Notas iniciais
Bem, como prometido, capítulo 2 pra vocês, uma semana depois. E brigado pelos coments, fico contente com isso. No próximo tá mais emocionante, mas esse é meio que ponte pra algumas coisas... então... Aproveitem

Milo correu até a borda, junto com o rapaz de cabelos curtos e cosmo sombrio. Olhavam para baixo assustados, sem entender nada do que havia acontecido. Quando iam trocar palavras, viu o loiro descendo calmamente por uma trilha, sendo seguido pelo grandão. Mu deu uma risada e disse:

–Vai ser mais fácil se formos juntos, melhor seguirmos os dois não? Vocês vem comigo?

O rapaz das rosa falou pela primeira vez, com uma voz quase que cantante, suave, porém mortal;

–Obrigado Mu, mas eu não gosto de fazer nada que altere minha beleza. Se eu correr posso acabar suado, rasgar minha roupa, ou algo do tipo. Mas te garanto que chegarei lá na hora.

Milo achou aquela atitude estranha para um cavaleiro. Não querer se sujar? Oras, um guerreiro deveria estar disposto a dar a vida e ele não queria suar? Milo achou aquilo ridículo, mas antes que falasse, o rapaz de cabelos curtos disse:

–Ora, se esse cara aí não quer ir vamos Mu, e os outros também. Já temos dois a nossa frente, e isso é quase um teste, então não podemos fazer feio. Vamos embora, deixe o jardineiro aí cuidando das flores.

O rapaz deu um sorriso calmo, mas seu cosmo oscilou perigosamente:

–Guerreiro, cuidado com as flores, por que elas tem espinhos. Você não me conhece, então não me desafie. Aposto que chego lá muito antes de você.

–Se isso é uma aposta, considere aceita, é...

–O que foi?

–Qual seu nome mesmo jardineiro?

–Afrodite.

–Há?????

–Qual o problema?

–Você é mesmo uma mulher então?

O cosmo que antes havia oscilado começou a crescer perigosamente:

–Eu sou tão homem quanto qualquer um aqui e desafio quem for a hora que for preciso, por isso cuidado guerreiro. Sou batizado com o nome da deusa do amor, sim, mas por que herdei o nome de uma das estrelas da constelação de peixes, e possuo a beleza dela, não me confunda.

Mu interveio:

–Opa, calma aí gente, nós temos que chegar lá embaixo juntos, não nos matar antes disso, certo? Desculpe o nosso amigo aqui, Afrodite, acredito que foi sem intenção que ele disse o que disse.

Mu disse isso dando um olhar de censura ao rapaz, que estava quase tendo uma crise de riso.

O cosmo de Afrodite foi diminuindo, mas pelo rubor em seu rosto, sua raiva não.

–Qual o seu nome guerreiro?

–Nome? Há, bom jardineiro, se você foi batizado com o nome da deusa do amor, vou te falar o nome que eu ganhei pelo meu estilo de vida. Pode me chamar de Máscara da morte, a última visão dos meus inimigos antes de morrer.

Afrodite deu um sorriso:

–Hum... ok Máscara, te desafio a chegar lá embaixo antes de mim. Vamos?

–Vou te fazer comer poeira, jardineiro.

Milo ria internamente daquela conversa. Os dois guerreiros foram descendo pela trilha, e Mu os seguiu logo atrás, quando se virou e perguntou:

–Vocês não vem?

Milo se assustou. Esquecera do outro rapaz, o ruivo que suava muito. Virou-se e viu que ele estava recostado a uma pedra, com o olhar vazio, distante.

–Her, pode ir Mu, eu estou indo.

–E você amigo, não quer ir conosco?

O ruivo se virou para encarar Mu:

–Obrigado. Prefiro encontrar vocês lá embaixo.

–Ok-respondeu o rapaz, e foi seguindo Afrodite e Máscara.

Milo não sabia se ia atrás de Mu, ou se ficava para trás para ir junto com o ruivo. Começou a encará-lo, até que o outro se virou e disse:

–Acho melhor você ir com eles. Eu prefiro fazer as coisas sozinho.

–Bom, é que esse lugar é desconhecido, ao menos para mim, achava que era melhor irmos todos com alguém. Não sei por que senti que você queria ficar só, e quis esperar.

O ruivo achou a situação engraçada. Ninguém nunca havia esperado por ele.

–Não perca seu tempo. Como disse, prefiro ficar sozinho. Vá indo, nos vemos lá embaixo.

–Bom, já que é assim...

Milo já havia se virado quando lembrou que esquecera de algo:

–A propósito, me chamo Milo, seu nome é...

Mas não havia mais ninguém lá.

E saiu correndo atrás dos outro cavaleiros.

Já havia mais ou menos vinte minutos que Milo estava correndo, mas não encontrava seus novos colegas de batalha. Sentia seus cosmos próximos, mas estranhamente separados. A encosta era íngreme, quase como uma parede. Milo saltava com agilidade de um ponto a outro, mas parecia que quanto mais descia, tudo ficava igual. Na verdade, parecia que estava andando em círculos. Saga havia dito que o cosmo de Atena estava presente no santuário, portanto não haveria truques, mas por que ele estava com aquela sensação estranha?

Enquanto pensava nisso, sentiu o cosmo frio do cavaleiro ruivo por perto. Como os outros cosmos estavam se distanciando, resolveu tentar ir na direção dele. Havia uma floresta densa a sua frente. Adentrou nela, e foi seguindo aleatoriamente, sentindo o cosmo frio se aproximando.

Mas então dois novos cosmos apareceram no ambiente. Extremamente rápidos, agressivos, e muito grandes. Um suor frio percorreu a espinha de Milo, uma excitação já conhecida tomou conta do seu corpo: uma luta estava por vir. Os dois cosmos vinham de lados diferentes, mas ambos eram muito hostis. Milo se perguntava se estava pronto para encarar algo de tamanha magnitude, quando lembrou-se que seu foco era chegar o mais rápido possível na área onde deveria receber sua armadura. Não poderia entrar em uma batalha desprotegido, e eram dois contra um. Lembrando-se dos ensinamentos de seu mestre, começou a suprimir seu cosmo, coisa que fazia com muito custo, pois sua vontade era descobrir de quem eram aqueles cosmos hostis e encará-los. Após algum tempo de concentração, sentiu que os cosmos hostis haviam passado próximo ao cosmo frio do ruivo e se distanciado, e o cosmo dele havia sumido.

Uma nova preocupação tomou conta de Milo. Se o cosmo do ruivo, que era tão grande quanto aqueles que havia sentindo, e o seu mesmo, do que será que eles eram capazes? Será que haviam feito alguma coisa com ele?

Começou a correr na direção que havia sentindo o cosmo frio pela última vez. Não levou um minuto até encontrar um rio calmo, que parecia destoar do lugar onde estavam. Como poderia haver um lugar como aquele na encosta de uma montanha?

Olhou em redor, e não percebeu nada. Foi andando pela margem do rio, quando notou pegadas na terra. Seguiam em frente.

Milo seguiu as pegadas, mas pela floresta, deixando a margem do rio ao seu lado direito, andando sorrateiro. Em pouco tempo, surgiu em sua frente o ruivo, parado, com os olhos fechados, e uma expressão de extrema concentração. Respirava devagar, mas Milo sentiu que ele estava vivo, e aparentemente não havia nenhum ferimento. Então se perguntou por que não havia sentido sua presença depois daquele instante. Aguardou em silêncio.

Camus abriu os olhos. Os dois cosmos passaram perto dele, mas não conseguiram detectá-lo. Eram hostis, mas de certa forma, eram familiares. Por serem tão grandes, Camus julgou que deveriam ser dos outros dois cavaleiros que faltavam chegar.

Olhou em volta mais uma vez, e não detectou mais nenhuma presença estranha. Estava só.

Então, começou a tirar a roupa. Primeiro tirou seus tênis e meias, depois sua camiseta. Os cabelos longos caíram pelas costas, e então, desafivelando o cinto, tirou seus jeans, e foi se refrescar no rio.

Um dos motivos que queria estar só era justamente esse, precisava se refrescar. A Grécia era muito quente, quando comparada a sua terra natal, na Sibéria. Não estava mais aguentando tanto calor, deveria ter feito como o loiro, e o tal Mu, usado uma túnica, mas não.

A água ainda não era tão fria quanto ele esperava, mas por hora bastava para se refrescar. Sem deixar que seu cosmo se elevasse a ponto de ser notado, foi resfriando a temperatura do lago, que ficou com parte da superfície que Milo enxergava do rio congelada. Era uma camada fina de gelo, mais como se houvesse colocado vidro em cima dele.

Aquilo deixou Milo impressionado, mas não tanto com o que vira antes.

O corpo do ruivo era escultural. Seus braços e peitos eram fortes, mas esguios. Suas costas eram grandes, parecendo esculpidas em mármore. Sua pele era branca, e estava toda salpicada de água, ele parecia uma visão saindo do rio. Suas pernas eram fortes, e sua bunda era dura, rígida, dois gomos fortes. Milo quase se bate quando percebe que estava olhando para a bunda do ruivo. Mas agora sua curiosidade estava aguçada, já que viu atrás... que custava olhar a frente?

Enquanto o ruivo mergulhava, Milo tentava espiar melhor, mas a luz do sol na água o impedia. Só pode ver algo quando o ruivo saiu caminhando até suas roupas.

Milo ficou sem respirar por um minuto. Nunca havia reparado em outro homem nu, como reparava agora naquele rapaz. Seu sexo pendia relaxado em cima de seu saco, e era grande, mesmo mole. Uma inquietação tomou conta de Milo, que sentiu, na mesma hora que viu o sexo do rapaz, o seu começar a reagir, pulsando devagar. Estranhou a sensação.

O outro resfriou a temperatura em volta do seu corpo.As gotas de água que ainda restavam se tornaram em gelo, e foram se soltando. Uma vez livre delas, o ruivo voltou a vestir suas roupas, e continuou seu caminho.

Milo estava meio bobo com o que presenciara. Aquele rapaz era uma escultura ambulante, como um homem daquele podia ser um cavaleiro lendário? Todo belo, com um jeito tão másculo e ao mesmo tempo, delicado, diferente daquele afetado do Afrodite, era algo natural.

Teria ficado assim se não houvesse sentindo o cosmo de Mu se elevando longe dali. Tomado pela mesma apreensão de antes, de que uma luta poderia ocorrer a qualquer minuto, começou a correr na direção em que sentia o cosmo do rapaz que conversara amigavelmente com ele minutos antes.

Milo na verdade havia perdido a noção do tempo, mas sabia que ou estava muito atrasado, ou estava quase no fim o prazo dado por Saga. Começou a correr a toda velocidade, mas resolveu explodir seu cosmo, senão não iria muito longe na velocidade máxima de um ser humano comum.

No final do rio havia uma cachoeira, e atrás dela ele sentia o cosmo de Mu oscilando, ora subindo, ora descendo, quase como se fosse o ritmo das batidas de um coração descontrolado. Os outros dois cosmos agressivos estavam por perto também. A medida que se aproximava, reparou que todos os outros guerreiros estavam se aproximando, seus cosmos estavam cada vez mais nítidos. Foi então que atravessou a cachoeira. A agulha escarlate estava pronta para atacar.

E estava em meio a ruínas.

Estranhou o espaço cinza a sua frente. Mu estava sentado, sorrindo para ele, ao lado de outros dois jovens, um moreno alto com os cabelos curtos e espetados, e um outro rapaz loiro, muito parecido com Aioros, mas um pouco mais baixo, com olhos verdes, e cabelo um pouco mais curto.

Ao se virar, chegaram juntos Afrodite e o rapaz loiro da túnica branca. Afrodite não parecia ter movido um músculo, não apresentava nenhum sinal de que houvesse nem caminhado. O loiro continuava de olhos fechados.

Saga e Aioros estavam encostados em uma coluna. O cavaleiro de sagitário possuía uma expressão séria, mas o de gêmeos exibia um sorriso divertido.

Com um baque enorme, o grandalhão aterrissou no meio dos guerreiros, carregando no ombro um Máscara muito reclamão, que xingava horrores.

–Me solta, coisa feia. Me solta ou eu juro que te arrebento!!!!

–Se você pudesse fazer isso, eu te soltaria com prazer, mas como você está meio tonto, devia agradecer por eu ter te carregado até aqui. Mal humorado viu...

E o grandão o soltou no chão, e se sentou logo depois, como se aquilo fosse extremamente comum. Aioros então falou:

–Bem, finalmente estamos todo aqui não? Desculpem a brincadeirinha sem graça do Saga, todos estão bem?

–Brincadeira? Que brincadeira?- perguntou um Milo totalmente confuso.

Mu foi quem deu a explicação:

–Milo, o Saga disse a verdade. O cosmo de Atena aqui presente não permite que a pessoa faça outra coisa senão caminhar de forma natural no santuário. Mas não disse que nós poderíamos andar sem enfrentar nenhum obstáculo, não? Ele aplicou em nós, de forma rápida e controlada, um dos seus golpes, capazes de provocar ilusões em quem o recebe. Nós estávamos a apenas uns lances de escada aqui da arena, mas graças ao golpe do Saga, achamos que teríamos que percorrer uma trilha, pela encosta de uma montanha.

–Quer dizer que tudo não passou de uma ilusão?

–Exatamente. Saga queria testar nossa capacidade como cavaleiros. Era um teste único, nada mais.

–Mas depois de tudo o que treinamos, ainda precisamos de testes? Que palhaçada é essa?

–Acalme-se amigo- disse Aioros- o Saga costuma pregar peças nas pessoas. É uma qualidade dele ser engraçado, mas quando ele abusa disso acaba se tornando engraçadinho... não é mesmo, Saga?

–Aioros, se eles são mesmo os homens que dizem ser, deveriam quebrar a minha ilusão de forma natural. Se eles não podem com uma ilusão, como tem a pretensão de defender Atena?

Uma voz grave se fez presente na conversa:

–Acho que quem deve decidir se eles estão aptos a isso ou não sou eu, não Saga?

Um homem mascarado caminhava tranquilamente em direção a eles. Saga e Aioros se ajoelharam imediatamente.

–Perdão Mestre, com certeza, qualquer decisão aqui cabe ao senhor.

O mascarado olhou em volta. Por baixo da máscara apresentava uma expressão cansada, porém divertida. Falou:

–Aproximem-se rapazes. Eu sou o mestre desse sagrado santuário de Atena. Na ausência dela, eu sou o responsável pela manutenção destas terras sagradas, e do acompanhamento de toda a guarda da deusa. Muito prazer em conhecê-los.

Notas finais
Espero que tenham gostado, continuem me falando. Um bjo/abraço e até semana que vem