Two Kingdoms - One Family
8 Capítulo 8
Notas iniciais
POV Ethan
Logo após nossas palavras, todos assentiram e começaram a comer. Era evidente que algumas selecionadas possuíam um sorrisinho nos lábios, mas a maioria se concentrava em sua comida. Sentei-me ao lado de meu pai e Katrina ao lado de nossa mãe. Eu estava completamente sem apetite, mas forcei um pouco e consegui comer alguns pães de queijo. Aguardei silenciosamente até a parte doce do café da manhã. Hoje os cozinheiros fizeram a sobremesa favorita de minha mãe, torta de morango. Segundo meus pais, esta tal torta de morango tem uma grande história de amor por trás, mas nunca me interessei em saber qual era. Os serventes trouxeram as tortas, uma para cada pessoa, e finalmente minha mãe sinalizou que podíamos comer. Eu apreciava cada pedacinho, desde uma pequena quantidade de glacê até o generoso morango em cima da calda da torta. Notei que minha irmã e minha mãe faziam o mesmo e sorri um pouco com a cena. Finalmente o café da manhã se deu por encerrado. Os selecionados se levantaram e começaram a se dirigir para a aula que todos sabíamos que eles deveriam ter. Quando a última menina, Roxie eu acho, passou pela porta e a fechou logo em seguida todos desatamos a rir.
– É cada uma mais graciosa que a outra. – disse meu pai.
– Notei algumas comendo de maneira inapropriada. Sinceramente, quem come uma torta esfarelada com a mão? – comentou minha mãe.
– Minhas selecionadas, oras. – disse sorrindo. Todos riram junto comigo.
– Você não viu os meus selecionados comendo. Houve alguns que eu até senti nojo! – disse Katrina.
– Eu vi! Um loiro, um moreno e um ruivo, não? – disse Amberly.
– Sim! Nem me lembro os nomes deles, mas assim que vê-los novamente obviamente lembrarei deles. – comentou Katrina.
– Bem, vamos logo começarmos nossas tarefas. O dia apenas está começando. – disse meu pai.
– Claro. Começaremos logo nossos encontros com os selecionados e selecionadas. – disse Katrina. Nos despedimos e ela me puxou porta a fora.
– Ansiosa? – perguntei a ela.
– Um pouco. Acho que tenho uma ideia de com quem eu terei meu primeiro encontro. – disse ela, dando pulinhos enquanto andava.
– Olha só quem está animada para um encontro! – falei realmente impressionado. – Quem me dera estar assim.
– Não há ninguém que você deseje ver neste exato momento?
Pensei por alguns instantes e meus pensamentos logo foram até Sophie.
– Sim, há alguém. Mas não sei se ela deseja o mesmo.
– Ela se inscreveu em sua Seleção. Não há razões para ela não querer estar com você.
– Acho que você tem razão.
A essa altura, nós já estávamos na porta da sala de aula das selecionadas. Katrina me disse o nome do rapaz que ela queria que eu chamasse. Eu realmente desejava falar com Sophie, mas sabia que seria melhor chamar alguém que não me balançava tanto. Então bati na porta e Molly logo atendeu.
– Com licença, pedimos que o senhor Zack Flint e a senhorita Veronica Yvo acompanhem-nos. – assim que disse isso, eles rapidamente se levantaram e vieram até mim. Assim que passaram da porta, notei que ambos estavam assustados.
– Você estão bem? – perguntou Katrina.
– Sim, mas...porque nos chamaram? – perguntou Veronica.
– Apenas queremos dar um passeio com vocês. – exemplifiquei. – Aceita me acompanhar até o jardim, senhorita Yvo? – lhe perguntei. Ela sorriu e aceitou com um gesto de cabeça.
Ofereci meu braço e assim que ela aceitou começamos a andar. Nosso destino era o jardim, porém eu queria prolongar nosso caminho para podermos conversar mais.
– Bem, gostou de suas conversas hoje de manhã? – ela me perguntou.
– Sim. As que eu permiti ficarem me pareceram simpáticas, ao menos. Algumas mais, outras menos. Mas todos merecem uma segunda chance, certo?
– Acho que sim. Uma segunda chance é favorável, mas acho que uma terceira já é demais.
– O que quer dizer com isso?
– Olha, eu realmente gosto de você, assim como muitas outras garotas aqui. Mas eu só lhe peço que dê muitas chances a quem não merece.
– Quem, por exemplo?
– Olha, eu só estou um dia aqui. Não fiz nenhuma inimizade ainda, apenas duas amizades.
– Com quem? – perguntei curioso.
– Katlin e Sophie. – me liguei mais assim que ouvi o nome de Sophie.
– E agora eu lhe pergunto, você daria seu lugar na Elite para uma das duas? – ela pareceu hesitar por um momento.
– Sim. Sabe, não acho que eu seja tão interessante quanto qualquer uma das duas. E esse pouco tempo fiquei com elas já estou maravilhada. Caso não tenha notado, meu cabelo diz muito sobre mim.
Não entendi exatamente o que ela disse. Eu sabia que seu cabelo negro possuía várias mechas nas cores azul, verde e rosa, mas não entendia o real significado disso.
– Perdão, mas creio que não tenha entendido. – ela sorriu para mim e disse simplesmente.
– Eu sou emo.
Eu me surpreendi. Ela não parecia alguém que tinha tendência a ter depressão, alguém que chorava por qualquer coisa e muito menos alguém realmente triste.
– Não aparenta.
– Eu sei. É que eu aprendi a controlar o que eu devo mostrar as pessoas e o que eu deveria guardar para mim. Eu já sofri depressão e isso machucou muito meus pais e minhas famílias. Apesar de tudo, eu nunca gostei de vê-los assim então eu escondo, ou melhor, eu guardo para mim.
– Uau. Nunca imaginei que um cabelo poderia dizer tantas coisas. – ela sorriu para mim.
– Não sabe de nada. Mulheres costumam mudar alguma coisa quando grandes mudanças ocorrem em suas vidas. Algumas a maneira de ser, outras fazem plásticas, mas a maioria muda o cabelo.
– E o que a levou a ser emo? A ter esse cabelo?
– Uma desilusão amorosa. Eu gostava de um cara mais velho da minha escola. Começamos a conversar e ele descobriu que eu gostava dele. Assim, o que mais me chateou foi que ele era um babaca, mas apenas comigo. Ela brincou comigo e no fim, jogou fora meu coração.
– Eu sinto muito. – foi a única coisa que fui capaz de dizer.
– Todos sentiram. Mas, já passou, eu já o esqueci. Porém ele foi a minha primeira paixão. O sentimento continua aqui, mas está adormecido. – disse apontado para seu coração.
– Só quero que saiba que eu nunca faria isso com você. Nem com você, nem com nenhuma das outras selecionadas. Isso não foi justo com você, ele não deveria ter brincado com você.
– Obrigado. E eu sei que você não faria isso. É perceptível em sua maneira de falar, de agir. – ela parou e se virou para mim.
– Agradeço que confie em mim.
– Eu apenas peço que você confie em mim. – disse ela.
Ela colocou a mão em meu rosto e se aproximou. Fiquei antônimo por alguns segundos até que ela se aproximou mais ainda e selou o momento com um beijo. Um beijo doce, sem segundas intenções. Eu sabia que fora um beijo rápido, mas para mim durara uma eternidade. Eu poderia passar a tarde ali com ela, imortalizar aquele momento. Então ela se afastou e sorriu para mim.
– Então, confia em mim? – perguntou-me ela.
– Claro. – disse sorrindo e logo em seguida a abracei.
E naquele momento eu sabia. Uma vaga em minha Elite já estava ocupada.
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