Two Worlds Collide
13 Cap. XIII — The Prom
Notas iniciais
— Você demorou! — exclamou Rachel quando Quinn se juntou a ela do lado de fora do ginásio.
— Rachel, são nove e um — retrucou Quinn, cética.
— Vou me apresentar daqui a pouco e acho que esse pode ser nosso único momen...
Quinn calou Rachel com um beijo. Surpresa, a morena tentou acompanhá-la, mas ficava difícil com tamanha voracidade que Quinn a beijava. Parecia que queria aquilo fazia anos.
— Quinn, há um baile acontecendo ali dentro! — disse Rachel quando se soltaram para recuperar o fôlego.
— Esse foi pelo bracelete — sorriu a loira, colando sua testa na de Rachel. — O de agora vai ser para comemorar nossa vitoria como Rainhas do Baile.
Quinn tocou levemente os lábios de Rachel. Antes de aprofundar o beijo, no entanto, se afastou, observando a Berry, ainda com os lábios curvados, esperando. Gargalhou, e só então Rachel abriu os olhos.
— Isso valeu por todo o baile — disse Quinn a uma Rachel emburrada. — Te dou o resto depois.
— Acho melhor entrarmos — falou Rachel, desistindo de ficar com raiva de Quinn, por que era impossível ficar irritada com aqueles belos olhos verdes. — Vou me apresentar daqui a pouco. E...
Ela fitou a Fabray por uns segundos, se perguntando por quanto tempo realmente amara aquela garota escondido, tanto que nem ela sabia. De fato, Quinn estava perfeita naquele vestido azul-claro, o que combinava com a música surpresa que cantaria para ela, parte de uma surpresa maior ainda, que apenas ela e Finn compartilhavam.
— Você vai primeiro? — perguntou Quinn, tirando Rachel de seu devaneio.
— Uhm? — ela fez, distraída.
— Para o baile, Berry. Entra logo por que quero ouvir sua música.
Quinn sorriu e deu um selinho em Rachel, esperando que ela fosse para dentro. Contudo, a morena pegou a mão de Quinn e a puxou para irem juntas. Ao entrarem no ginásio, viram Sam, Artie e Puck no palco cantando Friday; Brittany enlouquecendo Tina ao dançar com Mike; e Mercedes sentada em uma mesa sozinha enquanto seu par cantava.
— Vá sentar com ela — sugeriu Quinn, soltando a mão de Rachel. — Jesse deve estar louco atrás de você. Vou ficar com Finn até anunciarem a Rainha, beleza?
Rachel concordou. Ela sorriu a Quinn, sentindo-se extremamente sozinha ao vê-la indo dançar com Finn. Caminhou até a mesa de Mercedes, mas não teve tempo para sentar-se: Jesse apareceu subitamente na sua frente, um sorriso seco no rosto.
— Você sumiu — disse ele, seus olhos indo de Rachel a Finn.
Rachel engoliu em seco. Jesse pensava que estava com Finn... De alguma forma, ficava aliviada por ele não notar Quinn lhe lançando olhares de desejo ou os “eu te amo” silenciosos quando passavam uma do lado da outra, mas Jesse pensando que estivera dando uns amassos com Finn era também algo perigoso.
— Eu estava ensaiando — inventou, sustentando o olhar de Jesse. — Vou cantar daqui a pouco.
Jesse, para o alivio de Rachel, sorriu calorosamente. Ele deu-lhe um beijo na testa e a abraçou.
— Quebre a perna, então.
Rachel sentiu as pernas tremerem. Ia entrar em menos de dois minutos. Geralmente não ficava nervosa ao fazer apresentações, mas aquela era particularmente especial. Cantaria para Quinn. Não diretamente, olhando nos olhos dela ou sozinha, como ela fizera em sua casa cantando Please Be Mine, mas ainda assim lhe causava calafrios, por que faria isso em frente de toda a escola.
Ela subiu ao palco. Lá de cima, viu Jesse fitando-a com orgulho; viu Santana e Karofsky esperando pela canção; viu Blaine e Kurt a um canto. Viu os rostos de todos os membros do Glee antes de encontrar o de Quinn, sorrindo largamente e mandando mais um de seus milhares de “eu te amo” silenciosos da noite. Respirou fundo e começou a cantar.
There was a time,
I was everything and nothing all in one
When you found me
I was feeling like a cloud across the sun
I need to tell ya,
How you light up every second of the day
But in the moonlight
You just shine like a beacon on the bay
Era até fácil fazer aquilo. Quer dizer, todos sabiam que gostara de Finn por um tempo, então observá-lo dançando no meio do salão com Quinn durante a música ficava menos suspeito. Os olhos de Quinn, no entanto, estavam cravados nos de Rachel por cima do ombro do falso acompanhante, cheios de lágrima e surpresa.
— And I can’t explain, but there’s something about the way you look tonight — cantou Rachel, tirando os olhos de Quinn por um momento e vendo Sam convidar Mercedes para dançar, e sorriu à platéia — that takes my breath away...
Voltou a olhar a Fabray. Ah, como queria descer do palco após cantar e abraçá-la, beijá-la na frente de todo mundo e terminar sua mega-surpresa ali mesmo. Mas não. Tinha que voltar ao Jesse, fingir ser seu par e dançar uma maldita música com ele para convencê-lo de que estava um pouco interessada.
It´s that feeling I get about you deep inside
And I can't describe
But there's something about the way you look tonight
Girl, you take my breath away
E foi no último verso que Rachel reparou... Não sentia nada por Jesse, apenas raiva. Ficar com ele aquele tempo todo só a fez perceber o quanto queria Quinn para si, o quanto queria só ela... Jesse St. James era passado, um amor antigo, assim como Finn, mas ao contrário do amigo do Glee, o ex-vocalista do Vocal Adrenaline só tinha deixado más lembranças — e uma grande despesa em xampus e sabonetes.
— The way you look tonight... — Rachel terminou a música, sorrindo para Quinn, que era amparada por um Finn nervosa pela demonstração de carinho da parte de Rachel, mas ela não se importou. Logo teria Quinn — a Rainha do Baile Quinn — só para si e aí poderia completar sua surpresa.
Ela desceu do palco, sendo substituída por Blaine, Tina e Brittany. Após a música deles anunciariam o rei e a rainha do baile e Rachel queria ter a chance de dizer boa sorte a Quinn. Não que ela precisasse, mas era bom demonstrar seu carinho por Quinn sempre que possível.
No entanto, antes que pudesse atravessar a quadra ao encontro da Fabray, Jesse apareceu mais uma vez misteriosamente na sua frente, fazendo Rachel gritar assustada, embora ninguém a tivesse ouvido por causa do barulho da música dançante que Blaine estava cantando.
— Vamos dançar! — exclamou Jesse no ouvido de Rachel.
Rachel o fitou. Jesse não parecia tão bonito agora que percebera que ele era um idiota. Entretanto, para não estragar seu papel, concordou. Ela percebeu, enquanto dançavam, que estavam mais próximos de Quinn e Finn.
Eles dançavam animados, parecendo mesmo um casal, enquanto Jesse tentava de todas as formas se aproximar, mas Rachel sempre se afastava, sorrindo ingênua. Eles continuaram daquela forma até Jesse a pegar pela cintura e enfiar seu rosto no pescoço de Rachel, praticamente se transformando num vampiro na tentativa de roubar-lhe um beijo. Ela tentou se afastar, mantê-lo longe, mas não conseguiu.
— Quinn... — chamou Finn, observando Rachel lutar contra o aperto de Jesse.
— O que foi? — perguntou a garota distraída, dançando.
— Jesse — falou Finn, o que fez Quinn procurá-lo por todos os lados até vê-los ali perto. — Ele tá atacando a Rachel!
E ele estava certo. Rachel tentava se esquivar, mas parecia não ter sucesso. Quinn tinha que fazer alguma coisa. Olhou para Finn, determinada.
— Quebre todos os ossos dele — disse, e o garoto seguiu em direção a Rachel e Jesse, com Quinn ao seu lado.
— Ei! — chamou Finn — EI! — fez outra vez, puxando Jesse de cima de Rachel, que, sem se importar com as pessoas em volta, correu para o lado de Quinn e a abraçou. — Cara, comporte-se.
— Cara, isso não é PS... — retrucou Jesse, olhando Rachel abraçada a Quinn e franzindo a testa. — Problema seu.
— Aqui é a minha escola, por isso o problema é meu.
— A namorada não é sua, então cai fora, MJ — falou Jesse, puxando uma Rachel aterrorizada de volta para si, dando as costas para Finn.
— Não, não é — confirmou Finn, virando Jesse para ele novamente com um puxão violento. — Mas é a namorada da minha amiga.
Ele deu um empurrão em Jesse, sua fúria atingindo o ponto máximo. Jesse abusada da sorte. Lembrou de gritar algo pra ele, um xingamento vir como revide, as garotas berrando para que parassem... A música de Blaine atingiu seu ápice quando cansou da brincadeira de empurrões e deu um soco no nariz de Jesse.
O ex-vocalista do Vocal Adrenaline o encarou, espantado, mas não chegou a retribuir, pois Coach Sylvester apareceu no nada, sua expressão voraz.
— O baile terminou pra você, doçura! — falou ela para Finn, agarrando-o pelo braço. Ela virou-se para Jesse. — E você também, Marvin Perfeito! Fora! Vamos!
— Espere... — chamou Quinn, num fiapo de voz — vamos ser coroados.
— Péssimo pra você, irmã! — gritou Sue, empurrando os garotos para fora.
Quinn abraçou Rachel com mais força. Estava feliz por tê-la de volta em seus braços, mas triste por ter feito Finn ter sido expulso. Afinal, fora ela que o mandara bater em Jesse. Após aquilo tudo, após todos verem que se importava mais com Rachel do que com seu par, será que ainda teria chance para ser rainha do baile?
— Tudo bem, Rach? — perguntou depois de alguns minutos de silêncio, quando todos já nem ligavam para as duas garotas paradas no meio da quadra se abraçando. — Eu vou lá para o palco. Vão anunciar a Rainha.
— Pode ir — disse Rachel, enxugando as lágrimas. — Fico com Mercedes e Sam.
Quinn sorriu ainda preocupada, deu um beijo na testa de Rachel e segurou a mão dela até estar distantes o bastante para não se tocarem.
— Atenção alunos, atenção — pediu o diretor Figgins, no palco. — Candidatos a rei e rainha, reúnam-se no palco.
Quinn tentou aparentar calma. Não, definitivamente não ganharia a eleição. Com o par expulso, ela cuidando de alguém que deveria odiar, com certeza ninguém havia votado nela. Mesmo assim, queria tanto ganhar... Queria ter aquela coroa, e também queria que Rachel também a tivesse. Ia ser perfeito: o primeiro casal gay da escola a ganhar uma competição como essa. Sorriu e, mais confiante, subiu ao palco.
— Esse é o momento que todos estavam esperando — continuou Figgins —, quando informamos quem é o Rei e a Rainha do Baile.
Quinn respirou fundo mais uma vez. Lá de cima, viu Rachel acenando animada, a mão de Sam tocando levemente seu ombro. Involuntariamente, sorriu. Sam e Mercedes estavam mesmo cuidando da sua garota.
— Rufem os tambores, por favor — disse o diretor, com um envelope na mão. — O Rei do Baile deste ano é... David Karofsky!
A platéia rugiu em aprovação. Santana, ao lado de Quinn, batia palmas freneticamente, sorrindo e gritando para quem quisesse ouvir que aquele era seu par.
— Se deu mal por ficar comendo o hobbit, Quinn Fabray — disse ela, por pura maldade. — Eu ganhei.
O olhar de Quinn encontrou o de Rachel e ela desejou um pedido de desculpas silencioso. Ainda falta a Rainha, Quinn pensou não tão desesperada. Santana não poderia ter ganhado. Quem a conhecia apenas fora do Glee não votaria nela, por que ela era uma vadia. Era uma de suas melhores amigas, mas ainda era uma vadia.
Dave ergueu seu novo cajado de rei e a garotada do ginásio foi novamente ao delírio.
— E agora... — falou Figgins quando todos silenciaram e Karofsky sentou em seu trono — a Rainha da McKinley High de 2011 — ele abriu o envelope; Quinn jamais tinha ficado tão nervosa em sua vida —, com uma quantidade esmagadora de votos é... — Figgins encarou o papel dentro do envelope por vários segundos antes de dizer: — Kurt Hummel.
Um spotlight iluminou Kurt, um pouco a frente de Rachel. Ele estava em choque. Quinn nunca viu o ginásio mergulhado num silêncio tão profundo, tão... humilhante. As pessoas o encaravam, enquanto ela mesma estava boquiaberta.
Não... Perdera. Perdera a coroa da rainha para o amigo gay. Maldito preconceito daquela escola! Perdera. Queria gritar. Perdera. As lágrimas saiam sem que lhes fossem permitidas. Perdera. Fugiria para outro estado, até outro país se possível, para escapar da humilhação que passaria. Perdera para o amigo gay. Preconceito desgraçado daquele colégio!
Ela observou Kurt correr para fora do ginásio e Blaine ir atrás dele, todos ainda em silêncio. Não agüentaria aquela humilhação. Antes que alguém a impedisse, Quinn correu em direção ao banheiro feminino.
— Quinn, se acalme — disse Rachel, entrando no banheiro logo atrás de Quinn.
— Não! É tudo culpa sua! — exclamou ela sem pensar.
Estava com raiva, descontar em alguém seria horrível, principalmente em Rachel, mas não era culpa dela se a Berry a seguira desesperada.
Seu choro estava descontrolado. Maldita Rachel Berry! Por que tinha que amá-la? Por que tinha que admitir aquilo para si justo duas semanas antes do baile? Seria tão ruim ignorá-la como sempre e odiá-la por Finn preferir a ela?
— Rachel, cala a boca! — gritou Quinn enquanto a outra dizia inúmeras coisas sem sentido.
— Quinn, você precisa entender que...
Quinn não viu o que fez. Num segundo sua mão estava junto ao corpo e no outro já voava no rosto de Rachel, acertando-o na bochecha esquerda com toda a força que tinha.
Rachel encostou as duas mãos onde levara o tapa, sua respiração ofegante como a de Quinn e seu rosto em total espanto.
— Eu sinto muito — disse Quinn, percebendo o horror do que fizera. — R-rachel, eu...
Rachel não disse nada. Abraçou Quinn assim como ela fizera a menos de meia hora, tentando fazê-la sentir-se melhor. Não sabia se estava funcionando, pois continuava a sentir pequenas gotas em sua cabeça e a respiração de Quinn ainda estava acelerada.
— Se eu beijar você... — sussurrou Rachel, levantando a cabeça para encarar os olhos verdes lacrimosos de Quinn — vai se sentir como uma rainha?
Quinn engoliu em seco, e Rachel pressupôs naquilo como um sim. Então, a beijou, sem ligar para as duas outras garotas que estavam no banheiro, sem se importar se estavam na escola. Procurou passagem pelos lábios de Quinn, querendo confortá-la, querendo também ser confortada. Precisava de atenção e carinho a noite toda e só o encontrara agora.
Quinn terminou de beijá-la, ainda chorando, encostada em Rachel, seus braços envoltos nela, mas tão mais calma, tão mais leve, embora muito mais arrependida de ter dado um tapa na cara dela.
— Sabe, muitas garotas ficariam com raiva por levar um tapa na cara — disse Rachel, se desgrudando de Quinn e observando a bochecha ainda vermelha no espelho —, especialmente de alguém que ama, mas acontece que eu gosto do drama.
— Eu sei que você pensa que sua vida é difícil, mas pelo menos não precisa ficar com medo sempre — declarou Quinn abertamente, as lágrimas ainda caindo continuamente. Ela pegou o papel-toalha molhado que Rachel oferecera para limpar o lápis borrado.
— Do que você tem medo?
— Do futuro. Tudo isso vai ir embora um dia.
Quinn suspirou, limpando o lápis borrado com o papel. Rachel a fitou por alguns segundos, admirada com a dificuldade de Quinn tinha de expressar seus sentimentos e surpresa pelo esforço da garota em tentar demonstrá-los para Rachel, mesmo seu semblante praticamente gritando para que não o fizesse.
— Não tem por que ter medo — disse Rachel, pegando a mão de Quinn. — Você é linda, Quinn. A garota mais bonita que já vi, mas... Você é muito mais que isso.
Quinn não agüentou o elogio. Suas lágrimas tinham sido controladas, mas acabaram voltando. Ela abraçou Rachel novamente, e finalmente percebeu que nenhum dos garotos que ficara — Finn, Puck ou Sam — lhe dava tanto conforto quanto ela.
Quinn respirou fundo quando Kurt subiu ao palco. Ele voltara. Mostrara que ninguém poderia abatê-lo, tirá-lo de quem ele realmente era, e sentiu-se péssima por ter feito uma cena toda quando certamente, para o amigo, as coisas deveriam estar bem mais difíceis.
— Senhoras e senhores — disse Figgins, encarando Kurt com receio —, a Rainha do Baile de 2011, Kurt Hummel.
O diretor deu lugar a Kurt no microfone, entregando a ele seu cajado e colocando nele a coroa que Quinn tanto queria. O ginásio mantinha aquele silêncio humilhante de antes, mas ao contrário da outra vez, não conseguiram tirar o sorriso do rosto de Kurt. Rachel segurou a mão de Quinn com força quando o amigo tomou fôlego para falar algo.
— Chupa, Kate Middleton! — ele disse, seu sorriso irônico.
Rachel e Quinn riram e bateram palmas, sendo seguida pelos colegas do Glee e mais tarde por todo o ginásio, ainda que relutantemente.
— E agora a tradicional dança entre o rei e a rainha do baile — anunciou Figgins.
— Tem carona? — perguntou Rachel no ouvido de Quinn, esquecendo por um momento Kurt.
— Não. Mandei meu par embora, esqueceu?
— Você não mandou Finn embora — contrapôs Rachel, quando Santana e Mercedes começaram a cantar Dancing Queen.
— Não tecnicamente... Jesse estava abusando de você e eu pedi para que Finn o parasse.
Os olhos de Rachel se encheram de lágrimas.
— Uau, obrigada.
— Vou com você. Ir à pé é melhor que entrar na camionete do Finn — disse Quinn, sorrindo. — Mas que tal aproveitar o baile com sua primeira acompanhante, hein?
Ela estendeu a mão para Rachel, seu sorriso maior, e a puxou para o meio do ginásio, onde os outros membros do Glee cantavam e dançavam ao redor da Rainha do Baile da McKinley.
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