Two Crowns
48 Capítulo XLVII
Notas iniciais

Doutor Hudson me encarava do outro lado da mesa branca de sua sala de consulta. Tinha um envelope em uma das mãos, e os dedos da outra tamborilavam nervosamente sobre o tampo de madeira. Dean passou o envelope para mim, entretanto, segurou minha mão, impedindo-me de abri-lo.
— Alexandra — começou —, o que está aí dentro não vale de nada. Entenda, posso ser despedido por isso. Falsificar resultados de exames é crime em qualquer lugar do mundo, então ao menos precisa entender meus motivos.
— Deixe-me adivinhar: positivo para hCG? — questionei. Não tão surpreso quanto eu esperava, ele concordou, ainda cabisbaixo. — Não preciso que me acoberte, doutor. Em breve meus pais saberão. Eu e Matheo estamos apenas pensando na melhor maneira de contar a eles.
— Bom, quanto a isso, a decisão é sua. Eu apenas quero lhe dar a possibilidade de escolha, Vossa Alteza. Ainda que vá contra meus princípios interrompê-la, não cabe a mim ou ao príncipe manter essa gravidez. Enquanto não tomar sua decisão, ou, caso opte por outro lado, mantenha esse falso resultado com você — soltou-me, levantando-se e andando em direção à porta. Segui-o. — Só não esqueça que, por mais que seja madura, a senhorita ainda tem dezoito anos, Alexandra. É isso o que quer para o resto da sua vida? Pense sobre. Depois conversaremos.
Concordei, abraçando-o com força. Eu realmente não havia parado para pensar o que seria do meu futuro se decidisse levar aquilo adiante. Por mais que eu desejasse formar uma família com Matheo, será que já estava na hora? Eu não sabia. Não tinha como saber. E, definitivamente, precisava refletir.
Passei pelo quarto de Matheo, mas não entrei ao ouvi-lo conversar com Rosemarie. Eles precisavam desses momentos juntos, assim como eu precisava desses momentos com Arthur. Subi, então, as escadas e me afundei na banheira de água escaldante, sentindo o corpo relaxar e os pensamentos negativos irem embora. Fiquei lá por um longo tempo, até que água se tornou morna. Saí e me sequei, colocando meu roupão.
Gabe estava deitado na minha cama, sorrindo com malícia. Era incrível quanto ele conseguia me animar só com um olhar bondoso e brincalhão. Deite-me ao seu lado, abraçando-me a ele, que apenas ria mais um pouco.
— E então, está afim de repetir a cena com o francês? — arqueou uma sobrancelha. — Porque sua irmã acabou de entrar no quarto dele e as janelas estão fechadas; e a porta, trancada.
— Deixe-os serem felizes, Gabriel! — brinquei, socando-lhe o ombro. — Isso está me cheirando a muita inveja, sabia?
— Hm... Acho que não, minha vida sexual é, definitivamente, melhor que dele. Rose é fofa, mas né, ela não é um cara — fez piada. — Dean está meio tenso hoje. Sabe o que pode ter acontecido?
Pensei em falar, mas achei melhor deixar quieto. Ainda que Gabriel Leger não fosse o maior cumpridor de regras de Illéa, algo ilegal como estelionato poderia encrencá-lo — mais — com seu pai. Apenas dei de ombros e suspirei.
— Talvez seja só o trabalho — sorri, abraçando-me a ele. Gabe era o irmão mais velho que eu não tive, sempre portando os melhores conselhos do mundo. E, claro, sempre me acobertando. — Acha que eu e Matheo daremos certo?
O loiro tencionou os músculos e prendeu a respiração.
— Vocês ficam bem juntos — falou, por final.
— Mas... — questionei.
— Não sei. Algo dentro de mim diz que ele vá te magoar — desabafou. Não sabia se Gabriel tinha conhecimento de algo, ou se era apenas ciúmes de irmão. Provavelmente, o segundo.
— Okay. Acho que posso lidar com isso. Contanto, é claro...
— Que ele não traia sua confiança — completou. — É, eu conheço você faz dezoito anos, pirralha.
— Otário — revirei os olhos. — Você não tem uma ronda para fazer, não? Já são cinco pras seis, creio que certo doutor termina o turno em poucos minutos.
— Como sempre, certa — beijou-me a testa e saiu da cama em um pulo, ajeitando-se em sua farda. — Cuide-se, Alexa.
E saiu, mas a porta não chegou a se fechar. Matheo encarou-me pela fresta, muito possivelmente tentando descobrir se eu estava dormindo ou não. Sorri para ele, que adentrou o quarto sem muitos alardes, trancando a porta atrás de si e se sentando à beira da cama. Desamarrou os sapatos e retirou as meias, atos tão simples e cotidianos, mas que me fascinavam e me cativavam a cada dia que se passava.
— Como foi? — perguntou-me, deitando-se onde Gabriel se deitara minutos antes. — No médico — explicou-se, ao não obter resposta.
Não sei o que me levou àquilo; as palavras simplesmente saltaram da minha boca.
— Bom, era apenas uma tontura por deficiência de vitaminas — dei de ombros, encarando o exame no criado mudo e lhe entregando, sem olhá-lo nos olhos. — Alarme falso. Negativo pra hCG.
Ele franziu o cenho, analisando o papel rapidamente. Seus ombros se retraíram, e um suspiro curto escapou de suas narinas. Colocou os exames de lado e me puxou para mais perto, envolvendo-me no seu abraço.
— Tudo bem, anjo — sussurrou, brincando com meu cabelo. — Nem estávamos tentando. Talvez seja melhor assim, por hora. Tudo ao seu tempo, sabe? E ainda temos todo o tempo do mundo — Sorri, instintivamente. Talvez ele estivesse certo, talvez Dean tivesse certo. Colocar uma criança no mundo, mesmo quando se é da realeza, muda muito mais do que apenas uma vida. — Je t’aime.
Senti meu coração se desmanchar. Era muito mais natural quando conversávamos em francês, e Matheo nunca havia dito que me amava. Não em sua língua mãe, com tamanha espontaneidade.
— Nous avons besoin de se marier bientôt, Matheo Delacroix — toquei seu rosto, selando seus lábios com os meus, por alguns segundos. — Não aguento mais esperar. Quero que nossa vida se acerte logo.
— Je ne pensais jamais que je l'entends de vous — sussurrou. — Afinal de contas, em que língua conversaremos? Essa alternância ainda vai foder com a minha mente.
— Você se acostuma.
Puxei-o para cima de mim, beijando-o profundamente. Matheo apoiava-se em seus cotovelos e me beijava com calor, carinho e amor. Prendi minhas pernas em seu quadril, aproximando nossos corpos ainda mais. Aquilo era bom, eu poderia passar horas com o suíço sobre mim, beijando-me inteira.
— Vamos para a Suíça, anjo — pediu-me. — Abdique do trono por sua irmã, e vamos embora comigo. Por favor — Eu estava prestes a lhe responder que sim, que faria tudo o que ele quisesse, quando a ficha caiu. Meus músculos enrijeceram e minhas mãos foram automaticamente para seu peito, afastando-me. Em choque, ele se deitou do lado, enquanto levantei-me a marrei novamente meu roupão. — O que foi, Lexi?
— Desde quando você sabe, Delacroix? — perguntei-lhe, esforçando para manter a calma. A ira já subia por detrás de meus olhos, e eu sabia que estava ficando vermelha. As sobrancelhas do príncipe à minha frente se uniram, numa típica expressão de dúvida. — Desde quando você sabe que sou a herdeira, Delacroix?
Seu rosto foi de confuso a pasmo, de pasmo a derrotado. Levantou-se da cama, passando as mãos pelos cabelos, mas sem me olhar nos olhos. Andou em minha direção, mas estiquei um braço, indicando-o para ficar exatamente onde estava. Não queria aproximação. Queria respostas. Na realidade, precisava delas.
— Eu sempre desconfiei, Alexa. Quero dizer, você sempre se mostrou mais confiante e... — interrompi-o.
— Desde quando você sabe, Delacroix? — bufei. — Não me faça repetir.
— Desde a saída de Aaron — assumiu, voltando a me encarar. — Mas isso não serviu, de modo algum, como um incentivo... Você... Alexa... — ele começou a se perder em suas palavras, mas eu não queria ouvir.
— Quem lhe contou? — cortei-o, mais uma vez.
Silêncio.
— Rose — suspirou. — Rosemarie me contou.
— Ótimo. Minha irmã me vê de coração partido por um cara, e como ela sabe que, se eu não me casar, ela também não vai, simplesmente conta para um príncipe completamente sem escrúpulos que eu sou a herdeira de Illéa, e que se ele me conquistar, conquista o país também. Eles se tornam melhores amigos e planejam como fazer a mal-humorada se apaixonar perdidamente pelo cara, ainda que ele seja um completo otário — suspirei, sentindo o sangue subir à cabeça. — E o pior é que eu fui mais otária ainda por acreditar em vocês.
— Isso não tem nada a ver, Alexandra! — gritou, sem se conter. — Eu não te amo pelo seu dinheiro, eu não preciso dele, sequer faço questão! Ainda que você não fosse a herdeira, eu continuaria te amando da mesma maneira, então que diferença faz se eu sei ou não? Caleb também sabe, e aí? Rose não vai ficar com ele por isso? Poupe-me.
— Acontece que Rose não é a herdeira e, mesmo assim, Caleb está com ela. É completamente o oposto da situação que temos aqui! Eu me sinto suja, Matheo. Por ter dormido com você, por ter beijado você, por ter planejado meu futuro com você. Mas essa sujeira não chega aos pés da repulsa que sinto de mim mesma nesse momento. Por ter sido uma completa idiota, por ter acreditado em você. Arthur estava certo, você não vale os ternos que usa — desabafei. — Dê o fora do meu quarto. Ou melhor, da minha vida.
— Você não parecia nem um pouco infeliz quando achou que carregasse um filho meu, Alexa — abaixou o tom, buscando uma conversa mais pacífica.
— Por sorte que não carrego — cuspi as palavras, odiando-me por mentir daquela maneira. Mas ele não merecia o gostinho. — Adeus, Delacroix.
— Eu amo você, anjo.
— Isso não faz diferença. Não mais.
Tirei o anel do dedo e o entreguei, abrindo a porta logo em seguida. Ele apenas assentiu e saiu por ela, provavelmente esperando que minha cabeça esfriasse e eu voltasse atrás em minha decisão. Mas isso não aconteceria. Não dessa vez.
Observei-o descer as escadas, sem prestar atenção aos olhos curiosos de Rose e Caleb na porta do quarto dela, seminus. Provavelmente foram atraídos pela barulheira, e decerto estavam interessados em saber o motivo. Apenas acenei com a cabeça, em negação, e voltei a me fechar no quarto. Não chorei, mas minha cabeça rodava. Tomei um dos remédios, e me joguei na cama.
Precisava dormir.
Acordei horas depois, ainda sob efeito de medicação. Meus estômago revirava, e quaisquer resquícios de alimentos foram descarga adentro. Lavei o rosto e escovei os dentes, sentindo a garganta queimar. Tomei um copo d’água e desci as escadas, precisava de Arthur, acima de qualquer um.
Matheo terminava as malas com a porta aberta, e fechou o zíper assim que me encostei ao beiral, de braços cruzados. Tinha os olhos inchados, mas não pareceu notar minha aproximação. De costas para mim, abriu os porta-retratos e retirou as duas fotos, nossas duas fotos oficiais. Senti o coração apertar, mas não havia nada a se fazer. Ele havia cavado o próprio destino. Colocou uma delas dobrada em sua carteira, e deixou a segunda sobre a cama, só então notando minha presença.
— O helicóptero chega em alguns minutos — comentou, pegando sua mala e colocando-a próxima à porta.
— Não vai levar a foto? — questionei.
— Não... — pegou-a novamente, dobrando-a ao meio duas vezes e colocando-a entre meus dedos. Relutei, mas sua mão era firme. — É sua.
— Não a quero.
— E isso também é — devolveu-me o anel, segurando minha mão e mantendo-a fechada. — Não quero de volta. Aaron não quis o dele, eu não quero o meu. Direitos iguais.
— Okay — concordei, ainda sem conseguir olhá-lo nos olhos.
Ele ia se encaminhando em direção ao pátio, muito provavelmente para aguardar a chegada do helicóptero. Parou por um tempo e voltou em direção a mim, segurando meu rosto entre suas mãos e fazendo-me encará-lo.
— Eu sei que não estou em condições de pedir nada, mas vou — seus olhos marejavam, e, consequentemente, os meus também. — Um último beijo, Alexa. E eu sumo da sua vida. Eu só quero poder me despedir de você.
— Não pense que isso vá mudar alguma coisa — suspirei, mas assenti.
Uma de suas mãos permaneceu em meu rosto, enquanto a outra desceu para minha cintura. Matheo puxou-me para si, evolvendo-me com seus braços fortes, aninhando-me junto ao seu corpo e me beijando de maneira tão intensa que eu senti minha alma se aquecer novamente. Permiti que o beijo fluísse até onde ele quisesse, e, de fato, só nos separamos quando o barulho das hélices cortou o silêncio.
— Se você mudar de ideia... — ele se afastou, secando uma lágrima solitária, a única a cair.
— Vá — mantive-me firme, estando devastada por dentro. Era isso. O fim.
E eu o vi partir.
Fiquei em transe por um bom tempo, ouvindo o helicóptero se distanciar cada vez mais, na esperança de que o príncipe suíço simplesmente aparecesse diante de meus olhos e dissesse que não estava nem aí para o que eu havia dito, e que ele iria lutar por mim mesmo se eu não quisesse.
Mas ele já tinha feito isso. E eu simplesmente o mandei embora.
Senti meu corpo ceder. Minhas costas escorregaram pela parede, e fiquei ali, sentada no chão frio do mármore, confusa, arrependida, desolada. Não demorou muito para Arthur aparecer por lá, puxando minha cabeça para seu colo e oferecendo-me seu lenço. Aceitei-o de bom grado, bem como os afagos em meu cabelo.
— Sabe, Alexa, você já fez muita merda na sua vida, mas essa foi provavelmente a maior de todas elas — comentou. — Sejamos sinceros, quase todo mundo que esteve nesse castelo nos últimos meses sabe que é você que vai governar essa porra toda. O cara lhe pediu pra desistir de ser rainha, pra ficar com ele acima de qualquer hereditariedade. E daí que ele sabe que você é a herdeira? Ele ama você. E, mais do que isso, você o ama. É ele quem alegra seus dias, quem te faz feliz, quem esteve do seu lado quando mais precisou. Ele tomou um tiro por você. Ficou um mês em coma. Tudo isso para o seu bem. Ele arrancou risadas de você quando ninguém mais pôde, e amou você muito mais do que eu já vi alguém amar outro nesse mundo, e você simplesmente o manda embora por ele saber das coisas?
— Não está ajudando... — pigarreei, entre soluços.
— Não é para ajudar, porra — respondeu, revoltado. — É para fazer você enxergar seu erro antes que seja tarde demais. Por que o deixou ir?
— Porque ele me traiu. Eu não tolero isso.
— O mundo seria um lugar incrível se esse fosse o pior tipo de traição no mundo, Alexa — suspirou. — Não me faça parar aquele helicóptero na corrida, você tem um telefone, e o piloto do helicóptero também. Faça-o voltar. Você sabe que precisa dele.
— Não preciso — bufei.
— Não precisa. Mas quer — levantou-me de seu colo, colocando-me de pé. — Até quando vai abrir mão da felicidade por orgulho?
Arthur estava certo. Quando algo em sua moral não lhe permite ser feliz, é porque há algo de errado. E, sinceramente, eu pouco me importava em ser justa a essa altura.
— Eu amo você, seu filho da puta — beijei-lhe as bochechas, saindo em disparada em busca de um telefone.
Eu precisava trazê-lo de volta.
A meia hora que se passou foi agoniante. Eu andava de um lado para o outro — comendo uma bolacha de água com sal, depois de muito esforço do dinamarquês —, impacientemente. Perguntas assolavam minha mente, como: será que não é tarde demais?; ou será que nossa relação será a mesma?. Não ter resposta era quase pior que não tê-lo ali comigo. Quase.
Quando o som das hélices se tornou mais alto, corri para o gramado, não me aguentando de ansiedade. Arthur, ao meu lado, implorava para que eu fosse mais devagar — afinal de contas, ele ainda queria que eu tivesse o bebê para que ele fosse o padrinho —, mas eu não conseguia. Precisava abraçar Matheo Delacroix mais uma vez, e dizer-lhe tudo o que estava preso em minha garganta.
Mas algo estava errado naquela noite. O helicóptero já havia pousado, mas o motor não fora desligado. Diante dos meus olhos, a máquina começou a tremer e chacoalhar, como se estivéssemos sendo atingidos por um terremoto. Mas Illéa não tinha terremotos. Tarde demais, percebi o que acontecia.
O helicóptero começou a cair, desmontar. Grandes peças suas simplesmente vieram ao chão. Num movimento rápido, o piloto jogou-se para a fora, rastejando pela grama para longe, mas onde estava Matheo? Corri em direção ao perigo, pouco me importando se quilo caísse em cima de mim, mas era tarde demais. Do outro lado do helicóptero, Delacroix estava caído, com uma grande peça perfurando seu abdômen de fora a fora.
Eu gritei, em pânico. Arthur correu e arrastou-o para longe da máquina, e eu fui atrás. Precisava fazer algo, eu não poderia simplesmente aguardar o socorro. Tirei meu roupão e fiquei somente de camisola, ignorando o frio congelante. Eu precisava estancar aquele sangramento.
Coloquei a peça de roupa ao redor do pedaço de metal, e minhas mãos se encheram de sangue. Eu precisava tirar aquela peça de lá, mas algo dentro de mim — a minha única parte sã — dizia que, se eu o fizesse, ele morreria em poucos segundos. Tentei manter a calma, eu não poderia surtar. Não quando Matheo precisava de mim.
— Matheo... Amor... — chamei-o, na tentativa de mantê-lo consciente. — Fique comigo, ok? Isso... Olhos abertos...
Delacroix recobrou a consciência por alguns segundos, mas não se desesperou ao ver o próprio sangue. Tinha uma expressão serena. Encarou Artur por alguns segundos e disse-lhe alguma coisa que não entendi. Quando fitei o dinamarquês, ele apenas deu de ombros, e seus olhos indicavam não ter entendido, também.
— Alexa... Mon ange... — sorriu e, com isso, cuspiu um pouco de sangue. A peça perfurava seus órgãos internos, e aquilo me desesperou. Lágrimas irromperam por meus olhos, e tive que me controlar para não gritar. — Je t’aime — um suspiro escapou por seus lábios, e sua mão, também ensanguentada, colocou-se sobre meu ventre. — Je vous aime.
— Soyez forts, Matheo — implorei. A essa altura, eu daria minha vida para salvar a dele. — Notre fils a besoin de vous. J'ai besoin de vous — deitei-me em seu peito, já não sendo mais de conter as lágrimas e os soluços. — Fique comigo. Eu amo você, Matheo. Eu amo você, eu preciso de você. Não desista.
Mas era tarde demais. Minhas mãos estavam sujas com o sangue de Matheo Delacroix.
Seu peito não subia mais, seu coração parara de bater. Seus olhos hazel haviam se fechado mais uma vez, e, dessa vez, era para sempre. Um grito meu cortou a atmosfera quieta da madrugada de Angeles. Ele havia partido para nunca mais voltar e, consigo, levara minha alma.
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