Two Worlds Collide

4 Cap. IV — Fixin’ Things


Notas iniciais
Como prometido, aqui está o capítulo novo, espero que gostem.
Ah, e eu decidi mesmo estender a fic.

— Caramba, não acredito que elas estavam apaixonadas — comentava Kurt educadamente surpreso, já no dia seguinte.

— Justos as que supostamente se odeiam — complementou Mercedes.

— Os opostos realmente se atraem — finalizou Artie.

Os três garotos do Glee andavam pelo corredor principal, Mercedes empurrando Artie e Kurt os acompanhando, o assunto mais comentado ainda sendo a repentina mudança de diretriz de Quinn.

— Já esperava por isso, sinceramente — falou Kurt, esnobando os outros. — Quinn e Rachel formam um par perfeito. O extremo entre a popularidade e a ralé da escola.

— Isso seria normal se uma delas fosse um garoto — contrapôs Mercedes.

— Concordo com ela — disse Artie, sério. — Embora seja um sonho imaginá-las juntas, ainda parece errado.

— Acreditem em mim, elas vão admitir o que sentem e quando isso acon-...

Mercedes bateu no ombro de Kurt, fazendo-o parar de falar, indicando uma Rachel deprimida ao fim do corredor. Ela colocava os livros tristemente no armário, e Kurt a viu limpar uma lágrima que caía sem querer.

— Tudo bem... — suspirou Artie — Quem vai lá?

Ele e Mercedes disseram “eu não” de uma só vez, deixando Kurt sobrando. O garoto bateu o pé no chão, irritado.

— Por que sempre sobra pra mim? — reclamou em voz alta aos dois outros membros do Glee que já saíam. Sem saber o que dizer, caminhou em direção à Rachel.

— Olá, Rachel! — exclamou Kurt, falsamente animado. — Como passou de ontem pra hoje?

A garota o encarou, enfurecida. Kurt vacilou; depois mudou sua expressão para preocupada.

— Desculpe-me por isso, sério — falou. — Eu sei, mais do que ninguém, o que é ficar confundido com quem você é. Não há nada de errado...

— Kurt, eu não tenho problemas com quem eu sou — interrompeu Rachel, sua voz soando triste e embargada. — Desde os meus dois anos eu sei o que quero. Eu me amo por não ser indecisa. E eu tenho certeza de que amei quatro pessoas em minha vida, de verdade: meus pais, Finn e Quinn. Não me arrependo de amá-los, tenha certeza disso.

“E sobre amar uma garota? Meus pais são gays, Kurt. Não há nada para se confundir. Não há nada de errado nisso.”

Kurt estava impressionado. Ele gostara de Finn por anos e não conseguia admitir aquilo nem para si. Tentava esconder seus sentimentos. E, no entanto, Rachel estava ali, na sua frente, mostrando o quão determinada era, até em questões difíceis, como descobrir quem realmente ama ou sobre sua sexualidade.

— A questão, Kurt — continuou ela —, é o Finn. Eu me sinto mal por ele, por que de certa forma eu ainda o amo. Não quero magoá-lo.

— Quinn já deve ter falado com ele, relaxe. No final, vocês vão terminar juntas.

Kurt sentiu-se melhor, pois Rachel abriu um de seus belos sorrisos. Ele a abraçou de lado e assim seguiram pelo corredor.

— Finn, por favor, me escute! — gritou Quinn na entrada do auditório. — Eu não fiz nada! Acredite em mim!

— Você queria fazer, é isso que me chateia! — rebateu ele, nervoso.

— Finn, eu a amo.

O quarterback do time parou na escada que ia até o palco, virou-se e fitou Quinn.

— Vocês cantaram juntas há quase um mês — disse. — Desde então, sua atenção está voltada exclusivamente a ela, embora só tenha notado isso há dois dias. Desde aquele dia, Quinn, eu sabia que tinha perdido você para Rachel.

Finn continuava a olhar Quinn, que já tinha seus olhos marejados de lágrimas. O rosto do garoto, entretanto, estava indecifrável.

— Acho que tenho de me acostumar a ver vocês duas juntas. — Ele sorriu. — Desculpa por minha reação exagerada, eu fui um babaca.

Quinn o abraçou, feliz.

— Vou contar para Rachel! — exclamou, e correu para fora do auditório.

Procurou Rachel por todos os corredores até encontrá-la perto do armário de Kurt, conversando com ele. Ela sorriu com todos os dentes ao vê-la, mas foi o garoto que viu Quinn primeiro.

— Acho que alguém quer falar com você — sorriu Kurt, apontando para Quinn.

Rachel virou para trás e nem teve tempo de pensar, pois Quinn a abraçou com força. Quando a soltou, teve de se esforçar para não beijá-la ali mesmo.

— Garota, eu te amo — disse Quinn, fitando profundamente a outra.

— Eu também te amo — respondeu Rachel, as lágrimas agora sendo de felicidade. — Demais.

— Vocês são tão lindas! — exclamou Kurt. Elas o olharam e viram todo o Glee Club junto dele.

— Apoiamos vocês — disse Sam.

— É, até o fim do mundo — falou Finn.

Quinn procurou a mão de Rachel e a apertou com força.