Two Kingdoms - One Family
12 Capítulo 12
Notas iniciais
POV Ethan
A garota com quem eu queria conversar já estava longe. Ela não parecia se importar muito com o que acontecia com quem ela não tinha interesse. Avistei-a conversando animadamente com Lisa e logo me aproximei delas.
– Senhorita Kaminise, me daria à honra de conversa com a senhorita? – perguntei fazendo um pouco de graça. Ela sorriu assentindo e se despediu de Lisa. Ofereci meu braço, ela aceitou e começamos a caminhar em direção a biblioteca.
– Como Vossa Alteza está nesta manhã? – perguntou-me educadamente.
– Bem, e a senhorita?
– Radiante. – disse com um sorriso na face.
– E posso saber o motivo? – perguntei realmente curioso.
– Bem, fico feliz por não ter sido a última a conversar com você. Desde o início do café da manhã eu sabia que Vossa Alteza iria me escolher.
– Jura? Como?
– Bem, digamos apenas que o senhor não disfarçou muito em seus diversos olhares dirigidos a mim nesta manhã. – surpreendi-me ao notar o quanto prestativa ela era.
– Bom argumento. – disse fazendo-o sorrir. – E se não for incômodo, peço que me chame de Ethan.
– Tudo bem, Ethan. – disse ela enfatizando meu nome. – E a propósito, me chame de Mary.
– Tudo bem, Mary. Se não se importar, eu gostaria de leva-la a biblioteca. – ela abriu o maior sorriso após minhas palavras.
– Jura? Ai, que bom! Eu adoro ler e juro que fiquei impressionada com a quantidade de livros na biblioteca do palácio.
– Já foi lá?
– Sim, mas apenas para pegar um livro para ler. Eu trouxera poucos em minha mala, minha mãe nunca gostou muito deste meu lado intelectual.
– E seu pai? – perguntei. Nós já havíamos chegado à biblioteca, então abri a porta para ela e sentamos no primeiro sofá que vimos.
– Também não. Meus pais são muito machistas, para eles as mulheres foram feitas para servirem os homens e os darem herdeiros, mas claro que eu nunca concordei com isso e assim criei uma guerra dentro de casa. – gostava da maneira com que ela falava. Simples e verdadeira, sem o menor resquício de arrependimento de suas palavras.
– Desculpe não me lembra, mas qual sua idade?
– Tenho dezessete. – disse, constatando ser dois anos mais nova do que eu. Sinceramente, eu não via diferença. Ela parecia tanto comigo no aspecto da fala que apenas me fazia gostar mais ainda dela.
– Tem irmãos?
– Sim, dois. Josh, meu irmão mais velho e Nina, minha irmã mais nova.
– Gosta dos dois? – perguntei. Eu mesmo me impressionei com minha pergunta, nunca perguntara nada tão pessoal antes a nenhuma das selecionadas.
– Bem, Josh é o meu melhor amigo. Ele sempre me defendeu e esteve ao meu lado durante as brigas com meus pais. Já Nina sempre me odiou. Lembro que quando ela nasceu, eu a achava uma princesinha e meus pais também. Porém, eles a trataram como uma princesa e esqueceram-se de mim e de meu irmão. Ela cresceu com a amargura de meu pai e o egoísmo de minha mãe, tornando-a uma pessoa completamente insuportável.
– Todos temos problemas na família. – disse por fim.
– Até você? Porque sua família parece o modelo perfeito de núcleo familiar. – suspirei.
– Bem, quando era mais novo, eu brigava muito com minha irmã, Katrina. Ela é bem diferente de mim e quando eu era mais jovem eu não entendia a necessidade dela de ser compreendida. Meus pais também brigam muito, normalmente por mim e por minha irmã. Meu pai sempre me defende e minha mãe sempre defende minha irmã, isso causa uma certa convergência em nossa família.
– Todos temos problemas na família – disse ela, com um sorriso sincero.
– Bem, que tipo de livro você gosta de ler? – perguntei saindo do assunto.
– Aventura, romance, suspense e drama.
– Então você vai adorar alguns. – disse me levantando.
Peguei-a pela mão e a conduzi até a prateleira na parte norte. Li alguns títulos até encontrar três livros perfeitos para ela.
– Obrigado, Ethan. Você já os leu?
– Sim, quase todos os livros desta biblioteca eu já li. – ela se impressionou.
– Mas...mas aqui deve ter...
– Cerca de sete mil e quinhentos livros, segundo minhas contas. – disse, interrompendo-a.
– Uau. Você é incrível! Eu já li muitos livros, mas não creio que passem de mil.
– Mas gostaria? Gostaria de ler sete mil livros?
– Adoraria. – disse sonhadora. Sorri com seu comentário e puxei-a pela mão até ela se aproximar mais de mim. Não sei o que tinha na cabeça, mas eu precisava sentir sua pele quente próxima a minha. Precisava tocar em seus cabelos castanhos que cheiravam a mel.
– E o que mais gostaria? – perguntei com nossas testas já coladas uma na outra.
– Depende do assunto. – disse ela, já ofegante.
– Eu. – disse sem rodeios.
– Te beijar. – respondeu da mesma maneira.
– E por que simplesmente não o faz?
– Porque ainda espero que meu príncipe encantado desça de um cavalo branco e me dê o beijo mais apaixonado de minha vida.
– Então eu sou um mero plebeu?
– Não, apenas não deu o primeiro passo ainda.
Com suas palavras toquei em seu rosto sentindo sua pele cálida. Ela olhou no fundo de meus olhos azuis e quando fiz o mesmo com seus olhos castanhos tive a impressão de poder ler dentro de sua alma. Me lembrei de uma conversa que tive com minha irmã antes da Seleção, quando eu a disse que ela deveria tentar enxergar a alma das pessoas por trás do olhar e do sorriso e finalmente eu senti isso. Borboletas borbulhavam em meu estômago como eu nunca sentira antes. Seu vestido azul celeste parecia balançar mais ainda agora que ela estava próxima de mim. E em um ato de ousadia, a beijei. Ela correspondia a meus movimentos, eu beijo doce, sem segundas intenções. Pousei minhas mãos em sua cintura e ela as suas em meus ombros. Caminhamos um pouco ainda nos beijando até sentir que havíamos chegado ao sofá. Nos sentamos e continuamos nos beijando. O beijo ficava mais intenso a cada momento e já podia sentir algo diferente. Nos afastamos rapidamente quando o ar se fez falta. Ela sorriu para mim e eu para ela. Nos abraçamos e continuamos assim até nossa respiração se normalizar.
Ela fora a primeira garota que eu ousara beijar. E não me arrependi de ter reservado este privilégio a Mary Kaminise.
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