Tão fora da terra
27 Capítulo 27- Será sempre assim.
Notas iniciais
Ao chegarem na casa de Capricórnio, Aldebaram fungou. Não disse nada, apenas fechou os olhos. Ao atravessarem, na saída da casa, se depararam com a armadura dourada montada, e um corpo caído do lado dela.
Mu avançou. Era Shiryu.
—Atena.
—Sim.
Saori não sabia bem o que fazer, apenas confiou em seu poder divino. Colocou uma mão na testa do cavaleiro de Dragão, e em alguns instantes, o rapaz começou a suspirar, logo abriu os olhos.
—Conseguimos- Saori sorriu.
Ao levantar os olhos, ela viu Aldebaram de frente para a armadura de Capricórnio. Uma troca de olhares com Mu, e um sinal de cabeça de Shaka foram o incentivo.
Saori se aproximou da armadura, e colocou sua mão. O cosmo emanou, e traçou uma linha pelo céu.
—Pegue-o.
Um corpo caia. Aldebaram não podia acreditar. Amparou Shura nos braços.
—Atena... ele...
Saori sorriu, tímida.
—Desculpe, eu não consigo manter ele muito tempo. Consegui recuperar seu corpo por que ainda tinha vestígios de sangue na armadura. Mas não sei se ele vai resistir. Ainda não sei como fazer isso, se eu pudesse evitar...
Antes que Saori chorasse, Mu se manifestou:
—Atena, você concedeu aos dois a chance de se despedirem. Por favor, não se culpe. Vamos, temos pouco tempo para tentar salvar os outros.
Aldebaram chorava. Mas sorriu ao olhar a garota.
—Obrigado.
O grupo se afastou. Aldebaram ficou sozinho com Shura.
Pela última vez.
— -- — -
Milo estava ardendo de ansiedade. Se Shura que tinha virado poeira celeste havia voltado, e tinha mais algum tempo, com certeza Camus poderia ser ressuscitado, ele só estava congelado... Nem que ele tivesse que partilhar o coração dele, mas deveria haver alguma forma...
Tinha que ter um jeito.
Ao chegar em Aquário, Saori tocou em Hyoga. O Cisne descongelou.
Milo olhava, hesitante, impaciente.
Saori se aproximou de Camus. Colocou as duas mãos em seu peito.
Silêncio.
Mio não conseguia segurar as lágrimas.
Pelos deuses...
Por tudo que havia de mais sagrado...
Pelo amor que eles sentiam...
Saori abriu os olhos. Perplexa. Se virou para Mu e Shaka. Os dois se aproximaram.
—Ele também...
Mu falou mais uma vez:
—Nós entendemos.
Milo começou a chorar.
Camus inspirou. Abriu os olhos.
Camus estava vivo.
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A rosa vermelha secou suas pétalas. Shun abriu os olhos.
—Saori? Você...
—Shhhhi- A garota sorria- Está tudo bem agora.
Shun sorriu.
Os cavaleiros de bronze estavam vivos.
Agora faltava enfrentar Saga.
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Shina e Marin estavam aguardando os guerreiros.
—Atena, Seiya e Ikki...
—Estamos chegando- Saori pousou a mão no ombro de Shina.
O cosmo de Saga crescia cada vez mais.
—Já nem sente mais dor, não é Seiya?
Gêmeos atacava sem parar. Atirou o cavaleiro de bronze longe. Estava prestes a decapitá-lo, quando Ikki interrompeu.
—Você de novo?
Saga atacou com intenção de matar.
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Aldebaram pousou Shura em sua cama. Se ajoelhou, e segurou a mão que restava do guerreiro.
—Shura... por favor, lute.
O capricorniano sorriu.
—A última coisa que eu vi antes de desaparecer... sabe o que foi, grandão?
As lágrimas que corriam pelo rosto de Aldebaram queimavam.
—Foi esse seu sorrisão lindo... dizendo que me amava...
—E amo... sempre... fica comigo Shura...
O capricorniano tossiu.
—Não posso... nós temos uma missão, lembra? Somos cavaleiros... para sempre.
—Atena te ressuscitou...
—Mas nós não podemos interferir nos planos... da guerra... nós temos que morrer, Deba, você sabe...
—Não, eu não aceito isso.
Shura soltou sua mão, e afagou o rosto do brasileiro.
—Eu só aceitei voltar pra te dizer mais uma vez... que eu te amo.
—Shura...
—Eu queria te ver... pra te dizer... seja forte, aguente firme. Meu grandão, logo, antes do que você imagina, nós ficaremos juntos. De novo.
—Eu...
—Não fala nada. Não precisa. Só confie em mim. Eu prometo. Você acredita em mim?
—Sempre...
—Então me beija... por que nosso próximo beijo pode demorar um pouco...
Aldebaram se aproximou, e colou sua boca na de Shura. Trocaram o beijo mais apaixonado que alguma vez deram.
Shura sorriu.
—Lembre-se sempre que eu te amo, grandão.
Aldebaram sorriu e afagou o rosto de Shura.
—Eu também te amo.
Shura fechou os olhos.
—Vá em paz.
Aldebaram se levantou, e foi se juntar a Atena, deixando Shura em sua cama.
— -- — — -
Camus abriu os olhos.
—Milo...
—Shhhhi... poupe forças...
—Milo... preciso falar...
Milo segurava Camus em seu colo. Estavam apenas os dois na mansão de Aquário.
—Milo... tenho pouco tempo...
—Camus, eu...
—Escute-me- o francês segurou seu braço, fracamente.
—Pode falar.
Camus sorriu.
—Eu... sempre... te amei...
—Eu sei disso.
—E sempre... sempre vou... te... amar...
Milo chorava.
—Atena não pode nos ressuscitar, por que nós não queremos ser ressuscitados...
—Como é?
—Nossa missão, como cavaleiros... é proteger Atena...
—Eu sei... mas como...
—Mesmo mortos, nós protegeremos Atena, Milo. Apenas por isso, nós, que morremos nessa batalha, não aceitamos voltar. Temos negócios a resolver... que não poderemos fazer se permanecermos vivos.
—Camus... e eu, como eu fico, sem você?
— É por pouco tempo, encare como se eu estivesse em uma missão... mais prolongada...
—Eu não aguento...
—Aguenta sim, Milo. Você sempre foi o mais forte...
—Não, eu não quero aguentar. Não quero ficar sem você. Eu te amo, você não entende?
Milo soluçava. Camus não queria ficar com ele.
—Ei... coloque-se no meu lugar... se você estivesse morrendo pra salvar Atena, e eu tentasse te impedir... como você se sentiria?
Milo o encarou com olhos vermelhos.
—Você me entende melhor que qualquer um, não é mesmo?
—Eu...
—Por favor, não tenho muito tempo... só aceitei voltar mesmo por sua causa, pra te tranquilizar.
—Há Camus...
—Vá, Atena precisa de vocês.
—Eu amo você.
—Eu também te amo. Sempre.
—Eu vou te esperar.
—Eu vou voltar.
Milo se aproximou e beijou Camus delicadamente. O sabor do francês ficaria gravado nele para sempre.
Aquele último beijo.
Camus segurou seu rosto. Milo encaixou-se na palma da mão fria do amante.
—Você é sempre frio assim?
— Eu não sou tão frio quanto meu cosmo, Milo- Camus repetiu as palavras que dissera quando Milo o tocou pela primeira vez, sem ser em uma luta, na biblioteca.
—Camus...
—Vá... e lembre-se, sempre estarei com você... será breve...
Camus fechou os olhos.
Sua mão relaxou.
Dessa vez, ele havia morrido.
E não iria voltar.
Milo gritou.
— -- — -
—Já chega Saga.
O báculo dourado atacou, e impediu que Ikki fosse morto.
—Então, estão todos aqui?
Todos os cavaleiros vivos estavam ali.
Os dourados observavam Saga, Aioria queria fuzilá-lo por tudo que ele fizera a Aioros.
Antes que começasse mais um derramamento de sangue, os guerreiros de bronze se uniram a Seiya, e atacaram.
Saga fora livre do seu lado maléfico.
Terminou por se lançar no báculo de Atena. Não conseguiria se perdoar, não conseguiria lidar com a culpa, não queria mais viver.
Muito menos sem Aioros, nem mais um dia que fosse.
Por fim, terminara a batalha das doze casas.
— — — -- -
Os guerreiros de bronze foram levados para o Japão, foram internados em estado grave. Aldebaram foi o único que obteve permissão para sair do Santuário e acompanhá-los.
Era melhor prevenir do que remediar.
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O enterro no cemitério do Santuário foi rápido e quieto. Mu, Aldebaram, Shaka, Aioria e Milo estavam cansados.
Não apenas fisicamente. Era um cansaço mental, até espiritual.
Muita coisa foi perdida nesse tempo.
Touro e Escorpião, por mais que soubessem que seus amantes estavam em uma missão, se recusavam a aceitar isso. Poderiam ter dito o que fosse, a dor era maior, a expectativa também.
Seus amigos... companheiros de guerra... irmãos cósmicos...
Nada além de lembranças agora.
Mu foi saindo, acompanhado de Aioria e Shaka. Os outros dois ficaram mais algum tempo olhando os túmulos, e então se afastaram.
Saori se aproximou dos túmulos a noite. Caminhou entre eles.
Havia um túmulo simbólico, ao lado do de Saga, para Aioros.
—Vocês sempre fizeram o melhor. Obrigada.
Alguém a chamava pelo cosmo.
—Estou indo.
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Uma nova batalha iria começar.
Isso não estava previsto nos planos de Atena.
Mas seria um treinamento. Caso os cavaleiros de bronze conseguissem, a única batalha que importava seria selada definitivamente.
E os cavaleiros de ouro estavam proibidos de sair do Santuário.
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Em um dia estranho, os cinco dourados comiam juntos, quando o céu escureceu.
Começou a nevar.
O vento estava forte, parecia que queria arrancar tudo que estivesse no chão.
Uma presença forte se manifestou.
E todos foram mortos com um golpe.
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Milo acordou gritando. Outro pesadelo. Não conseguia dormir, quando não era com Camus, sonhava com esse inimigo estranho.
Sua surpresa só aumentou quando, ao olhar pela janela em direção a décima primeira casa, viu que flocos de neve a circundavam.
Pétalas em torno de Peixes.
Brilhos em Capricórnio.
Raios pequenos em Sagitário.
Nuvens em Câncer.
Pedras em Gêmeos.
A voz de Shaka se conectou ao cosmo dos amigos.
—Eles estão nos avisando que chegou a hora.
Finalmente.
As armaduras foram vestidas.
The end
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