Types Of Courage

1 Capítulo Único - Coragem


Notas iniciais
Dedico a todas pessoas corajosas e valentes que existem nesse mundo.
...
Boa Leitura!

“Existe uma pequena diferença entre coragem e valentia, o corajoso enfrenta sem abaixar a cabeça e sem ter porque brigar, o valente enfrenta com intuito de confusão e sem ter porque, arruma briga.”

– William Reis

...

Era aquela a verdade no final de tudo. Ele era valente? Simplesmente isso? Sem mais nenhum segredo escondido entre a escuridão, ou então alguma mentira bem-contada onde ele sairia ferido como sempre?

Ele tinha as mãos puxando os curtos fios loiros com tensão. Ele apertava e quase os arrancava com tal brutalidade quanto um soco. Suspirou por uma vez, ele não era acostumado a pensar muito em tantas possibilidades.

Na verdade – Uzumaki Naruto – não era tão acostumado a pensar quanto todos imaginavam. A maioria de seus pensamentos eram interrompidos pelos seus próprios impulsos e nervos a flor da pele, não que isso fosse ruim para ele.

Não temos as garras do Tigre

Ele e seus impulsos machucavam todos como garras. Pontiagudas e afiadas, todavia, não era a intenção dele, mas o que poderia fazer? Ele só queria defender os seus amigos, era uma intenção boa, não?

Sim, esse era o primeiro tipo de coragem, o que ele demonstrava por seu puro impulso, ele era corajoso por fazer tal coisa, por proteger os seus amigos, a sua família, ou ao menos a sua família adotada, que era uma preciosidade para Naruto.

Ele daria a sua vida por alguém querido por ele.

Levantou-se nervosamente, os olhos demonstravam o medo, algo que o seu impulso ou então até os seus próprios pensamentos – alguns que passavam na mente dele abertamente, planejando um plano eficiente – não podiam o livrar daquele pesadelo, daquele mal-estar que se contraia em seu estômago.

A voz doce e suava ainda resplandecia em sua mente. Queria a repreender muitas e muitas vezes depois que a livrasse daquele imbecil, porém não podia fazer aquilo, pois ele faria igual a ela... Como ela pôde ser tão infantil ao ponto de arriscar a sua vida por ele? Um idiota qualquer?

Como ele a salvaria?

Os seus olhos azuis límpidos queriam se encher de lágrimas, simplesmente desistir daquilo, admitir que talvez a vida dela estivesse acabada, mas não, não conseguia, o pensamento era expulso tanto pelo corpo quanto pelo seu cérebro.

Tremeu quando percebeu que estava sozinho e afastado de todos os seus amigos e parentes. Maldita hora que a convidará para sair! Como ele pôde fazer isso? Fazer isso com ela? Com a sua inocente Hinata? Como?

Os seus pensamentos vibravam ao absorvem ideias. As mais absurdas que já havia pensado em sua vida inteira. As colocaria em prática se fosse por ela, mesmo se a ideia mais absurda surgisse em sua cabeça e fosse capaz de salvá-la, ele com certeza a colocaria em prática!

Olhou para a porta e tocou a maçaneta hesitante quanto a abrir. Envolveu-a completamente com a mão e a girou lentamente. Tinha uma hora. Uma hora para decidir o que seria dele, o que seria dela...

A energia do Urso

Determinação. Ele não podia hesitar, a confiança dele não podia falhar em um momento como aqueles. O segundo tipo de coragem, a determinação, ele também o tinha. Era natural, desde pequeno ele já adquirira aquilo.

Ele podia naturalmente falar que havia nascido com determinação. Afinal, depois que descobriu que seus pais morreram assim que ele nasceu; ele tinha que ter a determinação de seguir em frente, de enfrentar o seu passado cara a cara e se preparar para o futuro.

Oh sim, aquilo era também um ponto vital em sua personalidade. Uzumaki Naruto não existiria se não fosse determinado. Quem seria ele se desistisse de cara? Ou então, quem seria ele se não fosse valente? Um mero ninguém, mais um dos vários vagabundos deste mundo? Provavelmente.

O cabelo loiro foi alisado constantemente no meio desses três minutos de reflexão, ele tinha que a responder seriamente, se não, tudo aquilo não teria sentido. Olhou para o carro e resolveu caminhar até o ponto de encontro, teria mais tempo de pensar.

Caminhar calmamente não era o natural de Naruto, mas nesse momento, ele se sentia confortável com esse tipo de caminhada. Poderia até dizer que a sua mente estava mais aberta a novos pensamentos.

O seu celular vibrou em seu bolso, pegou-lhe imediatamente. A voz reconhecida no outro lado da linha era repugnante. Conseguia até sentir o cheiro de cigarro que havia naquele local. Inspirou profundamente antes de falar alguma besteira.

Murmúrios.

Era tudo o que se ouvia de Naruto, ele não respondia, era um resmungo, um murmúrio incompreendido pelo conhecedor do celular que havia do outro lado. Havia algo errado, e muito, afinal, Naruto ainda não o ameaçava de morte.

Desligou rapidamente, a conversa não havia durado dois minutos, e as suas informações sobre a sua amada estavam iguais. Ele havia ligado somente para dizer que o seu tempo fora diminuído. Um simples e ameaçador atentado de morte à ela.

A Hinata.

A velocidade do Leopardo

Os seus pés se colocaram a correr, a respiração estava ofegante, não tinha problemas quanto a correr, nem a algo parecido, mas aquele nervoso invadiu a sua cabeça. Ele agradeceu a si mesmo por gostar de esporte muitas vezes.

Ele não chegaria atrasado, não, nem que tivesse meros quinze minutos para ir para o outro bairro, nem tão perto dali. Ele não desistiria por ela, nunca. Todas as pessoas o encaravam com curiosidade.

Naruto tinha um ferimento em seu ombro, nada grave, mas somente tentador de saber o que havia acontecido. Ele suava frio, corria rapidamente, quase como um leopardo e ele não se lembra do por que, mas se lembrou de sua aula de ciências da sexta série, aonde leopardos chegam a velocidade de 110 km/h.

Ah sim, ela estava lá, ela o ajudou na prova.

Mais um tipo de coragem? Sim, sim. Ele estava testando o seu próprio corpo por ela, ele não sabia se seu corpo aguentaria até lá, naquela velocidade rápida, e nem de como ficaria depois, mas quem se importava? Era por Hinata.

Talvez não pareça uma coragem aos olhos de alguém a primeira vista, talvez nem a segunda ou terceira, porém arriscar tudo o que tem por ela era corajoso, talvez algo muito importante para qualquer herói daquelas revistas em quadrinhos que ele adorava ler quando pequeno.

Ele podia não poder andar por dois dias, uma semana, um mês, mas se fosse por ela... Ela estava em risco, em risco por causa dele. Arriscaria tudo, afinal, ele fora o culpado.

O seu corpo, a sua mente, tudo.

Tinha cinco minutos. Cinco minutos e dez quarteirões, as suas pernas já estavam fracas, bambas, e anunciavam que a qualquer momento elas tinham o risco de despencar.

Naruto falava com a sua própria mente, ela não podia fraquejar, ele mandava em todos os seus membros a continuarem. Foi então que percebeu que havia parado para respirar. Uma bicicleta ao seu lado era uma coisa extremamente tentadora, para quem não tinha mais forças, ao menos...

A supremacia marítima da Baleia

Era isso.

Naruto que tinha o absoluto controle de seu corpo, era algo como se a sua mente tivesse se esvaído ou algo parecido, simplesmente ignorou o pensamento e pegou a bicicleta, alguns gritaram, outros não. Ele não prestou atenção, na verdade.

Três minutos e mais uma coragem adquirida. Supremacia. Total poder e autoridade de tudo. Era algo até maravilhoso para alguém que ao menos tinha tempo de pensar, mas não, ele não tinha esse tempo.

Havia chegado. Aquela rua novamente.

Péssimas lembranças haviam invadido a sua mente, tudo o que havia acontecido em segundos como flashes brancos e fortes. Ele a levando para jantar próximo dali, a chegada de alguém que o odiava. O sequestro de Hinata.

Ele ainda não acreditava que ela ainda sorria depois de ser agredida. Naruto não conseguia entender em como ela havia se declarado a ele em um momento tão peculiar quanto aquele.

Ele não entendia aquela pergunta repentina.

Não entendia mesmo.

Os olhos perolados e brilhantes que sorriam tanto quanto o seu rosto, a fileira de sangue escorrendo por sua boca. E, ainda, os malditos ao verem a machucaram ainda mais.

Naruto repensou em toda história. Ele não fez nada, absolutamente nada, foi um simples e completo inútil. Lutou tão pouco, teve um fracasso tão imenso consigo mesmo. Chegava a ter nojo de como havia saído sem tirar ela de lá.

O domínio aéreo da Águia

Um. Dois.

Dois seguranças nas portas, eles estavam o esperando, e logo que o viram abriram um sorriso sarcástico e sádico para eles. Ele acenou simpático e falsamente, e apontou para a mochila em suas costas. Eles abriram a passagem para o loiro.

– Finalmente. – O cheiro de cigarro fez o nariz de Naruto se tampar. – Chegou um dois minutos atrasados, mas não se preocupe, a sua namoradinha já pagou pelo seu atraso... – Uma risada foi ouvida no canto direito da sala.

Os olhos azuis foram para lá em segundos e avistou-a.

Hinata tinha os olhos abertos, o medo não existia, mas aquele olhar que ela tinha no início já havia desaparecido. Os dentes de Naruto trincaram-se, havia chegado atrasado e ela havia pagado por aquilo.

– Tome! — Jogou a mochila para o centro da mesa a sua frente. – É tudo que eu tenho.

– Interessante... – Se aproximou devagar, porém deu uma risada irônica e fria, que chegou a eriçar os pelos da nuca do loiro. – Eu não quero seu dinheiro, quero a sua vida, mas depois que eu te matar, eu vou pegar o dinheiro de qualquer forma, então, estou agradecido.

O homem sorriu falsamente, expondo os dentes amarelados.

Outra coragem contada por Naruto. A habilidade de ter um razão, uma estratégia atrás de tudo. Havia cinco guardas na sala em que estava, dois escondidos, e também, havia um no corredor e os mesmos dois na porta.

Oito...

A potência do Leão

Se ele conseguisse soltar Hinata iria ser ótimo, afinal, quem praticava algum tipo de luta era ela, e não ao contrário! Mesmo criado em bairros pobres ele nunca fora bom de luta, apesar de o elogiarem quando lutava.

Ele começou a rodar a mesa devagar, tentava não expressar nada, o homem ainda não havia se mexido. Tentou o atingir com um soco seguido por um chute, mas ele os evitou como se estivesse brincando.

A sua mão estava sendo segurada com pressão, e a sua perna havia o atingido, porém como se não causasse efeito. Hinata gritou ao ver a mão de Naruto começar a ficar roxa.

– S-Solte-o!

– Criado aqui e não sabe lutar? Tsc.

Por ela. A voz de Naruto ecoava, tentava concentrar a sua supremacia para se soltar, mas parecia não surgir efeito, usou a sua outra mão para o atingir, mas foi desviada novamente, com as suas duas mãos livres ele conseguiu o atingir.

Logo o primeiro guarda foi atingido com uma cadeira, o segundo com o corpo do primeiro guarda – que para Naruto, era incrivelmente leve – e a seguir o silêncio. Deu mais um chute no chefe, para mantê-lo desacordado por certo tempo e soltou Hinata.

– Naruto-kun!

– Mais três... – Murmurou a observando no canto dos olhos. – Fique quieta em algum canto, por favor! – Suplicou a beijando delicadamente, os olhos azuis teimavam contra os dela, e acabaram vencendo.

– Você já era, Naruto. – Um dos guardas apontava a arma para o topo da cabeça dele, e atirou. O estrondo fez Hinata tampar os ouvidos. E o último tipo de coragem adquirida por Naruto, a força de lutar por alguém, a coragem de dar a sua vida.

A Arma

Ele conseguiu ouvir sirenes da polícia. Hinata estaria a salvo, sentiu a porta se abrir, ou melhor, ser derrubada. Os guardas dele serem presos, mas ele? Ele deu a sua vida, ele nem sabia que conseguia formar alguma resposta agora, e que, apesar de a bala ter atingido o seu peito, ainda conseguia raciocinar algo.

– Coragem é confrontar o medo, a dor, o perigo, a incerteza ou a intimidação.

– O-O quê? – Sussurrou Hinata perto dele, as lágrimas encharcavam a sua camisa. – É melhor não falar agora e os policiais falaram que logo vai chegar a ambulância então...

– Eu não sou valente, Hina-chan. – Ele sorriu. – Sou corajoso. – Cuspiu sangue no chão, os olhos de Hinata demonstravam tudo que sentia naquele momento: Terror. – E você também é.

– Naruto-kun eu...

– Nós enfrentamos o medo quando chegamos aqui, enfrentamos a dor, o perigo, a incerteza e a intimidação, Hinata, nós enfrentamos isso juntos. Unidos como um só, e eu quero que continue assim.

Ele talvez não tivesse um final feliz, ou até não tivesse um final, mas ela teria.

...

“Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.”

– Victor Hugo


Notas finais
É, eu matei o Naruto, digamos que gosto de finais assim, muitas pessoas não gostam, eu sei, mas já cansei demais de clichê!
Comentários? ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!