Two Worlds Collide

28 Cap. XXVIII — The Reason


Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOi gente, como vocês estão? Pois é, eu perdi a noção do tempo, então eu não faço ideia se demorei pra postar ou não, mas foda-se, estamos aqui firme e forte para descobrir o que houve com o beijo Finchel.
Enfim, eu acho - somente acho - que esse será um dos últimos capítulos da fic. Sim, uma tristeza, já que estou escrevendo ela tem quase três meses, e eu acho que essa é uma das únicas fics que eu já terminei - ou estou perto de terminar - e quero agradecer a vocês antecipadamente.
Por último, teremos um solo nesse capítulo que é... The Reason, do Hoobastank, e aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=cGs8vtjDxxY
Beijos e espero que gostem :DD

O silêncio dominou o teatro quando Rachel e Finn pararam de cantar. Quinn, de costas à platéia, não entendeu, e se virou discretamente para ver o que tinha acontecido.

Seu coração parou.

Finn estava atracado em Rachel, curvando-se para alcançar a boca da garota. O queixo de Quinn caiu. Naquele momento, ela não sabia dizer exatamente o que sentia. Raiva, ciúmes, ódio, decepção... Qualquer coisa negativa passava por sua cabeça, e ela teria atacado Finn bem ali, na frente de uma platéia de quatro mil pessoas, se Santana não a tivesse segurado.

Finn era um idiota... Tinha desfeito a promessa dela de se sentir bem mesmo com ele por perto, por que ele não poderia perder a oportunidade de beijar Rachel sem que ela recuasse ou o afastasse com um chute. Quinn sabia que, naquele palco, a morena não poderia demonstrar desapego ou ódio, pois a canção do trio descrevia exatamente o contrário.

A segunda canção começou, mas Quinn não se lembra muito bem dela. Fez seus movimentos como um robô, forçando as lágrimas a esperarem a apresentação terminar para que pudesse fugir e se esconder no banheiro para chorar interminavelmente. Assim que a guitarra tocou o último acorde, então, Quinn correu para fora do palco, sem comemorar com ninguém o sucesso que tinham alcançado.

Queria ir embora do teatro, do hotel, do Glee, de Nova York, de tudo. Sabia que a culpa não era de Rachel, Finn era o idiota que a havia beijado de surpresa, mas ainda assim... Sentia-se horrivelmente traída. Entendia a razão do surto de Finn no ano anterior e de Sam há alguns meses. Era péssimo. Sentia nojo de Finn, de Rachel, de todo mundo naquele clube.

A porta do banheiro fechou-se num estrondo. Algumas garotas ali a olharam feio, mas ela mal notou. Se trancou no primeiro box que encontrou livre e deixou que as lágrimas caíssem. Deveria falar com Rachel, deveria apoiá-la quando ela dissesse que Finn era um babaca, porém não tinha coragem para encarar a namorada naquela hora.

A garota perdeu a noção do tempo enquanto chorava escondida em um dos boxes do banheiro feminino. Tivesse passado minutos, horas, dias, Quinn não se importava. Se estando ali ela poderia fugir de seu mundo, então estava tudo bem. Se pudesse chorar ali sozinha sem que ninguém lhe importunasse, estava ótimo.

Ela ouviu alguém chamar seu nome, mas não respondeu. Não queria que ninguém fosse procurá-la, também não deixaria ninguém encontrá-la. Quando a coragem para encarar Rachel Berry e pedir uma explicação aparecesse, ela levantaria e voltaria para o hotel. Enquanto isso não acontecia, poderia continuar muito bem ali chorando.

— Quinn? — perguntou a voz mais uma vez, empurrando a porta entreaberta do box de onde estava. A loira nem se importou em fingir que estava tudo bem, pois a voz doce de Brittany a fazia se sentir estranhamente calma. — Santana está preocupada com você. Eu também.

— Não foi nada, Britt — respondeu Quinn, enxugando as lágrimas. — É só...

— Não, tudo bem. — Quinn notou que Brittany ainda estava com a roupa que usava na apresentação, assim como ela. Ela se perguntou, de novo, quando tempo havia se passado. — A lista dos dez melhores saiu.

— Ah — fez Quinn, chocada. Depois de tudo que estava sentindo, o lugar em que ficaram no Nacional pouco lhe importava mais. — Passamos?

— Não. Jesse diz que foi culpa do beijo, mas eu acho que era por que você não estava sorrindo.

Ouvir Brittany tratar o beijo entre Finn e Rachel tão banalmente fez Quinn quase gritar de aflição. Outra pessoa mencionando-o como se não fora nada parecia acertá-la com uma faca enorme em seu peito.

No entanto, escutá-la dizer que não ganharam por que ela simplesmente não tinha sorrido durante a apresentação dava-lhe ao mesmo tempo um tanto de felicidade e pesar. Felicidade por que Brittany era a única naquele grupo louco que conseguia ver o bom das pessoas nas situações mais deploráveis em que cada um se encontrava. Pesar por que se tivesse ignorado o que sentia e se esforçado pelo grupo, talvez não se sentisse tão mal. Talvez tivessem uma chance acima de tudo.

Brittany puxou Quinn para fora do box e deu-lhe um abraço forte. Por cima do ombro dela, notou uma Santana a encarando com descrença. A latina sabia o que estava sentindo e por que ela estava daquela maneira, contudo aquele olhar era o mesmo de quando contara para ela que estava grávida. Era uma forma estranha de Santana Lopez demonstrar apoio.

— Apenas eu e Santana ficamos para te procurar — informou Brittany, soltando Quinn. — Os outros estavam deprimidos demais para fazer alguma coisa.

— Já está tarde — informou Santana, desencostando do balcão do banheiro e puxando Quinn para perto. — Vamos embora, por que provavelmente somos as únicas por aqui.

Quinn concordou, se deixando levar pelas mãos da latina. Tudo o que queria era voltar para Lima logo e resolver o que tinha para resolver com Rachel. Embora não quisesse falar com ela no momento, algum dia iria ter de encarar aqueles grandes olhos castanhos outra vez.


O teatro estava esvaziando. As três pegaram um táxi para voltar ao hotel. Quinn achava melhor dessa maneira. Não precisaria encontrar Rachel ou Finn no ônibus ou qualquer uma daquelas caras deprimidas por causa da competição — não por agora.

Culpava Finn por tudo, não havia discussão. Antes, ele era apenas o bobo que beijara sua namorada. Agora, ele era o maldito idiota que os fizeram perder as Nacionais. Ele que tinha procurado essa conseqüência, pensou Quinn com raiva. Desde aquele dia, parecendo para ela muito distante, em que começara a importunar Rachel em relação ao namoro das duas.

Quinn sequer viu o caminho curto que percorrera do táxi até o quarto do hotel. Perdida em pensamentos, ela somente sentia a mão de Santana ajudando-a a andar em frente. Quando entraram no quarto das garotas, encontraram o Glee, vestidos para a apresentação de horas antes, em expressões terrivelmente abatidas.

Ela estacou ao ver os enormes olhos de Rachel a encarando. Sua vontade era de pegar impulso e pular da janela, localizada no vigésimo andar. Ela sabia que Rachel não tinha culpa, que Rachel fora usada, que Finn era o babaca inicial da conversa, porém seu lado maligno aflorava e ela não sabia o que fazer com todo aquele ódio interno.

— Rachel Barbra Berry.

O sibilo selvagem não saiu da boca de Quinn, mas todos olharam para ela, abismados. Enquanto ela tentava negar silenciosamente que não tinha dito nada, outro murmuro raivoso surgiu atrás dela. Somente aí foi notar que era Santana que falava.

— Maldita — sussurrou novamente, seus olhos se estreitando em direção ao corpo pequeno de Rachel encolhido na beirada da cama.

Quinn viu logo o que iria acontecer.

Santana quis avançar para Rachel, espumando de raiva, porém Quinn a segurou pela cintura, pedindo ajuda com os olhos para Sam e Puck, que eram os garotos mais próximos delas. Por mais que tentasse, parecia que algo maligno havia possuído a latina e, com uma força desconhecida, ela tentava se livrar dos que lhe prendiam.

— OLHA SÓ PARA ELA! OLHE! — gritou Santana para Rachel. — ELA ESTÁ DESTRUÍDA, HOBBIT, DESTRUÍDA! OLHA O QUE VOCÊ FEZ COM ELA! EU VOU TE MATAR, BERRY! VOU ACABAR COM A SUA RAÇA!

Brittany encarava Santana apavorada, tal como Rachel, que se encolhia nos braços de Kurt. Os outros tinham um semblante aterrorizado. Quinn, por outro lado, queria afastar Kurt dali, abraçar Rachel e dizer que tudo iria ficar bem, mas estava muito ocupada tentando conter sua amiga enfurecida.

— ESCUCHA, SOY DE LIMA HEIGHTS ADJACENT Y YO TENGO ORGULLO! — Foi dessa forma que Quinn soube que a amiga estava realmente com raiva: ela começara a falar espanhol. Ficava grata por ter aprendido um pouco nas aulas com o Mr. Schue. — SABES LO QUE PASA EN LIMA HEIGHTS ADJACENT? COSAS MALAS!

Demorou vários minutos para que Santana fosse acalmada. Ela foi levada para o outro quarto, junto com Brittany, que era a única pessoa que conseguia por paz no espírito da latina; Quinn, enojada só de pensar em ter que respirar o mesmo ar que Finn; Puck e Sam.

— Rachel nem sabe o que dizer — falou Sam. — Ela está péssima, não só pelas Nacionais, mas por você. Nem conversar com Finn ela conversou.

— Não adianta Sam — desiludiu Puck, que trocava de roupa descaradamente na frente de todos. — Quinn sabe que Finn é o idiota, mas ela precisa ouvir isso de Rachel.

Quinn permaneceu quieta. Não tinha pensado naquilo, para falar a verdade. Olhando pelo ponto de vista de Puck, ela teria que esperar Rachel vir até ela e pedir desculpas, não correr atrás. No entanto, tudo o que queria fazer era voltar àquele quarto e beijar Rachel na frente de Finn, apenas para provocar.

— Quinn, Santana está mesmo mal — Brittany disse numa voz preocupada.

A loira olhou para a ex-Cheerio. Santana se balançava para frente e para trás, murmurando palavras em espanhol, mas Quinn conseguia distinguir o nome de Rachel muito bem entre elas. Sam e Puck se aproximaram lentamente, querendo saber por que ela estava enlouquecendo de tal maneira.

— Existem ótimos manicômios aqui em Nova York — comentou Sam, meio irônico.

— Ela não está pirando — retrucou Quinn, revirando os olhos. — Só precisa de um tempo para absorver tudo. Vamos, gente. Deixem-na apenas com a Brittany.


Quinn acordou sobressaltada. A cadeira arranjada na varanda do quarto das meninas estava desconfortável. Ela espreguiçou, observando a bonita lua que se erguia por Nova York.

Havia se passado dois dias desde a desastrosa Nacional, e Quinn ainda se recusava a encarar Rachel ou estar no mesmo cômodo que ela. Passara a dormir na varanda, apenas saindo dali quando Santana implorava. Ficara agradecida quando a latina chegou com a notícia de que iriam voltar para Lima no dia seguinte. Não precisaria se esconder mais de Rachel.

Ela lançou um olhar rápido pela sacada, parando os olhos no outro ser humano ali, bem menor que ela, e soltou um grito exasperado. Rachel Berry não poderia estar ali, somente Santana tinha a chave para abrir a varanda.

— Quinn, não grite, por favor. Os outros estão dormindo. — A voz dura de Rachel entrou nos ouvidos da loira como navalha. Não a ouvia desde o dueto nas Nacionais.

— Santana lhe deu minhas chaves? — perguntou Quinn alarmada, olhando para Rachel com toda a raiva existente em seu corpo, embora não fosse isso que queria fazer.

— Sim. Ela disse que você estava péssima e que precisava de minhas sinceras desculpas logo. Para isso, então, eu preciso cantar.

Quinn rolou os olhos. Santana poderia ser bem vadia quando queria. Rachel abriu a porta da varanda e Puck entrou carregando um violão. Existia outra maneira de se expressar para Rachel Berry além do canto? Emburrada, mas ao mesmo tempo querendo ficar, Quinn se levantou, sentindo todo o corpo doer por causa das noites mal dormidas, pronta para sair dali. Puck, no entanto, a impediu.

— Quinn, escute — o garoto disse determinado. — Você só irá aceitar se ouvir dela, esqueceu?

Quinn engoliu em seco, sustentando o olhar de Puck. Ele tem razão, pensou. Odiava o fato de o garoto conhecê-la melhor que ela mesma. Bufando, voltou para a cadeira, agora olhando para a frágil Rachel que se preparava para cantar. Puck ajeitou o violão e começou a tocá-lo, piscando para que Rachel iniciasse.


I'm not a perfect person

There's many things I wish I didn't do

But I continue learning

I never meant to do those things to you

And so, I have to say before I go

That I just want you to know


Rachel mordeu o lábio inferior antes de continuar a cantar. A expressão de Quinn estava indecifrável. Ela queria que a morena não continuasse, pois já a perdoara só por ter a coragem de enfrentá-la. Queria tanto correr para abraçá-la e beijá-la após todo esse tempo sem tê-la...


I've found out a reason for me

To change who I used to be

A reason to start over new

And the reason is you


Puck sorriu enquanto tocava. Seu peito inflava de emoção, como toda vez em que via uma apresentação tocante. Rachel sustentava certa distância de Quinn durante o refrão, respeitando seu espaço pessoal para não causar mais problemas durante a canção. Por outro lado, tudo o que a loira queria era que ela parasse de cantar para que revivessem aquele dia no Central Park.


I'm sorry that I hurt you

It's something I must live with everyday

And all the pain I put you through

I wish that I could take it all away

And be the one who catches all your tears

That's why I need you to hear


A boca de Quinn se abriu num sorriso mínimo. Seus olhos não agüentavam mais tantas lágrimas contidas e ela começara a chorar. De repente, lembrou-se do que Sue dissera no funeral de sua irmã. Não poderia ficar com raiva de Rachel pelo resto da vida por que ela era quem a mantinha presa nesse mundo maluco, era por Rachel que conseguia ver ainda um bom futuro, um futuro em Nova York. Não poderia desperdiçar tudo por um beijo roubado de um garoto idiota.


I've found out a reason for me

To change who I used to be

A reason to start over new

And the reason is you

And the reason is you

And the reason is you

And the reason is you


I'm not a perfect person

I never meant to do those things to you

And so I have to say before I go

That I just want you to know


Rachel se esqueceu da sua política de não entrar no espaço pessoal de Quinn e atravessou a linha imaginária que as separavam, pegando as mãos da loira e encarando aquele mar verde que eram seus olhos para cantar os últimos versos.


I've found out a reason for me

To change who I used to be

A reason to start over new

And the reason is you


I've found out a reason to show

A side of me you didn't know

A reason for all that I do

And the reason is you


Quinn não sabia se poderia beijar Rachel naquele momento, por isso, ao término da canção, apenas a abraçou forte. Por trás do ombro da morena, ela viu um Puck emocionado e limpando discretamente suas lágrimas. Ele notou que estava sendo observando e se enrijeceu, tossindo gravemente.

— A música... — ele disse, corando — é linda. Uma ótima escolha, Rachel. Muito bonita... a música.

Ele tossiu de novo, abrindo a porta da varanda e saindo, deixando as meninas sozinhas.

— Quinn, me perdoe — Rachel começou, seus olhos também brilhando de lágrimas. — E-eu não deveria ter cantado aquele dueto com Finn, agora eu vejo o quanto ele estava obcecado, louco. Se ele fosse meu amigo de verdade, ele jamais faria aquilo... E-eu sinto muito, e entendo perfeitamente se você quiser terminar comigo, m-mas antes saiba que você foi...

— Ei, ei, ei — interrompeu Quinn. Rachel a encarou, perplexa. — Quem disse que eu quero terminar com você?

— Eu pensei que você poderia, sendo do jeito que é...

Quinn riu, passando a mão nos cabelos negros de Rachel.

— Tudo bem, eu estive com muita raiva por esses dias, mas isso não significa que eu tenha que colocar as Nacionais e o burro do Finndiota sobre o que nós temos. Lembra-se daquele dia no Central Park? — Rachel fez um sim com a cabeça. — Eu disse que você poderia fazer o que quisesse e eu nunca te abandonaria. Rachel, você é a melhor coisa que já me aconteceu, eu não posso perder você assim como perdi as outras.

Quinn sentiu o rosto ficar quente ao lembrar-se de Beth. Não, não perderia Rachel, não deixaria Rachel ir embora. Ela abraçou a morena novamente, dessa vez virando o rosto dela para perto do seu, beijando aqueles lábios que tanto queria nos últimos dias, procurando o conforto que nem Santana ou Brittany poderiam lhe dar.

— Eu te amo, Quinn — murmurou Rachel após se soltarem.

— Eu também te amo, Rach — a loira respondeu, beijando os cabelos da morena. — Para sempre.