Tão Simples como Amar

12 Mas eu me mordo de ciúmes!


Lilian não tirava os olhos da tv, na verdade, tentava prestar atenção no que passava mas de nada adiantava. Impossível prestar atenção em algo quando se está com sentimentos tão contraditórios. Lembrou-se do celular e virou rapidamente, pegou o aparelho e assim que o abriu deu de cara com diversas ligações perdidas do namorado. Sorriu ao ver a porta sendo aberta e Julia surgir um tanto quando atrapalhada carregando a bandeja. Lilian achando graça da situação provocou:
— Vejo que você tem muita experiência em carregar bandejas...
— Ah, realmente...Fui escoltada pela Edna até metade do corredor. — admitiu sem graça.
— Eei, você podia ter me chamado, eu te ajudava.
— Que é isso, nada disso... — deixou a bandeja em cima da cama com o maior cuidado — Eu tenho experiência, ok? — disse numa falsa seriedade.
— Em derrubar as coisas? — perguntou sorrindo.
— Não, em trazer lanches na cama mesmo.

Lilian franziu o cenho, o que Julia quis dizer com aquilo? Que muitas mulheres passaram pela sua cama? Sentiu repulsa só de imaginar. Julia percebendo a burrada que dissera ...imaginava o que estaria se passando pela cabeça da garota mais nova e tratou de mudar o assunto:
— Bora comer? Tô azul de fome!

As duas comeram em silêncio, o único som que se ouvia era o da televisão. Lilian até perdera um pouco da fome que sentia...Quando terminaram de comer Julia levou a bandeja para a cozinha e voltou ao quarto rapidamente, se jogou na cama rapidamente enquanto Lilian mantinha-se quieta. Julia não aguentando mais a situação, virou o corpo e apoiou a cabeça na mão, e com a livre fez Lilian olhar para si:
— Acabei de descobrir uma coisa.
— O que?
— Odeio você em silêncio...
— Então quando eu desandar a falar, não reclame. — brincou.
— Nunca. — e sorriu.

Lilian ficou a admirar o sorriso de Julia. Já tinha chegado a conclusão de que era lindo, mas descobriu algo a mais naquele dia...Algo que a fez ficar mais encantada com Julia, o que era? Nem ela mesmo sabia, só sabia que era tão bom de sentir. Num movimento involuntário passou os dedos suavemente por sob os lábios de Julia, que gelou. Percebendo o que estava fazendo se afastou rapidamente e disse sentiu o rosto quente:
— Seu sorriso é bonito.
Julia, completamente perdida franziu o cenho e lhe disse a primeira bobagem que lhe veio na cabeça:
— É, já me disseram a mesma coisa. — disse se ajeitando na cama bruscamente.

Só então Julia percebera a segunda idiotice que dissera em menos de meia hora. A vontade que tinha era de pegar o travesseiro e gritar até lhe faltar oxigênio nos pulmões, mas contentou-se em suspirar e por uma das mãos na cabeça. Lilian ficou olhando Julia deveras confusa, quem será que dissera a morena que seu sorriso era lindo? Não estava gostando nada disso...Sabia que sentia ciumes, mas preferiu deixar isso de lado, pelo menos por enquanto. Voltou a sua duvida e não aguentou, perguntou a Julia tentando disfarçar:
— Você traz muita gente aqui?
— Quando você fala muita gente, você se refere a que? — perguntou Julia séria, virando a cabeça na direção de Lilian.
— Muitos amigos...Se rolar muitas festas aqui.
— Não, não gosto de zona no meu apartamento, adoro ele no mais absoluto silêncio. Adoro festas, mas bem longe da minha casa.
— Então não vem muitos amigos aqui.

Julia sabia onde Lilian queria chegar, mas preferiu ficar quieta e responder somente as perguntas que lhe eram feitas.
— Amigos sim...Você , a Mari e o Sérgio. Apesar de que o Sérgio não tem vindo aqui ultimamente, a Mari...A Mari quase mora aqui. E você. Conheço bastante gente, Lilian...Mas amigo mesmo, são poucos.
— Hum...E as mulheres?
Pronto, a pergunta estava feita agora era só esperar Julia mandar Lilian parar de querer se meter em sua vida, assim pensava a garota mais nova.
— Que tem?
— Trazia muitas aqui?
— Só as que eu namorei sério...Que foram poucas pra falar a verdade, não gosto muito de trazer as meninas que eu fico pra cá. Aqui é meu cantinho, Lilian.
— Hum...

Lilian, ainda não se dando por satisfeita arriscou novamente, sabia que Julia não gostava de falar da sua vida amorosa mas queria muito saber:
— E você ficou com muitas?

Dessa vez Julia arqueou uma das sobrancelhas. Sinceramente, não estava gostando do rumo que a conversa estava tomando, mas não queria ser grossa com Lilian, optou por responder, mesmo a contragosto:
— Eu acho que não...Foi o número suficiente pra eu saber o que eu sei hoje sobre as mulheres.
— Huum...Chega, né? Eu sei que você não gosta quando eu fico quieta, mas sei também que você odeia quando ficam perguntando da sua vida amorosa.
— Realmente, me conheces muito bem...Mas tudo bem, pra você eu respondo, eu sou legal. — e sorriu gentilmente.

Na tarde seguinte...
— Eu não...
— Vai ser super simples, eu sei que você é uma anti-social, só vão os mais chegados...
— Mari, não insiste...
— Por favor, por favor, por favor! O que mais eu tenho que dizer pra te convencer Julia?
— Mari...
— Você é minha melhor amiga, tem que ir!
— Não quero ir, Mariane...
— Não me venha com Mariane, você vai e acabou.
— Poxa, eu vou ser obrigada a olhar pra cara daquele André?
— Vai. Vai por mim...
— Eu não gosto dele.
— Mas gosta de mim! Você me ama!
— Pára Mari, eu não quero ficar bancando a solteirona...Você com o Guh, a Lilian com o... André.
— E você! Linda, maravilhosa, arrasando...Vai achar uma bonitona e se jogar!
— Não quero ir.
— Julia, vai ser importante pra mim, por favor...Tô te pedindo, sério.
— Mari, você não tá vendo o meu lado...Poxa, é dificil você ter que ficar assistindo os casais no maior amor sendo que a mulher que você ama tá ali no meio.
— E esse sacrifício num vale nem pela melhor amiga? — perguntou séria.

Mari ficou esperando uma resposta olhando Julia toda séria. Julia sabia que pela forma com que Mari estava agindo, de fato, ficaria extremamente magoada caso não fosse. Suspirou irritada e deu-se por vencida:
— Tá bom, tá bom...Eu vou, satisfeita?

Mari deu um largo sorriso e disse:
— Agora sim!
— Não sei porque, mas algo me diz que isso num vai ser legal...
— Ai Julia, deixa da ser chata.
— Chata? Olha só quem fala...

Augusto e Lilian conversavam distraidamente, na sala. Cada um estirado em um sofá até que se fez o mais absoluto silêncio, coisa de poucos segundos pois logo o rapaz perguntou:
— Lili...Será que ela vai gostar?
— Pela milésima vez, vai Guh, vai sim.
— E se ela achar muito cedo?
— Augusto, a única coisa que ela vai achar é que as alianças são lindas.
— Mas...
— E se você perguntar mais alguma coisa, eu ligo pra ela agora e conto tudo, entendeu?

Augusto nem tivera tempo de responder, foi interrompido pelo som da campainha que se fez estridente na sala. O rapaz levantou meio contrariado e foi até a porta. Lilian somente fechou os olhos, não queria receber ninguém...Sua vontade era de dormir e acordar somente na semana seguinte. Porém, seus planos foram por água abaixo quando ouviu o irmão lhe chamar:
— Lili...Pra você.

Lili sentou no sofá e quando olhou em direção a porta deu de cara com o namorado segurando um belo buquê de rosas vermelhas...A vontade de Lilian era de enfiar a cabeça no sofá, mas teve que sorrir. Levantou do sofá e foi em direção ao namorado. Augusto, vendo que estava sobrando foi para o quarto deixando o casal mais a vontade. André entregou o buquê a Lilian, que deu meio sorriso:
— São pra você, meu amor. Pra tentar me desculpar da mancada que eu dei com voc

ê ontem...Sei que fui um estupido, me desculpa?
— Tudo bem André, contando que você controle esses seus surtos de ciume bobo. Tão desnecessário isso.
— Ah Lili, eu não tenho culpa se eu sinto que to te perdendo pra uma amiga...
— Você num tá me perdendo, caramba...Poxa Dé, eu gosto tanto de você. E você fica dando esses surtos. — disse com uma ponta de irritação.
— Tudo bem, minha linda. Me desculpa...Eu sou um idiota mesmo. — e abraçou a namorada.

Lilian deixou-se ser abraçada. O rapaz tirou o buquê das mãos da namorada e sorriu, beijou-a ardentemente e Lilian correspondeu. Foram interrompidos pelo barulho do irmão de Lilian esbarrando em algo, afastaram-se e deram de cara com Augusto que estava envergonhado:
— Eu bem que tentei não atrapalhar...
— Aconteceu algo?
— Tava com sede, já tô indo pro quarto.
— Não! Fica aqui com a gente, Guh.
— É, senta aí. — concordou André.
— Hum...Tá, né.

André e Augusto foram para o sofá, enquanto Lilian colocava as flores num vaso. Minutos depois a garota juntou-se aos dois. Logo Augusto tratou de convidar Lilian e André para irem comemorar seus dois meses de namoro com Mari, ainda nem tinha falado com a irmã então preferiu deixar para convidar os dois de uma vez, pois seria logo no fim de semana. Os dois aceitaram animados e logo Augusto comentou:
— A Julia vai também, eu acho.
— Lógico que a Julia vai, Mari é melhor amiga dela. — comentou Lilian.
— Aff, ela vai mesmo, é? — perguntou André demonstrando total desagrado.
— É, ao que tudo indica, ela vai sim. — respondeu Augusto.
— Eu pensando que era um programa só de casais, vejo que me enganei...

Lilian não gostou nada do comentário do namorado, porém, nada disse. André, percebendo a cara de Lilian comentou:
— Quem sabe assim eu não mudo o meu conceito sobre ela, né amor?
— Ela é uma boa pessoa, eu gosto dela pra caramba. — comentou Augusto.
— Tô começando a achar que o problema é comigo... — disse sorrindo.
— Por que? — perguntou Augusto.
— Ela não foi com a minha cara, foi fria comigo, e olha que eu só olhei pra cara dessa mulher uma vez.
— Exagero dele, Guh. — finalmente se pronunciou Lilian.
— Não, não...Ela não foi com a minha cara mesmo. Por que será hein, Lilian? Ciume pelo fato deu ser um cara sortudo e namorar com uma gata igual a você?
— Tá insinuando o que, André? — perguntou irritada.
— Nada, nada...Tava só brincando. Tô vendo que quando se trata dessa sua amiga, não posso nem brincar. — comentou num misto de surpresa e desgosto.
— Não gosto mesmo, você nem conhece ela direito pra sair falando as coisas.
— Realmente cara, não é legal você fazer isso...Ela é muito gente boa, você não conhece ela direito.
— Tô vendo que sou voto vencido nessa casa, né?
— Querem algo pra beber? — perguntou Lilian na clara intenção de mudar o assunto.

No final de semana...

Julia estava terminando de se arrumar, pelo horário com certeza se atrasaria. Mas fez isso propositalmente, realmente não estava afim de ir, mas Mari a fez prometer por umas três vezes que iria, sabia que era importante para a amiga mas definitivamente não estava gostando da idéia de encontrar com André. Julia sabia que o rapaz também não iria com a sua cara, então evitaria ao máximo o contato com o casal. Terminou de se arrumar e aprovou o que viu:
— Hoje eu arrumo alguém, quero nem saber.

Pegou a bolsa, as chaves do carro trancou o apartamento e seguiu para o estacionamento. Assim que entrou no carro, ouviu o celular tocar. Pegou o aparelho já imaginando quem seria, olhou no identificador e acertou: Mari. Seu meio sorriso e atendeu:
— Alô?
— Onde você tá? Olha a hora, Julia.
— Tô saindo daqui agora.
— Mesmo?
— Mesmo! Tô no carro, prestes a sair...
— Vem logo então, só tá faltando você aqui.
— Tô chegando. Beijo.
— Outro.

Julia desligou o celular e deu partida no carro...Vinte minutos depois adentrava num barzinho de movimento intenso. Procurou a amiga e logo a encontrou...Com um largo sorriso, Julia foi caminhando em direção a mesa em que todos estavam. Ao ver Lilian sentiu um arrepio tomar conta do corpo, sem contar nas mãos que suavam frio. Se aproximou e cumprimentou a todos educadamente e sentou entre Lilian e Mari. Pediu um suco e logo Mari comentou com a amiga:
— Demorou hein, amiga...
— Tava me arrumando, perdi a noção do horário.
— Mas valeu a pena, tá toda bonitona.
— São seus olhos
— Essa daí reclamou demais do seu atraso. — brincou Lilian.
— O que já era de se imaginar, se ela não tivesse namorando e totalmente apaixonada pelo Augusto, arriscaria a dizer que é apaixonada por mim. — brincou Julia.
— Coomo é metida! Me impressiona. — comentou Mari.
— Brincadeira amiga. — e abraçou Mari.
— Aaaah, Julia...Olha o que eu ganhei hoje de manhã.

Mari mostrou a mão para Julia, toda orgulhosa...Que abriu um largo sorriso e disse:
— Parabéns, é linda!
— Não sabes o sacrifício que foi pra comprar. Quase perdi a paciência com esse moleque indeciso.
— Boba. — comentou Augusto abraçando a namorada.

Entraram numa conversa animada e distraída. O que menos falou foi André, observava atentamente Lilian e Julia. A morena percebera a atitude do rapaz, mas preferiu ignorar. Lilian tentava fazer os dois conversarem, já que estavam ali, que conversassem pelo menos...Mas não estava dando muito certo. Nenhum dos dois queria papo, e Lilian percebeu, acabou por desistir. Julia conversava distraidamente com Mari, quando sentiu uma caricia em seu ombro, virou-se rapidamente dando de cara com Sabrina, uma bela ruiva que conhecera numa das boates que costumava frequentar. Sorriu para a bela ruiva que disse:
— Olha quem eu encontrei, a sumida.
— Sabrina, quanto tempo.

Sabrina realmente era uma mulher que chamava atenção em qualquer lugar que estivesse... Alta, na altura de Julia, pele bem branquinha entrando num belo contraste com os cabelos vermelhos. Fazia um belo par com Julia, por isso, assim que se viram pela primeira vez foi inevitável ficarem. E sempre que se viam, faziam o mesmo. Julia abriu um largo sorriso, contrastando com Mari...Que nunca simpatizou com Sabrina. Julia levantou-se e abraçou Sabrina, sob o olhar atento de Lilian, que não perdera nenhum detalhe. Mari percebeu que Lilian não estava gostando muito da situação, então comentou:
— Sabrina sem educação...Não vai cumprimentar os outros da mesa não?
— Mariane, continua simpática. Desculpa, gatinha...Mas sabe como é, quando eu tô perto da sua amiga, não vejo ninguém. Me apresenta, anjo. — pediu Sabrina a Julia.
— Bom...Sabrina, essa é a Lilian, amiga nossa...Esse é o namorado dela, André — o rapaz acenou discretamente — Aquele é o Augusto, namorado da Mari.
— Olha, que corajoso você, Augusto.
— Sah...Pára de provocar. — pediu Julia baixinho.
— Prazer gente, Sabrina. — e sorriu.

Lilian não gostou nada da mulher a sua frente. Parecia tão intima de Julia, algo bem incomum. Lançou um olhar confuso a Mari que fez um gesto pedindo para Lilian esperar. Sabrina e Julia conversavam distraidamente, até que a ruiva chamou Julia para ir com ela até o bar. Julia meio sem graça, respondeu:
— Num posso, não posso mesmo...
— Algo te impede?
— Pow, vo ficar aqui.
— Cinco minutinhos, Anjo? Um chopp comigo.
— Vou dirigir. Não posso.
— Só quero a sua companhia... — se aproximou de Julia e perguntou bem próximo — Tá negando fogo agora?

Julia sorriu e respondeu:
— Aniversário de dois meses de namoro da Mari, não posso sair daqui.
— Deixa que eu resolvo. — se virou para Mari. — Mariane, querida...Se importa se eu roubar a sua amiguinha 5 minutos?
— Seja feliz. — respondeu Mari com descaso.

Sabrina abriu um largo sorriso e saiu puxando Julia. A morena só teve tempo de dizer “já volto” nem sequer olhou para Lilian, caso olhasse receberia um belo olhar de reprovação. Assim que Julia saiu, Lilian sentou no lugar da amiga e perguntou baixinho a Mari:
— Quem é?
— Ex da Julia...A mais chata que tem. Elas nem chegaram a namorar, mas sempre que se encontram elas ficam.
— Nossa, acho que ela num devia ter deixado a gente aqui.
— Nem ligo, a Juh tá precisando se arrumar com alguém mesmo, pelo menos por uma noite.

Lilian nada disse, ficou olhando para Mari que a observava atentamente. E para completar, Mari ainda perguntou:
— Você num acha?

Lilian ficou em silêncio por alguns minutos, mas depois concordou:
— É, é...

Julia e Sabrina conversavam distraidamente no bar, num canto mais afastado as duas falavam o que vinham fazendo desde a última vez que se encontraram. Na maioria das vezes que se viam, era sempre por acaso...Raramente marcavam de se encontrar, só quando ficavam realmente muito tempo sem se ver, o que quase nunca acontecia. Sempre se encontravam em festas, eventos entre outras ocasiões...
— Cara, como eu senti sua falta. — comentou Sabrina com um sorriso malicioso nos lábios. — Esses dias eu tava lembrando de você, sabia? Pensei em te ligar até...
— Ah, é? Porque não ligou? A gente podia ter marcado de sair, sei lá...
— Que nada, gosto de te encontrar por acaso, acho divertido...
— Você é mesmo maluquinha. — comentou Julia sorrindo.
— Olha, se eu sou eu não sei...Mas eu tô maluquinha pra beijar essa sua boca, sabia?
— Definitivamente, você é.
— Tô te esperando no banheiro. — e piscou maliciosamente.

Sabrina levantou e foi caminhando graciosamente até o banheiro. Julia não perdeu tempo, terminou seu suco rapidamente e foi até o banheiro apressada...

De onde Lilian estava sentada, podia ver perfeitamente Julia. Não conseguia ver Sabrina e também nem fazia questão, sorriu ao ver Julia se levantar e ir até o banheiro apressadamente, era a chance de pedir para ela voltar até a mesa. Estava claro que Mari não estava gostando nada, nada de Julia tão próxima aquela ruiva. Levantou-se apressadamente e foi atras de Julia...Assim que abriu a porta deu de cara com uma cena que não esperava. Julia trocava um beijo quente com a ruiva que estava conversando a pouco no bar, foi muito rápido já que com o barulho da porta abrindo as duas se afastaram, mas Lili pode ver claramente o beijo das duas. Franziu o cenho com uma cara de quem não estava entendendo nada, enquanto Julia, de cabeça baixa, limpava o batom de Sabrina que estava em sua boca. Lili, vermelha disse num fio de voz:
— Eu não acredito que você fez isso... — e saiu em disparada.

Julia quando viu Lilian sair apressadamente do banheiro não entendeu absolutamente nada, sentiu um aperto no peito que não soube explicar. Confusa, caminhou em direção a porta do banheiro, porém, Sabrina a segurou pelo braço:
— Você tem alguma coisa com essa menina?
— Não! Ela tem namorado, Sabrina.
— E o que deu nela, então? — perguntou confusa.
— Pior que eu não sei, quero descobrir! — soltou-se de Sabrina e saiu do banheiro.

Julia olhou em direção a mesa em que estavam e nada de Lilian, saiu tentando não chamar a atenção e correu até o estacionamento. Ainda na entrada do estacionamento, procurou pelo carro de Lilian, achou a garota a caminho do carro caminhando apressadamente. Correu até Lilian, que ao perceber que Julia se aproximava, tratou de acelerar o passo. Julia, obviamente, conseguiu alcançar Lilian, a segurou pelo braço e puxou a garota em sua direção. Olhou nos olhos de Lilian e percebeu que estava úmidos, franziu o cenho e perguntou deveras preocupada:
— Você tá bem?
— Me solta. — disse fria.
— Lili...O que deu em você? — perguntou completamente confusa.
— Nada, Julia...Absolutamente, nada. Agora dá pra me soltar?
— Não até você me explicar o que tá acontecendo. — segurou Lilian pelos dois braços e a encostou no carro da mesma.
— Julia você tá me machucando. Por que você não volta pra sua ruiva? — perguntou cheia de sarcasmo.

Só então Julia entendeu tudo, abriu meio sorriso e perguntou:
— Que?
— É, aposto que ela tá te esperando lá no banheiro! Poxa, Julia...Tudo bem que você não as leva pra casa, mas tinha que ser no banheiro?

Julia ignorou metade do comentário de Lilian, com o coração batendo feito um louco no peito, lentamente foi se aproximando...Deixando seus lábios apenas poucos centímetros de distância dos de Lilian, olhou nos olhos da garota que já estavam fechados e colou seus lábios nos dela num beijo apaixonado...