Notas iniciais
Leiam as notas finais.

25 anos depois.

Rosemarie Schreave encarava suas duas filhas discutindo sobre qual cor de vestido estaria Chloe Schreave Delacroix vestindo.

— Vocês poderiam, por favor, não destruírem seus vestidos? — Rose pediu à elas, então vendo Reyne caminhar até os quatro, com Adrian se arrastando logo atrás dele. — Onde está Ross, Reyne?

— Passando perfume. — Reyne beijou o rosto de sua mãe, então dando um soco fraco no ombro de seu pai. — Ele insiste em arrumar o cabelo. — Caleb abriu um sorriso brincalhão com a reação do filho da mais velho. A seleção de Reyne começaria assim que a primavera chegasse, dali à quase dois meses, e então ele entenderia — assim esperava Caleb — o que era amar.

Aquela era uma das poucas coisas que a Rainha de Illéa ainda não havia conseguido mudar no país, mas que o filho continuaria tentando. Os ministros e conselheiros iam contra a mudança, mas esperavam conseguir derrubar.

Foi quando Ross surgiu nas portas, arrumando a gravata no pescoço.

— Falta muito para eles chegarem? — Rose sorriu para o filho.

— Não, querido, menos de dez minutos.

— Finalmente.

— Há quanto tempo eles não se veem, droga? Não faz uma semana? — Ayree perguntou, os treze anos dela não permitiam que entendesse muito bem o que era um relacionamento amoroso. Não muito, ao menos.

— Fazem dois meses, gênio. — Ross bufou para a irmã, então cumprimentando ambos os seus pais antes de olhar para as portas.

— Eles já pousaram, Ross, acalme-se. — Caleb revirou os olhos para o filho, então encarando seus outros quatro filhos, apertando o pulso de sua esposa por alguns segundos antes de abrir um sorriso tranquilo.

Foi quando America e Maxon surgiram por uma das portas laterais, pouco atrasados, mas preocupados com o atraso.

America foi primeiramente para seus netos, com Maxon indo até sua filha, então o genro e então as crianças que já não eram tão novas. Para ambos os avós era complicado ver seus netos tão velhos, isso mostrava que eles também estavam velhos — talvez de mais, pelo que Maxon pensava e conseguia aceitar.

Rosemarie olhou para Amelie, a garotinha de nove anos que então havia cutucado sua cintura.

— O que foi, amor?

— Nicholas vem, né?

— Vem, fiquei sabendo que ele vai lhe trazer um presente. — Rose falou, se abaixando a altura da filha.

— Mesmo?

— Sim! — Rosemarie apertou uma bochecha da filha, com Ayree andando de um lado para o outro.

As reações que a filha mulher mais velha de Caleb tinha eram surpreendentes, principalmente quando ela estava próxima de Thomas. Eles eram primos, é claro, mas Ross e Chloe eram primos e estavam juntos, por que ela não poderia tentar algo com Thomas? Porque ele não queria nada. Ayree tentava aceitar isso, levando em conta que ainda era uma garota, mas tinha uma grande afeição pelo primo.

Gabriel Leger surgiu pelo corredor direito, caminhando rapidamente até eles.

— Eles acabaram de passar pelo portão, Rose. — Ele arrumou o terno que utilizava, então colocando a estrela que lhe garantia o título de chefe da segurança do palácio.

Rosemarie virou o rosto para as portas duplas da entrada do palácio da família real, sentindo o coração apertar.

Fazia três anos que ela não via sua irmã gêmea.

As portas finalmente se abriram, permitindo a passagem dos Delacroix. Alexandra entrou de braços dados com Matheo, exibindo cabelos perfeitamente loiros, em contratste com o castanho grisalho do marido, sendo seguida de perto por seus quatro filhos. Todos sorriam, felizes em finalmente retornar a Illéa após tanto tempo. Ainda que dois meses antes as crianças de Rose tivessem ido com os avós passar um tempo com a tia, as duas irmãs não se viam pelo que pareciam ser eras.

A primogênita abraçou os pais e depois se enterrou nos cabelos escuros da irmã, ficando ali por um bom tempo, enquanto os reis se cumprimentavam. Anthony Delacroix, o neto mais velho de Maxon e America, fez questão de cumprimentar um a um todos os membros da família, e seu irmão mais novo, Nicholas, fez o mesmo.

Thomas e Chloe, os gêmeos, procuravam rostos em meio à multidão. Ele logo fechou a cara e colocou as mãos nos bolsos, apenas acenando com a cabeça para a família. Ela, por outro lado, levou uma fração de segundos para encontrar os olhos azuis de Ross e sorrir profundamente. Seu primo aproximou-se mais rápido que o vento e puxou-a para trás de uma das colunas do salão, antes que Ayree e Amelia pudessem admirar o vestido da prima — somente mais uma peça original, dentre as dezenas que Daniel, o padrinho dela, havia desenhado e dado como presente por seus dezenove anos.

Os padrinhos de Thomas chegaram momentos depois. Aaron, Lydia e Anelise, filha do casal, entraram sem cerimônias pela porta lateral, acompanhados de Dimitri com a esposa e os três filhos, Lilyana, Reyn e Karien. Anthony apressou-se em cumprimentar também o rei da Inglaterra, e não demorou muito tempo para aconchegar Anelise em seus braços nos jardins do palácio.

Heidi não tardou a aparecer com Arthur e as crianças, Lilian, Jonathan e Isaac. Logo após a realeza dinamarco-inglesa, William Davis e Patrick Hampson juntaram-se a turma, ambos desacompanhados.

E Thomas continuava impaciente, vendo sua irmã agarrando-se ao seu primo, seu outro irmão trocando beijos ocasionais com a namorada e até mesmo Nicholas aos sorrisos com Reyn. Oh, sim. Ele suspeitava que o caçula suíço já havia trocado uns beijos com o sucessor russo, mas ele não julgava. De fato, havia sido criado por Gabe durante os dois anos de treinamento militar, e seu preconceito com relação a opção sexual acabou-se nesse meio tempo.

Finalmente Daniel e Astra chegaram com Luna e Chiara. A segunda logo se juntou às irmãs Vermont e saíram para brincar na casa da árvore que antigamente pertencia a Alexa. A primogênita dos Blue engatou em uma conversa com Lilian, e Chloe logo se juntou a elas, com Ross preso à sua cintura. Reyne e Lilyana se juntaram à roda, seguidos por Thomas. Karien, Reyn, Nicholas e Adrian mantinham-se em seu próprio círculo, conversando sobre coisas bem menos maduras que a primeira roda.

Os mais velhos viam os filhos se aproximando cada vez mais, e sentiam-se orgulhosos por terem mantido a família unida após a Seleção. Ter vínculos era importante, e não apenas no sentido burocrático, mas para a construção do caráter, para o entendimento de família. E era aquilo que eles eram.

Quando o almoço chegou, os anúncios finalmente foram feitos. Anthony e Anelise assumiram o noivado, e nem Aaron nem Alexa deixaram passar o detalhe crucial: o anel do pedido era o mesmo de vinte e cinco anos atrás. Afinal de contas, o rei inglês estava certo, a bendita jóia sempre retornava à família. Reyne também apresentou oficialmente sua Seleção, e ouviu piadas da melhor amiga, Lilyana, que brincava agradecer por não poder participar, pois não o aturaria por mais do que algumas horas. Ross pediu Chloe em namoro oficialmente — depois de quase dois anos de um relacionamento “ás escuras”, o que rendeu piadas por parte de Caleb e de Matheo. O primeiro se gabava pelo filho ter conquistado a menininha do segundo, e o suíço apenas respondia que Ross teria de ser muito melhor que o pai se quisesse que a relação durasse. Chloe era bem exigente.

Zoeira vai, zoeira vem, bebidas são consumidas, assuntos políticos são debatidos, todos se recolhem aos seus aposentos, crianças dormem. Portas se abrem e se fecham em meio à surdina.

— Você me deve uma — Thomas encontrou a irmã nos pés da escadaria, entregando-lhe uma chave. — Não foi a coisa mais fácil do mundo conseguir isso, tive que fingir por anos para mamãe que eu era o responsável.

Chloe sabia que chave era aquela. Tirou uma do bolso e entregou ao irmão.

— Engraçado dizer isso. Se ela te achasse realmente responsável, por que teria trocado justamente a fechadura do quarto das garotas? — sorriu. — Camisinha. Eu sei que você tem.

— Mas olha só, parece que o jogo virou… — brincou, retirando dois pacotes do bolso. — Não que eu realmente acredite que o Ross dê conta de duas seguidas, mas você sabe, se rolar algo de manhã…

A princesa revirou os olhos, pegando os preservativos e subindo a escada. Seu irmão gêmeo continuou no segundo andar, indo em direção à unica porta que a chave mestra do palácio não abria. Chloe abriu o quarto de Ross, que havia sido trancado por Matheo pelo que o pai dela havia chamado de medida preventiva, trancando-o assim que entrou. O príncipe já dormia, o que não impediu a garota de jogar-se sobre ele e começar o que seria uma longa noite.

No andar debaixo, Thomas entrou no quarto de Lilian e Luna. Elas haviam juntado as três camas de solteiro — afinal, numa noite qualquer, Chloe também dormiria ali — e já estava seminuas, trocando carícias com a janela aberta. Ele estremeceu ao ver a cena. Gostava do perigo, da chance de ser pego. Não trancou a porta, apenas desabotoou a camisa, esperando até que elas notassem sua presença.

— Você demorou — a italiana respondeu, jogada sobre a cama. Luna tinha os cabelos negros do pai, e os olhos azuis da mãe.

— Começamos sem você — Lilian comentou, sorrindo malignamente através dos olhos escuros, e passando os dedos pelo longo cabelo platinado.

— Tudo bem, eu consigo tirar o atraso — foi tudo o que o suíço respondeu, antes de se jogar entre as duas e se lembrar de porque gostava tanto de reuniões em “família”.

Algumas coisas simplesmente não mudam em Illéa.

Notas finais
Eu não tenho muito o que dizer. Mesmo, não tenho. Não imaginei que a história de TC, originalmente resolvida na surdina entre duas pessoas, iria se tornar algo tão bom para tantas pessoas. É sempre muito difícil ter reconhecimento quando não é de categorias tão conhecidas, e TC teve um reconhecimento incrível, graças à vocês. Eu não poderia ser mais grata a cada uma de vocês. Muito obrigada. Levarei todas palavras incríveis (e todas as ameaças sérias HAHAHAHA) para o resto da minha vida. Saibam que estarão sempre no meu coração, mesmo. Não sei como agradecer por todo o apoio que sempre nos deram. Agora, uma questão: eu e a Queen conversamos sobre uma segunda temporada (e temos, sim, história para uma), MAS também temos problema com o nosso tempo, ela faz faculdade, eu estou no terceirão e tenho outras duas fics também em andamento, então não posso me comprometer quando já demoro pra atualizar TC, né? MAS, para não dizer um não, recomendo vocês ficarem ligadas nas minhas redes sociais (a mais conhecida é o twitter, mas tenho um grupo privado para as minhas fanfics, e se rolar uma segunda temporada de TC, garanto que lá teremos um aviso sobre isso! link: https://www.facebook.com/groups/1507397299492399/ ) Obrigada, cambada. Sem palavras, vocês tem um espação no meu coração! :3 — Cams LaFont É isso aí, galera, chegou ao fim. Assim como a Cams disse, nós realmente temos história e vontade de escrever uma segunda temporada, mas o tempo não colabora. Não vejam isso como um adeus definitivo, contudo. Temos algumas histórias baseadas em TC que ainda queremos compartilhar, como uma cena extra do casamento de Rose, ou um final alternativo onde Alexa casa-se com Arthur. Essas cenas serão publicadas, muito provavelmente, no tumblr da fantiction (http://two-crowns.tumblr.com/), sem data prévia. Por tal razão, peço encarecidamente que nos enviem seus números por MP para colocarmo-nas no grupo do WhatsApp. Sempre informamos todas as leitoras que estão lá. Vamos ao drama, agora. Em primeiro lugar, muitíssimo obrigada a vocês que mandaram suas recomendações desde o último capítulo. Temos todas vocês no nosso coração, e por mais que a memória falhe, saibam que temos um apreço especial por cada uma. De fato, creio que digo tanto por mim como pela Cams que não esperávamos tanto de TC. Não esperávamos tanto de uma história que surgiu com um "E se..." num final de semana em que estávamos entediadas e criativas. Não esperávamos ter tantos leitores, tantos favoritos, tantos comentários... Tanta gente acompanhando e se emocionando com algo que criamos, algo que simplesmente surgiu de nossa criatividade. Ficamos muito gratas por tudo isso. Não chegaríamos aqui sem vocês. E acredito que é por isso que dói tanto. É por isso que machuca romper esse grande laço que criamos com vocês. Querendo ou não, tornamo-nos uma grande família, que sempre aguardava os sábados para se reencontrar, e que, por mais que tenhamos falhado em alguns desses, estava sempre lá no sábado seguinte, e no outro também. Obrigada por tudo. É com coração partido que me despeço de vocês e dos personagens que tanto nos esforçamos para que parecessem completamente únicos e nada clichês. É de coração partido que me despeço dos que morreram, dos que voltaram à vida, dos que nunca sofreram, dos que morreram apenas internamente, dos principais e dos coadjuvantes, dos amigos, dos amantes. De todos eles. E de todos vocês. Mas despeço-me completa, satisfeita. Feliz, por saber que algum dia, em algum momento de suas vidas, vocês irão ver alguém com um sorriso de elfo maligno ajudante do papai Noel e se lembrarão de Arthur. Irão ver alguém que parece um babaca, mas que no fundo é alguém apaixonante, e se lembrarão do Matheo. Ouvirão um violino e um piano e se lembrarão das gêmeas. Terão um beijo roubado e se lembrarão de Andrew. E terão alguns personagens para sempre em seu coração — e se um dia simplesmente estiverem esquecido, então verão alguém de sunga se bronzeado na piscina e um lampejo com nosso boneco Ken se passará em suas mentes. Acho que é isso. Já falei demais. Amo vocês. — Drama Queen
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!