Two Pieces

1 Capítulo Único - Two Pieces.


Notas iniciais
OI GENTE ESPERO QUE VCS GOSTEM ♥
Enjoy.

There's a boy, lost his way, looking for someone to play.

There's a girl, in the window, tears rolling down her face.

Era uma noite de inverno em Londres. Uma noite bem mais fria que o normal. Por ser sexta-feira, todos andavam feito loucos no centro da cidade. Alguns iam a festas, outros a botecos. A cidade estava uma loucura, como sempre. Porém os lugares mais afastados do centro eram calmos. Como por exemplo, a rua Joanesburgo. A tortuosa e fria ruazinha estava coberta por uma densa neblina. Densa ao ponto de não ser possível ver os paralelepípedos que cobriam o chão. A rua, que dava de frente para um canal, estava vazia, a não ser pelo garoto quase invisível devido à neblina. Era magro e tinha uma baixa estatura. Carregava uma bola de basquete nos braços. Uma touca azul cobria-lhe a cabeça. Os fios pretos e lisos estavam colados em sua testa. Respirava de modo ofegante, como se tivesse corrido muitos quilômetros. Suas bochechas carregavam a coloração vermelha. Andava silenciosamente pela estreita ruazinha. O único barulho audível era o de sua respiração. Usava um enorme agasalho, além das calças. Direcionou seu olhar para o canal, parando de caminhar. Aos poucos, voltou a respirar normalmente. Depois, olhou para as casinhas simples dispostas uma ao lado da outra, no outro lado da rua. Todas pareciam vazias. Continuou andando. Quem sabe conseguisse achar uma delas aberta e se aconchegar por lá durante a noite.

A alguns metros de distância, uma casa se mostrava ocupada. A luz principal estava acesa. Se chegasse perto, poderia ver que havia uma garota nessa janela. A mesma aparentava ter seus 13 anos, os cabelos castanhos claros longos caindo-lhe sobre as costas.Os enormes olhos verdes que normalmente expressavam curiosidade estavam, no momento, expressando tristeza. Usava uma blusa de manga comprida vermelha e branca. Debruçava-se sobre o parapeito da janela, apoiando a cabeça nas mãos. Lágrimas desciam por suas bochechas silenciosamente. Era tarde da noite. Todos em sua casa estavam dormindo. Menos ela. O vidro estava embaçado devido a sua respiração. Assim, levou os dedos a superfície e começou a desenhar coisas sem sentido. Um castelo, corações, flores em um jardim. Então usou sua mão para apagar todos os desenhos, tornando a janela transparente, como sempre é. Observou, então, uma sombra passando ao lado do canal. Parecia ser de um menino de uma estatura um pouco menor que a sua. Limpou as maçãs de seu rosto e saiu do parapeito da janela. O que uma pessoa, um menino de pouca idade, estaria fazendo andando por aquela pacata ruazinha tarde da noite? Foi ao cabideiro, de onde pegou um casaco fino e o vestiu. Logo depois pegou um outro casaco bem grosso, e o vestiu também. Colocou luvas e uma touca em sua cabeça. Abriu a porta silenciosamente e saiu para a rua, fechando a porta da casa logo depois. O frio cortante atacou seu rosto, mas logo se acostumou. Andou lentamente até onde o menino estava. Ele também andava de forma lenta, porém olhava para o canal.

- Olá? Alguém aí? – falou a garota, sua voz doce se espalhando pela rua. O garoto virou a cabeça rapidamente, e conseguiu enxergar a menina. Ele se aproximou mais.

- Oi. – disse ele.

- O que faz aqui a essa hora? – perguntou a menina, olhando para a rua vazia. O jeito curioso voltou aos seus olhos.

- Eu estou fugindo. E você? – respondeu o menino, claramente sem jeito.

- Eu moro ali naquela casa. – apontou para o local iluminado. – Mas quem me dera poder fugir...

- Qual seu nome? – perguntou o garoto, prestando atenção na menina.

- Claire. E o seu? – a garota deu um leve sorriso. Talvez a única coisa de que gostasse em sua vida fosse seu nome.

- John. Porque quer fugir? – perguntou, agora parecendo interessado na conversa.

- Ah, é uma longa história. – murmurou Claire, cruzando os braços e olhando para seus pés.

- Eu quero ouvir. E posso contar porque fujo também. – encorajou-a.

- Eu sou adotada. Acho que meus pais biológicos não podiam tomar conta de mim. Só sei que fui colocada para adoção, e o casal Scavo me adotou. Eles me colocaram pra trabalhar desde que eu tinha quatro anos, mas quando cresci descobri que podia denunciá-los. E assim eu fiz. Eles ficaram presos por alguns meses, mas alguém da família pagou a fiança e eles me pegaram de volta. Eu não trabalho como trabalhava antes, mas sou muito maltratada. Só tenho roupas boas como as deles e sou mais bem tratada porque o assistente social vem todo mês para ver como estou. Eu desejo fugir. Achar meus pais biológicos, agora que posso ajudá-los. Ou simplesmente ser feliz em algum lugar. Agora me conte sua história. – falou a garota.

- Bem, eu moro com meus pais biológicos, mas eles não gostam de mim. Acho que não fui muito bem-vindo. Eu adoro basquete, mas meu pai quer que eu jogue vôlei e me força a treinar todos os dias. Ele queria me colocar em um colégio interno para futuros profissionais do vôlei, e quando descobri, fugi. Eu moro em uma cidadezinha perto daqui, então sai correndo em disparada e só trouxe as roupas que tenho no corpo e minha bola de basquete que tinha escondido. Faz dois dias que ando sem parar, apenas paro para implorar comida e dormir. Não se compara a sua história, mas é bem ruim também. – disse ele.

Eles passaram algum tempo em silêncio. Então ela o quebrou:

- Que tal se fugirmos juntos e passarmos por nossas dificuldades juntos? Poderíamos achar um bom lugar para morar e seríamos felizes. Claro que ninguém aceitaria duas crianças morando juntas, mas ninguém precisa saber. Só precisamos fazer o que gostamos e ser felizes.

Ele passou algum tempo quieto, e então sorriu.

- Claro. Por que não?

- Quando fugimos? – perguntou a menina, sem demora.

- Por que não agora? – sugeriu.

O silêncio se formou novamente. Estavam lado a lado. Olharam um para o outro após algum tempo, e sorriram. Deram as mãos. Saíram caminhando pela tortuosa ruazinha, procurando pela felicidade.

‘cuz we fit together like

Two pieces of a broken heart.

Notas finais
E então? Espero vcs nos reviews :) xx
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!