Títeres
3 Com o pequeno assasino
Notas iniciais
Dedicado para a super Escritora Gi!! Obrigado pelo apoio.
Sua casa. Valentin só assimilou a informação de que o pequeno assassino ia morar em sua casa quando estava de frente para ela. O loiro não sabia como tinha chegado lá, nem o que tinha sido feito dos outros prisioneiros. Porém, La estava ele, na porta da sua própria casa, acompanhado por um garoto que parecia muito mais novo e menos perigoso do que realmente era.
O militar morava em um apartamento. Prédios habitacionais eram novidade na época. Valentin só morava lá pela praticidade. Era bem perto da sede da Brigada Militar, onde trabalhava quando não estava em missões. Além disso, era um rapaz solteiro e de apenas vinte anos, um apartamento pequeno era espaço o suficiente para ele, além de ser muito mais fácil de limpar. Seus pais foram contra. O rapaz era de uma família rica donos de fazenda e, portanto, moravam em uma cidade no interior do país. Valentin tinha um irmão, Romero, que era mais velho e estava ávido por administrar a fazenda do pai, coisa que o próprio loiro nunca quis. Para não criar problemas, se mudou e foi seguir seu sonho como policial em uma cidade grande.
O apartamento, como dito, não era grande, mas era decorado com muito bom gosto. A sala e a cozinha eram dividias apenas por um balcão. Além disso, havia o quarto e um banheiro. O imóvel era todo decorado com móveis escuros, e as duas janelas – uma na sala e outra no quarto – receberam cortinas pesadas. Valentin abriu a porta e fez sinal para que o menino entrasse e este obedeceu.
- Vamos para o banheiro, eu tenho que remover essa bala antes que infeccione.
Obediente, 4 seguiu o militar por um caminho curto até chegar ao banheiro. Esse cômodo era todo de azulejos desenhados, tinha uma armário grande, e um pequeno,c om a porta de vidro. Também possuía um chuveiro e uma banheira de tamanho médio, feita de porcelana. Assim como a banheira, a pia era de porcelana, e em cima dela pendia um espelho grande com uma moldura dourada cheia de rococós. Nix, apesar de não ter boas armas, já havia desenvolvido uma rede de eletricidade absurdamente desenvolvida para a época e Buccaner, sendo a capital, era a cidade com esse sistema mais desenvolvido. Entrava luz solar pelo basculante do banheiro, mas não era o suficiente. Valentin ascendeu as luzes e colocou o menino sentado em um banco de madeira que ficava no banheiro sem qualquer motivo aparente.
Do pequeno armário, o militar retirou seu kit de primeiros socorros. Por morar em uma fazenda de difícil acesso, aprendera a suturar e desinfetar feridas, dentre outros tratamentos médicos mais comuns. Tirou lentamente a camisa do menor com medo de machucá-lo, mas o menino continuava com a mesma “expressão sem expressão”. Valentin surpreendeu-se ao ver que o corpo era muit rígido, como se os músculos tivessem sidos treinados à exaustão, porém a pele continuava macia, como a pele de uma criança deveria ser. O militar, então, lavou as próprias mãos e delicadamente limpou o ferimento.Por fim, preparou-se para retirar a bala.
- Isso vai doer um pouco, preciso que agüente firme e não se mexa. — informou o loiro ao mais jovem. – Pode fazer isso?
4 acenou positivamente com a cabeça. As balas da época eram esferas de chumbo, por esse motivo não penetravam profundamente na carne nem se desfaziam em vários pedaços. O menino não se moveu, porém deixou escapar alguns gemidos de dor durante o processo.
- Pronto. – Terminou, Valentin com a bala já em uma das mãos. – Eu desinfetar melhor seu ombro e depois vou suturá-lo. Mas o maior problema já saiu, literalmente. – o loiro riu de sua piadinha forçada, tentando descontrair o clima, mas, como sempre, o menino se manteve sério.
- Então, seu nome é mesmo 4? – continuou o jovem, retomando suas atividades médicas.
- É.
-Monossilábico como sempre. – Valentin falou mais pra si do que para o outro. – Eu não posso te chamar assim, é desconfortável para mim e imagine o que os outros vão pensar quando estivéssemos andando nas ruas. Gostaria de ser chamado de outra coisa.
- Não me importo.
- Como posso te chamar então?
- Como quiser.
- Er.... ok, vou pensar em um nome. Enquanto isso vou ficar com 4 mesmo. Eu já apliquei uma pasta de cravo e algumas ervas, deve estar ardendo um pouco, mas é para anestesiar o local para eu poder suturar. Espera só um pouquinho. Eu já volto. Vou pegar a linha.
Valentin não se demorou. Quando voltou, encostou no machucado do menor, como esta não reclamou, o loiro achou que a pasta já tinha tido efeito. Limpou a pasta e começou a costurar. Deu apenas três pontos. Enquanto costurava tentava puxar assunto, mas 4 manteve suas respostas monossilábicas. Por fim Valentin desistiu.
- Pronto, terminei. Agora vai ficar tudo certo. Antes de eu colocar o curativo, tome um banho, você está imundo.
O rapaz mais velho, que estava agachado de frente para o menino, se levantou e abriu a torneira da banheira. Além de eletricidade, Buccaner também tinha água encanada.
- Eu liguei o forno de aquecimento geral do prédio, a água está quente. Quando a banheira encher, feche a torneira e tome uma ducha antes de entrar nela. – disse isso já se dirigindo para fora do banheiro quando sentiu algo segurar a manga de seu uniforme. O loiro se assustou, mas o garoto não estava fazendo nada ameaçador, estava apenas em pé parado, com aquele costumeiro rosto apático segurando a manga de Valentin.
- O que foi? — começou o loiro – Tem medo de água?
- Não.
- Ué 4, qual é o problema então? Pode me dizer.
- Não quero ficar sozinho.
-Quê? – Valentin coçou a cabeça – Como assim? Quer que eu tome banho com você então? Desculpa, mas banho é algo que se toma sozinho. Não posso ficar aqui com você. – falando isso se virou para sair de novo do banheiro mas 4 segurou com mais força.
O militar se virou e curvou o corpo para ficar da altura do menino, que batia em seu peito. Apoiou sua mão sobre a cabeça do mesmo e falou.
- Desculpa mas eu realmente não posso tomar banho com você.
Dizendo isso o militar saiu e fechou a porta. Voltou para sala e sentou-se no sofá. Estava exausto e todo suado. A manhã veio mais fresca que a anterior e a brisa úmida que entrava pela janela refrescava o rosto do loiro. Valentin tirou a jaqueta do uniforme e a camisa que usava por baixo e caminhou até a janela que dava para a baía do porto. O sol já havia nascido mas estava bem perto da aguá ainda. As nuvens estavam róseas. Era uma bela visão. De repente, Valentin sentiu um arrepio e, quando se virou, 4 estava parado, de pé olhando fixamente para ele. O loiro deu um passo para trás assustado e quase caiu da janela, mas então percebeu que 4 não apresentava nenhum sinal de hostilidade, só estava ali, parado, ainda imundo. O rapaz colocou a mão na própria testa e balançou a cabeça.
- Você me assustou, se continuar assim vai me matar do coração. Por favor, avise quando chegar, é o que a boa educação ensina. E, pelo visto ainda não tomou banho. Você não vai mesmo se banhar sem mim né?
O garoto afirmou sacudindo a cabeça. A situação fez Valentin gargalhar.
- Ok ok, vamos para o banho então.
Valentin estava doido por um banho de qualquer forma. Odiava que seus cabelos ficassem colados na testa por causa do suor.
Os dois rapazes entraram no banheiro. O loiro se despiu e mandou o moreno fazer o mesmo. Valentin tinha o corpo esculpido por exercício. Tanto seu tórax quanto suas coxas eram torneadas. Em, o moreno tinha um corpo pequeno, mas Valentin sabia que os múculos debaixo daquela pele macia eram incrivelmente resistentes. Mesmo sendo magro e pequeno, 4 não parecia frágil, emana perigo do seu corpo.
Os dois entraram no chuveiro. Valentin se molhou primeiro e depois passou suas loções de banho. Tudo que o mais velho fazia, o mais novo imitava. 4, no entanto passou muita loção no cabelo e a espuma escorreu para seus olhos, que ficaram vermelhos. O menino esfregou os olhos, visivelmente incomodado, mas sem reclamar.
- Ei, ei, espera. Pára de esfregar. Aqui, olha pra cima e deixa a água cair em seus olhos. Viu, ta melhor agora né.
Valentin segurava o rosto do garoto com suas duas mãos e olhava em seus olhos para ver se estavam muito vermelhos. Porém acabou se perdento naqueles olhos verdes. Hipinotizado, o loiro começou a corar. Depois de alguns segundos percebeu que estava congelado e sacudiu a cabeça para desperta.
- Desculpa por isso. He He. – Valentin estava envergonha. – Vira de costas, deixa eu ensaboar pra você.
O pequeno obedeceu e Valentin esfregou as cotas do menor com uma bucha até estar satisfeito com o serviço. O loiro percebeu que o menino não se banhava tinha bastante tempo, porque havia algumas costas de sujeira pelo seu corpo. Então, começou a lavá-lo por completo. Face, pescoço, tórax, axilas, barriga, virilhas, coxas, canelas e finalmente os pés. Valentin estava impressionado que um garoto de catorze anos, capaz de lutar daquela forma não soubesse tomar banho. Pronto, finalmente 4 estava limpo. O maior colocou a esponja de volta em seu lugar e pôs o menor embaixo da água, para tirar a espuma dele. Foi aí que percebeu que 4 estava com a esponja na mão.
- Que foi? Falta algum lugar?
- Suas costas.
O loiro riu e se virou. 4 começou esfregando os ombros de Valentin com uma certa força.
- Calma, ta me arranhando. Mais fraco.
O menino obedeceu e foi esfregando com mais delicadeza. Começou nos ombros e foi descendo, quando chegou perto do Cox e dos glúteos, Valentin ficou envergonhado e pediu para que parasse.
— Tá bom, eu já to bem limpo. Eu vou pra banheira, preciso relaxar. Você pode se secar e ir pro quarto. – disse isso já entrando na banheira, mas assim que se sentou percebeu que o menino estava entrando com ele.
A banheira não era grande para os dois. 4 sentou-se de frente para Valentin sobre suas pernas.
-Ahh não 4, assim é muito desconfortável. Já que você vai ficar aqui troca de lado.
Os meninos se acomodaram. Acabou que 4 ficou sentado no colo de Valentin, de costas para ele e apoiou a parte de trás da cabeça entre o ombro e o pescoço do loiro. Este sentiu-se desconfortável no começo, afinal eram dois homens em uma banheira, mas depois se acostumou e começou a contar o menino sobre sua vida. Ficaram naquela posição alguns.
-Pronto, vamos dormir agora.. Eu to cansado.- Valentin falou por fim, mas percebeu que o garoto dormir muitos minutos antes. Levantou-se e pegou o menino no colo. Apesar da barulheira, 4 não acordou. Valentin teve muita dificuldade em secá-lo dormindo, porque seu corpo estava mole, mas por fim conseguiu. Levou-o pra cama e deitou-o lá, nu mesmo.
- Você é mesmo uma criança. – falou para sim mesmo. – Ai, ai, onde eu fui me meter.
Dizendo isso, cobriu o rapazinho moreno e foi se vestir. Apesar de todo esse contatro com o menino, Valentin não queria dormir com ele. Mesmo a cama sendo de casal, o loiro não se sentiria confortável dormindo com outro homem nu ao seu lado. Pegou os trapos em que encontrara 4 e jogou fora.
- Mais tarde eu compro roupas pra você, agora vou dormir. Aproveitar que tenho dois dias de folga.
Dizendo isso, deitou-se no sofá de veludo e dormiu profundamente.
Notas finais
Até a próxima.
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