Notas iniciais
Olá! Boa madrugada, não? Hoje já é sábado, como sabem, mas eu e a Drama decidimos postar não ás três ou sete horas da tarde e noite (respectivamente), mas sim nas primeiras horas de sábado. Espero que gostem, e aproveitem o capítulo com +7000 palavras! HAHHAHA Um grande obrigada á Danica Valdez, que recomendou nossa história, eu e a Queen agradecemos, e muito, pelo apoio e por todos os elogios! — Cams LaFont.

Se eu ainda não havia enlouquecido, isso não deveria me preocupar, correto? Não.

O aniversário estava chegando, quase batendo na nossa porta — literalmente falando —, os últimos preparativos estavam sendo feitos e pessoas estavam sendo continuamente contratadas para os últimos retoques, e até mesmo para que pudessem terminar a organização á tempo. Meu timing havia sido bom, e eu havia sido elogiada por isso. Era algo que eu podia me orgulhar, pelo menos por enquanto.

Eu sabia de tudo isso assim que havia acordado, afinal, Silvia havia feito questão de que eu soubesse do que estava acontecendo e de tudo o que estava sendo feito, assim como tinha decidido ter tanta certeza que ela me desejou um ótimo bom dia. Claro que isso era uma obra de America Schreave, afinal, de quem mais seria?

Enquanto me preparava para a aula de música que teria antes do café da manhã, eu me perguntava se a festa de aniversário se sairia tão bem quanto eu imaginava que iria. Tinha planejado tudo perfeitamente, na minha opinião, mas também parecia algo complicado de mais para que eu já tivesse terminado. Era quase irônico pensar dessa forma, já que eu queria — e precisava — parar de pensar que não era capaz de tudo, mas também parecia fácil de mais. Eu já havia terminado, claro que com trabalho duro, e ainda sim não parecia bom o suficiente.

Mas não havia muito mais o que fazer, e eu só esperava que a sorte estivesse ao meu lado. E se não a sorte, a capacidade de fazer tudo certo.

Ao sair do quarto, pensando sobre os músicos que havia contratado, me lembrei que ainda teria de pressionar Nathan sobre os músicos de rua que eu queria ouvir. Eu não gostava tanto de violinos, admito, mas também adorava ouvir música. Acredito que não gostava muito de violinos por causa de minha aversão aos palcos, e não de minha aversão ao instrumento.

Quando entrei na sala que normalmente minhas aulas aconteciam, Nathan me esperava com o violino em mãos, e com um sorriso tranquilo no rosto.

Até aquele momento, eu não conseguia tirar o beijo de Caleb da minha cabeça, de todos os beijos que se seguiram — e da maneira como eu fiquei vermelha após isso, e quase tropecei as escadas enquanto ás descia —, mas quando vi Nathan, foi como se tudo se esvaísse de minha mente e eu só conseguisse vê-lo. Era quase assustador.

Até mesmo as preocupações da festa de aniversário sumiram de minha mente, e minha percepção do mundo parecia ter sido transformada por completo.

Ah, ótimo. Eu sentia que a vida, ou seja lá o que fosse, tinha decidido que não apenas podia pregar peças pra cima de mim, como podia fazê-lo da pior forma possível.

— Hoje, nossa aula será em um dos jardins. — Foi tudo o que ele falou, ainda mantendo um sorriso no rosto. — Já notei que você não gosta que seja o centro das atenções enquanto toca, e como agora a maioria dos príncipes, e até mesmo os empregados, estão dormindo, é o melhor horário para que possamos tomar um sol enquanto você tenta focar na questão tocar em público.

Olhei para ele, estava completamente desconfiada após isso. Se uma coisa que eu havia aprendido com todos os meus anos de vida é que por trás de intenções muito boas, existem intensões não tão boas assim, e que normalmente não iriam acabar bem para a minha pessoa. Isso era quase comum de acontecer, por tanto, eu estava realmente desconfiada com a atitude de Nathan.

— Entendo que você queira que eu trabalhe na questão do público, mas sinto que isso não é apenas para melhorar minha capacidade. — Ele abriu um sorriso relaxado, mas contido.

— Tudo á seu tempo, Alteza. — Revirei os olhos, Rose. Ah, droga, era óbvio que haviam segundas e terceiras intenções nesses motivos, eu somente esperava que ele não estivesse esperando que eu fosse tocar na minha própria festa de aniversário, ou algo do gênero. Eu provavelmente o despediria antes disso acontecer. Eu não me apresentaria em público.

Nós fomos para um dos jardins que tinha algumas roseiras e outros tipos de flores enraizadas por ali, criando um circulo por volta do chão de pedras sobrepostas, que levava até um caminho que tinha uma escada, assim subindo por ela e formando uma varanda ligada ao palácio. Era uma parte bonita do palácio, eu gostava dela, mas sentia que logo, logo, Nathan ia decidir que eu poderia subir na varanda, e ele seria meu público.

A ideia não era tão contagiante quanto supostamente deveria ser.

Muito longe disso.

Eu me postei no centro do círculo de pedras, apoiando o violino e começando a tocar uma música que Nathan havia recentemente me ensinado. Eu gostava de sua melodia, ela era extremamente calmante, e me fazia pensar em coisas tranquilas, não nos vinte e cinco príncipes restantes no castelo, e no plebeu que me observava de maneira atenta, seguindo todos os meus gestos como um ótimo professor faria. Ele provavelmente deveria estar fazendo anotações mentais de como corrigir minimamente minha postura — a mesma que eu tinha certeza absoluta de ser perfeita. Ou as anotações mentais eram da melodia. Seja lá o que fosse, ele realmente tinha o que me corrigir. Me foquei novamente na música, deixando que ela envolvesse o ambiente á minha volta e tentando — não com muito sucesso — ignorar tudo á minha volta. Apenas a música, Rose, não há mais ninguém aqui.

Ah, doce ilusão. Á medida que eu ia seguindo com as notas, eu pude notar que um ou dois rostos apareciam nas janelas do segundo andar, e eu não estava gostando disso.

Quando eu já estava na metade da música, dois príncipes apareceram na varanda, os dois curiosos, e quando me viram abriram um sorriso, enquanto eu via Nathan sentado no banco ainda me olhando, como se testasse minha capacidade de continuar tocando como estava desde o início, mesmo que com um público um pouco maior que eu gostaria. Bem, talvez muito maior do que eu desejava — e esperava.

Ah, eu era mais forte que isso, eu conseguia tocar bem mesmo com público. Eu era uma pessoa pública desde que havia nascido, e apesar de não me sentir bem tocando para um público, sabia perfeitamente como lidar com isso. E eu iria provar isso para Nathan.

Quando terminei de tocar, seis príncipes me aplaudiram, dois ainda soltaram um gritinho, como se me instigando á continuar.

Os príncipes, em sua maioria, tinham rostos conhecidos, Matheo — um dos príncipes cujo havia gritado, como era de se esperar —, Jacob O’Brien, não tinha tantas recordações dele, teria que criar, logo, logo. Outro era Daniel, o outro príncipe que havia gritado, além desses três havia Alex Toil, Kevin DeLuca e Denis Prado. Até que eu não estava tão mal assim de memória, o que já era de se esperar. Estava treinando ela muito nos últimos dias.

Abri um sorriso para eles, não me sentia bem, e queria voltar para dentro. Nathan, com certeza, notou isso, e nós dois voltamos para dentro do palácio, para a segurança de nossa sala de música.

Enquanto Nathan colocava o instrumento em seu usual local, ele tinha uma sombra em seu olhar, e eu não gostava daquilo.

— Está tudo bem?

— Claro, por que não tenta o violoncelo? É uma ótima mudança. — Ele parecia distraído.

Concordei com a cabeça, pegando o violoncelo e fazendo algumas notas saírem desajeitadas. Ele era muito mais pesado que um violino, com certeza, e eu não era acostumada á tocar daquela maneira, então aquilo se tornou um desafio que eu não estava pronta para aceitar, assim como Nathan parecia distraído de mais para sequer conseguir me ajudar muito, apenas ajudou como qualquer pessoa que não sabe nada de música faria: “tente de novo”.

— Certo, está tudo bem, mesmo? Não parece. — Forcei novamente, me levantando da cadeira pequena que estava e vendo ele piscar o olhar, notando que eu não estava mais fazendo o que deveria.

— Sim, sim. — Disse, atordoado, provavelmente estava tão distraído que não havia sequer notado minha pergunta. — Desculpe-me, Alteza, estou distraído, peço perdão.

— Primeiro, é Rose. — Falei, minha voz adquirindo o tom mandão que eu não gostava de usar, mas eu simplesmente não consegui impedir, estava curiosa e cansada. — Já deixei claro á você para me chamar dessa maneira. — Pausei, continuando logo em seguida. — E segundo, não, não está tudo bem. Sinto informar-lhe, mas nunca vi alguém tão distraído como você está nesse momento. — Á não ser por eu mesma, mas acredito que não contasse muito. — Então, só irei lhe perdoar quando me falar o que aconteceu, assim, você poderá se focar na aula e eu não ficarei me perguntando se estou fazendo algo errado, afinal, terei alguém para me ajudar com isso. — Parei de falar, soltando o ar.

— Não acho correto compartilhar meus problemas com a senhorita. — Ele parou, confuso com o termo que havia usado. — Eu sou seu professor, deveria deixar meus problemas para lá.

— Ah, deixe disso, até parece que eu lhe pediria para me chamar de Rose se apenas considerasse você um professor comum. Você é uma pessoa incrível, mesmo que não seja da realeza, um rótulo ridículo, a propósito, e aliás, eu lhe considero um amigo... Bem, uma amizade recentemente formada, mas ainda sim, uma amizade. Então, Nathan, o que está acontecendo? — Ele bufou, notando que eu estava, com certeza, sendo controladora e extremamente mandona. Bem, era o que a situação clamava.

Ele bufou novamente, mas não rebateu, coisa que eu esperava que o mesmo fizesse. Já tinha até mesmo a resposta na ponta da língua.

Até que estudar livros de política ajudavam no dia á dia, afinal de contas.

— Tem uma garota. — Ah, agora eu não tinha tanta certeza se queria ouvir o que ele tinha á dizer, e estava começando a me irritar com esses livros de política, que tipo de coisa eles ensinariam pra minha vida, afinal? Talvez devesse perguntar isso para Alexa, ela com certeza se saía melhor com esses livros do que eu. Absolutamente melhor. — Ela é intocável para mim, bem, mais ou menos, é claro, mas parece que eu sou apenas um de vários em sua cabeça, ela sequer deve pensar sobre mim. O que é ridículo, porque, levando em consideração tudo o que sinto por ela, e o quanto desejaria ter esses sentimentos correspondidos, honestamente... É muito ridículo. Eu não deveria nutrir esses sentimentos. — Ele balbuciou essa última parte.

E eu era tola de acreditar que ele era como os príncipes. A maioria dos homens que estavam no palácio claramente se interessava por mim ou pela minha gêmea, mas eu havia dito: maioria. E não todos. Nathan provavelmente estava interessado por alguma criada, ou alguma garota do tipo, alguém da vizinhança onde ele deveria morar...

E ele não era um príncipe que estava ali para lutar pelo meu coração — ou coroa — ou pelo coração de minha irmã. E isso havia formado uma pequena dor em meu coração... dor que eu não havia gostado nem um pouco. Não deveria sentir isso.

— Eu... Eu só não sei como manter isso tudo guardado, sabe? Sinto que se falar acabarei ferrando com tudo o que conquistei, mas se eu não falar... A dúvida vai me corroer pra sempre. — Ele finalmente terminou, e agora era minha vez de falar, mas o que falaria? Me sentia como Alexa: sempre saberia o que dizer á um conselho político, mas pessoal? Não era tão boa assim.

Mas, pelo menos eu já havia evoluído, antes nem servia para um conselho político.

Eu precisava dar um conselho, já que era isso que ele havia pedido — e eu mesma o obrigado á fazê-lo —, mas não sabia se deveria usar meu tom de possível futura rainha, ou esconder por completo meus sentimentos, ou apenas ser uma amiga.

Céus, como eu era idiota, estava falando com ele como uma amiga, então obviamente escolhi a última opção.

Afinal, por que havia sequer me perguntado sobre as outras duas?

— Acho que o pior problema de uma escolha é toma-la. A partir do momento em que você escolhe algo, irá perder todas as outras escolhas. Li isso esses dias, vindo de algum pensador lá do passado, ele parecia esperto, talvez um gênio. — Isso fez Nathan rir, e fiquei feliz com isso, a tensão em seu corpo havia diminuído um pouco. — Mas, também acho que você deveria conversar com a garota, tentar alcança-la. Devo dizer que se você procura resolver um relacionamento, talvez eu não seja a melhor pessoa, mas... Caramba, você só precisa falar com ela. Seja lá qual for a resposta dela, será muito melhor do que o não que ficará gritando eternamente em sua mente por uma pergunta nunca feita. Se você nunca tentar, nunca vai saber. — Ele abriu um sorriso verdadeiro para mim, mostrando algumas covinhas, o que fez meu coração acelerar... E um sorriso fraco se abrir em meu rosto.

— E eu achando que você era esperta. — Levantei as sobrancelhas para ele.

Eu tinha acabado de ajudar ele e ele tinha me ofendido?! Ah, caramba, ele realmente tinha pego num ponto extremamente fraco meu.

Que tipo de gênio faz isso? Eu havia acabado de dar um conselho amoroso — e que havia quebrado a cabeça para conseguir fazê-lo — e ele me chama de burra? Era mais do que eu podia aguentar. Eu estava prestes á falar algumas coisas bem feias para ele, mas ele falou antes.

— A garota que eu estava falando era você, Rose. — Eu levei um susto aí, substituindo toda a raiva que sentia pela ofensa por surpresa.

— O que? — Mas ele não me respondeu, seu rosto estava á centímetros do meu.

Sua boca parou na minha, não em um beijo digno de filme de romance, nem nada do tipo, apenas nossos lábios se encostando.

E então ele se afastou em segundos, como se tivesse levado um choque.

— Ah. Caramba, meu Deus, Alteza, ai meu Deus. — Ele se afastou, como se tivesse saído de um transe.

Depois as mulheres que são bipolares.

Eu também estava em choque, mas... Estava ainda mais confusa.

Então... tudo aquilo era sobre mim? Caramba!

— Eu não deveria ter feito isso, Rose... Quer dizer, Princesa. Princesa Schreave. — Comecei a rir nesse momento, não sei se de nervosismo ou se a situação era realmente cômica, mas não pude conter as risadas. — É agora que eu sou preso? — Olhei para ele, parando de rir quase que instantaneamente.

— Era esse seu medo, não era? Não era exatamente falar comigo. Era ser preso. Perder o emprego. — Ele engoliu em seco, agora completamente encabulado.

Com certeza, homens também são bipolares. Ou pelo menos tem um transtorno em suas emoções, porque não há outra explicação lógica para tantas mudanças que Nathan estava tendo no momento. Acredito que metade delas deveriam se dar ao fato de que ele não sabia como agir, ele havia sido um ótimo professor, é claro, até que os príncipes apareceram e ele não sabia mais se suas escolhas haviam sido boas ou ruins. Claramente, eu tinha alimentado suas esperanças, e ao invés de me sentir mal por isso, já que tinha outros homens em baixo de meu teto para me preocupar, eu me senti extremamente bem, como se isso fosse o correto.

— Tenho duas irmãs mais novas, senhorita. Apesar de grande parte de Illéa ter se livrado das castas, muitas pessoas ainda lutam para ter o que comer. — Senti como se tivesse levado um soco no estômago. Eu estava me preocupando com uma coisa quase fútil, se comparada á isso.

Um dos meus maiores pontos fracos no governo era a fome. Eu achava complicado proteger a população inteira no inverno rigoroso que partes do país tinham, mas vários abrigos já haviam se espalhado pelo país recentemente, e eles ofereciam abrigo ao frio e um pouco de comida quente aos moradores de rua. Só que, ainda assim, haviam pessoas, todos os anos, que morriam de fome. Muitos pais morriam de fome para que pudessem dar um prato á mais de feijão para seus filhos durante á noite. Filhos que choravam, imploravam de joelhos, nas portas das casas das famílias mais bem sucedidas, por apenas um pequeno pedaço de pão, uma migalha sequer.

— Nathan. — Falei, totalmente séria e com a postura completamente ereta. — Jamais, em hipótese alguma, gostaria de ver pessoas passando fome. Não posso dividir meus planos de governo com você, por serem rigorosamente sigilosos, mas um deles envolve a erradicação da fome em nosso país, então você entenderá que não lhe demitiria, e muito menos colocaria você em uma prisão, acredito que Illéa já passou desta etapa. — Assim que meu vô, Clarkson, havia morrido após um ataque sulista, e não digo que tão infelizmente assim. — E, hm... Bem... — Eu não tinha nenhum clima, mas queria lhe mostrar algo. Algo que sentia.

Parei na sua frente, era alguns centímetros mais baixa que ele, mesmo com os saltos que tinha em meus pés, e olhei em seus olhos.

Estiquei meu corpo até que pudesse beijá-lo, enquanto sentia o corpo do músico ficar tenso novamente, em choque. Ele demorou apenas dois segundos para se recuperar do choque.

Mas, dessa vez, o beijo não foi apenas colar lábios.

Eu sentia que qualquer um podia nos pegar ali, principalmente com as janelas enormes que a sala tinha, mas não me importava, não naquele momento.

Suas mãos foram para minha cintura, onde apertaram com força, enquanto minhas mãos foram até seus cabelos, e eu sentia ele apertar ainda mais minha cintura. Em algum momento eu acabei contra a parede, com uma de suas mãos em meu cabelo, e sua boca em meu pescoço.

Eu, absolutamente, nunca havia beijado ninguém dessa maneira. Nossa, isso era mais do que óbvio.

E eu, com certeza, também tinha perdido o café da manhã.

Quando os beijos foram cessando — não tão alegremente assim —, ele continuou com uma de suas mãos em minha cintura, mas a outra estava agora olhando o colar em meu pescoço, o que Tia May havia dado, o mesmo que ainda era uma incógnita em minha mente.

— Por quê? — Ele perguntou isso, girando o pingente em mãos, observando ele.

— O quê? — Perguntei um tanto quanto confusa, observando o homem na minha frente.

— Por que se interessou por mim? — Agora ele olhava meus olhos.

— Não sei. — Dei de ombros, enquanto ele se afastava um pouco, me analisando.

— Não sabe? Talvez eu seja uma conquista importante á uma princesa. — Ele parecia sentir desgosto ao falar isso, mas ainda sim falou. Claro que falaria.

— Se você fosse uma conquista importante, apenas isso, eu não estaria mais aqui. — Abri um sorriso, o mesmo beirando á ironia e falsidade. — Quando você disse que havia se interessado por uma garota, sentimentos extremamente negativos pairaram sobre mim, e sinto informar-lhe, eu adoraria saber o nome daquela tal garota. Até descobrir que ela era eu. Você pode achar engraçado, mas não é porque eu tenho um título de princesa antes do meu nome que eu acredito que todos os homens do mundo gostam de mim, e principalmente que eles nutrem sentimentos recíprocos á mim. — Ele abriu um sorrisinho tranquilo, passando a mão pelo meu rosto, enquanto eu via o relógio em seu pulso.

Ah, não.

— Preciso ir. — Engoli em seco, enquanto ele olhava o relógio, arregalando os olhos. — Ao que parece, gostei da aula de música de hoje. — Abri um sorrisinho travesso, me sentia como Alexa ao ir dormir no quarto de Aaron quase todas as noites. E o pior, eu acreditava que ela não sabia que eu sabia, mas Gabriel Leger adora uma boa fofoca, principalmente quando o assunto é segredos de gêmeas. Talvez eu devesse escrever sobre os podres reais, tenho certeza que muitos se interessariam. Gabriel era um deles, com absoluta certeza. Provavelmente o fã número um, também.

Mesmo assim, o beijei novamente, enquanto suas mãos seguravam minha cabeça, como se ele clamasse por mais alguns minutos comigo.

— Talvez eu seja mais sortudo que todos aqueles príncipes bonitões e ricos. — Ele falou quando cortamos o beijo, mas ainda estávamos próximos. Se qualquer pessoa entrasse ali naquele momento, a situação era pra lá de óbvia.

Me sentia como se estivesse quebrando todas as regras do mundo, mais do que eu já havia quebrado em toda a minha vida, e isso era extremamente empolgante, fascinante, talvez.

Eu tinha muito o que pensar, e também tínhamos que discutir algumas coisas da maneira mais rápida possível.

— Nathan, preciso falar isso antes de qualquer outra coisa. — Falei, me afastando um pouco. — Eu gosto de você, gosto mesmo, mas eu tenho outros príncipes em baixo de meu teto, e por mais que eu sinta muitas coisas por você, uma Seleção está acontecendo, e á não ser que alguma obra divina aconteça, não posso jogar tudo pelos ares para algo incerto. — Ele concordou, totalmente sério e ouvindo tudo atentamente. — Então, obviamente, irei te tratar normalmente, teremos aulas normalmente, mas... — Parei, criando coragem para continuar.

— Mas você também quer tentar. — Completou por mim. — Entendo, Rose, realmente entendo, e não poderia pedir por mais. — Concordei com a cabeça.

— Sei que você está em desvantagem em vários aspectos, mas, acredite em mim, você tem outras vantagens. — Falei, ansiosa para resolver tudo o que tinha á resolver nas próximas horas, eu ainda tinha que tomar café da manhã, mas depois de meu estado deplorável no momento, não daria muito certo aparecer por aí, já que eu imaginava que meu cabelo devia estar péssimo, e minha maquiagem feita com tanto cuidado já deveria ter algum erro. O vestido também deveria estar um pouco estranho, admito.

Eu estava indo até a porta quando ele me alcançou, pegando meu pulso e me dando um último beijo. Esse era mais demorado, completamente apaixonado, e caramba, era bom. Muito bom.

— Apenas pra você se lembrar que eu posso não ser príncipe, mas também vou lutar por você. — Ah, cara, eu estava ferrada.

Droga, muito mais que isso.

Mas eu adorava isso, adorava o que ele me fazia sentir, adorava sentir tudo aquilo, e além do mais, ele era o mais próximo de sentimentos fortes que eu conseguia ter, então... Não havia muito o que dizer senão o óbvio: eu gostava dele, e muito.

Me afastei dele com um sorriso no rosto e saí da sala com aquele mesmo sorriso, mas logo me lembrando que ninguém deveria saber o motivo daquele sorriso, e que muitos não gostariam de sabe-los.

Apesar de morrer de vontade para abrir um sorriso enquanto subia as escadas, precisei me conter até entrar em meu quarto, o mesmo que fechei a porta sorrindo e me encostei na mesma, só então notando as três garotas me encarando.

Soltei um suspiro, enquanto me sentava na cama, sorrindo, boba.

Tinha certeza absoluta que se tirasse uma foto minha nesse momento, a imagem eterna que veriam no papel seria de uma garota apaixonada. Bem, eu acredito que ainda não estivesse apaixonada, mas com certeza estava quase lá após os últimos minutos.

Eu contei á elas o que havia acontecido — omitindo alguns fatos, claro — e mesmo que elas pudessem perguntar por quais príncipes haviam faltado o café da manhã, elas pareciam animadas de mais para isso. Era a primeira vez que eu me abria tanto com elas por causa da seleção, e sabia que as criadas estavam animadas de mais para sequer pensar em compartilharem as informações, mas quando terminei de contar tudo fiz questão de deixar claro que elas não deveriam contar nada á ninguém, não queria que muitas pessoas soubessem do que havia acontecido, e após a excitação do momento ter passado, me sentia culpada.

Claro, eu gostava de Nathan, mas enquanto caminhava até a biblioteca, para pegar um livro que havia esquecido por lá, eu me perguntava como conseguiria olhar no rosto de Caleb novamente.

Nathan, claramente, era o favorito de meu coração, mas seria a melhor escolha? Eu adorava Caleb, também, e haviam vários outros príncipes com quem já havia saído que também não eram nada mal, Dimitri, William, e até Daniel, eram ótimas pessoas, mesmo com pequenos defeitos, que todas as pessoas tinham. Mesmo que Caleb não fosse a melhor escolha, eu ainda tinha outros príncipes incríveis para me casar, e mandar todos para casa por um plebeu seria uma decisão arriscada, que além de gerar um pequeno motivo de raiva, poderia gerar muito mais, inclusive ódio entre países. Como eu já havia deixado extremamente claro: príncipes são extremamente egocêntricos. A realeza é.

Muito mais estava em jogo do que apenas algumas escolhas e corações partidos, e eu estava começando á notar que era muito mais do que eu havia imaginado.

Desviei meu caminho, tomando uma decisão, enquanto voltava para o segundo andar, sentindo meus pés doerem, e bati na porta de um dos quartos do lado direito das escadas, havia gravado alguns quartos dos príncipes, com a ajuda de tia May, e sabia que aquele era de Vermont.

Ele abriu a porta arrumando a gravata, mas se desculpando, e também sem o paletó, apenas com uma camisa social branca.

Ele parou de arrumar a gravata, me encarnado paralisado, e tendo a mesma resposta.

— Rose? — Pisquei, desviando os olhos dos músculos que agora eu podia ver perfeitamente para seu rosto.

— Ah, me desculpe, eu... Volto mais tarde.

— Não, não, está tudo bem, quer entrar?

Eu deveria? Meu plano original era chama-lo para caminhar, mas meus pés clamavam por um banco, cadeira, poltrona ou qualquer derivado em comum, e Caleb não parecia completamente pronto para uma caminhada.

— Claro.

Ele deu espaço para que eu entrasse, e fechou a porta, enquanto eu olhava seu quarto.

Era grande, não tanto quanto o meu, mas tinha alguns objetos pessoais em uma escrivaninha, assim como livros, um relógio de pulso, uma foto dele com seus pais, e uma foto dele com algumas pessoas mais novas e mais velhas que ele, pareciam ser irmãos.

Ele parou ao meu lado, um pouco atrás, e falou baixinho no meu ouvido.

— Finalmente conhecendo minha família, huh? Quando vamos nos casar? — Eu sabia que era uma brincadeira, mas não podia deixar de notar que, na realidade, essa poderia ser a melhor decisão que eu tomaria.

— Na realidade, é sobre isso que vim falar. — Ele havia acabado de terminar a gravata, e me virei para encará-lo. Ah, caramba, toda a coragem que eu havia reunido se esvaiu como uma areia fina escorrendo por entre meus dedos.

Ele levantou uma sobrancelha, aparentemente confuso e curioso.

— Preciso ser sincera com você, realmente gosto de você, e imagino que saiba disso, mas... — Olhei para a visão de sua varanda. Era bonita, ele tinha a visão dos campos que eu cavalgava, e mais á frente da floresta que cercava o palácio, tanto por dentro quanto por fora, apesar dele não ter muita noção de fora, creio eu. — Mas existem outros.

Eu não conseguia olhar para ele, simplesmente não conseguia. Era como se doesse de todas as maneiras. E eu sequer estava apaixonada por ele (ou por Nathan), então por que deveria ser tão difícil falar algo do tipo? Era como se eu já estivesse tomando decisões com quem me casaria! E isso não deveria estar acontecendo. Afinal de contas, por que eu estava ali? Poderia ter deixado ele imaginar que eu estava com qualquer outro príncipe, deixar sua mente fazer um trabalho brilhante sobre se sentir trocado por outros príncipes, mas não, ali estava eu, abrindo o jogo e sentindo como se fosse perder uma parte importante de mim.

Se eu não terminasse com Caleb nessa história, pelo menos gostaria de tê-lo como um grande amigo.

— Olhe para mim. — Pediu, e eu não conseguia, eu simplesmente não conseguia, não podia. Não conseguia sequer decifrar algum sentimento em sua voz. — Rose. — Pediu.

Virei meu olhar para ele, sentindo que ele iria falar algo, algo que me magoaria, quando na realidade eu estava tendo um pensamento completamente egoísta, porquê além de estar preocupada em me magoar — e magoar ele, é claro — não havia me tocado da realidade por alguns instantes, a realidade que havia repetido para Nathan momentos atrás. Caleb fez questão de lembra-la á mim, coisa que eu havia já o lembrado ontem ao pôr do sol.

Isso é a Seleção, Rosemarie, não tem como você simplesmente se interessar por um e esquecer de todos os outros, e entendo isso. — Ele abriu um sorriso, mas parecia dolorido para ele fazer isso. — Você mesma me disse isso, lembra? — Ele passou a mão pelo meu rosto, mas não parecia que iria me beijar, o que era um alívio. Não poderia me sentir mais culpada se isso acontecesse. — Fico feliz que você veja as outras decisões, apesar de que gostaria de ser a única, afinal, isso é óbvio, mas entendo perfeitamente, e... Bem, ainda estamos aqui, e você, num grande ato de bravura — esse era um momento em que ele estava, obviamente, rindo da minha cara — teve a coragem de vir conversar comigo sobre isso, quando não precisava. — Ele mudou o sorriso em seu rosto para uma expressão séria. — E eu aprecio isso.

Não pude conter um sorriso, e o peso em meus ombros diminuiu, assim como um alivio preencheu meu coração.

— Está com fome? — Perguntei, sentindo meu estômago doer. Ele levantou as sobrancelhas. — Eu sei que não, mas você vai me acompanhar num café da manhã.

Ele revirou os olhos, mas sorriu.

— Claro que sim, Alteza. Não há honra maior. — Revirei os olhos, dessa vez.

— Onde está seu mordomo? Não quero almoçar no salão, e também não quero almoçar na rua.

Tudo o que Caleb fez foi apertar um botão ao lado de uma de suas mesinhas de cabeceira, e cinco minutos após isso um mordomo apareceu.

— Princesa. Príncipe. Em que posso ajuda-los? — Era claro que em breve várias fofocas entre os empregados do palácio já estariam rolando, eu sabia dizer isso apenas pelo olhar surpreso do mordomo.

— Eu gostaria que você servisse um café da manhã aqui, por favor. — Pedi, educadamente. — Suco de laranja e croissants, por favor. E ah, chocolate, por favor. — Ele sorriu, e olhou para Caleb.

— Faço das palavras da senhorita as minhas. — O mordomo concordou com um sorriso fraco no rosto e se revirou, enquanto duas outras empregadas apareciam, organizando uma mesa próxima as portas da varanda. Enquanto isso, Caleb e eu ficamos, basicamente, trocando provocações.

— Vamos lá, me conte, o que vocês, príncipes importantes, fazem quando eu e Alexa não estamos com nenhum?

— Apenas falarei se você me falar algo sobre você que ninguém mais sabe. — Rebateu, abrindo um sorriso vencedor.

Ele ainda estava sem o paletó, o que fazia tudo ser um pouco mais complicado para mim, mas eu tentava controlar os pensamentos que me fariam ficar arrependida mais tarde.

— Certo, agora, desembuche. — Aceitei o desafio.

— Bem, Aaron nunca está perto dos outros, pra ser sincero, a maioria dos príncipes passa bastante tempo junto, normalmente combinamos um horário para ir na biblioteca, cavalgar juntos, essas coisas, ando passando bastante tempo com Kyle, Daniel, e William, também passei um tempo com Erik e Jacob. Sei que alguns príncipes ficam fazendo planos sobre o que falar, como agir, etc, baseados nas experiências compartilhadas de outros príncipes, mas...

Você compartilhou alguma experiência? — Perguntei, enquanto ele abria um sorriso.

— Claro que não, você acredite ou não, gosto de manter tudo pra mim, informações são ótimas, mas dá-las? Nem tanto. Os outros príncipes sabem que eu escondo as coisas, tanto que tentam manter informações longe de mim, mas Dimitri sempre está me falando, ele meio que espera que eu lhe de informações sobre você. O cara está apaixonado, Schreave. — Ele revirou os olhos para mim, como se ele mesmo já não sentisse algo. Ou era um bom ator. Eu realmente esperava pela primeira opção. — Mas, posso continuar?

— Á vontade. — Abri um sorriso completamente inocente, como se não tivesse o interrompido.

Ele continuou contando, e admito que ficamos praticamente a manhã toda ali, conversando, até eu notar que precisava fazer outras coisas, como, por exemplo, pegar o livro na biblioteca.

Local onde eu encontrei Matheo Delacroix.

Ao que parece, ele não estava sozinho. O mesmo andava com Kyle, algo que não deveria me surpreender muito, e também estava com Daniel. Mas os dois últimos estavam saindo da biblioteca quando entrei, Matheo apenas os despistou, voltando para dentro da biblioteca sob o olhar acusatório dos dois príncipes.

— Como se você realmente fosse minha mira. — Ele pegou o livro que eu estava tentando alcançar e me entregou. Abri um sorriso agradecido á ele, não gostaria de tirar um guarda do posto apenas para pegar um livro, qual é, era quase humilhante. — Como vai, pequena Schreave? — Revirei os olhos para ele.

— Vou muito bem, Sr. Delacroix, e você?

— Não muito. Você tem alguma ideia de como conquistar sua irmã? — Levantei uma sobrancelha para ele. — Ah, vamos lá, Rose, não deve ser tão difícil. — Levantei a outra sobrancelha.

— Bom, você pode tentar várias coisas. — Ele me olhou animado. — A mais fácil vai ser desistir. — Agora ele tinha fechado a cara. — Qual é, Matheo, eu não sei, não faço ideia. Você já deve notar que ela nutre um ódio imenso por você, duvido que até você seja capaz de mudar isso.

— E se eu te ajudar á se livrar de Gravesen? — Agora ele tinha despertado minha atenção. — Mudou de ideia quanto á me dar umas dicas de como conquistar Alexandra Schreave?

Eu não tinha muito no que ajudar, mas levando em conta sua proposta tentadora, e tudo o que eu podia ganhar com ela, fazer o coração de minha irmã amolecer um pouco não parecia tão difícil.

Somando o fato de que entramos juntos no almoço, acredito que uma nova aliança havia se formado, e dessa vez, não havia nada de romântico nela.

Pelo menos, se Matheo fosse chutado, eu tinha um amigo em outro país.

Fui uma das últimas a sair da mesa, sendo Alexa uma das primeiras, mas quando estava saindo, vi William vindo até mim.

— Bela pulseira. — Abri um sorriso, olhando a pulseira.

— Não pude esperar para usá-la no aniversário, como pretendia, era bonita de mais para ficar guardada por muito tempo. — Seu sorriso era ainda maior que o meu. — Preciso ir agora, em breve tenho algumas aulas, mas... Nos vemos depois? — Ele concordou, enquanto eu saía do salão e subia as escadas, sendo parada por Kyle, já no segundo andar.

— Senhorita. — Me cumprimentou com um sorriso animado no rosto. — Está muito ocupada?

— Tenho uma aula de línguas em alguns minutos, por...? — Perguntei, enquanto via seu sorriso desmoronar.

— Eu iria convidá-la para cavalgar.

— Bem, estamos no inicio da tarde, que tal pouco antes do pôr do sol? Minhas aulas não duram a tarde toda, senhor. — Ele riu fraco após o título, concordando.

— Muito melhor que levar um fora. — Sorri para ele, me despedindo e subindo até o terceiro andar, para que pudesse pegar o livro em Italiano que estava tentando decifrar.

Eu provavelmente poderia ter pedido ajuda á Daniel para entender aquele livro, mas sabia que conseguia resolvê-lo eu mesma. Fora que após o livro de Italiano tinha mais cinco — cada um em línguas diferentes: Espanhol, Francês, Russo, Alemão e Latim.

Horas depois eu descia com minhas roupas de cavalgada até o primeiro andar, onde encontrei com um príncipe á deriva por lá.

Aaron Thompson.

— Olá, futuro rei da Inglaterra. — Cumprimentei meu cunhado, vendo ele sorrir e beijar minha mão, se curvando teatralmente.

— Olá, futura rainha de Illéa. Como vai?

— Bem, e você? — Ele concordou com a cabeça, sorrindo. — Faz tempo que não nos falamos, sabia?

— Bastante, ando bastante tempo com uma cópia sua.

— Nota-se. — Revirei os olhos para ele, enquanto via Kyle descendo as escadas.

— E aí está seu encontro do momento, com quantos você anda saindo por dia? — Provocou-me.

— Não tem graça, Thompson. — Aparentemente, mesmo com meu aviso, ele continuava achando graça daquilo, e rapidamente me livrei dele.

Como Alexa suportava passar tempo com aquelas piadinhas? Bem, eles bem que combinavam.

Eu e Kyle selamos os cavalos, e então saímos pelos campos, com uma guarda ainda maior que a minha guarda comum de cavalgada, o que já era de se esperar.

Assim que deixamos os cavalos com um dos homens que trabalhava no estábulo, Kyle puxou assunto.

— Como anda a vida? — Ele parecia se divertir com a pergunta, enquanto eu abria um sorriso fraco.

— Cansativa, sabe? Aniversário, vinte e cinco príncipes, política, economia, e tudo mais? Ah, devo constatar que é um pouco complicado pensar em tudo isso com vários príncipes me bajulando, é tentador. — Ele acompanhou minha risada, enquanto caminhávamos pelo jardim próximo aos estábulos, o mesmo que levava á uma parte do campo onde haviam alguns bancos, para a apreciação de corridas que aconteciam.

— Minha vida está bem mais monótona que a sua após minha saída da Bélgica.

— Falando em Bélgica, como é tudo por lá? — Ele abriu um sorriso animado, como se esperasse por essa pergunta para que pudesse continuar falando sobre seu país de origem, e país que provavelmente governaria, se não se casasse comigo ou com Alexa, é claro.

— Você iria gostar, caramba, tudo é muito lindo, os belgas adoram visitantes, então, você seria muito bem recebida, e bem... As cores, tudo é vivo pra caramba, existem campos enormes por lá, assim como flores e mais flores, o palácio real é tão majestoso quanto o de Illéa, nosso povo também gosta muito de lagos, o que significa que você encontrará vários enquanto conhece o país. Além disso, algumas ruas são fluviais, é muito lindo. Tudo é extremamente... Caramba, eu sou bem suspeito de falar, mas eu simplesmente amo a Bélgica. Se pudesse escolher, moraria lá pelo resto da minha vida... — Ele parou, me dando uma olhada de rabo de olho. — Principalmente se minha esposa aceitasse. — Não pude deixar de ficar sem jeito, era claro que tudo o que podia acontecer ainda pairava no ar, independente da maneira que os encontros aconteciam e da personalidade de cada príncipe, principalmente a personalidade um tanto quanto extrovertida de Kyle, os príncipes ainda estava em uma competição, e qualquer vantagem era algo significativo.

— Eu adoraria conhecer a Bélgica. — Isso era realmente verdade, e usei para que o assunto seguisse um caminho diferente do que seguiria se eu respondesse ao que ele havia dito. — Parece ser uma país lindo.

— E realmente é. Se quiser, um dia posso te mostrar algumas fotos de alguns locais, trouxe algumas para que pudesse lembrar de lá, além de fotos com minha família, claro. — Concordei com a cabeça, sorrindo, isso eu e Maxon Schreave tínhamos em comum, eu adorava fotos. Logo teria de tirar fotos, estava sentindo falta da câmera que estava em uma das gavetas de minha escrivaninha, mas, tempo era o que eu mais precisava para usar a câmera, e era o que mais me faltava ultimamente.

Claro que eu não precisava sair com todos os príncipes no palácio, como eu mesma não estava fazendo, mas além de querer conhecer todos e lhes dar uma chance, usava isso como uma distração, para que pudesse tirar outros problemas da cabeça, principalmente outras pessoas. Nathan não pararia de rodar pela minha mente por um bom tempo, mas eu poderia distraí-la de alguma maneira, e uma das melhores era usando minha mente para pensar sobre respostas altas o suficiente e que os príncipes estivessem esperando.

Eu e Kyle continuamos por muito tempo, variando nossos assuntos sobre seus gostos e os meus, assim como alguns livros em comum que tinham, apesar de que não eram muitos, já que parecíamos ter isso em comum. Eu preferiria estar cavalgando á estar lendo, ele preferiria estar tocando á estar lendo. Era melhor estar se movendo do que estar parado fazendo algo. Isso era algo que nós dois apreciávamos.

Pouco antes da janta, eu estava em meu quarto, já aprontada para a mesma, mas lendo alguns esboços sobre projetos novos para Illéa, que meu pai havia passado tanto para mim quanto para Alexa, quando ouvi algumas batidas fracas na porta, a mesma que foi aberta sem minhas criadas sequer conseguirem chegar até a porta.

America Schreave entrou no quarto, dispensando as criadas rapidamente, enquanto eu fechava a pasta aberta e olhava para minha mãe.

— Estou orgulhosa de você.

— Obrigada. — Minha voz soou mais fria do que eu gostaria, mas pareceu surtir efeito em minha mãe.

— Me desculpe, Rose, realmente, peço inúmeras desculpas. Não deveria ter esperado menos de você, ter ficado tão surpresa. Sei que está se esforçando, e eu deveria crer que você é capaz, mas acredito que tenha me acostumado á ver uma das minhas filhas como uma mulher capaz de governar o país, e ter escolhido á outra para ser minha eterna criança, achava que nunca iria lhe perder. Pelo menos não para a política, para o governo de um país, como eu imaginava que perderia Alexa.

Senti meu coração amolecer um pouquinho.

— Também queria dizer que conversei com May, e ela me contou que você anda bem animada com os príncipes. — Mordi o lábio, tentada á contar para ela tudo o que estava passando, mas não sabia se deveria, e também imaginava o quanto de repreensões eu levaria por causa de Nathan, fora que ele perderia todo o seu emprego, tudo o que precisava para que pudesse sustentar sua família, não faria isso com ele e comigo. Aí estava minha parte egoísta entrando em ação. — Ela também me disse que talvez você devesse ter um abraço de mãe, afinal, não quero ter duas filhas completamente afastadas de mim por causa de homens e política. Estou trabalhando na Alexa, mas esperava que a filha com o coração mais doce pudesse ser minha primeira opção. — Não pude deixar de sorrir, o que fez minha mãe abrir um sorriso aliviado. Me levantei da cadeira, abraçando ela e apoiando minha cabeça em seu ombro, enquanto sentia suas mãos passarem pelo meu cabelo, acariciando.

— Ah, mãe... — Ela me abraçou com força, enquanto eu retribuía o abraço. — Tem tanta coisa acontecendo, não sei por onde começar.

— Que tal começarmos por Caleb Vermont? — Provocou, o que significava que tanto tia May, quanto qualquer outra pessoa que tivesse nos notado, havia aberto a boca para minha mãe.

Ah, mãe... — Repeti, abrindo um sorriso, enquanto ela me puxava para a cama e nós duas sentávamos, com ela sorrindo. — Franceses são encantadores.

— Acredite em mim, você não faz ideia do quanto. — Acho que pelos momentos seguintes, apenas as gargalhadas da Rainha e de uma de suas filhas pudessem ser ouvidas pelo castelo inteiro.

Quando terminei de contar á ela tudo o que havia acontecido nos últimos dias, e tudo o que eu havia sentido, também, ela sorriu para mim, beijando minha testa.

— Ah, Rose, eu não poderia estar mais orgulhosa.

Senti meus olhos se enxerem de lágrimas.

— Sei que está com medo de fracassar no aniversário, e entendo perfeitamente isso, acredite em mim, passei por muitas coisas parecidas, mas também preciso que acredite em mim no seguinte conselho: Você aprendeu com todos os seus fracassos, perdas e erros, e se esse projeto fracassar, coisa que não vai acontecer, você apenas aprenderá com isso. Apesar de que eu duvido que esse conselho servirá para alguma coisa, o aniversário será incrível, Rose. — Ela sorriu para mim, segurando minha mão esquerda com sua mão direita. — Quando eu escolhi seu pai, quando cometi todos os erros e mesmo assim consegui tê-lo para mim, Rose, eu estava extremamente assustada, estava com medo de perder tudo, mas ainda sim, estava confiante. A chave para tudo é a confiança. Eu confio em você, seu pai confia em você, até Alexa confia em você, mesmo que possa demorar á admitir. Só falta você confiar em você mesma, meu amor. — Dessa vez as lágrimas escorreram.

Desde que eu tinha nascido, eu nunca tinha recebido tantos elogios assim, nunca tinha sido a “queridinha” de meus pais, por mais que não houvesse muita distinção entre mim e Alexa nesse sentido, era óbvio que ela sempre foi a mais responsável — e sempre seria, convenhamos —, mas ouvir isso tudo da boca de minha mãe era mais do que eu jamais poderia ter esperado, sequer poderia ter previsto que isso aconteceria um dia.

Quando eu e minha mãe descemos para o jantar, eu não poderia estar mais feliz.

Mal eu sabia que um grande problema espreitava, apenas esperando o melhor momento aparecer.

Dizem que antes dos furacões, momentos antes deles destruírem tudo, uma calmaria acontece.

Estávamos certeiramente nessa calmaria.

Notas finais
O que acharam? Criticas construtivas são sempre bem aceitas! E aqui, uma novidade que esqueci de comentar: Two Crowns também é interativa, vocês também podem fazer parte dessa história, apenas clicando aqui (e indo em fanfics restritas): http://kfinteract.tumblr.com/ Lembrando que TC também tem um tumblr que poderá ajudar (e muito) na compreensão de algumas informações da fanfiction! http://two-crowns.tumblr.com/ Vejo vocês nos comentários ^^