Notas iniciais
RÉLOU, PIPOUS. Bom, cá estaou Drama Queen com mais um capítulo. Antes de tudos, gostaria de avisar que talvez eu e a Clélia nos enrolemnos com TC nesse final de ano. Viagens e vestibulares estão sugando nosso tempo de escrever (inclusive fiquei até cinco e meia da manhã acordada esses dias pra terminar o capítulo), e é por isso que talvez levemos dez ou quinze dias para publicar os próximos. Sentimos muito, afinal, não é culpa de vocês, mas nosso tempo está MUITO corrido. Pra compensar, digamos que os próximos capítulos serão um tanto quanto animados. Digam adeus ao melodrama da Rose, aos não-me-toques de Malexa, e até mesmo a alguns príncipes. Já está na hora de fazermos uns cortes nessa Elite, certo? Será que chegamos em 450 comentários com esse capítulo? Por1ue eu acho que mereço, já que muuuuuitas de vocês *cof* malexers *cof* esperam por esse momento desde o começo da história. Um obrigada especial à Marri pela recomendação maravilhosa

Eu nunca havia dormido tão bem, e tão pouco, em toda minha vida. Quando o despertador tocou às oito horas, eu quase o atirei na parede. Não entendia a necessidade de um alarme, mas não contestava: Matheo era metódico o suficiente para precisar de um. Sem abrir os olhos, levei a mão ao criado mudo, procurando pelo objeto, mas o suíço foi mais rápido: debruçou-se sobre mim e desligou a campainha.

— Bom dia, — ele beijou minha nuca, demoradamente — dormiu bastante?

Enchi-me com uma súbita vontade de espancá-lo. Havíamos ficado nos beijando até quatro horas, quando fizemos mais uma sessão de fisioterapia. Depois, passei-lhe a pomada que favorece a circulação, e só fomos dormir, de fato, pouco depois da saída de minha irmã para o túmulo de Nathan, às cinco horas.

— Não me faça atirar em você antes do café da manhã. — resmunguei.

Matheo puxou-me repentinamente para o meio da cama, segurando-me com força. Beijou-me com muita voracidade, a julgar pela hora, e então prendi minhas pernas ao redor de seu quadril, prensando-o contra meu corpo. Senti o príncipe arrepiar, e sua resposta veio logo em seguida: seus lábios sugaram com força a pele na base de meu pescoço, próxima à minha clavícula. Um gemido saiu por meus lábios, o que apenas o motivava a continuar.

— Esse é pra você se lembrar de mim. — sorriu de modo sensualmente provocante. Aproveitei-me de sua guarda baixa e inverti nossas posições, ficando sentada sobre seu quadril. Uma de minhas mãos passeava por seu corpo, enquanto a outra repousava em sua tatuagem, perigosamente próxima de sua cueca. — Eu fiquei um mês em coma, não espere tanto autocontrole assim. — ele comentou, fechando seus olhos e tentando se concentrar.

— Uma pena. — debrucei-me sobre ele, sussurrando em seu ouvido. — Eu adoro ficar por cima.

Levantei-me da cama sem pressa, vestindo-me com as roupas que Lorena me levara durante a madrugada, e prendendo o cabelo de modo estratégico, a fim de esconder os motivos dos intensos gemidos e suspiros da noite anterior. Já saía do quarto quando ele me chamou.

— Vai sair sem me deixar uma lembrança? — perguntou, arqueando uma das sobrancelhas. Puxei-o pela gravata na qual ele havia acabado de dar um nó e abri sua camisa preta, botão por botão, deixando marcas de batom vermelho na trilha de beijos que fiz desde seu peitoral até seu umbigo. Fechei os botões na subida, dando-lhe um último selinho. — Foi a melhor noite da minha vida.

— Facilmente impressionável. — sorri e saí em direção ao corredor, deixando um Matheo Delacroix repleto de fogo para trás.

Durante o café da manhã, foi anunciado que a elite de Rose deveria se encontrar com ela em uma reunião. Como Matheo estava incluído nessa lista, isso me dava tempo para passar com os outros príncipes, incluindo Andrew, a quem eu havia prometido um encontro. De fato, eu gostava de passar um longe dele e de Daniel, fazia com que eu me sentisse mais livre, ainda que não pertencesse a nenhum deles.

Meu encontro com Van Persen foi um tanto quanto inusitado: o holandês cozinhou para mim. Aparentemente, alguma alma daquele castelo — e eu arriscaria dizer que foi tia May — havia revelado a ele meu ponto fraco: massas. Como resultado, ele prepara todos os tipo possíveis e existentes de massa para que eu provasse, com diversos molhos.

— Este é um rondelli de queijo brie ao molho gorgonzola. Tem um pouco de noz moscada por cima, para dar sabor. — sorriu, entregando-me mais um prato. Já era o sexto ou sétimo, e eu mal conseguira experimentar todos, tamanha era a aquantidade de comida.

— Muito bom. — limpei os lábios com o guardanapo, tomando um gole d’água depois. — Mas meu preferido continua sendo o gnocci de brócolis ao molho funghi e parmesão ralado.

— É o meu preferido também. — ele comeu um pouco do próprio rondelli. Eu não entendia como alguém poderia cozinhar tão bem e ser tão magro. — Acho que não almoçarei hoje.

— Somos dois. — dei risada, levantando-me do banco. Ele fez o mesmo e me ofereceu o braço, levando-me para os jardins. — E então, de onde vem esse seu talento para a cozinha?

— Meus avós maternos se mudaram da Itália para a Holanda, e abriram um restaurante de massas lá. — comentou, encarando-me nos olhos. — Minha mãe era a garçonete de lá. Com o tempo, a comida foi ficando famosa, e contrataram meus avós para fazer o jantar de uma festa no palácio, comemorando o início da primavera. Foi minha mãe quem serviu meu pai, e dizem que ele se apaixonou tanto pela comida que se casou com ela.

— É uma história fofa, essa deles dois. — sorri, sentando-me no banco, com o príncipe ao meu lado.

— Sim, definitivamente. — ele sorriu de volta. — Dizem também que meu pai tinha muito medo da rejeição da minha mãe. Ainda que ele fosse o futuro rei, todo o poder dele não era nada comparado à beleza dela.

— Que romântico! — exclamei, curiosa em saber o restante da história. — Como ele lidou com esse medo?

— Bom... — ele corou. — O que acha de deixarmos o final dessa história para outra ocasião?

— Não mesmo! — cruzei os braços. — Conte-me agora e eu lhe prometo a primeira dança essa noite, que tal?

— Se é assim... Bem... Meu pai conquistou minha mãe assim, — Ele me encarou por uns segundos com seus olhos azuis profundos e colocou meu cabelo atrás de minhas orelhas, beijando-me sem avisos logo depois. Tinha o beijo suave e macio, sem pressa e sem lentidão. Afastou-se pouco tempo depois ainda dando selinhos — roubando um beijo.

— Acabei de entender de quem herdou o talento para beijos roubados, então. — brinquei, passando os dedos por seus cabelos negros.

— Uma pena que as coisas não sejam como antigamente, e você não esteja apaixonada por mim, igual minha mãe pelo meu pai. — Andrew sorriu, seus dedos acariciando a pele de minhas bochechas. — Ao menos, não tenho medo da rejeição, porque a sua beleza é imensamente maior que a da minha mãe.

E então eu corei. Nem Matheo, nem Daniel conseguiam me pegar de guarda baixa como Andrew conseguia. O holandês me surpreendia a cada dia, com palavras doces e, ao mesmo tempo, não forçadas. Com elogios sutis e sinceros. Com sorrisos arrancados e beijos roubados.

— Só de ver o filho que eles têm, posso afirmar com toda a certeza que ela é realmente muito linda. — sorri. — E que seu pai rouba beijos muito bem.

Foi a vez de ele corar. Levantou-se e me levou consigo de volta ao palácio, sabendo da minha necessidade de estar em meu quarto logo. Tinha alguns detalhes da festa para terminar, e uma pesquisa para estudar. Acompanhou-me até o pé da escada em silêncio, e me deu um beijo ao se soltar de mim.

— A primeira dança é minha. — ele passou os dedos pelo próprio cabelo, sem saber o que falar.

— Com certeza. — beijei seu rosto e subi para meu quarto, culpando-me por não conseguir tomar uma decisão. Daniel, Matheo, Andrew.

E o casamento de Aaron seria em uma semana.

Não tive paciência para continuar minhas buscas pelos rebeldes. Estava com a cabeça cheia demais, preocupada demais. Não bastasse a pressão de ter que me decidir nos próximos meses entre algum dos príncipes, eu tinha poucos dias para decidir quem me acompanharia ao casamento do inglês. Por um momento, pensei em ir sozinha, mas até mesmo Charlotte Delacroix, a mais independente das rainhas, tinha sua companhia a todo o momento, ainda que fosse apenas uma fachada. Em seguida, pensei em Gabe. Ele provavelmente não negaria, mas isso colocaria muitas questões na população de Illéa, e os paparazzi o perseguiriam incessantemente... Se descobrissem sobre Dean... Bom, não seria nada legal.

Por fim, tomei a decisão que me parecia mais viável. Ao menos, não seria motivo de brigas entre os participantes: eu iria com Arthur.

Procurei-o pelo castelo, e não demorei muito para encontra-lo na piscina. Nadava velozmente, mas sem utilizar a técnica necessária. Conhecia o dinamarquês suficientemente bem para saber que estava irritado, e provavelmente um pouco embriagado. Sentei-me à borda da piscina, subindo o vestido para que não molhasse, e mergulhando as pernas. Momentos depois o príncipe voltou à superfície, levemente desorientado. Ele definitivamente havia bebido.

— Psiu, — chamei-o — quer dizer que minha irmã está distribuindo bebidas por aí?

— Ei... — ele se aproximou de mim, com cuidado para não me molhar. Parecia já sóbrio, de ressaca. — Nunca mais me deixe beber conhaque.

— Bom, não posso prometer que não deixarei beber nunca mais, — comentei — mas prometo não te deixar beber conhaque no casamento do Aaron.

— Uh... — ele pigarreou — Você ainda não escolheu, não é?

— Não é fácil, okay? — revirei os olhos. — Ao contrário de você, eu provavelmente quero me casar e ter filhos. Divórcios complicam meu futuro perfeito.

— É fácil escolher. Por exemplo, se eu tivesse que escolher entre você e Rose, escolheria você. Rose me dá muita dor de cabeça. — ele dramatizou, dando risada.

— Tolo! — dei risada — Você tem que parar de afogar as mágoas na bebida, ou vai viver com essa dor de cabeça constante.

— É, eu sei. — ele deitou a cabeça em minhas pernas, e eu alisei seu cabelo molhado com meus dedos. — Vou provar pra ela que não preciso dela, indo ao casamento com você.

— Sabia que eu amo você, né? — sorri ao ver um sorriso surgir em seus lábios também. — E não se preocupe, não vai ter que me beijar.

— Graças a Deus! — Arthur riu, e puxou-me de uma vez para a piscina. Nem tive tempo de protestar. — Eu iria odiar fazer isso.

— Esse. Vestido. É. De. Veludo. — esbravejei, socando-o. — Não poderia ter sequer visto água.

— Então aprenda a vir com um vestuário decente para o banho de piscina. — o dinamarquês mostrou aquele seu incrível sorriso cafajeste digno de Oscar.

— Não faça isso. — ele arqueou as sobrancelhas, numa pergunta silenciosa. — Esse sorriso maligno de elfo ajudante do papai Noel.

— Quê?! Eu que bebo, e você que começa a alucinar? — E então ele me encarou por um longo tempo, sem falar nada. Seus olhos fitaram os meus, depois correram por todo meu rosto, voltando para meus olhos. Tinham perdido o brilho maligno, e pareciam imersos em dor. — As coisas seriam mais fáceis se...

Ele não terminou, todavia eu sabia o final da frase. Se ele tivesse se apaixonado por mim, e não por Rosemarie. Concordei e deitei minha cabeça sobre seu ombro. As coisas seriam mais fáceis se eu tivesse me apaixonado por ele, também.

— Vou sentir falta de você, quando tudo isso acabar. — sussurrei, agradecendo o fato de estarmos dentro da piscina, pois minhas lágrimas se misturavam à água da piscina. — Preciso de alguém ao meu lado para dar aqueles conselhos óbvios que eu não tenho a capacidade de seguir.

— Não se preocupe, eu vou ser padrinho do seu casamento, então vou usar isso como desculpa pra comer e dormir de graça na sua casa, então estarei sempre por perto. — ele riu, animando-me um pouco. — Você se dará muito bem sozinha.

— Eu sei — suspirei —, mas um pouco de companhia não faz mal a ninguém.

— Se tudo der errado, então a gente se casa. — ele riu, arrancando algumas risadas de mim. — Você comanda o país e eu te dou os conselhos óbvios.

— Até que não é má ideia. — brinquei. — Obrigada.

— Disponha. — ele beijou minha testa e me ajudou a sair da piscina.

— Mas não pense que isso vai ficar barato, — apontei para meu corpo, encharcado — como espera que eu entre no castelo?

— Molhada? — ele riu, saindo logo depois. — Rei do óbvio. — explicou-se.

E eu alaguei o palácio, todos os cômodos por onde passava.

Dormi até baterem na porta, a fim de me arrumarem para a festa. Lorena e Iris arrumaram meu cabelo, ajudaram-me com a fantasia, e fizeram minha maquiagem, enquanto trocavam olhares maliciosos uma com a outra ao ver o presentinho que Matheo deixara em meu pescoço mais cedo. Depois de meia hora e um quilo de maquiagem, finalmente conseguiram esconder a marca arroxeada, e eu estava impecável. Saí do quarto quando dei de cara com Caleb.

— Deu tudo certo? — perguntei, estendendo-lhe a mão.

— Mais certo, impossível. — ele tirou a chave que eu ganhara de tia May do bolso, devolvendo-me. — Obrigado por me deixar tentar. Rose não abria a porta.

— Sem problemas. — coloquei a chave novamente no colar. — Espero que tenha cumprido sua parte do combinado.

— Acredite em mim, eu agarrei sua irmã de jeito. — ele riu quando revirei os olhos.

— Nada melhor que uns belos amassos para esquecer um homem, caro Vermont. — segurei o braço que ele me oferecera, e descemos as escadas juntos.

— Não deixe que Matheo Delacroix saiba disso. — o francês brincou. — Creio que você não será perdoada caso ele descubra esse seu lado.

— É por isso que esse vai ser nosso segredinho. — desvencilhei-me dele, separando-nos. — Faça minha irmã esquecer o professor, Vermont. Você tem potencial para isso.

— Ah, isso será um prazer. — beijou-me a testa e partiu em direção ao seu quarto, enquanto eu procurava por Matheo Delacroix.

Bati à porta de seu quarto e uma das criadas atendeu, dando-me passagem. Elas terminavam de vestir Matheo e maquiavam cicatrizes por todo seu corpo. Como se ele já não tivesse cicatrizes o suficiente para uma vida inteira. Parei-me encostada à porta e sorri quando seu olhar encontrou o meu.

— Anjo. — falou ao ver minhas asas, ainda atordoado. — Você é um anjo.

— Ah, todo mundo sabe disso. — mordi o lábio, e dispensei as criadas com um sinal. Elas provavelmente fofocariam horas sobre terem me deixado sozinha com Matheo, mas ele ficava incrivelmente sexy naquela roupa de pirata. Tranquei a porta do quarto e sentei-me em seu colo na cama, beijando-o profundamente. Subi o vestido, prendendo meus joelhos em seu quadril e levei a mão aos seus cabelos, agora extremamente mais curtos. — Gostava deles compridos.

Na verdade, eu adorava quando o cabelo dele caía sobre os olhos.

— Elena mandou cortar. — ele suspirou. — Odeio cortes militares, mas considerando que meu cabelo está quase raspado e mesmo assim você está no meu colo, não acho que vá fazer diferença. — suas mãos subiram pelas minhas coxas, e as pontas de seus dedos entraram sob o tecido fino da lateral da minha calcinha. — Diga-me que não quer e eu paro.

— Não posso contar mentiras. — derrubei-o deitado na cama, aproveitando seu momento de confusão, e abri sua camisa branca. Beijei-o do pescoço ao cós da calça, sentindo o gosto de sabonete da sua pele. Minhas mãos subiram e desceram, acariciando seu corpo, parando sobre o botão de sua calça. Desabotoei-a e desci o zíper, mas sua mão segurou as minhas. — Não quer?

— Se não quero? Basta olhar para baixo para ver o tanto que eu quero. — ele sorriu, puxando-me para a parede. Prensou-me ali, mantendo minhas mãos no cós de sua calça, e sussurrou em meu ouvido, entre os beijos que distribuía em meu pescoço. — É o que mais quero nesse mundo. Mas não vai rolar, não agora.

— Por quê? — desci mais a mão, e um gemido escapou de seus lábios. — Acha que não dá conta?

— Acho que você não dá conta. — ele tirou sua mão das minhas e a subiu por minhas coxas, apalpando-me com força. — Se eu tivesse a chance de te agarrar da maneira que quero, você não iria para aquela festa. Eu iria chupar, apertar, morder e beijar seu corpo inteiro. Iria jogar você naquela cama e em todos os móveis desse quarto. Iria descabelar você e tirar toda essa sua maquiagem. Iria fazer você gemer em todas as línguas que conhece, e até nas que não conhece. Iria te impossibilitar de sentar e andar por muito tempo, e depois de tudo isso, você iria pedir por mais. E eu vou te dar.

— Você trocou o verbo. — mordi o lóbulo de sua orelha direita. — O correto é: eu iria te dar.

— Ah, anjo... — ele se afastou, subindo o zíper da calça e voltando a se vestir. — Eu vou te dar o que pedir. É só querer.

— Se eu passar a noite aqui, promete que vou conseguir andar amanhã?

— Posso tentar não te machucar muito. — ele riu, beijando-me carinhosamente. Passou os braços pela minha cintura e puxou-me para seu peito. — Eu amo você, anjo.

— É, — apertei-o com força, antes de abrir a porta do quarto — eu sei.

Toquei-lhe os lábios uma última vez, e minutos depois eu já estava no salão de festas. Rose já estava lá, vestida de policial, com um Arthur ao seu lado. Ele realmente estava vestido de Hamlet, e fazia minha irmã rir. Era um milagre, por assim dizer. Caleb estava conversando animadamente com Will. O francês vestia-se se salva-vidas, e o australiano, de vampiro. Mais ao longe, Daniel, vestido de fantasma da ópera, conversava com um Patrick zumbi e com Dimitri. Levei eras até perceber que Dimitri estava fantasiado de bêbado, e só o notei porque o russo simplesmente nunca ficava bêbado.

Matheo chegou pouco depois, mas ignorei-o completamente. Se ele queria guerra, eu ia lhe dar isso. Andrew chegou logo depois, numa roupa de cowboy. Era um tanto quanto cômico, se levarmos em consideração o fato dele ser norueguês. Sorriu para mim ao se aproximar, e puxou-me para a primeira dança. Trocamos algumas palavras e risadas, mas minha mente estava muito ocupada em tentar ler os lábios de Daniel e Matheo, que conversavam animadamente. Assim que a música acabou, fui até os dois, pegando uma taça de champanhe no meio do caminho. Arthur fez o mesmo, e trazia um sorriso de orelha a orelha. Tinha conseguido a primeira dança com minha irmã.

— Que bela visão, dois rapazes sorridentes. — brindei com eles. — Qual o motivo de tanta felicidade? — perguntei tomando um gole da bebida.

— Ah, nada de mais... — o suíço riu.

— É, Alexa, coisa nossa. — o italiano sorriu.

— Posso mandar vocês dois embora, se não me contarem. — cruzei os braços, e Andrew riu ao meu lado.

— Eles sabem que você não vai mandar os dois embora. — o dinamarquês comentou. — Seria mais fácil se você prometesse ir ao casamento do seu ex com aquele que te contasse o segredo.

— Não vou dar esse gostinho a eles. — sorri, maliciosamente, beijando a bochecha de Arthur e deixando uma marca vermelha de batom ali. — Até porque já tenho companhia.

— Você não vai levar esse aí, vai? — Matheo revirou os olhos. — Qual é, Alexa, vocês nem ficam bem juntos!

— Engraçado ouvir isso de alguém que nem é da Elite dela. — Gravesen riu, puxando-me para o meio da pista. — Ele quer me matar, né?

— Muito provavelmente, — sorri quando o dinamarquês me envolveu numa dança — mas nada preocupante. Eu me acerto com ele depois.

— Ah, eu sei bem como vocês se acertam. — ele riu. — A propósito, você fica extremamente sexy com vestidos curtos. Não culparia o suíço se ele quisesse me bater por isso, — Arthur desceu suas mãos de minha cintura para meu quadril, sorrindo como um elfo cafajeste maligno ajudante do Papai Noel — ou isso.

Puxou-me para si, enterrando seu rosto entre meu pescoço e meus ombros. Comecei a rir.

— Você é suicida. — apertei-o com força. — Realmente espero que decida viver às minhas custas quando eu me casar. Quero você sempre por perto.

— É para isso que servem os melhor amigos, não? — beijou minha testa demoradamente. — Pronto. Nesse momento, seus dois pretendentes estão com ciúme e tesão. Acho que é o bastante para arrancar algumas informações. — parou por um momento, encarando-me. — Quais as chances de eu conseguir outra dança com sua irmã?

— Bom... — suspirei ao ver a tristeza no seu olhar. — Eu acho que deveria procurar por outras garotas, Art... Muitas vezes tenho a impressão de que Rosemarie não é boa o suficiente pra você. Essas asas aqui deveriam ser suas.

— Eu realmente deveria ter me apaixonado por você. — ele sorriu, brincalhão, e foi se servir de mais bebida. Ophelia esfregava-se em seus pés, pedindo por um pouco de atenção e carinho. O dinamarquês indicou com a cabeça para que eu seguisse. Aparentemente, precisava de um tempo sozinho.

— Já que eu sou da sua Elite, ganho uma dança por isso? — Daniel pigarreou, estendendo-me a mão.

— Até duas. — peguei sua mão e vagarosamente começamos a dançar. — Não vai mesmo me contar o que estavam planejando?

— Hm... Não. — o italiano brincou. — Sou um homem de palavra, cara Alexandra. E, como nosso próprio amigo disse, você não é nem louca de mandar os dois embora.

— Mas eu poderia tranquilamente mandar um por sabotagem, certo? — arqueei as sobrancelhas. — Eu sei que você mandou Elena cortar o cabelo do Delacroix.

— Foi só pra compensar o laxante que ele colocou na minha bebida no sábado. Se você for considerar todas essas intrigas como sabotagem, então estamos nos sabotando desde o meu aniversário.

Depois de dançar com Daniel, foi a vez da Elite de minha irmã me tirar para dançar. Já estava exausta de ficar em pé quando chegou a vez de Matheo. Ele parecia chateado pelo fato de eu ter escolhido Arthur em vez dele para o casamento, mas o suíço precisava entender meus motivos. Tirei as sapatilhas e fique descalça, aproveitando por já ser fim da festa. Metade dos príncipes já havia saído, e a outra metade estava tão bêbada que nem parecia notar alguma coisa anormal.

— Sabe onde está Daniel? — perguntei — Ele saiu sem se despedir.

— Teve uns problemas com uma taça e está na enfermaria. — suspirou sem me fitar. — E, não, eu não tive nada a ver com isso.

— Hm. — soltei-me da formação tradicional de valsa e passei as mãos por trás de sua nuca, aproximando nós dois. — Pode, por favor, olhar para mim?

— Que diferença faz? — relutou, mas olhou.

— Eu sei que você está chateado comigo. Sei que provavelmente gostaria que eu fosse com você para o casamento de Aaron, e talvez até contasse com isso, mas não. Eu vou com meu melhor amigo, e preciso que entenda isso, Matheo. Você ocupa uma grande parte do meu coração, mas têm outras pessoas que também tem um lugar reservado aqui, e nem por isso você se torna menos especial. Não pode ficar chateado comigo cada vez que eu disser ou fizer algo que não lhe agrade. Você sabe que esse é meu jeito, e foi sendo assim por dezoito anos que você se apaixonou. Eu preciso saber se você tem maturidade suficiente para lidar com isso, ou nós nunca daremos certo. E realmente quero dar certo com você, Matheo Delacroix.

— Eu não estou chateado com você. — ele pigarreou. — Estou irritado com seu melhor amigo, e apenas isso. Ele não tinha o direito de te tocar e...

— Você está com ciúmes? — cortei-o.

— Não diga que não há razão para isso.

— Não vou dizer. — sorri, maliciosamente puxando-o para dentro do castelo. — Eu vou mostrar.

Corremos até seu quarto, e assegurei-me de trancar a porta ao passar; não queria interrupções, tampouco Matheo. Não tive tempo de virar e o suíço já me prendia à porta, agarrando-me por trás. Toda a cautela que ele havia tido mais cedo havia se perdido no meio do caminho. Tirou minhas asas e meu vestido sem causar danos a nenhum deles, e sequer precisou de ajuda com sua fantasia. Em questão de segundos, já estávamos de roupas íntimas.

O príncipe jogou-me sobre a cama, subindo sobre meu corpo com nenhuma delicadeza. Mordeu meu lábio inferior e o puxou, enquanto suas mãos já roçavam pelo tecido fino de minha calcinha, ansiosas pelo que poderia vir a acontecer. E eu permitiria. Sua boca desceu pelo meu corpo, beijando, mordendo e chupando cada centímetro de pele. Parou entre o vão dos meus seios e abriu o fecho do sutiã com os dentes e a língua, enquanto suas mãos já os acariciavam em movimentos circulares. Matheo Delacroix me deixaria louca.

Quando o primeiro gemido escapou por meus lábios, ele pareceu ainda mais motivado a continuar. Lambeu meus seios e beijou toda minha barriga, enquanto seus dedos acariciavam minha intimidade. Agarrei-me aos lençóis da cama e fechei os olhos, tentando manter o pouco de sanidade que ainda restava em mim, mas era impossível. Suas mão arrancaram a última peça de roupa que vestia, e seu lábios subiram pelas minhas coxas até... Que travei.

— Não gosta de oral? — ele me encarou com confusão. — Se não quiser, não faço.

— Não é isso, eu só... — não sabia como falar aquilo. — É novidade. Nunca fiz isso antes.

E então seus olhos foram tomados com um desejo que eu nunca vira antes. Voltou a beijar o interior de minhas coxas e a me acariciar, finalmente respondendo-me:

— Então relaxa e goza.

Foi quando ele começou a me chupar. Seus lábios roçavam minha entrada e sua língua penetrava-me. Suas mãos apertavam a lateral da minha bunda, e eu mordi o lábio com tanta força para não gritar de prazer que acabei cortando a boca. Minhas costas arqueavam, meu corpo suava, e eu sentia meu corpo derreter nos lábios de Matheo. Ele só parou quando finalmente tive o primeiro orgasmo, voltando a se debruçar sobre mim e a deixar marcas em todo meu pescoço.

Prendi minhas penas ao redor de seu quadril e nos virei na cama, passando minha mão demoradamente por seu membro ereto e rasgando sua cueca, jogando os pedaços pelo quarto. Continuei as carícias enquanto o beijava como nuca o beijara antes. Só parei de tocá-lo quando debrucei-me sobre seu corpo, tentando alcançar o criado-mudo.

— Camisinha. — expliquei, e o príncipe pareceu sair de um transe.

— Essas não servem. — comentou, estendendo seu braço e pegando uma mochila sob a cama. Tirou um pacote prateado no bolso de fora, e eu logo o tirei de sua mão. Foi lendo a embalagem que caiu a ficha. As outras não serviam, literalmente, por serem pequenas demais.

— Sente-se. — ordenei, levantando-me da cama. Ele se sentou à beirada e eu me ajoelhei à sua frente. — Eu vou colocar em você.

Coloquei a ponta da camisinha ente os lábios, retirando o ar, e encostei a boca ao membro de Matheo. Com a ajuda das mãos, desci o preservativo por toda sua extensão. Uma das mãos do suíço se agarrou aos meus cabelos, e ele sussurrou algo como cuidado com os dentes.

Meses atrás eu acharia aquilo completamente nojento — e até achei, diga-se de passagem —, mas tudo o que eu queria naquele momento era proporcionar-lhe o prazer que ele havia me proporcionado. Chupava-o, subindo e descendo, meio sem saber o que fazer. Sua mão me ajudou a pegar o ritmo no começo, e depois comecei a fazer por minha própria conta. Seu corpo tombou para trás, e alguns gemidos volta ou outra tomavam conta do quarto.

— Calma, calma, calma... — ele me afastou rapidamente, e segurou a ponta de seu membro com força. — Eu já ia gozar. Você não é de Deus, Alexa.

— Tem razão, não sou de Deus. — voltei a me debruçar sobre ele. — Sou sua.

— Ótimo. — respondeu, encaixando-me em seu colo. — Se é meu, posso abusar à vontade.

Ele se encaixou em mim e me penetrou devagar. O lubrificante da camisinha ajudava no processo, mas doía. Matheo era grosso, e eu agradeci por não ser mais virgem. Aquilo iria doer muito mais. Aos poucos, comecei a subir e descer, cavalgando em seu colo. Suas mãos em minha bunda incentivavam-me a continuar o movimento. Minhas mãos arranhavam suas costas e ele enterrava o rosto em meu ombro, chupando com força o local. Momentos depois, deitou-me na cama, colocando uma de minhas pernas sobre seu ombro, e voltando a estocar, dessa vez mais profundo. Agarrei-me à cabeceira, sentindo o prazer invadir-me mais e mais.

— Matheo... — gemi seu nome quando o segundo orgasmo veio. Ele abaixou minha perna e passou a me penetrar mais devagar, até gozar também, pouco mais de um minuto depois. Eu estava ofegante. — Caralho, Matheo, isso foi incrível.

— Nunca imaginei que fosse algum dia ouvir você falar um palavrão. — o príncipe continuou sobre mim, beijando todo meu corpo. — Casa comigo, Alexa.

— Você não vai desistir tão cedo, não é? — dei risada, encarando-o nos olhos. — Vai precisar de muito mais do que uma transa pra colocar um anel nessa mão aqui.

Saí da cama e fui até o banheiro, aprendo a ducha. Precisava tirar o suor do meu corpo, e o grude na pele que um dia foi maquiagem. O suíço entrou logo depois, puxando-me para si e me beijando como se fosse uma última vez. Depois de uns amassos em baixo d’água, saí e me sequei, colocando apenas uma camiseta do príncipe como roupa. Parecia quase um vestido. Deitei-me na cara e esperei até que ele saísse do banho. Tinha uma toalha amarrada na cintura bem abaixo de sua tatuagem.

— O que foi? — perguntou, quando notou que eu o encarava.

— Eu subestimei você. — admiti. — Superou minhas expectativas.

— Isso fica bem óbvio para qualquer um que veja essas marquinhas no pescoço. — piscou com um olho só, tirando a toalha e vestindo uma cueca. — E, a propósito, você queimou a língua. Gemeu meu nome, e com muita propriedade, permita-me dizer.

— Bom, então é a minha vez de fazer você gemer o meu.

Era hora de retribuir as marcas.

Notas finais
Perdão pelos erros, o capítulo está sem revisão por motivos de: não deu tempo. EU OUVI UM "ATÉ QUE ENFIM"? Nos vemos nos comentários :3