguinte.
Antes que pudesse retornar a ligação, o celular voltava a receber a chamada de Jimmy.
— ...
— Alô? ...Alô?
— ... Oi!
— Kyon? Caramba cara, estava preocupado, você nunca demora em atender...
— Des... Desculpa!
— Ué? ...Kyon, você está bem?
Eu nem sequer me lembro de como eu era naquela época, mas realmente não estou bem, estou tão assustado que não consigo conter meu nervosismo. Ele já percebeu que estou mal, não posso fingir...
— Não, mas é só um mal estar... Deve ter sido algo que comi!
— “Mal estar?” Caramba, deve estar mal mesmo para falar assim, hahahaha! Cadê aquele cômico “estou passando ruim?”
Err, é verdade! Não importava meu estado, eu sempre buscava falar coisas engraçadas pra fazer os outros rirem. Era realmente difícil algo me deixar abatido!
— Heh... Você tem razão!
— LoL! Enfim, te ligo outra hora Kyon, pode ser? Ou passo amanhã na sua casa!
— NÂO! ...Digo, pode falar...
— Ué! Tu que queria falar comigo, liguei pra saber o que era...
Foi nessa ligação que eu convidei ele da outra vez... Tudo bem se eu o convidar? Creio que o que aconteceu possa ser facilmente evitado...
Mas...
Mas...
“Foi lhe dado uma oportunidade de reviver este dia, você só tem ela, portanto faça a escolha de como viverá este dia!”
Eu tive está chance! E se eu não puder evita-la?
Estou com medo! Estou com medo até mesmo de vê-lo... Ainda está tudo muito confuso, não parece real... Voltar no tempo, isto é impossível!
— Kyon?
— Oi?
— Você ficou quieto de repente...
— ... Desculpa!
— Não precisa se desculpar cara...
— Jimmy... Sobre amanhã! Você pode fazer para mim um a resenha sobre “Les Epaves”, aquele livro que te emprestei?
— Mas eu nem sequer li ainda... E, por quê?
— Por favor! Eu te pago depois... Você é muito bom em literatura, se for você acredito que consigo tirar uma nota alta... E... Eu preciso entregar depois de amanhã.
— ...
— Vamos lá! Se eu não tirar uma nota boa posso ficar de recuperação e lá se vai nossas férias juntos... E se... E tipo... Eu mesmo faria, mas não posso!
— Por quê?
— Amanhã é aniversário de casamento de meus pais! Vai ser uma festa chata, com alguns familiares, sabe? Eu queria até convidar você, mas só posso contar com você pra este favor... Mas, se não puder fazer, tudo bem... E pode vir amanhã também se quiser.
— Mehh! Dispenso! Se vai estar seus familiares, seu primo também vai ir né?
Raios, como o convenci a ir da outra vez? Me esqueci que Jimmy odeia meu primo...
— Hahahaha...!
— Huh? Do que está rindo?
— Nada não, meu primo vai sim... Hehe!
— Oookay então! Farei a resenha... Mas irei cobrar caro, você vai pagar um rodizio de pizza pra mim!
— Feito! Hahahaha...!
Após desligar o celular, Kyon se estirou na calçada rindo... Ele nem sabia direito do que estava rindo, seus olhos lacrimejavam e sua face chegava a se retorcer. Ele estava tão nervoso que se esquecera do caminho de volta para casa.
O infortuno dia que desgraçou minha vida!
Foi uma noite árdua, quase não dormi, pois está casa ainda me assombra. Lembro-me de ter ido morar com minha avó um mês após a morte de Jimmy, eu estava atormentado e cai em uma depressão profunda, precisava me afastar daqui. Após terminar o ensino médio passei a trabalhar e aluguei um pequeno apartamento mais próximo do centro da cidade. Ali passei os últimos dois anos de minha vida, via meus pais em alguns finais de semana quando iam me visitar ou eu ia almoçar na casa de minha avó junto de alguns outros parentes. Mas pisar novamente aqui era impossível.
Ontem quando cheguei, realmente passei mal. Claro, ninguém entendeu e nunca vão entender... Mas acho que ter conversado novamente com Jimmy me ajudou a superar isso.
Mesmo assim, tive alguns pesadelos quando caia no sono e ao acordar eu repetia o processo de procurar desesperadamente o interruptor, cujo local também não me recordava mais, pois batia uma sensação de estar em um lugar estranho. Me olhava todas as vezes no espelho para saber se tudo isso é mesmo real.
Porque eu? Como? Eu merecia essa oportunidade? Acho que me questionarei para o resto da vida.
Era por volta das 17 horas da tarde, alguns parentes, vizinhos e amigos dos seus pais começavam a chegar. Um tio ficou na churrasqueira com o pai de Kyon, uma roda de homens entre trinta a cinquenta anos ficava próximo tomando algumas cervejas. A mãe e um monte de mulherada também naquela faixa etária conversavam na sala. Algumas crianças corriam pela casa e pelo pátio onde ficavam os carros.
À Kyon restara apenas a laje, era tranquila e isolada e naquele dia em especial, havia uma pessoa da qual ela tinha esquecido que estaria presente. O nome dela era Mio, uma garota magra, busto médio, cintura fina, cabelos presos num tom azulado, pele bem clara e bochechas rosadas. O olhar dela era extremamente meigo, ela vestia uma jeans justa de tom escuro e uma baby look azul clara, calçava um all star branco e azul.
Agora me recordo, eu queria ficar conversar com ela distante daquela poluição sonora e dos olhos julgadores que me acanhava. Aqui é especial, a vista da sacada, um silêncio graças à porta pesada no final da escada, um ar gostoso do verão...
— E ae Kyon...
Droga! É mesmo, meu primo também estava conosco...
Um ano mais velho que Kyon, Kyousuke era um primo rebelde, ele sempre se isolava nas festas e quando era na casa de Kyon, ele ficava na laje. Lá havia uma mesa de bilhar com meia dúzia de bolas, a maioria com a pintura desbotada e vários arranhões. Numa gaveta levemente torta e mal encaixada na lateral da mesa onde ficavam as bolas, alguns tocos de giz e um triângulo. Kyousuke levava algumas latas de cerveja e jogava sozinho. Nesta noite não seria diferente, mas tanto Kyon como Mio também queriam fugir daquele ambiente constrangedor.
Mio e Kyon se conheciam desde criança, mas o encontro deles era raro e só acontecia por meio de algumas festas. Os pais dela eram colegas de trabalho da mãe de Kyon. Por sinal, ele era apaixonado pela garota desde pequeno.
— Hey Kyousuke, vá beber lá embaixo hoje!
“Hey Kyousuke, vá beber lá embaixo hoje!“ Naquele instante ele se recordou de falar a mesma frase da outra vez.
— Para de ser babaca, vai chamar aquela garota aqui pra cima não é? Não vou atrapalhar vocês!
Ele já pegara o taco e organizava as bolas na mesa. Kyousuke tinha um cabelo um pouco grande, castanho e bagunçado, vestia uma jaqueta jeans toda desfiada e sem mangas, camiseta preta do Nirvana, algumas correntes com crucifixos e caveiras. Não possuía piercings, mas tinha um furo na orelha. Sua calça jeans era surrada e calçava uma botina de couro sintético.
— Tsc... Tanto faz... – Kyon estava tão feliz que resolveu não se importar, pela sua cabeça se passavam muitas coisas e uma enorme esperança de reviver já se tornara um fato para ele.
Finalizar os estudos sem conturbações, viajar para algumas praias com Jimmy durante as férias, arranjar uma namorada, fazer uma faculdade e conseguir um emprego descente que não lhe consumisse a vida. Ele estava ansioso, planejando diversas coisas para o futuro, enterrando suas memórias sobre os três anos que passou. Sentia-se recompensado por alguma divindade e estava decidido a aproveitar esta oportunidade que ganhou para refazer sua vida que tinha se tornado tão infeliz. Kyon queria aproveitar sua vida a partir de agora.
Ele foi até o andar de baixo e convidou Mio para subir!
— Oi! — Acena para Kyousuke!
— Ahh, então você é a famosa Mio? Hehehe!
— C-CALA A BOLA! — Gritou Kyon com o rosto corado.
— Jimmy não veio hoje? — Pergunta Mio olhando para os lados.
— Não... Não deu pra ele vir... — Respondeu Kyon em um tom mais depressivo!
— Que estranho, desde criança, vocês sempre estiveram juntos.
— Pois é...
Um curto silêncio surge pela falta de assunto, mas é quebrado pelo barulho da tacada de Kyousuke!
— Na caçapa! Haha!
— Que idiota, nem foi grande coisa... — Kyon fala de forma cômica e provocativa para quebrar o clima.
— É verdade! Até eu acertaria essa. — Mio entra na brincadeira.
— Hey hey! Vocês estão é com inveja...
Naquela mesa velha com apenas seis bolas, os três começaram a jogar, sem regras, sem placares, apenas fazendo desafios. Por mais bobo que parecesse, Kyon se sentia feliz pela primeira vez. Ele olhava para a sacada, para a paisagem do céu que escurecia e sentia um grande alivio crescendo em seu peito. Tamanha era a satisfação que mal disfarçava seu sorriso.
Desculpa Jimmy por não te trazer aqui, mas estou muito feliz... Queria que estivesse aqui para compartilha esta felicidade contigo.
— Hey babaca! É zua vez!
— Kyousuke, já está ficando bêbado, melhor parar por ai...
— Vai se foder...
— Okay, okay!
Pouco a pouco Kyousuke ia acumulando as latinhas de cerveja no pé da mesa e começou a soltar desabafos.
— Sabem, eu queria zer como você cara!
— Do que está falando?
— Zua vida é fácil e tranquila, tem ameegos legais... O... O... Gimmy, a Mio...
Kyon e Mio já haviam parado de jogar, encostaram-se numa mureta e Kyousuke permaneceu dando tacadas aleatórias.
— Minha vida é uma MERDA! Meus fais, a esgola... Todos vicam me enchendo o saco querendo me condrolar e me dizer o que vazer...
— Eles só estão preocupados com você cara...
— FODA-SE! Não pedi a preocupazão de ninguém... Eu só quero sumir, deveria morrer, tô cansado desse monde de merda.
Tsc, eu também não me lembrava dessa crise existencial dele. Daqui a pouco ele começa a chorar e pichar a parede com giz. Só vai me envergonhar esse merda.
— Não fale essas coisas... — Disse Mio
— Mas é a verdade... Se eu morrer zerteza que ninguém vai sendir minha valta...
— Vão Sim...
— Mio! Ignore ele...
— Eu do depremido cara, não me ignorem...
Dizer que estava deprimido ferveu o sangue de Kyon que não conseguiu evitar retrucar.
— Deprimido com o quê? Você perdeu alguém? Tem alguma doença terminal? Sua vida é um fracasso? Se liga cara, você só está amargurado por que não pode fazer as coisas do jeito que bem entender. Você ainda está começando a vida, pare de perder tempo, senão vai acabar preso em um emprego de merda vegetando todos os dias. Ai sim vai ter depressão de verdade, porque você não sabe definitivamente o que é estar deprimido...
Kyousuke ficou olhando assustado com seu nariz escorrendo para Kyon... Mio também o olhava um pouco espantada...
— Kyon!
— M-mãe?
— Olha que linda essa mesinha que ganhei, vem aqui e me ajude a montar!
A mãe de Kyon segurava uma placa de madeira envernizada, quarenta por sessenta, e com dois jogos de pernas curtas que se encaixavam debaixo, era uma mesinha de por no colo quando sentasse na cama ou sofá!
Enquanto ele a montava, sua mãe falava baixo.
— Pare de implicar com seu primo, ele já está bêbado e da pra ouvir os gritos dele lá de baixo.
— Tsc...
— Mio querida, traga dois pedaços de bolo para você dois, depois eu trago um pro Kyousuke.
— Tudo bem! – Sorria meigamente.
Quando Mio voltou, se deparou com o Kyousuke pichando palavrões com giz... Ela se afastou então e foi até a sacada que ficava um pouco distante. Ali continha uma mesa de bancos de madeira bem próxima a uma grade de proteção. Ao ver ela ali Kyon foi correndo!
— E-ei, é melhor não ficarmos aqui!
— Por quê? Está bom aqui, essa brisa é refrescante!
— Mas é perigoso...
— Relaxa um pouquinho, está muito tenso...
— ...
— Não faça bico, venha, trouxe bolo... Está uma delicia!
Ele sentou e ficou olhando para o pedaço de bolo! Então ela roubou a cereja dele!
— E-Ei...!
— Que foi? Se for ficar olhando vou roubar mais!
— Oras!
— Vamos, desfaça o bico e coma!
— ...
— Você ficou bastante bravo com seu primo, está tudo bem com você?
— Huh? Por quê?
— Não sei dizer, mas foi estranho como disse aquelas coisas, você parecia compreender e ter ficado ofendido!
Kyon olha para seu primo do outro lado fazendo movimentos sexuais com a mesa!
— Olhe para aquele idiota, qualquer coisa que ele falar é uma ofensa.
— Hihihihi!
— Desculpa se eu causei essa impressão!
— Tudo bem...
Meu coração está acelerando, esses sorrisos que ela dá... Como eu pude deixar uma garota como ela escapar? No fim das contas, ainda sou apaixonado por ela.
— Olhe, a lua está sorrindo! – Aponta Mio para o céu às suas costas, já era por volta das 19 horas e o céu já estava bem escuro, um azul escuro que ainda era um pouco mais claro naquela direção, onde o Sol se põe.
A Lua estava pequena, era lua minguante e perecia um sorriso, levemente borrado pela poluição do céu que ofuscava seu brilho.
— Ué, qual delas? – Respondeu Kyon com um sorriso achocolatado!
Ela riu do sorriso dele, mas disfarçou...
— Como assim qual? É aquela ali, tonto!
— Então você não está vendo aquelas outras luas?
— Que outras luas?
No céu havia alguns flocos isolados de nuvem, eram brancos e arredondados no centro com as bordas menos espessas. Realmente pereciam com a lua ofuscada. Ele apontou para elas sorrindo:
— Ali ó!
— Ah é verdade! – Ela abriu um sorriso enorme e ficou toda empolgada, quando se virou novamente, uma leve rajada de vendo bateu contra seu cabelo mal preso, ele se soltou e balançava suavemente. Aquela mágica cena reacendeu toda a paixão suprimida de Kyon, seus olhos estavam sendo hipnotizados pela beleza de Mio.
Ela se levantou e foi até a grade, onde se apoiou, vislumbrando aquele lindo céu com quatro luas!
— Isso é incrível, eu queria ter uma máquina fotográfica para tira uma foto deste céu. Vem aqui comigo
Kyon ainda sentado apoiou sua cabeça com a mão e o braço sobre a mesa, ele sorriu para ela com os olhos quase fechados e falou com tamanha calma:
— Mio, estou apaixonado por você!
Mas no mesmo momento, o idiota do seu primo gritava na escada, xingando a sociedade e falando bobagens sobre fascismo e anarquia.
A palavras de Kyon saíram em tom baixo e Mio não ouviu o que ele disse, ela se virou de costas para a grade, quase que sentando nela, de frente para Kyon, com uma mão se apoiando e a outra segurando se cabelo que o vento jogava no seu rosto.
— O que você disse?
As palavras “Quer sair comigo” vieram à ponta da língua dele, mas quando estavam prestes a sair um toque de celular se destacou vindo do bolso de Kyon. Um arrepio subiu pelo seu corpo enquanto tirava o celular do bolso e olhava o display:
“Jimmy chamando”
Aquele toque em 8 bits de Happy together silenciou tudo à volta do rapaz, suas mãos começaram a soar frias. Ele olhou para Mio, movia seus lábios, mas o som não saia... Seu corpo parecia petrificado, a lua o lembrou do sorriso amarelo daquele homem misterioso.
Juntamente das palavras finais que lhe fora dita:
“...O preço de qualquer mudança será cobrado com um valor igual.”
A grade estava levemente solta, o suficiente para balança se alguém soltasse seu peso sobre ela. Mio tirou os pés do chão, e a grade deu uma leve tombada para o lado de fora, o suficiente para desequilibrar a garota. Exatamente como acontecerá com Jimmy.
Ela caiu!
Fale com o autor