Two Days
4 O Filme de Terror
Julieta permanecera dormindo por um longo tempo, tempo esse que Hori ficou um pouco entediado, apenas pensando em qual seria a próxima estranha jogada dela, já que a do jogo não dera certo. De primeira, estranhara totalmente a reação dela já que, afinal, fora ela mesma quem havia pedido para ele ficar apenas com a cueca. Porém, depois de passar um tempo, conseguira compreender. Ela queria ganhar. Mas não queria se arriscar demais ao ponto de acabar fazendo isso por um jogo. Ohh, essas queridas garotas sentimentais...
O almoço finalmente chegara e ele comeu, vendo que ela estava acordando. Eles almoçaram em silencio, mesmo porque ambos pareciam famintos demais para pensar em um assunto rentável. Quando terminaram, depois de fazerem o que era preciso*, voltaram ao sofá e ficaram vendo um programa alheio.
Mal sabiam eles que aquela tarde iria passar rápida, porém, a noite iria começar cedo demais.
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–Ok, estou cansada desses programas, e se eu ficar assistindo isso meu cérebro vai liquidar e nem uma semana presa em uma biblioteca vai conseguir me salvar, você sabe – ela começou a falar, levantando-se do sofá e se esticando, ouvindo um pequeno estralo por ter ficado sentada muito mais tempo do que estava acostumada.
– O que quer fazer? Acho que nós acabamos com o que sobrou de comida e só tem pipoca ali, e além disso, eles só devem trazer quando for umas 19h e ainda são – ele mudou o canal na televisão e viu – 17, ainda temos um tempo. E acho que você não vai voltar para sua única salvação ali, porque eu não quero ficar entediado sozinho enquanto você lê um livro pornô.
Ela estava impressionada. Sinceramente, era interessante interagir com ele e aquela era uma boa interação depois de horas sentados vendo televisão, trocando breves comentários. Ele olhou confuso e desconfiado, parecendo com qualquer outro garoto e não um que há pouco tempo havia falado de ganhar esse jogo. O jogo, lembrou, quase surpresa de não ter pensado em algo durante a tarde, mas ficara satisfeita o suficiente para não ligar para aquilo e ter um descanso. Talvez agora seja a hora.
– Ok, senhor estressadinho, que tal um filme? Karla, Lari, não sei mais quem tiveram a bondade de colocar distrações para mim aqui – com o olhar questionador dele, ela deu de ombros – elas sabem que eu faria a mesma coisa. Eu tinha achado uma mochila no meio das minhas roupas e lá tem um filme que acho que deve ser bom, não olhei direito.
Andou até lá e mexeu nas suas coisas, até pegar a mochila. Voltou e sentou-se no sofá, colocando-a no seu colo e abrindo-a para que ele pudesse ver pelo menos uma parte do que tinha ali. Peguei um DVD e entreguei para ele, fechando logo em seguida e colocando no chão.
– “A Entidade”? Sério? Vi esse filme no cinema e nem foi grande coisa.
– Foi a escolha delas, não posso fazer nada – ela deu de ombros mais uma vez, enquanto se ajeitava no sofá. Hori arrumou o DVD e se sentou ao seu lado e quando viu que ela o encarava de um modo um pouco amedrontado, não resistiu perguntar.
–Tem medo de filmes de terror?
– Er... Bem... – ela olhou para o lugar inteiro, menos para ele, mas as bochechas dela coraram – Não é exatamente medo, eu apenas tenho uma leve tendência a levar sustos que se agrava nesses momentos. E até sei porque elas escolheram esse filme, mas... Eu vou ver. Desculpe o drama.
Internamente, mesmo realmente tendo “medo” daqueles filmes, ela sorria. Suas amigas (mesmo que Karla fosse também amiga de Hori) escolheram o filme perfeito, mesmo que não do seu gênero favorito. Alguns caras simplesmente tinham aquele senso de proteção sobre garotas e ela torcia que Hori fosse um desses.
–Fique tranquila – ele se sentou mais próximo dela e abriu um sorriso malicioso – qualquer coisa, estou aqui para você agarrar e fazer o que quiser até o medo passar.
Deram play e depois de escolherem para vê-lo legendado, Julieta se aconchegou mais a Hori, tanto pelo medo dos sustos e outras coisas que poderiam aparecer ali, quanto para aproveitar um pouco a situação. O rapaz fez o mesmo, colocando o braço ao redor da cintura, aproximando-a um pouco mais. A posição estava confortável para ambos, então, finalmente começaram.
(n/A: Eu tenho medo de ver esse filme mesmo. Da ultima vez que vi o trailer – só o trailer – eu tive pesadelos seguidos, e não foi muito legal, não mesmo. Mas para quem gosta, ai o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=aYVkhOSAIi8 , bom susto pra vocês).
A história do filme era boa, e cada vez que tinha levava algum susto, Julieta se agarrava mais a Hori, sendo que em um dos momentos de maior tensão do filme, ela já estava tão grudada á ele que o rapaz nem parecia estar prestando muita atenção, mas quando ela se assustou novamente, acabou se sentando no colo dele e colocando sua cabeça no pescoço dele para não ver mais nenhuma daquelas cenas, foi quando ela percebera como estava.
– Parece que você não quer mais ver nenhum filme – ouviu a voz dele murmurar, e supôs que ele tinha desligado a televisão, pois já não ouvia mais nenhum barulho vindo da mesma.
– O que te faz pensar isso? – ela levantou o rosto um pouco, olhando nos olhos dele, e vendo seu olhar passando por todo o seu rosto, com algo mais que apenas curiosidade.
– Isso – ele aproximou o rosto do dela e deu um leve beijo. Porém, Julieta não estava planejando ser assim tão leve, pois colocou suas mãos em seu cabelo e puxou-o para um beijo que poderia ser chamado de tudo menos leve.
Ela não tinha certeza se estava fazendo isso para alcançar seu objetivo, se aquilo a levaria a perder, mas não se importava, apenas queria aproveitar aquele momento. Poderia até culpar a adrenalina do filme de terror, mais tarde. Agora, queria aproveitar o que no jogo não pudera fazer por uma idiota vergonha sem motivo.
Sentiu as mãos dele deslizarem por sua cintura, onde haviam ficado o filme inteiro, descendo até suas pernas, onde fizeram uma leve caricia que a fez soltar um gemido. Tirando uma de suas mãos dos cabelos dele, encaminhou-as para seu pescoço, parando ali por um instante, antes de descer rapidamente até a barra da camisa para tirá-la.
Quando se separaram para tomar ar, o olhar que cada um tinha não tinha nada relacionado a vitória (n/a: tive que rir aqui, kkk). Ambos sabiam que aquilo, talvez, não passasse de uma atração física, que era bem provável pelo confinamento que estavam passando, mas então, quem ligava? Não iria ter ninguém para julgá-los mesmo... Não importando quais linhas ultrapassassem. Fora essa a decisão que tomaram com aquele olhar. O que fariam ali, ficaria ali.
Mas o destino não estava tão á favor assim. A campainha chegou e talvez pelo recente filme de terror ou alguma outra coisa a mais, ambos pularam de susto, o que fez com que Julieta caísse no chão e Hori ficasse assustado lá no sofá.
–Eu atendo – ele ofereceu, levantando-se, enquanto se recompunha. Voltou com o jantar dos dois ( ele acertara o horário que eles iriam trazer a comida, provavelmente no almoço tinham dito algo) e colocou ali para comerem, depois de agradecer á quem quer que trouxera.
Ainda havia certa tensão enquanto eles jantavam, mas não era nada que não fosse mudar depois de uma longa noite de sono, pensavam. Por isso, logo que terminou e colocou seu costumeiro pijama, Julieta se dirigiu para a cama, enquanto Hori explicava que ainda não estava com sono, mas que logo iria também. Para eles a noite poderia ter acabado ao dormirem, mas não é bem assim que as coisas funcionam.
And you hear me whispering in your ears
Words you've never heard before
Oh, listen, baby
And when you fall asleep
I want you to dream of me
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*Bem, que coloquei lá no preciso, é porque gente, não quero ter que ficar narrando detalhes, toda hora indo escovar os dentes, e tal, mas saibam que eles tem higiene e fazem isso sim.
Ok, para a nota da autora, vou falar que eu tive que pular a tarde, porque se não a fic ia empacar para sempre nesse pedaço e não ia ser legal. Mas tirando isso, tudo normal. Espero que tenham gostado. E eu amo/sou quebrar climas. É o máximo.
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