Two Souls - Two Names
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Após uma tarde de mil e uma músicas tocadas, meu pai me ligou. Sua voz era de repreensão, raiva e de (um pouco, mas bem pouquinho mesmo) desespero:
–Julliane Marie Holmes, onde você está? -Ele gritou do outro lado da linha. Afastei o celular do ouvido um pouquinho; os meninos escutaram, mas voltaram a fazer o que estavam fazendo. -Já se passaram das cinco da tarde!
Pensei bem em responder essa pergunta. Teoricamente, eu estava na casa de um desconhecido, com mais DOIS desconhecidos. De certa forma, isso não o agradaria muito, até porque seu desespero precisava de uma resposta um pouco mais séria do que: "estou na casa de um desconhecido". Pelo que eu entendi, ele quis perguntar, indiretamente, se por causa do Kyle, eu tinha parado na polícia e só sairia de lá com autorização de um juiz. Ele (Kyle) ignorou meu último pensamento e mandou-me terminar aquela ligação logo.
–Então... Eu resolvi ficar aqui na escola mais um tempo, sabe? Fazer hora extra... -Mordi a língua; fala séria, que mentira mais lavada. Quem fica até plenas cinco e meia da tarde em uma escola? Castiel olhou pra mim e riu alto; revirei os olhos.
–Acontece Julliane, que seu pai não é trouxa nem burro E fui até sua escola lhe buscar. Você não se encontrava lá e nem em nenhum outro estabelecimento comercial possível. -Deu vontade de morrer; quando ele falava assim, estava com raiva mesmo. -Então poderia, por obséquio, me responder onde a senhorita está?
–Tá bom... Desculpa mentir, mas iria parecer um pouco estranho se eu lhe dissesse que eu estou na casa de um desconhecido barra amigo com mais dois desconhecidos? -Falei, com receio.
–Ei! Eu sou mesmo um estranho? -Nathaniel chiou, interrompendo. Lysandre olhou pra ele, sério. -Se você pensar bem, é sim. -Nathaniel baixou a cabeça e ficou em silêncio. Abriu a boca pra falar algo, mas depois fechou de novo.
–Na verdade não, filha. Estou até mais aliviado. Pelo menos não aconteceu nada de mais grave. -Suspirei aliviada. -Então, onde você está?
–Eu tô na casa do Castiel, pode vir me buscar. -Essa frase me pareceu meio estranha; Kyle me cutucou- Calma aí cara...
–O que você tá fazendo aí? -Falou com a voz desconfiada. Fiquei vermelha. -Enfim, isso não importa. Estou a caminho. Tchau.
–Tchau.
Castiel olhou pra mim. Revirou os olhos e riu um pouco. Nathaniel riu também e falou:
–Você está precisando melhorar sua conversa com seu pai. Assim como suas desculpas.
–É mesmo. -Castiel disse- Até parece que estaríamos fazendo alguma coisa mais grave, pra você precisar inventar que estava na escola... -Olhou malicioso pra mim.
Kyle bateu em mim e nele. Castiel olhou pra mim com raiva. Como se fosse culpa minha.
–Meninos, eu vou embora. –Suspirei e peguei minha bolsa. Encaminhei pra porta do quartinho, quando Nathaniel segurou meu pulso. Virei-me.
–Quer que eu te leve na porta? –Soltei-me gentilmente.
–Não, obrigada. –Sorri. Olhei pra Castiel e Lysandre. –Meninos, estou indo. Até amanhã!
Fechei a porta, mas antes que eu pudesse dar meu segundo passo, Castiel abriu a porta. Escutei Kyle bufar; sorri o desafiando internamente.
–Esqueci que você não conhece minha casa. Eu te levo na porta. –Soltei um risinho pelo nariz e ele revirou os olhos. –Vamos logo.
Acompanhei-o até a porta, quando escutei a buzina do meu pai soando através da janela da sala. Ele riu debochadamente.
–Seu pai é muito ciumento. –Falou com um sorrisinho.
–É-é, eu acho... –olhei pro chão.
Eu esperava qualquer coisa, menos aquilo. Kyle ia explodir e se não eu não tivesse o feito antes. Castiel antes de abrir a porta, me abraçou de lado com força e abriu a porta rapidamente.
–Olá, senhor Holmes! –Ele gritou sorrindo e acenou. Senti o olhar cortante do meu pai em mim. Castiel só me abraçava ainda mais; eu estava paralisada, sendo assim, não conseguia me soltar. –Como o senhor está?
–Castiel, me solta, por favor. –Consegui murmurar.
–Não. –Ele mexeu a cabeça rapidamente pra mim, mas voltou a olhar para meu pai. –Sua filha é incrível, sabia?
Caminhamos até a porta do carro do meu pai, que já estava estacionado na calçada. O olhar ciumento do meu pai fez meu corpo se arrepiar, mas Castiel não parecia que importar nem um pouco.
–A voz dela tem um tom exato, e se adequa a todos as nossas músicas! É o que estávamos procurando! –Pensei que ele iria falar algo mais constrangedor, por isso, soltei o ar, aliviada. Mas Kyle ainda não tinha entendido e continuava com raiva. Meu pai também pareceu aliviado.
–Que legal Castiel. Não sabia que você tinha uma banda. –Sorriu amigável. Ele assentiu com a cabeça. Meu pai olho pra mim. –Vamos logo, Jullie, temos que ir. Elisa está preocupada.
–Tudo bem.
Ele fechou a janela do carro, mas percebi que ele ainda me observava.
–Até amanhã, Castiel. –Estendi a mão. Ele retribuiu o gesto. Depois, suspirou e enfiou as mãos nos bolsos.
–Não posso falar com você amanhã, Jullie. Desculpa.
Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ele se encaminhou de volta pra casa. Confusa, entrei no carro. Meu pai não perguntou nada, mas eu também não quis falar coisa alguma. Apenas apoiei minha cabeça no vidro do carro e olhei a rua do lado de fora do carro passar como um vulto.
Por falar em vulto, Kyle parecia muito satisfeito com as últimas palavras de Castiel. Parecia que o fato dele não poder falar comigo nos dia seguinte o agradava muito. Porque ele é tão chato?
–Eu não sou chato. –Escutei ele falar em minha mente. Sua voz era calma e baixa, e por isso, fiquei mais frustrada ainda.
–Sim, você é muito chato. A única coisa que você faz é me importunar, me envergonhar e acabar com minha vida. –Respondi, internamente. Cruzei os braços, com raiva.
–Não. Estou lhe protegendo. –Continuou calmo.
–Do que? Posso saber?
–Da vida, Jullie. Da vida.
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