Two Hearts That Be As One
5 Cinco
Notas iniciais
Capítulo V
Não bastava estar lidando com um assassino que mandava cartas, tinha que lidar com um incendiário também? Jane suspeitou calada de que o incêndio em seu apartamento não fosse um simples acidente. Ela nunca deixou o gás ligado, até porque sempre tomava café da manhã na casa de Maura; porém a morena não queria levantar nenhum tipo de investigação, já estava morando com Maura, iria abrir um inquérito por quê? Maura não estava no momento em que o vídeo fora enviado, o que Jane agradeceu mentalmente por isso.
Tudo o que os bandidos queriam eram matar a detetive Rizzoli. Todos conheciam a fama de durona da morena, todos sabiam que ela não baixava a guarda, todos sabiam do que ela já passou e das coisas que já aconteceram com a morena, e mesmo assim, ela nunca deixou seus deveres como detetive de lado. E todos sabem que ela, junto com seus companheiros, mataram ou prenderam seriais killers, acabaram com uma máfia de homens que sequestravam mulheres, e fazia o tráfico ilegal de mulheres de um país para outro, Jane é conhecida por nunca temer aos bandidos, se precisar correr atrás ela corre, e nenhum morador de Boston duvida da capacidade da morena, mas tem os que não gostam, tem os que acham que devem colocar a morena em seu lugar. Todas as pessoas mais íntimas de Jane sabem que, embora ela seja sarcástica, irônica, grossa às vezes, por dentro ela é doce, protetora, e sabem que o insitinto da morena nunca falha.
Aquele video a deixou preocupada, e deixou mais ainda porque ela está morando com Maura, se algo acontecesse, o incendiário, ou o assassino das cartas iriam atentar contra a loira também, e Jane nunca se perdoaria por isso, e por esse motivo ela decidiu, que procuraria um novo apartamento para morar, porque ela não iria correr o risco de colocar Maura em perigo.
***
Maura e Jane estavam em casa, ambas já tinham jantado e estavam falando sobre o novo caso, Maura percebeu que Jane estava desconcentrada demais no assunto, ficou calada por um tempo, muitas coisas passando por sua mente
– Jane... O que tá acontecendo? Você recebeu outra carta?
– O que? Não... Não.
– Tem certeza? Porque você tá muito calada. Você não está nem reclamando do documentário.
– Tenho, Maura. Não tá acontecendo nada.
Jane saiu deixando Maura falando sozinha, e foi direto para o quarto, a verdade era que tinha muitas coisas rondando em sua mente, em seu ser. O medo e que algo a mais acontecesse, de que outra pessoa morresse, de que outra carta chegasse, de que agora esse incendiário fizesse algo na casa de Maura sem ela por lá. Jane realmente estava com medo dos dias que viriam a seguir. A morena nem percebeu que entrou direntamente no quarto da loira, e apenas notou o ato quando se deu contade que o travesseiro em que ela pegou para por sob o rosto, havia o cheiro de Maura, ela reconheceria aquele cheiro por quilometros de distância, no exato momento em que se sentou na cama, e iria se levantar, a porta do quarto se abriu, e Jane viu uma loira que não estava com uma cara muito boa para a morena.
– Você nunca mais me deixe falando sozinha, Jane Clementine Rizzoli.
– Maura...
– Nada de 'Maura', Jane. Mas que porra. Eu odeio quando você faz isso.
– Você falou palavrão.
– Sim, Jane. Eu falei, e se você não me disser o que está acontecendo com você, eu vou falar mais muitos palavrões.
– Não tá acontecendo nada, Maura, eu já disse.
– Você tá mentindo. Você sempre faz isso. Desde a hora que chegamos em casa, você não abre a boca nem pra reclamar, quando eu pergunto algo suas respostas são vagas, reticentes. Da pra você parar de bancar a porta e uma vez na sua vida me dizer o que realmente está acontecendo?
– Por que você tá me falando?
– Porque eu te conheço há muito tempo e consigo ver de longe o medo estampado nos teus olhos, e você tá escondendo algo de mim como se eu não fizesse parte disso, como se eu não estivesse envolvida nisso.
– Talvez eu não quero que você esteja – gritou.
– Mas eu já estou – rebateu a loira – há quanto tempo a gente não lida com um assassino assim, desde a morte de Hoyt, Jane? E eu também estou com medo, embora pareça que não.
– Você não precisa ter medo, Maura.
– Como eu não preciso ter medo, Jane? Como você pode me falar isso se tem uma pessoa querendo te matar? Você acha que eu ficaria como se algo acontecesse com você? Mas eu entendi, você nunca se preocupa com quem te ama, você se preocupa em por sua vida em risco e não se importa com quem fica.
E do mesmo jeito que a loira entrou em seu quarto, ela saiu. As palavras de Maura pesaram sobre a morena, e ela sabia que a loira estava certa. “Como eu sou egoísta” — pensou a morena.
***
Se no dia anterior o mal humor de Jane estava aparecendo, no dia seguinte, pela manhã então, seu humor estava insuportável. Primeiro que Maura havia saído primeiro, muito antes do horário, e Jane sabia que era para evitá-la, na Central, a loira não quis conversar com ela, e iniciando assim uma nova discussão. Jane sabia que deveria fazer algo, mas mesmo assim, ela não sabia o que fazer. Ela estava perdida, estava metendo os pés pelas mãos porque não conseguia dizer em palavras o que a estava deixando de saco cheio, o que a estava deixando com medo. Mas ela não podia dizer o que estava sentindo, até ter certeza de que pegaria quem estava fazendo isso, e o que ela mais queria, do fundo do seu coração era que isso tudo terminasse bem, e suas vidas voltassem ao normal.
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