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2 Carta Nº 02


Não parecia que já havia feito um ano, um ano de amizade já havia se passado e mais um ano estava por vir, eu voltei a sentir aquela sensação de borboletas no estômago quando a abracei quase chorando.
–Parabéns, a nós. — Eu disse.
–É... Parabéns... — Ela havia começado a chorar.
–Ei, ei... Para com isso... — Abracei ela mais forte. — Eu prometi pra você que nada iria acontecer com nossa amizade, e nada aconteceu. — Enxuguei suas lágrimas.
–É, eu sei... — Ela disse, começando a se afastar.
–Cabeça erguida e vamos voltar ao mundo real, é melhor pros dois... — Beijei sua testa e segurei sua mão.
–Obrigado por existir, Gabriel... — Ela disse, apertando forte minha mão.
–Obrigado a você, Clara... — Eu disse, apertando forte sua mão.
Descemos o resto da escadaria para a cantina, dois amigos nossos "se pegavam" em uma das mesas e uma amiga olhava com uma expressão triste e raivosa.
–Estamos numa escola... — Eu disse ao me aproximar.
–Finalmente vocês desceram... Então? Gabriel pediu você em namoro? — A garota da expressão triste e raivosa perguntou.
–Não, ta louca? — Clara a respondeu.
–Você andou chorando... — A garota retrucou. — Se não foi isso, o que foi?
–Um ano de amizade Laura... Um ano de amizade, apenas isso. — Eu disse com a voz fraca e arrastada.
–Mas bem que vocês formam um belo casal... — Disse o garoto que estava se pegando com a garota anteriormente.
–Cala a boca Victor... — Disse eu, serrando meu punho.
–Só fui verdadeiro... — Victor retrucou.
–As vezes temos que guardar a verdade para nós, pois ela machuca na maioria das vezes... — Retruquei.
–Não vejo nenhum machucado em você... Seu argumento é inválido. — Ele retrucou e começou a rir.
Logo todos estavam rindo da piada.

Lanchamos e rimos juntos o resto do intervalo, até dar o toque e temos que subir toda aquela escadaria para voltar a sala de aula.
–Como um elevador seria bom nessas horas... — Laura puxou um assunto.
–Concordo. — Eu e Clara falamos ao mesmo tempo.
–Ui, já estão até falando "juntinhos". — Disse a garota que estava se pegando com o Victor.
–Você não perde a piada né Luíza? — Laura deu um tapa na cabeça dela após dizer isso.
–Não se estressa com ela, esqueceu que ela ta no Canadá? — Todos começaram a rir depois da minha piada forçada.
Chegando na sala nos sentamos em nossos locais, todos continuavam juntos e rindo da piada sobre a Luíza. O professor de português entrou na sala com aquele seu velho e aconchegante sorriso que ia de um lado ao outro de seu rosto, escreveu poucas coisas no quadro e deu suas pequenas reclamações a alguns alunos que não paravam de conversar, inclusive eu e meu grupo que não parávamos de falar sobre a festa que estava por vir e eu, acima de tudo, estava muito ansioso para minha primeira festa como aluno do 1º Ano do ensino médio, algo histórico que eu contaria um dia para meus filhos. Se é que eu teria algum.

No final da aula nós descemos as escadas e ficamos conversando na frente da escola como sempre fazíamos, já era sexta-feira e todos estavam preparados pra "Festa do Ano".
–Gabriel, você pega a Clara e a Laura na casa delas e nos encontramos as sete? — Disse Arthur.
–É, pode ser... Tanto faz. — Respondi.
–Lembrando que você não vai poder usar as pílulas... Se não, já sabe o que acontece. — Clara foi até o meu ouvido e disse.
–É, eu sei... — Respondi.
–Então é isso? Nos vemos hoje a noite... Todos tenham um bom dia. — Clara saiu da escola e entrou no carro de seu pai que já a esperava.
Arthur e Luíza foram para a parada de ônibus e deixaram eu e a Laura sozinhos conversando.
–Você sabe onde eu moro? — Ela perguntou.
–Sim... Ou você se mudou? — Retruquei.
–Não, mesmo lugar... — Ela respondeu.
Acho que já deu pra perceber que eu fico sem jeito ao falar com a Laura, e o mesmo acontece com ela. É algo que não dá pra se explicar direito de uma vez, uma longa história sem final definido.

Uma história para outra hora, tenho que ir me arrumar para a festa. Com amor, Gabriel.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.