Two Souls (Prólogo)
1 Prólogo
Notas iniciais
Noite escura em Nova York, estive tentando tirar aquilo que você fez de lado, mas não dá pra esquecer, como você simplesmente me deixou ali?
Será que ele tem ideia do quanto sofri? Na merda que fiquei depois daquilo.
Estava agachado na frente da casa, a chuva caia pesada, o frio do metal da minha 9mm me deixa com ainda mais vontade de provar sangue. É possível que ele não esteja sozinho.
Observei a casa ainda agachado, dois andares e um amplo jardim, então me levantei e percebi que meu cabelo estava ensopado de suor, me movi até a porta e esperei que ele saísse, e continuava na casa, então coloquei o capuz do meu casaco preto sobre a cabeça e me movi até a porta dos fundos silenciosamente, como sempre, e então toquei a maçaneta.
Seria tudo tão mais fácil se ele não tivesse me "drenado".
Então girei a maçaneta e dei um leve sorriso, do jeito de sempre.
–Aberta.
Abri a porta silenciosamente, então entrei no cômodo que tinha o tamanho de um quarto, um raio iluminou o local pela janela, e vi que ainda estava vazio.
–Então, ele está sozinho?
Fechei a porta sem fazer ruídos. Meu pescoço estava repleto de suor, de forma que estava meio brilhoso e meu cabelo ensopado grudado no capuz. Essa puberdade...
Então ouvi um chiado de carne sendo queimada acima, certamente era ele cozinhando ou algo do tipo, puxei minha outra pistola do casaco e fiquei com uma em cada mão, posicionei o dedo anelar de cada mão no gatilho, e então dei um leve empurrão na porta meio aberta do cômodo vazio, a casa estava completamente escura, pelo menos naquele andar.
Então me movi e cheguei a escada que levava ao próximo andar, eu estava apreciando o aço frio nas mãos quando ouvi mais trovões.
–Vou fazer você sofrer mais do que sofri.
Então subi lentamente as escadas, pensando nas ocorrências, eu simplesmente não queria ter feito aquelas coisas, e agora tinha que fazer isso.
–Foi tudo culpa daquele babaca.
Foco, mantenha o foco.
Então cheguei a cozinha e posicionei a arma da mão esquerda para cima, de forma que fosse acertar o tronco de qualquer um que aparecesse, fiquei pronto para atirar, então me virei de lado e vi ele.
Devia estar olhando fixamente para a lua, usava um casaco preto como o meu, encapuzado e de calças e tênis brancos. As pistolas apontavam diretamente para as suas costas, mas não atirei, ele estava observando a lua tão calmo, a chuva caia sobre seu capuz e ombros, eu conhecia essa sensação de estar em paz.
Então percebi que estava falhando de novo, e quando estava prestes a atirar, tive um ataque de lembranças, as velas dos barcos, os portos. Foi rápido, e quando voltei a olhar para a varanda onde ele estava, bem... ele não estava mais lá.
Achei que meus olhos estivessem me enganando como andavam fazendo ultimamente, então atirei onde você estivera mais nada aconteceu, logo depois ouvi o som de pés com grama lá em baixo.
–Não tem como escapar do carma.–Eu disse.
Então pulei da varanda e estando novamente no jardim, não vi ele. Logo depois que escutei mais um trovão, algo me atingiu com força na cabeça e eu caí de forma ridícula.
–E agora, quem faz quem sofrer?–Ele disse.
–Foda-se!–Exclamei.
Então ele pegou minhas pistolas caídas ao chão, e jogou uma para cada lado, depois do que aconteceu ele parecia simplesmente fazer tudo de forma perfeita, parecia invencível.
Ele tirou uma velha faca conhecida do casaco.
–Isso é por todos que você matou, pode ter certeza.–Disse ele calmamente.
Escutei o som do carro de James, que esperava o momento de emergência se aproximar rapidamente.
–Eu sou quem faz você cair.–Eu disse.
Então o carro de James se chocou contra a cerca, mas não passou por cima do meu Alvo, ele virou e inclinou e começou a cair sobre nós dois, eu tinha esquecido de checar as medidas de segurança dos dois mundos. Então eu rolei para longe, parando perto de uma pistola e ele saltou para atrás, caindo de joelhos no momento em que o carro pegava fogo, procurei a pistola pela grama, mas ele veio rápido demais e me acertou com um chute na costela.
–Você não está vivo no amanhã.–Disse ele calmamente.
Então ele me segurou pela garganta e me levantou, pude ver seus olhos castanhos calmos como sempre, e ele me deu uma cabeçada, fiquei com uma "visão dupla" e então levei um soco na barriga, eu não estava nada perto do auge depois que aquele merda me "drenou", anos atrás.
Então, chutei o tronco do meu adversário o mais forte que pude, e ele me largou, mas puxando quase que instantaneamente a faca, querendo acabar com aquilo, localizei a pistola e então o carro explodiu.
A explosão fez meus ouvidos ficarem doloridos, e a pistola agora não estava mais tão perto, ou era só a minha visão falhando.
Mas uma arma se mantinha exposta, a velha faca no chão, entre nós dois, parece que a explosão do carro o tinha desnorteado e ele tinha recuado, deixando a faca cair.
Corremos os dois na direção da faca, seguramos o cabo ao mesmo tempo, mas então ele me deu um soco e eu quase a soltei, percebi que o cabo estava quase separado da lâmina, segurei a lâmina com as duas mãos e assim a puxei, minha mão rasgou em um corte profundo, mas eu agora tinha o metal, e ele o cabo.
Tentei cravar a lâmina em sua cintura, mas ele saltou para trás e meu braço travou, ele segurou a minha mão e me tirou a lâmina. Eu não era o mesmo, desde aquilo em Chicago, muita coisa tinha mudado, desde que ele me deixou na merda.
Então ele me deu outro soco, tentei aparar com a mão mas ele era um adulto de certamente trinta e três anos, e eu quantos anos tenho, uns quinze talvez? Ah sim, a sua mão imobilizou meu braço e ele me chutou para longe, caí com a parte de trás da cabeça em cima de uma pistola, a peguei e mirei contra ele, eu acho, já que estava zonzo e meus braços pareciam estar travando.
Foi aí que ele pegou uma das pistola no chão, tentei impedir mas errei o tiro e então ele apontou a arma para mim, contra o meu olho esquerdo, e o cano da minha contra a garganta dele, eu acho.
Então tudo escureceu.
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