Two Kingdoms - One Family
30 Capítulo 30
Notas iniciais
POV Katrina
Eu estava lendo em meu quarto quando ouvi duas batidas na porta, quase imperceptíveis de tão sutis. Dei um sorriso e abri a porta para a criaturinha ruiva que estava na minha frente. Ela entrou e se jogou na minha cama, sorrindo e desarrumando os lençóis.
– Ei! Quem te deu o direito de pular na minha cama? — disse a ela.
Ela parou abruptamente e olhou para mim com o olhar mais pidão que já vi na vida.
– Por que? Não podia?
Fiz uma pausa dramática apenas para deixar o clima de tensão no ar. Com Amberly era assim, tudo virava uma brincadeira.
– Pode, mas com uma condição... — ela olhou esperançosa para mim, esperando a minha condição — Eu tenho que pular junto!
Então me juntei à ela na cama e começamos a pular e pular várias vezes, rindo igual duas loucas desmioladas. Loucas, sim, desmioladas, sim, e muito muito felizes. Acabei me cansando primeiro que ela e deitei na cama enquanto ela continuava a pular. Alguns minutos depois seu corpo se cansou também e ela se deitou ao meu lado.
– Por que não saiu com algum selecionado agora de manhã? — me perguntou enquanto ambas olhávamos para o teto de meu quarto, parecia o céu no finzinho da tarde, quando as nuvens ganham um tom alaranjado por conta do sol.
– Ah, às vezes eu preciso de um pouco de espaço. Ter companhia é bom, mas nem sempre.
– Antes só do que mal acompanhada?
– Não, não é isso. Eu só... sei lá. Não me senti disposta o suficiente para encontrar e conversar com qualquer um deles.
– Mas vai ter que escolher um deles no final?
– Sim...
– E isso já está perto?
– Bem, eu não diria perto mas...
– E por que ainda foge deles se sabe que mais cedo ou mais tarde terá que encará-los?
Me sentei e comecei a olhar fixamente para minha penteadeira.
– Não estou fugindo. Acho que não me interessei por nenhum dos selecionados.
– Mas já conversou com todos eles?
– Sim mas...
– E foi o suficiente?
– Não se...
– Sabe os pratos favoritos deles? E as cores? E se eles preferem o verão ou o inverno? Sabe tudo isso de todos eles?
– Pare de me interromper! — reclamei brincalhona.
– Desculpe — pediu com um sorrisinho — Só faço isso para que o seu cérebro comece a funcionar. Você não conhece nenhum deles o suficiente para realmente gostar de alguém.
– Sim mas papai diz que...
– Papai não sabe da sua Seleção, Kat — disse ela se levantando e pegando em minhas mãos, fazendo-me olhar fixamente para ela — Ele não sabe o que se passa no seu coração e muito menos nessa sua cabeça de mamão. Ele não conhece os rapazes como você deveria conhecer. Não será ele que casará com um deles. Isso só depende de você e eu tenho a impressão que Malcolm, Ethan, mamãe e papai já estão cansados de ter essa conversa com você, então só me resta te auxiliar agora.
Ergui minha sobrancelha e lacei-lhe um sorriso.
– Quantos anos você tem mesmo? 76?
– Hahaha, muito engraçado. Agora saia desse quarto e vá falar com algum selecionado. Faça uma roleta russa! Escolha qualquer um, mas escolha um.
Me levantei da cama e passei a mão por meu vestido, na tentativa de arrumá-lo que no fim, deu certo. Olhei alegremente para minha irmã e notei o quão orgulhosa eu estava dela por ter se tornado alguém inteligente e que pensa muito antes de fazer as coisas, diferente de certos outros irmãos mais novos.
– Como a senhora quiser, madame!
Fiz uma pose de reverência e marchei até a porta do quarto, eu rindo por dentro enquanto Amberly não se aguentava por fora. Jurei que aquela menina iria explodir de tanto rir!
Desci ao andar dos selecionados e comecei a andar pelo corredor, mas parei abruptamente no meio dele. Ouvi risinhos e sons de beijos e minha mente logo vagou para Malcolm. Não acredito que aquele idiota não seguiu os meus conselhos e está fazendo isso de novo! Não me aguentando, pedi licença ao guarda que estava na porta e joguei toda minha força contra a maçaneta, entrando igual a um furacão no quarto.
– Não me diga que... — parei minha frase no meio assim que percebi quem realmente estava naquele quarto.
– Katrina?!? — disse Ethan. Droga! E agora? O que eu vou dizer pra ele?
– E...Ethan? — gaguejei observando melhor a cena e os dois, eles pareciam estar no meio de algo... importante — Me desculpe, eu pensei que...
– Pensou o que? Esse é o quarto de uma das MINHAS selecionadas! Quem poderia ser? — ah, se ele soubesse. Comecei a ficar sem ação, não podia entregar Malcolm desta maneira e ainda mais nesta situação! Pensa Katrina, pensa!
– Desculpe — olhei pra ele, tentando passar o máximo de tranquilidade que eu definitivamente não tinha — Precisamos conversar depois.
– É, precisamos conversar depois — disse ele, carregando sua fala ao máximo com ironia.
Olhei uma última vez para os dois. A menina parecia um pouco assustada, mas nada demais. Já meu irmão estava explodindo pelas ventas! Vou ter que falar com ele assim que ele sair deste quarto, o que não deve demorar muito. Saí do quarto e esperei meu irmão na batente da escada. Estava insegura, não posso falar pra ele de Malcolm, mas não tenho como me justificar também! Alguns minutos depois ele saiu do quarto, bufando como eu imaginava.
– Ethan! — eu o chamei.
Ele olhou para mim e apressou o passo.
– Por favor, vamos conversar em meu quarto. Melhor do que dar vexame — pedi. Ele concordou com a cabeça e começou a subir as escadas.
Assim que chegamos em meu quarto, ele se sentou em uma das poltronas enquanto eu fechei a porta. Me sentei em sua frente e ficamos assim, por alguns minutos, em completo silêncio. Por fim, decidi começar a falar.
– Ethan desculpe eu...
– Primeiro, você disse que pensou que fosse outra pessoa. Se aquele é o quarto de uma das minhas selecionadas, quem mais você achou que fosse?
Merda! Por que esse idiota sempre me cerca com suas perguntas diretas!?
– Ninguém eu...
– Katrina, não minta pra mim. Eu te conheço e estou vendo em seus olhos que você está mentindo.
Melhorei a minha cara e coloquei o olhar mais convincente que tenho. Pelo menos eu acho.
– Ethan, não estou mentindo. Acabei me enganando e nem sei o que pensei quando invadi o quarto dela daquela maneira. Desculpe.
Ele olhou profundamente em meus olhos e sentenciou minha morte.
– Vou acreditar em você, porque você é minha irmã e minha melhor amiga, acima de tudo. Mas, se algum dia eu acabar descobrindo que você sabe de algo que eu deveria saber...
– Vai fazer o que? Me bater? Me prender? Me expulsar? Desculpe, mas acho que sobre qualquer uma dessas coisas, você não tem poder sobre mim.
– Eu não, mas papai tem, e você sabe que ele atenderia o filhinho querido dele.
– Não colocaria papai contra mim! — disse, chocada.
– Não pretendo e não quero, mas se for necessário.... Depois não diga que você não foi avisada...
Ele se levantou e começou a andar em direção à porta. E agora? O que eu faço? Não posso ter papai contra mim, se isso acontecesse mamãe ficaria do meu lado, eles brigariam e outra guerra começariam em nossa família, assim como quando tínhamos nossos 16,17 anos! E com o último pensamento são que tive, fiz minha escolha.
– Ethan... — disse, ele se parou de andar para escutar o que eu tinha a dizer — Malcolm. Eu tinha pensado no Malcolm.
As lágrimas já caiam sem pudor algum. Ethan se virou e olhou para mim, chorando como uma miserável e pareceu desconcertado.
– M...Malcolm? Como assim Malcolm? COMO ASSIM O MEU IRMÃO MALCOLM? — começou a gritar.
Senti minha pressão subir. Não posso desmaiar, não posso desmaiar, não posso desmaiar!
– Me prometa que não fará mal à ele.
– Eu não farei. Você sabe muito bem quem fará alguma coisa com aquele bastardo.
Uma única palavra brilhou em minha mente.... Papai.
Fale com o autor