Two Crowns
36 Capítulo XXXV
Notas iniciais

Acordei com os braços de Matheo envolvendo-me com mais força. Ele ainda dormia, abraçando-me por trás. Sua cabeça estava sobre meu travesseiro, repousada em cima do meu cabelo. Puxei-o delicadamente, virando-me até estar de frente para o suíço dormente. Ele resmungou alguma coisa, mas parecia cansado demais pra acordar.
Levantei seu braço esquerdo, livrando-me de sua prisão e saí. Tomei um banho rápido, lavando o cabelo a fim de me livrar dos nós. Saí enrolada na toalha e abri o guarda-roupa do príncipe. Eu havia pedido para Lorena deixar um vestido lá durante a festa, e felizmente ela entendeu qual eu queria. Era um vestido de lã azul-marinho, similar a um suéter, de gola alta e mangas longas. Ia até pouco mais que o meio das coxas, e cobria todos os hematomas. Vesti-o e deixei os cabelos soltos para que secassem naturalmente.
Escovei os dentes e fiz uma maquiagem básica, apenas para disfarçar algumas olheiras, voltando a me sentar na cama. Passei os dedos pelo cabelo — agora curto, contra minha vontade — escuro do príncipe, beijando sua testa. Seus olhos se abriram lentamente, mais verdes do que eu jamais havia os visto.
— Bom dia. — sorri. — Perdemos a hora.
— Posso perder mais algumas, então. — ele resmungou. — Estou cansado.
— Não é para menos. Não deveria fazer tanto exercício, fora da fisioterapia. — levantei-me. — Astra está de volta, ela ajudará você com as sessões. Elena deve passar os horários ainda hoje. Compareça a todas.
— Sim senhora, senhora. — ele sorriu. — Eu devo ter atirado pedras na cruz para arrumar uma namorada tão mandona assim, santo Deus.
— Não sou sua namorada. — retruquei.
— Mas é minha. — ele se levantou também, abraçando-me ternamente. Encostei minha cabeça em seu peito e retribuí o abraço. — Não adianta negar, minha memória não é das melhores, mas é boa o suficiente para se lembrar do que disse ontem.
— Ontem foi outro dia, senhor Delacroix. — sorri, afastando-me apenas o suficiente para lhe dar um selinho. — E deixe esse cabelo crescer se quiser que tenhamos uma relação séria.
Saí de lá, indo em direção ao quarto de Daniel. Ele havia se cortado com uma taça na noite anterior, e queria confirmar se estava bem. Duas batidas discretas na porta foram o suficiente para que ele a abrisse momentos depois, sorrindo.
— Quem é vivo sempre aparece, hein? — brincou, abrindo passagem para que eu entrasse. Apenas recostei-me ao batente, indicando as outras portas. Os príncipes começavam a sair de seus quartos.
— Como está sua mão? — perguntei. Ele a entendeu para mim. Havia acabado de retirar as ataduras, provavelmente para trocá-las. — Imagino que vá demorar um pouco para cicatrizar. Aqueles remédios acabaram com você.
— Tudo bem, acho que temos tempo pra isso. — sorriu. — Astra disse que viria às nove horas fazer um novo curativo, mas ainda não apareceu.
— Deixe comigo. — empurrei-o para dentro, pegando o kit de primeiros socorros. Aparentemente, Daniel mantinha um no quarto, visto que o príncipe atraía acidentes.
— Achei que estivesse chateada comigo. — encarei-o, confusa. — Você sabe, por ontem.
— Ah, não se preocupe com isso. — limpei a ferida cm água oxigenada. Parecia arder. — Eu adoro quando os outros ficam de segredos. Já ouviu falar em retaliação? Costumo usar com muita frequência.
— Tenho medo de você. — deu risada, enquanto enfaixava sua mão.
— Como ficou? — analisei o curativo por um instante, antes que o italiano retirasse sua mão das minhas e encolhesse e esticasse os dedos repetidas vezes.
— Parece bom. — levou a mão ferida até meu rosto e, depois, à minha nuca, puxando-me num beijo curto. — Parece ótimo, na verdade. Obrigado.
— Não há de quê. — sorri, já saindo do quarto. — Tome mais cuidado, okay? E, se minha prima aparecer, peça para ela ir falar com Delacroix. Ele ainda precisa de fisioterapia.
Ele apenas acenou positivamente. Dei uma olhada geral nos quartos, e só então percebi que o de Caleb Vermont estava vazio. E organizado. Nada bom. Subi as escadas apressadamente, sentando-me na poltrona cuja posição permitia-me uma visão da porta do quarto de minha irmã. Dito e feito. O francês saiu alguns minutos depois, com o terno em mão, ajeitando a gravata.
— Gabe, — chamei o guarda, fazendo-o se posicionar atrás de mim, em pé. — não diga nada, apenas o encare repreensivamente.
— Com muito prazer. — ele sorriu, beijando-me o topo da cabeça e puxando sua arma em punho. Gabriel Leger era igualmente alto como Matheo, e imensamente mais assustador com uma metralhadora em mãos.
— Senhor Vermont — sorri, cruzando as pernas. Ele tinha um sorriso canalha no rosto, que logo se desfez ao ver a arma apontada em sua direção. — Por que não se senta para conversarmos?
Ele andou lentamente em minha direção, vestindo o terno e abotoando as mangas. Parecia calmo demais para a situação, mas eu já o conhecia o suficiente para saber que conseguia disfarçar o medo tão bem quanto eu mesma. Ajeitei-me melhor na poltrona, enquanto o príncipe se sentava, encarando-me no fundo dos olhos.
— Pois bem, senhorita Sophie. — ele sorriu, pronunciando meu nome do meio na língua mãe. Incrivelmente, ficava muito melhor em francês. — Sobre o que deseja falar?
Estendi-lhe a mão, impacientemente.
— Quero a cópia que fez da minha chave, Vermont. — bufei. — Agora.
— Não sei do que está falando. — sorriu por um breve momento, mas minha expressão não se desfez. Relutante, entregou-me o objeto quando Gabe destravou a metralhadora. — Não acho que me mataria aqui, mas fique com ela. Não preciso mais, de qualquer forma.
— Ótimo. — entreguei a chave a Gabe, que a guardou em sua farda. — Agora tire a roupa.
— Quê?
— Tire. A. Roupa. — cruzei os braços. — Não fui clara o suficiente, Vermont?
— E se eu me recusar? — ele revirou os olhos.
— Então posso lhe expulsar da Seleção por ter quebrado as regras e subido ao terceiro andar. — sorri. — Nem precisarei lhe expulsar, de qualquer forma. Meus pais devem passar por aquela porta em dez minutos, então sugiro que faça logo o que lhe digo.
— Quer que eu dance pra você também? — resmungou, colocando-se em pé e tirando o paletó. Jogou a peça para mim, desabotoando a camisa logo em seguida. — Sabe, isso costuma ser mais emocionante sem uma arma apontada pra você.
— Não acho. — cortei-o, indicando para que prosseguisse. Ele retirou os suspensórios e a camisa branca, jogando tudo em meu colo. Ia desabotoando a calça quando o impedi. — Não precisa. Vire de costas.
Levantei-me, levando sua roupa comigo. Aproximei-me bem do príncipe, analisando cada centímetro quadrado de sua pele. Seu pescoço, peito e braços estavam intactos, mas pequenos riscos avermelhados em suas costas o entregaram. Ele estremeceu com meu toque nas marcas, virando-se bruscamente.
— Qual é o seu problema, afinal de contas? — perguntou, revoltado. Não gostava que o tocassem. — Posso ir? — baixou o tom, notando o erro que tinha cometido.
— Pode. — sorri, entregando-lhe suas coisas. — Gosto de você, Vermont.
— Imagino se não gostasse. — ele riu, vestindo-se rapidamente. — Tenho até medo do que posso encontrar se fizer essa inspeção no meu querido amigo Delacroix.
— A qualidade de um homem na cama pode ser medida pelas marcas que uma mulher deixa nela, caro francês. — arqueei uma sobrancelha. Ele parecia rir de uma piada interna. — O que foi?
— Nada. — terminou de ajeitar a gravata. — Só não acho que sua irmã concorde com essa sua filosofia de vida, Sophie. — deu-me um beijo estalado na bochecha quando baguncei seu cabelo, e desceu as escadas momentos depois, como se nada tivesse acontecido.
— Ele deve achar que você é louca. — Gabriel riu, jogando-se na poltrona que eu estava e deixando a arma de lado. — Mas devo dizer: ô lá em casa.
— Caleb não faz meu tipo. — encarei-o, jogando-me em seu colo momentos depois. — Já você, gostosão... — brinquei, abraçando-o firme.
— Eu faço o tipo de todo mundo, gata. — sorriu, passando as mãos no meu cabelo já seco. — Não devo mais deixá-lo subir, certo?
— Na verdade... — sorri, maliciosamente. — Deixe-o subir o quanto quiser. Mas me avise quando isso acontecer.
— Sim, senhora. — ele acenou e saí de seu colo, deixando-o livre para circular.
Desci as escadas, procurando por Arthur. Tinha medo de que ele soubesse muito sobre Caleb e Rose. Encontrei-o recostado à arvore dos balanços do jardim leste, um copo de whisky numa mão e um cigarro na outra. Tinha olheiras profundas, mas não parecia muito embriagado. Talvez tivesse acabado de começar a beber.
— Ei, eu quero. — puxei o copo dele e virei a bebida toda de uma vez. Aquilo iria subir em breve, mas antes meu fígado que o do meu melhor amigo. — Obrigada. — deixei o copo vazio sobre o balanço mais próximo.
— Não vai me deixar encher a cara, é? — ele riu, apagando o cigarro no chão. — Nem fumar, creio eu.
— Não vou deixar você detonar seu fígado e seus pulmões por alguém que não vale a pena. — bufei. — E, não, não é porque é minha irmã que vou defendê-la.
O dinamarquês abriu a boca para dizer algo, mas logo em seguida a fechou, Puxou-me num abraço, suspirando em meu cabelo, e apertando-me cada vez com mais força. Estar naquele abraço era a melhor sensação que um dia já presenciei. Transmitia-me a segurança cuja nunca demonstrei, mas que Arthur sabia que existia. Talvez fosse por isso que eu sempre precisei dele ao meu lado desde que nos conhecemos.
— As coisas já estão dando errado pra mim, só pra te informar. — seus lábios se demoraram em minha testa, seus dedos em meu cabelo. — Eu quero morrer, Alexandra.
— Não seja tão dramático, príncipe Hamlet. — sorri, pousando os braços sobre seus ombros torneados. — Tenho certeza que ainda vai encontrar sua Ophelia.
— Tomara. — ele sorriu de volta, segurando-me pela mão e dando uma volta nos jardins. — Eu vou sentir falta disso aqui quando as coisas acabarem.
— E acha que eu não? — soquei-lhe o ombro com a mão livre, e ele puxou-me num abraço lateral. — Vou te levar até o inferno se for pra lá que eu vou, Art.
Andamos pelo que pareceu serem dez minutos, antes de uma barulheira e uma gritaria chamarem nossa atenção do outro lado do palácio. Arthur puxou-me pela mão, atravessando todo o saguão principal correndo. Meus saltos dificultavam o trabalho, então me livrei deles no meio do caminho, acelerando o máximo possível até a fonte de toda aquela algazarra. Uma briga.
Patrick Hampson e Andrew Van Persen pareciam estar num duelo de MMA. Socos, chutes, joelhadas, puxões de gravata, camisas rasgadas, sapatos fora dos pés e ternos servindo de kimonos. Não é tão difícil imaginar o quanto eu gritei e fiquei brava naquele momento. O sangue subiu-me à cabeça, e tive que ser controlada pelos outros príncipes que estavam ali, ou eu mesma iria partir por cima dos dois. O dinamarquês separou a briga no exato momento que Caleb Vermont e minha irmã apareciam do outro lado do jardim, correndo em nossa direção.
— Eu sei cuidar de mim mesma. — bufei, tentando me livrar do príncipe que mais tarde eu notaria ser William Davis. — Vai me soltar, ou prefere ser mandado embora também? — O australiano deixou-me ir, relutante. Tomei fôlego e contei até dez, de olhos fechados, tentando controlar a raiva. — Quero todos no salão dos homens. Agora.
Entrei no palácio, seguida pelos príncipes. Os murmurinhos eram constantes, mas cessavam quando me virava para trás. Apressadamente, abri a porta com a chave que ganhara de tia May, e mandei todos entrarem. Rosemarie parecia um tanto quanto chocada e não estava mais ao lado de Caleb, que conversava com Matheo aos sussurros.
Todos entraram e se sentaram no que pareciam ser seus lugares costumeiros. Rose permaneceu em pé, com Arthur próximo a ela. Ele tinha um olho vermelho, provavelmente por ter levado um golpe ao separar a briga. Aquilo pareia doer.
— O que aconteceu? — perguntei, levando a mão aberta ao alto para que parassem com a barulheira. — Van Persen.
— Eu estava conversando com Davis sobre alguns acordos antigos sobre nossos países — começou. Ao longe, William confirmou com um aceno positivo com a cabeça. —, e Hampson chegou me empurrando e... E eu só me defendi.
— Mas o motivo você não conta, não é?! — Patrick gritou e se levantou, mas retornou ao seu lugar com meu olhar repreensor. — Conte o que disse sobre minha família! Conte o que ficou espalhando por aí sobre minha irmã, Van Persen! Quero ver se vai ter chance com alguma das princesas depois das calúnias, bárbaras, por sinal, que ficou espalhando aos sete ventos!
— Hampson. — cortei-o. — Quem lhe disse que ele estava espalhando os boatos?
E foi então que a ficha caiu. Daniel enrijeceu em seu lugar, e Matheo olhou ameaçadoramente para Patrick. O silêncio parou no ar por alguns segundos, até que finalmente respondeu.
— Isso não é o mais importante. Não vem ao caso. — deu de ombros.
— Arthur, — ignorei a discussão que voltava a se formar. Todos ficaram em silêncio mais uma vez. — quem acertou você?
— Van Persen. — encarou-me seriamente. Era verdade.
Suspirei, vendo a situação na qual eu me encontrava. Patrick havia nitidamente começado a briga — por um boato que muito provavelmente Matheo e Daniel espalharam —, mas Andrew acabara por envolver outro príncipe na briga ao tentar se defender. Nada bom.
— Blue e Delacroix, vocês também ouviram esses boatos aos quais Hampson se refere? — cruzei os braços, ambos acenando positivamente. — Interessante. Ivanov, Davis, vocês ouviram? — os dois negaram.
— Eu também... — Caleb começou a falar, mas o interrompi.
— Cale a boca, Vermont, não lhe perguntei nada. — parrei os dedos pelo cabelo, sentando-me, finalmente. — Andrew, Patrick, vocês tem doze horas para arrumar suas coisas. Infelizmente, não sou eu que faço as regras, e elas devem ser as mesmas em toda a Seleção. Se meu pai não permitiu que uma briga fosse perdoada, então esta também não será. Vocês dois estão dispensados. Dimitri e William também podem ir.
Os quatro se retiraram, e tudo o que pude fazer foi lançar um olhar a Andrew que significava algo como um falo com você mais tarde. Arthur se sentou próximo a mim, Matheo afundou o rosto entre as mãos e Daniel se agarrou à cadeira na qual sentava. Caleb encarou um ponto fixo na parede para tentar manter a calma, e Rose me encarou, curiosa.
— Vermont, não pense em me dar um único motivo a mais para não gostar de você. Confiança é algo difícil de conquistar, e impossível de ter de volta. Se você mentir novamente para mim, tentando defender seu amigo, vocês dois estão expulsos de Illéa, e todos os seus descentes também estarão. Você me entendeu, ou quer que eu desenhe?
— Não vai mais acontecer. — resmungou.
— Eu sei que não. Você e minha irmã estão dispensados. — o francês segurou a mão de Rosemarie e tirou-a de lá, deixando-me sentada de frente para o italiano e o suíço. — Blue, Delacroix... Eu poderia muito bem mandar os dois embora, e, acreditem, até alguns segundos atrás essa era realmente a minha vontade. Mas não vou. Os dois vão ficar no palácio por um bom tempo ainda, com um porém: não pensem em me tocar, falar comigo, ou sequer me olhar. Não teremos mais encontros, sejam eles casuais ou oficiais. Nada de mãos dadas, nada de abraço, nada de beijo. Nada de sexo, pros dois. Vou deixá-los aqui, definhando, vendo-me beijar outros na frente de vocês, porque é exatamente isso que andam merecendo por esse tipo de comportamento infantil e egoísta. E se eu sequer suspeitar de que vocês dois estão tramando novamente, seja em dupla, seja um contra o outro, juro por Deus que vou fazer questão eu mesma de cortar fora isso que vocês têm no meio das pernas.
— Posso fazer um comentário? — Delacroix pigarreou, levantando-se e não esperando minha resposta. — Você fica gostosa pra caralho irritada.
Nem vi quando Arthur virou um soco em Matheo, de tão rápido que aconteceu. Tudo o que pude notar foi o dinamarquês prensando o suíço na parede com o braço, e segurando-o pelo colarinho.
— Da próxima vez que você se referir à ela dessa maneira, eu quebrarei todos esses ossos da sua cara. Se você quer provar à Alexandra que é a melhor escolha, trate-a como se ela fosse a melhor coisa na sua vida, não como você trata essas vagabundas que vive levando pra cama. Você é o cara mais idiota que eu já conheci em toda minha vida, seu filhinho de mamãe de merda. Alexa, definitivamente, merece alguém melhor, e eu vou fazer de tudo para que ela não escolha você, está me ouvindo? — puxou-o e empurrou-o novamente. Mesmo sendo dez centímetros mais baixo, Arthur era muito mais ameaçador. — É muito fácil falar que a ama e depois tratá-la com toda essa falta de respeito e decência, hein? Cresça.
Gravesen se afastou, puxando-me consigo para fora da sala. Matheo ameaçou revidar o soco, mas algo em meu olhar deixou-lhe bem claro que, se ele fizesse isso, seria um homem morto.
— E só pra você saber, — Arthur comentou, antes de fechar aporta atrás de nós. — gostosa pra caralho foi a sua mãe, gemendo meu nome e pedindo por mais.
— Obrigada, eu acho. — brinquei, puxando-o comigo. — Ele merecia ouvir umas verdades. Venha, vamos colocar um gelo nisso aí.
— Eu consigo me virar sozinho. — ele riu, desvencilhando-se de mim. — E acho que você ainda tem que trocar umas palavrinhas com alguém aí, antes que doze horas se passem.
Sorri e lhe dei um beijo no rosto, correndo até o quarto de Andrew. Meu coração estava apertado, eu não queria tê-lo mandado embora, mas regras são regras. E, nos últimos meses, eu estava odiando todas elas. Bati na porta, que momentos depois foi aberta.
— Oi. — o holandês sorriu, permitindo-me entrar. — Sinto muito pela confusão toda de hoje.
— Tudo bem, sei que não foi sua intenção. — suspirei. — Não queria ter que mandar você embora, de verdade.
— Eu também não queria ir, mas não estou triste por ter de fazê-lo. — ele sorriu. — Acredito que tudo acontece por um motivo maior, e que não podemos mudar nosso destino.
— Mas podemos chegar até nosso destino por diferentes caminhos, não? — sorri. — Mande-me cartas, se quiser. Ficarei feliz em respondê-las.
— Vou mandar. — ele sorriu de volta. — Agora, diga-me uma coisa: vou ter que roubar mais um?
Dei uma risada e aproximei-me dele, passando os braços por cima de seus ombros. Ele tirou meu cabelo do rosto e segurou-me pela cintura, beijando-me logo em seguida. Foi, de longe, o melhor beijo da minha vida.
E, novamente, eu estava perdendo alguém que me fazia feliz.
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