Two Is Better Than One
1 Capítulo 1
Era 20 de fevereiro de 1675, durante aquela tarde o movimento havia aumentado muito, pois era final de troca de governantes e todos festejavam muito. Todo menos Kouyou, ele não se importava com nada daquilo, o que era importante saber sobre política ele sabia, o nome do rei e que se não quisesse morrer decaptado não deveria falar mal dele.
Nem tinha tempo pra isso. Trabalhava desde os primeiro raios de sol até que o último freguês ir embora, tarde da noite. Só então fechava a porta e sentava-se com uma caneca de vinho tinto rascante e uma panela com lascas de bacalhau.
Mas naquela noite fria de final de inverno, um único homem permanecia sentado, com uma expressão furiosa, e não havia meio dele ir embora.
Acabou tomando coragem e informou:
-Senhor... estamos á fechar!
O comandante o olhou com raiva, os olhos se transformaram em duas bolas vermelhas brilhantes, a boca se abriu e dois caninos cresceram.
Kouyou ia dizer que tudo bem, que ele podia ficar mais um pouco, mas o homem avançou em sua direção e o prendeu em um abraço apertado.
Sentiu então a dentada no pescoço.
Tentou se desvenciliar. Não pode. Os caninos furaram sua pele. O sangue escorreu por seu ombro.
Enquanto era sugado a dor passou. A sensação de dormência tomou seu corpo. As pernas e braços balançaram sem vida... Até ser solto, desabar nas pedras encardidas do chão e ouvir passos rápidos se afastando na noite.
Abriu os olhos com dificuldade. Custou uma eternidade para pôr-se de pé, escalando cadeiras e mesas, as pernas bambas se recusavam a sustentar o corpo. Passou a mão no pescoço e sentiu os furos e o sangue coagulado.
-Diabo de freguês maluco. Também, quem me manda trabalhar em um porto? -sussurrou ele, reclamando para as paredes.
Fechou a porta, encheu a caneca de vinho e pegou uma lasca de bacalhau. Mastigou e tomou um gole.
Vomitou em seguida.
Takashima Kouyou fazia 22 anos em breve. Comia bacalhau há vinte e um anos e aquilo nunca havia lhe acontecido. Tentou de novo e mais uma faz vomitou.
---------------------
A partida de uma grandiosa esquadra estava marcada para 8 de março. Filas intermináveis de carregadores entravam e saíam dos navios. Kouyou não tinha tempo nem de se coçar. Passava a maior parte do tempo na tasca, servindo os fregueses, e tudo parecia normal, a não ser o fato de que não conseguia mais comer nem beber.
Sentia-se bem-disposto. Com energia até demais. Ia de mesa em mesa com uma velocidade espantosa, era capaz de ouvir vários pedidos ao mesmo tempo e alguns chegava a adivinhar.
No terceiro dia após o incidente com o comandante, o sol já estava transformando as últimas neves do inverno em lama, saiu para buscar uma encomenda e voltou com a pele estranhamente empolada.
No dia seguinte, todo o seu corpo doía e sentia-se fraco.
Depois que o último freguês se foi, enconstou-se no balcão e percebeu que não respirava!
Uma ratazana subiu no fogão , atrás de calor e restos de comida. Voou sobre ela, agarrou-a com ambas as mãos e mordeu-lhe a barriga.
O sangue inundou sua boca. Bebeu como pode, rasgando-a com os dentes cada vez mais, e terminou torcendo-a como uma camisa molhada para sugar até a última gota.
A força voltou. E com ela a consciência do que acabara de fazer! Correu apavorado para fora da tasca. Atravessou a praça deserta. Um vulto magro, com um longo manto negro, saiu de trás do carvalho, agarrou-o pelo pescoço e o arrastou tão rápido que pareciam voar.
Notas finais
(tasca= lugar onde antigamente se vendiam bebidas alcoolicas)
OBS: talvez essa fic não tenha um final... minha inspiração se foi :/
Fale com o autor