Two Fallen Destinies

5 Capítulo IV - O anjo que caiu do céu


Cedric estava desesperado tentando bater suas asas enquanto o chão chegava cada vez mais perto, não tinha o que fazer, ninguém o ajudaria nessa hora.

Caiu no asfalto duro da rua e ficou deitado no chão por um tempo. Recuperou-se ainda tonto e com as costas doendo com a queda, tentou novamente bater suas asas, mas não saiu nem cinco centímetros do chão. Enquanto tentava voar um carro se aproximava de Cedric e ele correu para a calçada desviando por pouco de ser atropelado. Cedric olhou para uma casa á sua frente, estava acabada, algumas janelas estavam quebradas e os tijolos apareciam sobre a pintura cinza da casa. Ele, curioso, entrou pela janela e foi até a sala, que mantinha a cor cinza e fúnebre nas paredes. Viu um homem com cabelo grisalho sentado numa poltrona e assistindo futebol em sua TV minúscula:

Homem: Venha aqui garota!

Logo uma menina de cabelos loiros e cacheados apareceu diante do homem, estava com uma expressão triste:

Menina: Sim? – falou num tom baixo e tímido.

Homem: Quero que você me traga cerveja e nove sanduiches, NOVE entendeu?

Menina: Sim, senhor. – saiu da sala e foi andando para a cozinha.

Cedric a seguiu, observou a menina fazer os nove sanduiches, ele estava faminto, ver aqueles sanduiches na bandeja empilhados era como uma tortura pra ele. A menina foi buscar a cerveja na geladeira e enquanto procurava, ele pegou bem rápido um dos sanduiches e comeu o mais rápido que pode.

A menina com a cerveja na mão pegou a bandeja sem perceber que estava faltando um sanduiche e foi para a sala, onde colocou a bandeja no braço da poltrona e o homem pegou bruscamente a cerveja da mão da garota.

Ele abriu a garrafa e bebeu um pouco, depois começou a contar os sanduiches enquanto a menina estava de cabeça baixa. O homem jogou um olhar frio para a menina e ela o olhou com medo:

Homem: Quantos sanduiches eu disse que queria?

Menina: N-Nove, senhor.

Homem: E quantos têm aqui?

Menina: N-Nove, senhor.

Homem: Eu quero então que você conte!

A menina contou os oito sanduiches. Assustada, arregalou o olho para o homem:

Menina: E-Eu jurava que tinha feito nove sanduiches, eu... eu tinha contado todos eles. M-Me desculpe senhor.

O homem levantou de sua poltrona com muita raiva, Cedric olhava para os dois com seus olhos arregalados:

Homem: Será que você não sabe nem fazer uma tarefa tão simples como essa?! Venha aqui comigo! – pegou no braço da menina com força e a levou para um quarto.

Ele empurrou a garota contra a parede e ela ficou de costas pra ele. O homem abriu uma das gavetas que estava no quarto e pegou um chicote, enquanto a menina não se movia:

Cedric: Não! Não faça isso!

Não adiantava, eles não conseguiam ver ou ouvir Cedric. O homem começou a chicotear a menina sem parar, que gritava e chorava:

Homem: Assim você aprende a contar!

Cedric ficou pálido, se sentia culpado e queria ajudar a garota de alguma forma. Olhou para os lados para ver se encontrava alguma coisa que pudesse usar, mas não encontrou nada. Sem opção, ele se jogou na cara do homem e começou a socar a cabeça dele:

Homem: Argh! O que é isso?! O que está acontecendo?! – soltou o chicote enquanto tentava tirar Cedric de sua cabeça.

A menina se virou para o homem com lágrimas nos olhos e ficou observando ele grunhir e tentar arrancar o ”nada” de sua cara:

Cedric: Sai daqui! Foge garota! – ele não sabia se ela ia ouvir ou não.

Menina: Q-Quem disse isso?! – olhou para os lados procurando quem tinha dito aquilo.

Ela ficou um tempo parada procurando alguém, quando viu uma pequena mecha verde acima do homem, observou confusa. Depois começou a ver penas, e pouco a pouco viu o cabelo e o rosto de Cedric. Ficou surpresa ao ver o garoto agarrado á cabeça do homem.

Cedric: Foge! Eu não sei por quanto tempo vou conseguir segura-lo – o homem estava puxando Cedric cada vez mais forte.

A menina correu para fora da casa e se escondeu em um arbusto ali perto. O homem conseguiu se soltar de Cedric e o jogou no chão, foi correndo procurar a menina:

Homem: Renata!! Cadê você sua peste! – correu pela casa.

Cedric não ia deixar o homem chegar perto dela, correu pela casa inteira até achar uma pá. A pegou e foi atrás do homem, que estava agachado e verificando se a menina não estava embaixo da poltrona. Cedric levantou a pá para bater nele e a última coisa que o homem pode ver antes de ficar inconsciente foi a pá voadora indo á sua cabeça. Enquanto ele estava desmaiado Cedric foi procurar por Renata na casa, percebeu que ela não estava lá e foi para fora, onde viu um arbusto se mexer estranhamente. Quando chegou perto viu Renata apavorada saindo do arbusto e se afastando dele:

Cedric: Calma, eu não vou te fazer mal. Ei, você deve se chamar Renata né? Eu sou o Cedric! – sorriu alegremente para ela.

Renata: O q-que é você? – falou baixinho.

Cedric: Eu? Eu sou um anjo. Mas acho que só você consegue me ver. – se lembrou de sua culpa – Me desculpe por comer um dos sanduiches, eu estava morrendo de fome. Se eu soubesse o que esse cara ia fazer eu não teria feito isso. Me desculpe mesmo. – se sentiu envergonhado.

Renata: T-Tudo bem, você não fez por mal. Eu já estou me acostumando com as chicotadas, não se preocupe com isso.

Cedric: Não se preocupe com isso?! Esse homem é louco! Você precisa fugir daqui!

Renata: Eu não tenho pra onde ir, e se eu fugir, ele vai me perseguir até me encontrar. E-Eu estou bem aqui.

Cedric: Mas afinal, quem é ele? Por que ele faz isso com você?

Renata: Ele é o meu tio Michael, depois que os meus pais morreram ele passou a cuidar de mim. Ele não me deixa sair de casa e nem brincar com ninguém porque pensa que eu vou fugir.

Cedric: Isso é horrível! Quando eu aprender a voar nós vamos brincar juntos! É uma promessa! – sorriu novamente.

Renata: Você não sabe voar? Como vai sair daqui? – ficou preocupada.

Cedric: É, acho que isso é um problema. Espero que a minha energia não aca... – desmaiou em frente á Renata.

Renata: C-Cedric? Cedric! – cutucou Cedric com o pé.

Enquanto Cedric estava inconsciente John e Savanna ainda estavam conversando no Blue Cherry:

Scarlett: Vai ser tão divertido quando você matar demônios!

John: Espera. Demônios? Eu não vou matar ninguém! – olhou bravo para Savanna.

Savanna: Você é um visor, acabar com os demônios é a sua obrigação agora. – olhou séria para John.

John: Eu? Acabar com eles? Eu mal consigo vê-los!

Savanna: É por isso que você vai para Sengakuro, uma escola que treina visores a acabar com o mal. Lá você vai aprender a enxergar demônios.

John: Eu só quero ter a minha vida normal como sempre, e não vou a lugar algum. Eu não pedi pra ser visor, tá? – se levantou do banco e foi até o portão por onde entrara.

Savanna: Você não vai conseguir fugir disso, é o seu destino.

John: Ah é mesmo? Vamos ver então. – saiu de lá deixando Savanna e Scarlett sozinhas.

Já era 2:30 e Juan foi até a escola buscar Cedric, perguntou ao porteiro da escola onde ele estava e ficou surpreso quando o homem disse que ele já tinha saído da escola faz tempo.

Juan preocupado voou pelo céu inteiro o mais rápido que suas asas podiam bater, mas não encontrou Cedric em lugar nenhum. Ele então parou pra pensar perto do portal, onde viu que estava aberto, achou estranho, pois o certo seria os anjos fecharem depois que entrassem, chegou perto do teclado em que as coordenadas diziam que o portal dava no Brasil:

“Se esse portal não está fechado, então provavelmente foi um anjo que tinha se esquecido de fecha-lo ou que não sabia como fechar, se for o último caso, só pode ser Cedric. Mas porque ele iria entrar no portal se ele ainda não sabe voar? Vou ter que ir lá embaixo verificar” – pensou Juan.

Ele então entrou no portal e o fechou em seguida, ficou observando a cidade procurando algum sinal de Cedric. De longe viu uma menina tentando carregar o corpo de Cedric para uma casa velha e pensou:

”Como ela sabe que Cedric está ali? Ela... só pode ser uma visora! Vou tentar conversar com ela, talvez ela consiga me ouvir”

Juan voou até perto de Renata, que estava prestes a entrar na casa:

Juan: Consegue me ouvir?

Renata virou para trás, se assustou quando viu Juan flutuando:
Renata: Quem é você?

Juan: Sou... um amigo do Cedric. Vejo que consegue me ouvir, qual é o seu nome? – falou calmamente pois viu que ela estava assustada.

Renata: Eu sou Renata. – olhou para Cedric — O Cedric, ajude ele, nós estávamos conversando e de repente ele desmaiou na minha frente, eu ia esperar ele acordar em casa. – soltou cuidadosamente Cedric no chão.

Juan: Não se preocupe Renata, a energia dele deve ter acabado, ele vai ficar bem. Eu cuido dele daqui para frente. – segurou Cedric – Adeus.

Renata: T-Tchau.

Juan carregou Cedric até o céu, onde levou-o até sua casa, a porta estava aberta e Juan entrou, colocou Cedric em seu quarto e fez ele beber um frasco de energia que Juan tinha consigo. Cedric despertou confuso:

Cedric: Onde eu estou?

Juan: No seu quarto.

Cedric: E Renata? Cadê ela?

Juan: Ela está bem. – fez uma pausa – Porque você foi para a Terra? –falou rígido.

Cedric: Não foi de propósito. Eu escorreguei no portal, só queria observar o que tinha lá dentro.

Juan: E porque você foi até o portal?

Cedric: Eu saí mais cedo da escola hoje, eu queria explorar a cidade, mas eu ia voltar antes de virem me buscar. – Juan olhou para o lado.

Savanna chegou em casa e Juan voou para perto dela. Contou o que tinha acontecido com Cedric e ela foi até o quarto dele:

Savanna: Você foi para a Terra?! – falou nervosa

Cedric: Eu já disse que foi sem querer!

Savanna: Será que você não podia esperar só um pouco até virem te buscar?! Percebe o que você fez?!

Cedric: E daí que eu fui pra Terra? E daí que eu ganhei uma visora? Ela vai continuar lá e eu vou continuar aqui!

Savanna: Ah sério é? E quando os demônios forem atrás dela sabe o que vai acontecer? Eles vão levar a alma dela! E tudo isso por que você não conseguiu segurar a sua curiosidade!

Cedric ficou pálido, não tinha lembrado do fato de que Renata ia ser caçada por demônios:

Cedric: Por favor me ajuda! Eu não posso deixar ela morrer!

Savanna: Você acabou de conhecê-la, porque está tão preocupado?

Cedric: Por que ela é triste com o tio dela, eu quero ajudar, mas não consigo fazer nada se não souber voar. Ela parece ser uma pessoa tão boa... – ficou triste.

Savanna: Eu não posso ajudar, Cedric. Acabei de ganhar mais um visor e tenho meus próprios problemas. Não posso ficar cuidando de dois visores ao mesmo tempo e em lugares diferentes.

Juan: Eu ajudo. – Cedric e Savanna o olharam – Eu não tenho visores e não preciso matar tantas pessoas na minha cidade, vou fazer o possível para te ajudar, Cedric. – Cedric ficou com os olhos brilhando com sua nova esperança – Mas você vai ter que aprender a voar logo, não vou poder cuidar dela para sempre.

Cedric: Tudo bem! – estava muito feliz.

Savanna: Certo, desculpe meu irmão fazer você ter que cuidar dela. Nosso pai não vai gostar nada disso.

Cedric: Não conte pro pai! Por favor!

Savanna: E pretende esconder isso até quando? Arias vai acabar falando para ele de qualquer maneira, mentir só pioraria as coisas.

Juan: Savanna tem razão, se você quiser, eu mesmo conto pra ele. Talvez ele não fique tão furioso com você se eu falar com cuidado.

Cedric: Tá ok, pode falar.

Juan: Bom, eu vou indo. Adeus!

Juan foi embora e Savanna foi para a sala enquanto não tinha nenhum trabalho para fazer, e Cedric ficou penando em Renata, preocupado, até cair no sono e dormir.

Renata viu seu tio acordar ainda tonto e com a cabeça doendo, ele explicou o que tinha acontecido com ele e a menina disse que ele adormecera depois de tomar tanta cerveja e devia ter sonhado com isso, ela deu remédios para dor de cabeça para o homem, que estava fraco de mais para bater em Renata novamente. Ele ligou a TV e ela foi para o seu quarto, pensando sobre o que tinha acontecido com ela hoje.

~Continua~