Two Is Better Than One.
2 I'm finally now believing.
Notas iniciais
Sejam felizes ~ :D
Engraçado como eu cheguei à escola com essa sensação de que algo bom iria acontecer. Isso raramente acontece comigo; Meu humor é volátil como fumaça, porque você não consegue manipulá-lo como quer. Eu caminhei para a escola sentindo um frio horrível tomando conta de todos os meus ossos e a vontade de tremer me assolava.
Eu cheguei em minha classe, sentando em meu lugar habitual e logo conectando meus fones de ouvido ao meu Ipod. A tecnologia que eu mais prezava. Após o celular, é claro. Peguei inconscientemente o meu colar com o coração e fiquei brincando com ele em minha mão.
Faltavam alguns minutos para a aula começar e, por infortúnio minha amiga não havia chegado. E eu a amaldiçoava por isso, porque eu sabia quem seria a segunda pessoa que disputava pela dupla comigo.
Ele era meu primo e seu nome era Hyun.
Nossa relação harmoniosa entre primos mudou totalmente depois daquele dia.
Já fazem três dias que eu não consigo olhá-lo nos olhos pela vergonha que assola todo o meu corpo. Eu sabia que iria me arrepender de ter feito aquilo. Era demais pro meu corpo.
Fui acordado dos meus devaneios por duas mãos que retiraram meus fones de ouvido. E essa pessoa estava atrás de mim, porque não tinha ninguém à minha frente.
- Jamie, seu safadinho, você anda fugindo de mim, ein. – A voz de Hyun era baixa e rouca, o que me causava um calor desconhecido.
- Hyun? – Indaguei, nervoso. Meu coração voltou a bater rápido e eu sabia que minha cor já não era mais a mesma.
Legal, eu tento ser racional e não surtar na presença dele e ele se torna um pervertido? Pombas, a minha vida é mesmo complicada!
- Eu mesmo, e aí? Sentiu minha falta?
Eu respirei fundo antes de responder.
- Não seria melhor você sentar ao meu lado para conversarmos? – Indaguei, mordendo o lábio.
Ele não precisou exitar ou responder; No segundo seguinte estava ao meu lado, olhando para mim com um sorriso no rosto. O mesmo de sempre, devo acrescentar.
- Eu estou com saudades do seu sorriso. – Ele fez bico, fazendo círculos imaginários com o dedo na mesa.
Comprimi as sobrancelhas, confuso.
- Quê?
- É. Seu sorriso. Ele é lindo, sabia?
Eu estava com o rosto escondido em minhas mãos; Eu estava morrendo de vergonha. O Hyun falava alto demais, era de propósito, não era?
- Obrigado?
- Não foi nada. – E ele abaixou o rosto lentamente para beijar a minha bochecha. Aquilo foi muito perto do meu lábio!
Meu cérebro congelou. Eu não conseguia falar nada.
Respirei profundamente e exalei o ar pelas minhas narinas, desviando o rosto para qualquer outro lugar. Ele me olhava com algo nos olhos e eu tinha certeza que se eu continuasse olhando para ele daquela forma, eu teria um ataque cardíaco. É incrível quando como você olha nos olhos de uma pessoa especial você sente todo o seu corpo paralisar. E o meu estava assim.
Meus olhos observavam furtivamente a porta da sala de aula. Eu desliguei meu Ipod e continuei numa batalha contra meus olhos, que teimavam em fugir para a figura ao meu lado. Hyun não tirava os olhos de mim, droga.
Eu não sei como eu sobrevivi a todas essas ultimas duas aulas ao lado de Hyun. Eu não agüentava. Ele possuía a malícia na voz, no rosto, na mão. E essa última parte era a que mais me irritava.
Essa seria a última aula antes do intervalo e eu estava a ponto de não mais só virar o rosto para ele com um olhar repreensivo. Ele não deveria fazer isso na escola, muito menos com alguém que... Que... O que eu posso dizer? Eu gosto dele. É impossível negar isso, droga.
O professor de redação colocou seus materiais na mesa e olhou para a turma com um sorriso no rosto. Escreveu algumas palavras no quadro e nos mandou fazer um texto – com o seu colega da dupla — que relacionasse, pelo menos, duas dessas palavras. O texto poderia ter, no máximo, quinze linhas.
Preconceito – População mundial – Fome – Amor
O que eu posso escrever com palavras tão idiotas como essas?
Legal, vamos lá.
“Hoje em dia, a partir de dados confirmados, a produção de alimentos no mundo poderia suprir dois planetas Terras. Contudo, a maioria da população mundial passa fome todos os dias, vindo a morrer cerca de cinco mil crianças por dia. E a maior causa – além de guerras, doenças e acidentes – é a fome. É triste saber que o capitalismo virou uma doença na mente das pessoas hoje em dia.”
Pronto acabei.
- Ei... – Hyun chamou. -... É em dupla, pirralho.
Eu o olhei confuso.
- E daí? Agora você termina. – Entreguei o papel para ele. – Bom proveito. – E sorri.
- É claro meu amor. – Ele retribuiu o sorriso docemente.
Passei a brincar com o zíper da minha blusa de frio.
- Terminei. – Ele suspirou, após algum tempo.
- Já? – Indaguei, confuso.
Ele balançou a cabeça, sorrindo. Me entregou o papel e posicionou seu braço sobre meus ombros, se aproximando de mim. Ele estava me abraçando. Seu rosto estava muito próximo do meu e eu o olhava assustado. Respirei profundamente e desviei o olhar para o papel.
Ele havia escrito mais seis linhas, wow.
“Abrindo uma incógnita para mudar o assunto, irei abrir um espaço sobre o preconceito. Uma boa parte da população sofre preconceitos não só pela cor ou status social, mas, hoje em dia, a escolha sexual de alguém está virando crime para a mente de algumas pessoas. E eu não sei como elas podem sentir aversão ou nojo de uma coisa que não vai mudar nada na sua vida. Qual o problema em amar uma pessoa?
Amor é tudo a mesma coisa. Consiste em duas pessoas se amarem de corpo e alma. Mesmo não existindo destino, elas querem que isso seja para sempre. Ver um casal homossexual não vai mudar sua sexualidade, não é preciso sentir vergonha disso. Sinta orgulho, pois essas pessoas conseguem enxergar além de um corpo à sua frente, mas também no que essa pessoa é para você em mente, o que ela pode vir a ser. Sinta vergonha de coisas mais importantes. Como a fome no mundo ou o seu país bater palma pra ladrão.”
E bem ali embaixo, eu li uma frase que me fez congelar até a alma.
“Existem mais de seis bilhões de pessoas nesse mundo. E você é a única pessoa que eu quero.”
Meu coração voltou a bater acelerado, como se quisesse arrebentar o meu peito.
Pisquei os olhos, tentando recobrar os sentidos.
Soltei o papel na mesa e olhei para Hyun.
- O que é isso? – Indaguei nervoso, apontando freneticamente para a nota no papel.
- Eu te amo. – Eu só me lembro de ele inclinar seu rosto alguns centímetros para capturar os meus lábios. Fudeu, pensei. Eu suspirei quando senti sua boca se movimentando junto com a minha calmamente. Não tardou muito para ele pedir passagem com a língua insistentemente por duas vezes; Na segunda vez eu cedi. Eu não devia ter feito isso, eu tinha de pará-lo.
Entretanto, eu sei que é estranho dizer isso, mas ele beija bem.
Seus braços logo vieram contornar minha cintura e, em poucos segundos, Hyun estava me arrastando lentamente para mais perto dele. Minhas mãos, num ato automático, encontraram apoio um pouco abaixo de seus ombros. Eu deixei um gemido baixo escapar e, assustado, abri os olhos e quebrei o beijo.
Como eu deixei chegar até isso?
E ele ainda me olhou com total confusão, do tipo “o que diabos eu fiz de errado?”
- Estamos dentro de uma sala de aula. – Resmunguei, tentando normalizar a minha respiração e olhei para os lados. A sala inteira olhava para a gente. Eu rapidamente escondi meu rosto em seu peito, tentando sumir, sei lá, será que funciona? Eu estava morrendo de vergonha.
Eu pensei que ele iria dizer alguma coisa útil, mas não:
- Professor? O que foi?
- Vocês já terminaram? – Ouvi a voz do professor, que parecia curiosa e despreocupada.
- Receio que sim. – Sua voz também assumiu o mesmo tom de voz.
Eu retirei meu rosto do seu peito e observei a sala com a boca crispada, tentando disfarçar a vergonha que ainda assolava todo o meu corpo.
Eu sou um homem, eu sou um homem. Eu sou um homem que gosta de outro homem. Droga.
- Então vocês dois estão dispensados, podem ir. – Ele sorriu e se afastou de nós. – Quem tiver terminado pode sair também.
Eu não entendi essa.
- Vamos? – Hyun quebrou os pensamentos que eu estava prestes a formar em minha mente, me retirou do seu colo e me arrastou para fora da sala de aula. Alguns alunos também seguiam o mesmo caminho para a porta.
Olhei confuso para Hyun.
- O que ele tem? – Indaguei, num sussurro.
- Eu não sei, talvez esteja de bom humor hoje. – Ele riu enquanto olhava para seu relógio. – Tudo bem, só faltavam dois minutos mesmo. – Ele deu de ombros, sentando-se ao chão. – Vem cá. – Ele chamou, criando um espaço ao seu lado com o braço, fazendo bico. Eu ri e assenti. Sentei-me ao seu lado, logo sendo envolvido em seu braço para ele me aproximar mais ainda.
- Hyun... – Eu chamei, notando que sua outra mão procurava por alguma coisa no bolso de seu casaco.
O sinal bateu e eu ouvi várias pessoas deixando as salas de aula.
- Hm? – Seus olhos encontraram os meus, num misto de curiosidade e felicidade. Seus dedos encontraram o que queria, eu pensei, pois pararam de procurar. Agora ele possuía seu Ipod em sua mão. Estava ligando...
Eu crispei meus lábios, procurando as palavras corretas em minha mente. Respirei profundamente, sentindo meu coração voltando a bater rápido.
- Você me ama? – Minha voz saiu bem inocente, diferente do habitual.
Ele sorriu. Um sorriso diferente, como se ele estivesse demonstrando a mais singela felicidade.
- É claro que eu te amo, Jamie. Pra sempre. – Se inclinou para me beijar rapidamente. – Quer ouvir uma música?
Assenti um pouco confuso.
Hyun me deu um de seus fones e se preocupou em colocar em uma musica. Ele colocou um fone em seu ouvido e eu repeti o gesto. A música começou a tocar baixinha.
A voz era doce e acompanhada de outra voz feminina. Eu logo reconheci a música.
- Two is Better Than One? – Indaguei, sorrindo.
Ele assentiu.
- Ela me lembra você.
Eu sorri e essa era a minha vez de beijá-lo. Foi um pouco mais longe, sem retirar a essência, claro. E nossas línguas finalmente se encontraram. Nos separamos para o ar inundar nossos pulmões.
- Você é fofo demais. – Eu sorri.
- Obrigado. – Ele riu. – Você também.
I remember every look upon your face
The way you roll your eyes, the way you taste
You make it hard for breathing
'Cause when I close my eyes and drift away
I think of you and everything's ok
I'm finally now believing.
- Ah, eu também te amo. – Jamie disse, quando nós dois estávamos sentados no banco do lado de fora da escola. No fim das aulas.
O vento batia carinhosamente em nossos rostos e Jamie estava mais bonito do que sempre. O seusorriso o entregava.
Eudecidibrincar.
- Quê. Quem disse que eu te amo? – Indaguei.
Eledeu de ombros.
- Então, vocênão me ama? Tudo bem então, eu já vou emb—
Euataqueiseuslábios.
- Você sabe que eu te amo.
E então ele sorriu, em resposta.
Maybe it's true that I can't live without you
Well maybe two is better than one
There's so much time to figure out the rest of my life.
Notas finais
Eu cumpri a minha promessa! 8D
Atualizei YEY :D
Obs: A música Two Is Better Than One existe, claro, e é dos Boys Like Girls com a Taylor Swift. ~ *O*
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