Notas iniciais
Oi, oi, oi! Como vão? Primeiramente, obrigada pelos comentários não tanto comentados, mas ainda não são poucos (pelo menos não comparando á antes), e, "segundamente", um obrigada enorme á America, que recomendou a história. O capítulo da Rose não é láaaaa grandes coisas, porque a mina ainda tá na deprê, e só agora tá conseguindo se empurrar pra foda do poço, mas... hahhaha, sem mas, vou deixar vocês imaginando o que eu ia colocar no mas. Espero que gostem! — LaFont.

Muito tempo. Era isso que havia se passado. Nem pouco, nem médio. Muito tempo em muitas longas horas de muitos longos dias — se Silvia estivesse viva me mataria pelo uso incorreto da língua. Erin... Elen... Elena parecia ser boa no que fazia, exceto com roupas, e com associação de personalidade das princesas, mas, ainda sim, eu não conseguia vê-la como alguém para se confiar, e ela realmente não parecia ser alguém confiável... Por outro lado, havia um certo príncipe que era mais do que confiável.

Caleb.

Eu não queria demonstrar nenhuma preferência por inúmeros motivos, mas eis aqui dois: a) os príncipes estavam tão perdidos quanto eu; b) eu precisava explica-los a situação antes de poder dar algum passo. E eu não queria dar nenhum passo, então, não queria explicar a situação para tê-lo de fazer logo em seguida.

Me levantei da cama, decidida a não tomar nenhum remédio á não ser o antidepressivo. Não gostava dos remédios, mas amava seus resultados: nenhuma dor. A dor ainda era forte de mais, é claro, e eu tinha diagnóstico de depressão — apesar de ser reversível. Mas a questão é que eu mal conseguia pronunciar o nome de... Aí estava. Eu não conseguia. Se eu sequer pensasse nele, nenhum remédio conseguiria impedir a dor. Eu tentava manter tudo afastado para que assim conseguisse suportar dia a dia, mas era complicado. Antes de ir dormir era um exemplo: como eu conseguiria dormir sabendo que... E lá estava novamente.

Abri a varanda minimamente, permitindo o ar frio passar por ela, e então permiti a entrada das criadas.

Elas me arrumaram rapidamente, sabendo que eu precisava de velocidade, e não de perfeição. Nem quarenta e cinco minutos após me levantar eu já me encontrava em frente a porta do quarto de Delacroix, com ele abrindo-a.

— Bom dia, flor do dia. — Cantarolou, a cadeira de rodas quase batendo no batente da porta.

Dei espaço para ele passar, então fechando a porta e virando a cadeira, empurrando-o rapidamente.

— Quer correr? Aposto que o Leger Um não está por aqui para nos repreender. — Ri fraquinho, começando a correr com ele na cadeira. Se Alexa, Astra, America, Maxon, Gabe ou Aspen nos visse por ali fazendo isso eu provavelmente seria enviada para meu quarto novamente — e dessa vez eu não queria.

Quando paramos de correr, eu já estava sem fôlego e Matheo ria de meu rosto vermelho.

— Nunca... mais... — pausei, puxando fôlego. — me peça para levar você. Céus. — Puxei fôlego novamente, Matheo era pesadíssimo.

Fomos até o primeiro andar lentamente, já que o palácio tinha elevadores, mas eles eram um pouco mais escondidos e um caminho mais longo deveria ser percorrido para que chegássemos até eles.

Entrei com Delacroix no salão das mulheres, onde ele se levantou da cadeira de rodas e avaliou o local.

— Nada mal. — Levantou as sobrancelhas para mim, enquanto eu deixava a cadeira de rodas de lado e ia até um dos sofás espalhados por ali. Matheo me seguiu mais lentamente, se sentando numa poltrona à minha frente.

— Como você está?

— Muito bem, na realidade. Tenho mostrado uma melhora nas dores, e em breve não precisarei mais da cadeira de rodas. Talvez eu possa dançar uma ou duas músicas na festa da halloween, mas sinto que Alexandra não vá permitir.

— Eu também não permitiria. — Peguei no seu pé, fazendo-o revirar os olhos.

— Eu... hm... — Ele pigarreou. — Não sei como, mas me lembro do que me disse antes de, dele morrer. — Ele corrigiu-se, lembrando de meu pedido de não tocar no nome de Archabald. Eu conseguiria suportar um sobrenome uma única vez. Uma única e solitária vez. E ainda doía pra caramba. — Lembro-me de algumas coisas, e lembro que estou devendo um nome á você. Qual você quer? — Senti que ele mudou estrategicamente de assunto, mas eu não tinha paciência, imaginação ou vontade para fazê-lo falar o que realmente queria dizer.

— Na realidade, foi por isso que lhe chamei aqui. — Mordi o lábio. — Caleb Vermont.

Ele sorriu maliciosamente.

— Achei que nunca perguntaria. — Pausou, então adquirindo uma expressão séria e soturna ao mesmo tempo. — Independentemente do que ele é, de quem ele é e do passado dele, nunca vi nenhum dos outros príncipes ser tão apaixonado por você como ele é. — Engoli em seco, então virando os olhos e apreciando a vista dos campos. — Não era isso que queria ouvir? Até mesmo os príncipes mais fiéis em você estão perdendo a fé. Caleb é o único que mantém contato, Ivanov é o único que lhe defende com garras e dentes. Não há mais ninguém que esteja perdidamente apaixonado á ponto de esperar você se recuperar. — Ri com escárnio. Virando os olhos para Matheo, ele me encarava quase apreensivo, e só então entendi porque eu recebia tantos daqueles olhares, havia recebido até mesmo um de America. Ninguém sabia o que esperar de mim, ninguém sabia o que esperar da nova Rosemarie Schreave. Eu era como uma bomba relógio impossível de desvendar e parar á tempo. Estavam apenas esperando pela explosão.

Eu não fazia ideia de quando essa explicação aconteceria, isto é, se é que aconteceria. Não conseguia me reconhecer, e não tinha certeza se queria.

— Eu não estou esperando por alguém apaixonado por mim, Matheo. — Revirei os olhos. — Não quero me casar com ninguém. Não quero ser feliz. Não acho justo. — Meu olhar foi o suficiente para calar qualquer coisa que ele iria dizer. — Não importa o que você pensa, o que Caleb, William, Dimitri, Illéa inteira. Eu. Não. Me. Importo. A questão é que o coração é mais complicado, e eu preciso encontrar uma maneira de superar. Sim, eu me importo com Caleb, talvez mais que os outros príncipes, mas eu já amei Arthur, já amei Nathan, já amei Caleb, talvez, e posso ser capaz de amar qualquer outra pessoa no mundo. O problema é que eu não quero. Eu não acho justo.

— Então porque me chamou aqui para perguntar sobre Vermont? — Virei o olhar novamente para a rua, apreciando a vista que por muito eu não podia sair, e não queria, também.

— Porque eu quero ser capaz de sentir o que já senti muito tempo atrás.

— Mas... — Meu olhar encontrou com o de Matheo, e ele cortou a frase, se levantando o mais rápido possível e então se sentando ao meu lado. Estava prestes a me abraçar, mas impedi-o, colocando a mão em seu peito. — Eu sei que dói, Rose. Sei mesmo. Mas você tem que encontrar uma maneira...

— Quanto tempo você demorou para superar? — Perguntei, sabia das histórias. Como ele havia sequer conseguido superar, afinal?

— Eu aprendi a conviver. Você nunca conheceu seu irmão, e nem eu conheci a minha, mas dói, não dói? — Concordei com a cabeça, não gostava de pensar em meu irmão, tinha Gabe para ocupar o lugar dele. Não tinha ninguém para colocar no lugar de Nathan, pois era uma situação completamente diferente. Não havia como substituir um amor. — A dor se torna tão comum que você passa a gostar da presença dela. Não é ruim senti-la, se na medida certa. Não é bom senti-la, se na medida errada.

— Mas... como? — Ele sorriu, me dando um soco fraco no ombro.

— Isso é algo que você vai ter que descobrir sozinha. Mas, veja bem, o que você mais amava fazer era...?

— Cavalgar. — Estreitei os olhos, e ele concordou.

— Velhos hábitos se tornam ótimos companheiros. Irá lembrar-lhe quem você quer ser, e quem você não queria ser no passado. Lembro de você quando mais nova, em uma festa há muito tempo. Eu acho que nunca vi uma princesa tão... encapetada quando você. Aquela garota é você, não essa. Você se tornou uma mulher, e provavelmente uma incrível governante, mas ainda sim precisa se lembrar da sua essência, porque quando você esquecê-la, se tornará cruel e incapaz de governar o país que eu sei que ama. Se você não conseguir se casar por amor por homem, se case por amor ao seu país, e eu sei que você o tem. — Ele passou a mão pelo meu cabelo, que caía em trança pelo meu ombro direito. — Eu sei o que você e Lexi tem em comum, talvez um dia você possa me dizer o que é. — Piscou, dando-me um beijo na testa e então se levantando.

Ele saiu dali, me deixando sentada na mesma posição por um bom tempo.

Me levantei algum tempo depois, saindo dali e subindo as escadas rapidamente, fazendo o caminho até um quarto que tanto conhecia.

Caleb abriu a porta rapidamente, a camisa do terno com dois botões abertos, a calça social um tanto quanto amassada.

— O que você estava fazendo? — Franzi o cenho, analisando sua roupa.

— Tirando um cochilo. — Piscou uma vez, e foi quando eu me senti culpada. Ele passara algumas noites em meu quarto, e acabava ficando horas á fio acordado, tanto por eu não conseguir dormir, tanto pelo meu choro constante, tanto pelos meus pesadelos.

— Eu vou voltar mais tarde. — Me virei completamente antes de sentir sua mão em meu pulso, com ele me puxando para dentro do quarto.

— Xadrez? — Propôs, enquanto eu revirava os olhos para ele.

— Eu posso voltar mais tarde.

— Você sabe que eu não conseguiria dormir novamente. Eu começo. — Bufei, me sentando na mesa e esperando-o começar o jogo. Jogamos em silêncio por um tempo, até que decidi falar.

— Você vai vestido como para a festa de Halloween? — Ele levantou o olhar do jogo, me encarando curiosamente.

— Pra quê tanto interesse?

— Talvez eu queira combinar. — Pisquei para ele, abaixando o olhar e mudando uma peça. — Cheque.

Ele abaixou o olhar.

— NÃO! Não, isso não é justo! Você me desconcentrou!

Olhei para ele, levantando as sobrancelhas.

— Não, não desconcentrei. — Claro que eu tinha desconcentrado.

Ele revirou os olhos, jogando novamente e abrindo um sorriso maldoso.

— Cheque. Minha vez.

Bufei, desviando seu ataque.

— Mas e aí, de quê?

— Pensei em salva-vidas sexy, o que acha? Adoraria ver você num biquíni uma festa inteira. Um biquíni pequeno.

— É interessante. — Abri um sorriso malicioso. — Cheque mate, querido. — Ele olhou para o tabuleiro.

— O QUÊ?! — Urrou, irritado. — Isso... é impossível. — Ele observou eu balançar o rei, enquanto eu abria um sorriso convencido.

— Não, na realidade. — Dei de ombros, colocando a peça novamente no tabuleiro. — Diga-me, de verdade, o que você realmente pretende ir?

Ele passou a mão pelo queixo, pensativo.

— Promete não contar pra ninguém? — Revirei os olhos.

— Para quem eu contaria?

— Illéa inteira? — Supôs.

— Engraçadinho. Conte logo.

— Nada. Não sei o que vou fazer. — Estreitei os olhos, notando a mentira.

— Você está mentindo.

— A-ham. — Disse, lentamente.

Bufei, me levantando da cadeira e cruzando os braços para ele.

— Ótimo. Eu pretendia vestir a minha e lhe mostrar mais tarde, á noite, sabe... — Ele abriu um sorriso brincalhão.

— Primeiro, eu não caio na sua manipulação. Segundo, nós dois sabemos que você não está pronta pra partir pra outra. Terceiro, você não conseguiria andar até segunda. Desculpe. — Revirei os olhos para ele, caminhando até a porta.

— Você realmente não vai me falar?

— Não. Quero ver você pagar pra ver.

— Ótimo. Mas não diga que eu não avisei.

— Avisou o que? — Perguntou, confuso. A porta sendo fechada foi sua resposta.

Eu gostava das pequenas distrações momentâneas, mas elas acabavam que me machucando mais com o tempo. Primeiro por eu ser capaz de sorrir quando ele estava... num cemitério. Segundo por eu ser capaz de fazer tudo quando ele nunca mais poderia estar ali. Era cruel e desesperador ao mesmo tempo, e eu sabia que apenas me machucava ainda mais com esse tipo de pensamento, mas mal conseguia conter o choro, quem dera os pensamentos.

Caminhei até meu quarto com um sorriso tranquilo, mas ele foi desvanecendo durante o caminho, e quando cheguei no quarto mal consegui caminhar até a primeira poltrona antes de respirar fundo e tentar não cair em prantos.

O problema da dor é que você precisa tirar ela de você, e existem momentos na sua vida, sentimentos, que isso é impossível de acontecer. Uma morte é um exemplo. Se eu perdesse meus pais, eu superaria isso talvez daqui há vinte anos, quando eu já tivesse meus próprios filhos para me preocupar. Nathan? Eu estava marcada até a morte. Não havia ninguém para ocupar seu lugar, porque amores são únicos, e eu sabia disso. Já havia lido Romeu e Julieta uma única vez, e lembrava de alguma frase do gênero. O amor dos dois era incrível... e eles morreram. Nem todas histórias tem finais felizes, nem todas as histórias terminam bem. Algumas o mocinho morre estripado, outras a garota toma veneno por amor ao homem que amava, outras, você é obrigada a se casar independentemente do quanto ame o cara que morreu.

Fui interrompida por duas batidas fracas na porta, enquanto eu respirava fundo e passava a mão pelo rosto, limpando as lágrimas que já haviam caído sem minha devida permissão.

Levantei da poltrona, abrindo a porta e dando de cara com meu reflexo-não-tão-idêntico. Alexa mostrou uma máscara dourada, abrindo um sorriso.

— Peguei Arthur enquanto me passava por você.

Pisquei, incrédula.

— Você... o quê?!

Ela entrou no meu quarto com um sorriso literalmente encapetado, enquanto eu fechava a porta e ela mostrava uma pasta que escondia de mim até o momento.

— Quer saber o que eu estou planejando para nossa festa de Halloween, irmãzinha? — Estreitei os olhos.

— Alexandra...

— Ah, qual é, Rose, quando eu sair daqui deixo você ficar de luto, mas, por agora, vou te contar todos os detalhes de como Arthur beijar, como William viu o beijo e... olha, cada fantasia que os príncipes andam encomendando... Talvez você queira descobrir como sua elite vai se vestir. — Revirei os olhos para ela, enquanto ela abria a pasta em cima de minha penteadeira, pegando alguns documentos e mostrando uma foto de... o que era aquilo?

— O que é isso?

Isso é o que Caleb encomendou. — Caminhei até ela, pegando a foto e avaliando a short feminino vermelho e curto, assim como uma blusa branca com uma cruz vermelha na frente.

Ele realmente tinha levado á sério essa de salva-vidas sexy.

— Curiosa pra saber o que os outros príncipes estão tramando? — Olhei para Alexa, e então para a pasta, e então novamente para Alexa. Ela apenas aumentou um sorriso santificado no rosto.

— Você ganhou.

— Ótimo! Já pensou no que vai vestida?

Não preciso nem dizer como foram longas as cinco horas seguintes.

Assim que Alexa saiu dali, chamei Carmyrin até meu quarto, fazendo uma lista do que faria na manhã seguinte, também pedi para que Keith e Kira Archbald estivessem antes do amanhecer já dentro do palácio. Durante a tarde eu teria uma reunião com os membros de minha elite (e um extra: Arthur), e então, antes de anoitecer, eu iria cavalgar. Nenhuma leitura, nada. Eu precisava fazer o que era necessário e dar o devido último adeus. Eu não podia mais levar isso. Precisava aceitar que... ele estava morto. Ainda não estava pronta para dizer seu nome, mas precisaria estar até a próxima tarde, porque seria quando eu oficialmente declararia tudo o que aconteceu nos últimos meses.

Caleb ia cair duro de choque, e eu ia adorar ver sua reação... isto é, se eu mesma não estivesse em prantos no chão ao lado dele, é claro. Me elogiariam pelo humor negro copiado de Alexa, isso era verdade.

Abri um sorriso tranquilo quando me deitei na cama, tomando meus dopantes, que finalmente haviam me devolvido. Bem, após tanta insistência da princesa com suas criadas, Maxon acabou liberando um comprimido por noite, contanto que eu prometesse que tentaria melhorar.

Um sacrifício por um bem maior, uma vida por muitas outras. Tão irônico. Tão dolorido.

Eu odiava o fato de que Nate estava morto, odiava o fato de que havia perdido tudo o que eu sempre quis — por um bom tempo, ao menos —, odiava o fato de que eu nunca mais poderia vê-lo. Odiava o fato de que tudo o que eu tinha com ele era uma mísera foto tirada na correria. E lembranças, as lembranças que eram tão dolorosas, mas dão deliciosas. Era como beijar uma rosa segurando fortemente em seus espinhos. Eu sentia a dor em meus dedos, mas meus lábios tinham o toque macio.

Era assustador o quanto isso soava masoquista, também.

Nem notei que havia dormido, apenas notei que isso havia acontecido quando um toque fraco em meu ombro me despertou. Era Ester. Ela sorria para mim.

— Alteza, está tudo pronto. Não queríamos lhe acordar antes porque você estava dormindo tão bem. Desculpe-me.

— Tudo bem, Ester. — Abri um sorriso, piscando e notando que um dos meus abajures estava aceso, os outros estavam sendo acesos no momento, por Carmyrin. Eu não via a outra garota em lugar algum.

— Você tem certeza que quer fazer isso, Princesa? — Ester perguntou, cautelosa. Apenas concordei com a cabeça.

— Eu preciso fazê-lo. Hora ou outra precisarei deixá-lo para trás. — E aquela hora era agora. Decisões precisavam ser tomadas, preferências precisavam ser restituídas, e, infelizmente, eu precisava deixar algumas coisas que não queria para trás.

Ela concordou, e elas rapidamente me aprontaram. Um vestido vermelho vinho, quase preto. Uma capa cinza presa no pescoço, as joias, e então, por último, um pequeno colar que eu tão bem conhecia. O colar de tia May.

Coloquei as sapatilhas por último, então permitindo que as garotas trabalhassem na trança em meu cabelo, que caiu longamente pelas minhas costas. Talvez eu devesse cortar mais algumas pontas do cabelo, logo, logo.

— Você quer a coroa, Rose? — Perguntou Carmyrin, enquanto eu negava.

— Não. Prefiro que não me reconheçam tão rapidamente. — As duas concordaram, e eu levantei-me da cadeira, saindo dali rapidamente. Eu preferiria que ninguém me reconhecesse, pelo menos não até que eu já estivesse em segurança dentro do palácio.

Gabe se prontificou ao meu lado em segundos, e então chegamos ao térreo, onde todo o grupo já se encontrava.

Caleb apenas abaixou a cabeça, me cumprimentando, e Dimitri virou a cabeça para o lado, em divertimento.

Kira e Keith estavam próximas á alguns guardas, ansiosas.

Fui diretamente até elas, cumprimentando-as.

— Como vão, garotas?

— Bem, e você, Rose?

— Bem. Vocês tem recebido o combinado?

— Sim. — Kira falou, ansiosa. — Já conseguimos dar a entrada na futura faculdade, e em breve estaremos ingressando por lá. Bem, Keith estará, e eu estarei indo logo em seguida. — Abri um sorriso animado para Keith.

— Parabéns, Archbald. — Ela deu de ombros, orgulhosa.

— Devemos tudo á você. — Revirei os olhos, então olhando para Gabe.

— Prontos para ir? — Ele perguntou para os príncipes, os dois combinaram, enquanto eu olhava para as portas principais do palácio de Illéa.

Eu só havia saído dali para ir até aeroportos e outros locais, e agora eu estava indo atravessar uma parte da cidade, indo diretamente ao túmulo do meu ex-futuro-marido.

A vida realmente era engraçada — até de mais.

Nós saímos dali rapidamente, comigo, Dimitri e Caleb entrando em uma SUV preta completamente blindada. Gabe sentou-se no banco do carona, e um dos guardas sentou no banco do motorista. Foi quando eu vi, no segundo andar, Alexa apoiada na janela, com Matheo ao seu lado. Os dois olhavam para os carros como se já imaginassem o que estava acontecendo — e eu realmente não duvidava que não. Alexa era boa em descobrir as coisas, Matheo era ótimo em deduzir elas. Ótima dupla, teimosa também.

Passamos rapidamente pelos portões do castelo, a escolta apenas aumentando, e logo Caleb começou a cutucar Dimitri.

— E ai, Ivanov? Como vai sua rosa? — Revirei os olhos para Vermont, arrumando a trança em meu ombro.

— Pergunte á ela. — Piscou para mim, voltando seu olhar para a janela e apreciando a vista.

Me apoiei por cima de Caleb, também olhando. Ele não olhava, ele olhava para meu brinco, ou talvez minha orelha, ou meu pescoço. Virei meu olhar para ele, enquanto o mesmo levantava as sobrancelhas, brincalhão. Apenas voltei meu olhar para as ruas. Era tudo tão real... Eu queria poder morar em uma daquelas casinhas mais atrás, com jardins pequenos, mas grandes o suficiente para três crianças correrem feito loucas.

Também queria poder eu mesma aparar as rosas, como um senhor fazia ao passarmos na frente de sua casa. Ou então abrir uma padaria. Eu queria tudo aquilo, e era assustador.

Nós chegamos no cemitério em menos de uma hora, aproximadamente quarenta e cinco minutos, e ainda não havia clareado o dia.

Os guardas se espalharam pelo perímetro, enquanto meu carro continuava estacionado estrategicamente para uma saída rápida, e então, alguns minutos depois, Gabe concordou pela escuta em seu ouvido, olhando para mim.

— Pronta, Schreave?

— Sempre, Leger. — Ele abriu um sorriso, saltando do carro, assim como o outro guarda. Cada um abriu uma das portas, e lá estava eu, saindo logo após Dimitri.

Dei a volta pela frente do carro, respirando fundo e entrando no cemitério.

Caminhei por entre os túmulos, olhando tudo á minha volta, e então encontrando a área da família real. Era no topo, bem no centro do cemitério.

Parei na entrada da área, olhando o local, e então indo diretamente até o túmulo que eu mesma havia encomendado.

Havia uma foto de Nathan de terno, ele tinha os braços cruzados na frente do peito, um sorriso tranquilo no rosto, a gravata no pescoço.

Príncipe Nathan James Archbald.

Fechei os olhos com força.

Nate. Vi que os guardas se espalharam por perto, mas nenhum deles se aproximou, os dois príncipes que haviam vindo junto também não se aproximaram, apenas as duas irmãs pararam ao meu lado, e ficamos ali, em silêncio.

Ninguém interrompeu, e apenas quando o sol começou a nascer foi que eu respirei fundo, então soltando todo o ar com tudo.

— Fiquem o quanto quiserem, terá um carro lhes esperando. — As duas concordaram, enquanto eu me virava a saía dali.

Vermont e Ivanov trocaram um olhar preocupado quando passei pelos dois, mas nenhum disse uma palavra sequer, e voltamos para o carro.

Um príncipe que nunca se tornaria rei, um príncipe que nunca teria a mão de sua princesa, um homem que perdeu a vida por um erro, um músico que estava no lugar errado e na hora errada, uma pessoa que teve a vida destruída por conta de suas escolhas e das pessoas á sua volta.

Estava na hora de deixar ele ir.

Assim que todos os guardas estavam prontos, voltamos para o palácio.

Caleb colocou sua mão sobre a minha, apenas recebendo um aceno fraco como resposta, e então minha outra mão estava no colar.

Talvez aquele fosse o momento. O problema era o “talvez”, sabia que não era. Não era a hora, ainda não. O outro problema era: quando seria?

Nós fomos diretamente tomar o café da manhã, com os príncipes sendo nomeados e informados de uma reunião seleta que haveria mais tarde. Alexa sabia o que era, mas não queria estar presente, então não havia motivos para que sua Elite também estivesse, com exceção, é claro, de Arthur.

Assim que o horário da reunião chegou, soltei a foto que observava por minutos á fio, sem tirar os olhos dela, então abrindo uma das gavetas da escrivaninha, tirando a foto de dentro do porta-retratos e deixando-o ali. Fechei a gaveta, indo até o guarda roupas e pegando o diário, apenas abrindo sua capa e colocando a foto ali dentro, então fechando-o novamente e deixando-o em seu devido lugar.

Era uma foto de mim e Alexa quando menores, ela me apertava em uma chave de fenda no pescoço, e tinha o florete em meu pescoço, rindo de brincadeira. Minha mãe corria até nós, preocupada. Meu pai havia tirado a foto. Eu não permitiria que os rebeldes pegassem aquela foto de mim, não permitiria que eles tirassem aquela foto de mim.

Saí do quarto, descendo até o primeiro andar e indo até o salão dos homens, que Maxon havia liberado minha entrada.

Todos os príncipes já estavam lá dentro.

Matheo Delacroix, Caleb Vermont, William Davis, Patrick Hampson e Arthur Gravesen.

Deixei Gabe para trás, indo tranquilamente até a mesa de bebidas e pegando um copo de água, apesar de pensar seriamente em ir para o Wiskey, e, bem, me matar por causa do remédio controlado. Não, já havia passado da época que queria me matar por ter perdido Nathan Archbald. Bem, aparentemente eu já estava começando á superá-lo. Quem sabe no fim do dia já estivesse fazendo piadas.

— Então, senhores. — Levantei o copo com água. — Talvez vocês queiram beber antes de saber a verdade. — Todos eles abriram sorrisos, sentando-se nas poltronas. — E eu digo álcool. A verdade pode doer um pouco. — Dei de ombros, me sentando na poltrona reservada á mim. Dimitri sabia parcialmente dos acontecimentos, Caleb sabia de tudo. Arthur devia fazer alguma ideia, porque tinha uma expressão completamente fechada que eu jamais conseguiria identificar.

Respirei fundo antes de começar.

— Qualquer um de vocês poderá sair á qualquer momento e desistir da luta por mim ou pela coroa, tanto faz, lembrem-se disso. — Pausei, soltando outro suspiro, mas dessa vez mais fracamente, e então continuando. Não achava que iria precisar dos antidepressivos após essa noite. Eu precisava deixar para trás, e com todo o treinamento que tive durante anos para tomar decisões, mesmo que odiasse ouvir toda a ladainha de sempre que Silvia dizia, havia servido para alguma coisa. Era o que eu esperava, ao menos. — No início da seleção eu estava de braços abertos para cada um de vocês, com uma exceção, é claro. — Dei uma olhada feia para Arthur, o mesmo se encostando na cadeira como se fosse o rei do local. Todos os príncipes não puderam deixar de rir, até mesmo eu. — E, então, por falta de tempo, minha mãe deixou de dar aulas de música para mim e para minha irmã. Interessante, não? Eu tinha um novo professor de música, sendo este Nathan Archbald. Sim, nós nos envolvemos, ele primeiro que eu, e eu acabei cedendo aos sentimentos, admito isso á vocês, como governante e pessoa. Qualquer um erra, por assim dizer, apesar de eu não me arrepender, também. Eu me apaixonei por ele, e mais tarde tornei á amá-lo. Foi muito bom, mas eu também sabia de minhas responsabilidades, e sabia que precisava continuar com a Elite, pelo menos até que criasse coragem para tomar uma decisão de quem eu ficaria no final. Quando tomei minha decisão, eu fui cavalgar, e mais tarde contaria aos meus pais o que aconteceu. Eu iria me casar com Nathan Archbald, e não qualquer um de vocês, admito isso, também. O problema foi que a invasão dos rebeldes aconteceu no mesmo momento que eu estava cavalgando em um campo completamente aberto. Vocês provavelmente seriam mandados para seus respectivos países naquela mesma noite, se a invasão não houvesse acontecido. Nathan tomou dois tiros. Ficou em coma por um tempo, como já é de conhecimento público, e, então, morreu. — Não parecia doer tanto quanto alguns dias atrás, o que era um ponto positivo para mim. Talvez isso fosse superar, ou apenas aprender á conviver com a dor. De todos os jeitos, eu acreditava que ter ido ao cemitério não havia sido uma má escolha, e sim uma das mais sensatas que eu já havia feito em toda a minha vida, e bem, isso era muita coisa.

— E então? — William perguntou. — O que irá acontecer conosco? Você irá escolher um á dedo, por não amar nenhum de nós, e simplesmente irá se casar? — Depois dessa Caleb começou a tossir loucamente, tentando sessar a vontade de rir.

— Não. É por isso que eu estou aqui. Vou voltar a sair com cada um de vocês, tentar me afeiçoar, ver quais que eu me importo mais. Não posso prometer que vou realmente sentir algo por algum de vocês, por motivos óbvios, mas posso prometer que vou tentar. — Todos eles concordaram.

— Como esse cara conseguiu o que eu tentei por meses?! — Arthur perguntou, alto até de mais. É claro que ele fez de propósito. Todos caíram na gargalhada imediatamente.

— Ele tinha algo que você não tinha, querido. — Brinquei, fazendo o olhar para mim desdenhosamente.

— E o que seria?

— Beleza. — O resto dos príncipes caiu na gargalhada, e William foi o primeiro a se levantar e pegar a garrafa de bebida.

Bem, á partir daí eles começaram a beber, e desviei dos flertes, indo até a saída. Caleb apenas piscou para mim, levando a boca da garrafa até a boca e então bebendo mais um pouco.

Fui parada no corredor, pelo próprio e único Arthur Gravesen.

— Posso acompanhar a senhorita? — Perguntou, enquanto eu revirava os olhos.

— É claro. — Podia sentir o cheiro de bebida de longe.

Caminhamos em silêncio por alguns minutos, até que ele desatou a falar.

— Não consigo deixar de amá-la, Rose. Não consigo. Eu tento com todas as minhas forças não te amar, mas eu só amo cada vez mais, e eu não consigo mais manter isso para mim mesmo. Simplesmente não consigo. Preciso que você saiba disso, porque, apesar de ser da elite de Alexa, ainda vou lutar pelo seu coração. — Ele terminou de falar no momento em que chegamos próximos aos celeiro principal. — Queria que soubesse disso. — Ele se aproximou de mim tão rápido quanto uma serpente, sua mão direita indo até minha nuca, então me beijando.

O choque foi tão grande que retribui por alguns instantes, até notar o que estava acontecendo.

Afastei-o delicadamente, sabendo que ele já não estava em plena consciência.

— Conversaremos mais tarde, com você sóbrio. — Ele bufou, mas não discordou, apesar de sair resmungando impacientemente algo como um “tudo isso pra nada”.

Bufei, entrando no centro de equitação e sentindo minha boca latejar com o beijo. Eu ainda sentia algo por ele, como tão bem o mesmo sabia, mas eu não podia querer alguma coisa. Já tinha outros príncipes para me preocupar, e mais um na lista não seria uma boa nova equação. Nem a antiga ficaria bem.

Eu treinei tanto que quando desmontei da égua, ela me olhou acusatoriamente, enquanto eu pedia desculpas para ela, acariciando sua crina e então respirando fundo ao me virar, vendo o reflexo do sol se pondo refletir em um dos espelhos, então batendo no colar.

Pisquei por causa da claridade, então levando a mão até o colar e procurando seu feixe, abrindo-o. Virei para ver o que tinha ali dentro, e não acreditei no que vi.

Eu era aproximadamente dez anos mais nova, lá pelos meus oito anos de idade, eu montava em uma égua minha que faleceu alguns anos atrás, muito tempo antes de eu sequer notar a gravidade da minha situação dali á uns anos, e segurava um arco e flecha com força, com um olhar determinado que eu não conseguia ter á muito tempo. A flecha estava preparada, pronta para eu atirar no que quer que fosse minha mira.

Mas o que me prendeu foi que naquela foto, com apenas oito anos de idade, eu podia ver a garota que possivelmente governaria o país.

Tia May era um gênio.

Notas finais
Espero ver vocês nos comentários, ein! Em breve os comentários não respondidos no capítulo da Queen serão o feitos, mas queria pedir uma desculpa básica por um motivo: no meu capítulo, o XXVIII, se não estou enganado, enfim, o último que postei além desse, sinto que fui grossa em alguns comentários, e peço mil desculpas por isso. Só estou cansada por ser fim de ano, e também por conta de tantas responsabilidades, apesar de não ser desculpa. SÓ QUE, também queria deixar claro que não retiro nada que disse, apenas poderia ter dito de uma maneira menos dura. Até o próximo. http://two-crowns.tumblr.com/