Two Pieces

4 Capítulo 4


Notas iniciais
"Nós precisamos da fantasia para sobreviver porque a realidade é muito difícil." Ps: uma parte desse capítulo foi inspirada em uma cena entre Darcy e Camilo do primeiro capítulo da novela ;)

Já haviam se passado alguns dias desde que tinha recebido a notícia por Susana de que a rainha do Café daria um baile para apresentar ele e Camilo aos cidadãos da cidade. Nunca foi um homem de fugir de uma boa festa, mas Darcy não se sentia muito animado para aquela, ainda mais com a confusão que se instalara nos últimos tempos na mansão com todos os prepativos para o grande dia. Julieta estava prestes a chegar ao Vale e Susana e Petúlia tentavam dar conta de tudo sozinhas, mas não estavam se saindo muito bem.

Na manhã de sábado, ele e Camilo estavam sentados na sala de estar, cada um com um livro na mão após o café e o Lorde havia ido para São Paulo resolver pendências da obra. Os criados da casa corriam de um lado para o outro com taças e embrulhos na mãos, enquanto Susana ia atrás deles proferindo ordens para que nada saísse errado.

— Susana, deixe que Darcy e eu façamos alguma coisa. Você parece estar muito ocupada e nós dois estamos aqui, apenas olhando vocês passarem de um lado para o outro a manhã inteira — disse Camilo quando mais duas pessoas passaram pela sala, uma delas era Petúlia, carregando ingredientes para a comidas.

— Imagina, Camilo. Vocês dois serão as grandes atrações da festa, não podem ajudar nos preparativos como dois simples serviçais.

— Mas nós queremos ajudar, não há mal nenhum nisso. — Darcy se envolveu, oferecendo ajuda também — parece ter muita coisa a ser feita ainda em tão pouco tempo.

— Seu Darcy está certo, madama. Tem muita coisa mesmo para fazer ainda. Eu já estou exausta de carregar tanta caixa para lá e para cá — reclamou Petúlia se intrometendo na conversa.

— Quieta, sua reclamona — bradou Susana — Tudo bem, não acredito que estou falando isso, mas realmente preciso de ajuda. Há pilhas e pilhas de convites no escritório porque sua mãe fez questão de convidar toda a cidade, mas o rapaz que ficou de entregá-los ainda não apareceu e eles não podem ficar nem mais um minuto aqui. — admitiu ela, se dando por vencida.

— Bom, acho que nós já encontramos o que fazer o dia todo. Pode ficar tranquila que iremos ajudar — Disse Camilo, puxando o amigo em direção ao escritório da mãe, onde pegaram os inúmeros envelopes dourados que haviam ali e saíram para distribui-los.

Darcy e Camilo batiam de porta em porta, se apresentando e entregando o convite para o baile, fazendo a alegria das pessoas da região. Faltavam apenas poucos envelopes e agora faziam o caminho a pé até uma parte mais afastada do centro e Camilo não conseguia esconder a animação com o evento que aconteceria dali a poucos dias.

— O último baile a que fui já tem algum tempo, aconteceu na última semana que estive na Europa. Então, mal posso esperar para esse. Você viu quantas jovens bonitas existem nesse lugar? Acho que já imaginei meu futuro ao lado de uma cinco delas.

— Você continua o mesmo Camilo Bittencourt de sempre, meu amigo — Disse Darcy arrancando um risada do jovem — Um apaixonado incorrigível e inconsequente.

— Sou apenas um homem que se deixa encantar pela beleza do amor, meu caro, diferente de você que parece ainda estar com o pensamento nas festas e nas belas mulheres de Paris.

— Não é isso, só ainda não me casei porque não encontrei a mulher certa para mim, minha companheira, e não espero me envolver em nenhum casamento de conveniência, então..

— Olha, que grande novidade! Não sabia que Darcy Williamson estava a espera de um grande amor para movimentar essa vida pacata — zombou Camilo deixando o amigo sem graça pela revelação que acabara de fazer. No mesmo momento, perceberam que haviam chegado a umas das últimas casas que faltavam.

Era um pequeno sítio, com um lago em frente à casa e muitos bichos soltos pelo local. Darcy se encantou pela propriedade de imediato, mesmo rústica para os padrões a que estava acostumado, tinha cara de lar como poucas vezes havia visto e se imaginou morando em um lugar acolhedor como aquele quando tivesse sua própria família. Ao baterem a porta da casa, uma senhora de meia idade com os cabelos grisalhos e um vestido florido os atendeu de imediato, com uma expressão de surpresa no rosto ao ver os rapazes parados na soleira da porta.

— Pois não, no que posso ajudar? — cumprimentou ela, os observando de cima a abaixo e aparecendo ter gostado do que viu.

— Boa tarde, sou Camilo Bittencourt e esse é Darcy Williamson e nós viemos entregar este convite a senhora e toda a sua família para o baile que teremos em nossa casa daqui a alguns dias. — informou o jovem

— Ara, meninos, claro que eu sei quem são vocês. Por que não disseram antes? Entrem, entrem. Baile? Vamos conversar melhor sobre isso — Disse a senhora trazendo os rapazes para dentro da casa sob alguns protestos dos dois que ainda tinham algumas casas para visitar — Sou Ofélia, muito prazer. Meninas, apareçam aqui! Nós temos visitas.

Instantes depois, 3 jovens encantadoras adentraram a sala, curiosas com quem estaria ali. Cada uma vestia um tom em suas roupas, que juntas, as fazia lembrar uma pequena aquarela em movimento, comparou Darcy. Depois de devidamente apresentadas aos rapazes e informadas sobre o baile, a felicidade em seus rostos foi a mesma que a mãe apresentou momentos antes. Lídia, a mais jovem delas e que vestia rosa em muitos tons diferentes, começou a tagarelar para Darcy sobre a importância dos bailes na cidade e fez questão de palpitar sobre cada pessoa que fazia parte da lista de convidados deles, dando ênfase nos militares, enquanto dona Ofélia exaltava a beleza de Jane para Camilo, deixando a moça extremamente envergonhada e Camilo interessado em saber mais sobre ela.

— Veja, seu Camilo, se não é a moça mais bonita do Vale. Talvez de todo o estado de São Paulo — gabou-se ela

— Mamãe, pelo amor de deus, pare já com isso — pediu Mariana, tentando salvar a irmã daquela situação desconfortável.

— É verdade sim, dona Ofélia. Jane é uma moça lindíssima — disse ele trocando um sorriso tímido com a moça, a fazendo corar — Aliás, todas as suas filhas são.

— Muito obrigada, seu Camilo. Mas imagine só, como meninas tão bonitas ainda estão solteiras. Só uma delas já se comprometeu com o matrimônio e a outra está noiva, por enquanto.

— Mamãe, chega de falar em casamento com os senhores, por favor. Tenho certeza que eles não querem falar sobre esse assunto — interveio Jane, que era a mais calada até então, tentando mudar o rumo da conversa. Mas foi so olhar na direção Camilo mais uma vez que a moça corou novamente.

— Ara, todo mundo gosta de falar em casamento, deixe de sandice. E o senhor é casado, seu Darcy?

— Mãe, eu imploro que pare já com isso — suplicou Mariana mais uma vez, arrancando um sorriso de Darcy.

— Sou não, dona Ofélia. Tenho me dedicado muitos anos na minha universidade e agora trabalhando com meu pai, tenho pouco tempo para pensar nessas coisas — explicou-se ele

— Parece até minha filha mais velha falando, graças a deus a menina tomou juízo e parou com essas maluquices de não querer casar. Mas ainda fica me enrolando para marcar a data, sabe seu Darcy? A espertinha pensa que me engana. Acho que vocês dois se dariam bem — Nesse momento exato momento, a porta por onde eles tinham entrado se abriu, e Elisabeta entrou na sala sem perceber os dois rapazes ali presentes.

— Mãe, a senhora sabe onde deixei a escova do Tornado? — ela parou no lugar assim que se deu conta de que a movimentação no cômodo cessou com sua entrada e não conseguiu disfarçar o olhar irritado que direcionou a Darcy quando seus olhares se cruzaram.

— O que fazem aqui? — perguntou a Darcy de forma mais exaltada do que pretendia demonstrar. O homem estava tão surpreso quanto ela, pois em momento algum havia percebido que aquelas moças eram as Benedito de que tanto tinha ouvido falar.

— Elisabeta, cumprimente as visitas, menina. Os rapazes vieram gentilmente nos convidar para uma festa que terá na fazenda Bittencourt e claro que nós vamos, então prepare sua melhor roupa — Ofélia sorriu para os meninos enquanto Elisa cumprimentava Camilo e apenas acenou de longe para o outro, pois ainda estava extremamente irritada com o comentário que ele havia feito na ferrovia sobre sua credibilidade. Não costumava se abalar daquela forma, mas o comentário de Darcy havia realmente ferido o orgulho dela.

— Bom, se me darem licença, preciso arrumar algumas coisas no estábulo que não podem esperar — e saiu apressada do cômodo, da mesma forma que entrou. Darcy se sentiu imediatamente culpado pelas coisas que havia falado a moça antes e que ainda não tinha tido a oportunidade de se desculpar, e viu naquele momento a hora ideal para isso.

— Vocês têm um estábulo? Eu adoraria conhecer — Disse ele torcendo para que seu plano desse certo.

— Temos sim — respondeu Lídia — Pode ficar a vontade, Elisabeta está lá agora mesmo cuidando de Tornado — E antes que alguém se oferecesse para acompanhá-lo, Darcy pulou da poltrona em que estava e saiu porta a fora procurando o local. O encontrou facilmente porque a jovem vestida com todo aquele vermelho não passava despercebida na paisagem, então percebeu que ela era a cor que faltava na aquarela das irmãs.

— Elisabeta — Disse ele surpreendendo a moça, que estava distraída conversando com o cavalo sobre coisas que o inglês não conseguiu entender — acho que eu te devo um pedido de desculpas pela nossa última conversa.

— Não sei sobre o que o senhor está falando, agora me deixe em paz que estou muito ocupada — respondeu ela direcionando a atenção novamente ao animal, numa tentativa em vão de ignorar o homem que ocupava grande parte do espaço disponível.

— Eu realmente sinto muito por ter passado dos limites e ofendido você, realmente não foi a minha intenção. Me desculpe — Disse se virando para voltar a casa quando ouviu Elisabeta lhe pedir para voltar.

— Realmente não gostei nenhum um pouco do que disse, colocar minha palavra em jogo daquela forma foi um golpe muito baixo, até mesmo pro senhor.

— Pode me chamar de Darcy e eu realmente não queria a ofender quando disse aquilo sobre seu noivo.

— Tudo bem, já está esquecido. Podemos voltar as nossas discussões de sempre — disse Elisabeta arrancando um sorriso discreto do inglês.

Darcy não soube explicar como, mas quando se deu conta já estava dizendo — Para selar a paz entre nós, espero que a senhorita possa dançar pelo menos uma música comigo durante o baile — e se surpreendeu ainda mais quando Elisabeta respondeu

— Acho que será um prazer, Darcy Williamson.