Two Crowns
43 Capítulo XLII
Notas iniciais

Semanas. Duas semanas. Eu tinha perdido duas semanas apenas em projeto, política e debates. A semana que Alexa ficaria fora de Illéa, na Suíça com Matheo Delacroix, eu tinha de folga. Eu tinha ordens de tirar alguém da minha elite ainda durante essa semana. Era por isso que eu precisava conversar com Arthur, ou porque eu precisava ter um encontro com William, conversar um pouco com Dimitri... e tentar não ignorar Caleb. O que ele havia dito ainda me machucava, e eu sabia que machucava porque fazia sentido.
Mas a pior parte era o que Gabe havia dito. Era a mais pura verdade. Alexa havia se decidido, eu era a próxima rainha de Illéa, a Elite estava sendo finalizada... Isso tudo explicava porque eu precisava tomar um remédio para dor de cabeça ao acordar, e outro ao dormir. Algumas vezes eu já tinha tomado mais de três vezes por dia, também. Não que eu me orgulhasse. Hora ou outra eu iria acabar me acostumando com todas as responsabilidades... assim esperava.
Enquanto caminhava com Arthur, subindo para o terraço escondido do palácio, para que pudéssemos apreciar Illéa — e conversar —, eu pensava no que poderia dizer a ele. Que eu não sabia o que queria? Eu sabia. Que eu não queria machucar seu coração? Eu ia.
Tirei a chave do pescoço, então colocando-a na porta e vendo Gravesen revirar os olhos.
— Se eu soubesse que essa era a chave mestra...
— Tentaria roubá-la? — Provoquei. Ele deu de ombros.
— Eu não tentaria roubá-la, eu roubaria.
Ri fracamente, abrindo a porta e deixando-o passar na frente. Coloquei a chave no pescoço novamente, um presente de Alexa. A original agora era minha, mas ela tinha uma cópia, também, por motivos óbvios. Óbvio que ela poderia nunca precisar, mas perto do que os sulistas eram capazes... ah, eu não queria nem pensar, havíamos mantido pesquisas e mais pesquisas sobre os rebeldes durante anos, mas agora Alexa tinha encontrado algo que valia a pena, e estava nas minhas mãos decidir.
Uma coisa de cada vez, Rosemarie. Era hora de resolver os assuntos com Arthur, então com William, e depois eu iria me preocupar com aqueles malditos rebeldes.
Ele se encostava no parapeito, o antebraço apoiado no parapeito, o olhar distante... Eu quase conseguia me apaixonar novamente. Quase.
Parei ao seu lado, olhando o país tão longe. Tinham prédios altos, mas nossas regras eram claras: nenhum deles podia ser mais alto que o palácio real, pois assim garantiria pontos de invasão. Já tínhamos de mais para nos preocuparmos com mais uma.
— Illéa é linda. — Concordei com a cabeça, avaliando tudo o que era, teoricamente, meu.
— Aposto que há melhores. — Brinquei. Arthur riu baixo, então se desencostou do parapeito, me encarando.
— Eu sei o que você pretende. Você veio aqui para conversar sobre nós. Não é? — Concordei. — Entendo. — Ele me encarava olho no olho. — Mas antes de você dizer algo, quero te dizer uma coisa. — Ele ia dizer que me odiava? Porque era a melhor explicação. — Uma última cena, Rose. Um último momento. Até Romeu e Julieta tiveram um. — Ri mais alto do que deveria.
— Comparando-nos com Romeu e Julieta, Gravesen?
— Não, só quis dar um exemplo mesmo. Seríamos Romeu e Julieta se nos amássemos como eles, mas...
— Mas não nos amamos assim. Essa última cena só vai servir pra piorar as coisas, Arthur. — Ele revirou os olhos para mim.
— Não. Vai servir para nos afastarmos. Você não pode me mandar embora por eu ser da elite de Alexa, mas pode pedir que eu me afaste, que é o que você vai fazer. Então... — Ele deu de ombros, abrindo o sorriso de elfo maligno do papai noel. Abri um sorriso.
— Eu consigo entender porque eu me apaixonei por você.
— Você ainda é apaixonada por mim? — Concordei com a cabeça. — Ótimo, assim não sou o único idiota da relação.
— Eu só não acho certo. — Expliquei. — Manter você com a cabeça focada em mim quando não consigo me ver ao seu lado. Passei anos acreditando nisso, mas... não vejo isso agora.
Ele concordou.
— Eu também acreditava nisso... até ver você ser roubada e vê-la nos braços do Vermont.
— Não vamos nos casar.
— Ah, é? — Provocou, piscando para mim. — Porque eu realmente posso jurar que...
Empurrei ele contra a parede do lado da porta, colando minha boca na sua.
Ele riu entre o beijo, mas não cortou-o. Apenas subiu as mãos até minha nuca, enquanto as minhas iam para seu peito, então indo até sua nuca. Ele desceu uma das mãos até minha cintura, enquanto eu mesma sentia-o vacilar ao pensar em descer ou não a mão. Foi quando ele desceu a mão com força, me prensando contra ele e nos girando. A parede atrás de mim era mais dolorida do que eu gostaria, também.
Ele desceu as mãos até minhas coxas, me levantando e empurrando o vestido. Tranquei minhas pernas em sua cintura, puxando seu cabelo com força enquanto ele se afastava, descendo os beijos pelo meu pescoço.
Não, não fizemos amor ou fodemos, se essa é uma dúvida. Continuamos por bons minutos — ou seriam horas? — ali, apenas aproveitando os últimos instantes de nossas vidas. Vidas que poderiam ter sido juntas se não tivéssemos cometidos inúmeros erros.
Amor acaba, infelizmente. Eu gostaria de dizer o contrário, mas seria mentira. Amor acaba, o meu acabou. O de Arthur também, eu podia ver isso.
Quando nos afastamos, ele puxou fôlego, abrindo um sorriso cafajeste do caramba.
— Melhor despedida que eu poderia pedir. — Ri baixo, soltando o que havia restado de minha trança, então deixando meu cabelo em um rabo de cavalo. Gravesen analisou todo o processo, então apontou com a cabeça para o vestido. — Recomendo você trocar para um vestido com uma gola mais alta. — E então abriu um sorriso malicioso enorme. — William não vai gostar dessa marca. — Provocou, enquanto eu estreitava os olhos.
— Como você sabe que tenho um encontro com William?
— Eu tenho minhas maneiras, Schreave.
Levantei as sobrancelhas.
— Eu subornei uma das suas criadas. — Concordei com a cabeça, revirando os olhos para ele. — Quando se tem dinheiro, tem que usar para coisas úteis.
— Que tal contratar um hacker? Seria mais útil. — Me arrependi instantaneamente de ter dado a ideia. Ele abriu um sorriso brincalhão.
— Você realmente é a gêmea má.
Revirei os olhos para ele.
— Alexa que sabe usar uma arma.
— Eu vi você treinando nas últimas semanas.
— Ela continua sabendo usar uma metralhadora.
— Você aprende. E você sabe cavalgar e usar um arco e flecha perfeitamente ao mesmo tempo. Alexa não.
— Quantos criados você subornou? — Perguntei, ele franziu o cenho, então contando nos dedos.
— Cinco na última semana.
— Na última semana?
Ele abriu um sorriso maldoso.
— Você precisa aprender que algumas informações não vem tão facilmente quanto outras, Rose.
Ri fracamente, então suspirando.
— Realmente gostaria de poder dizer para tentarmos, mas eu disse isso da última vez e não foi o suficiente.
— Eu entendo, Schreave, é por isso que não discuti. Realmente entendo, apesar de nós dois sabermos que a situação não é das melhores. — Abri um sorriso contido, enquanto ele passava a mão pelo meu rosto. — Quero um convite pro seu casamento, se possível também quero ser padrinho.
— Pra ser o padrinho bêbado? — Ele deu de ombros.
— Alguém precisa assumir o papel, não?
Ri fracamente.
— Obrigada por tudo, Gravesen.
— Não faça disso uma despedida, vamos dizer apenas como um aviso para que eu não dê uns pegas em você. — Abri um sorriso enorme, então abraçando ele.
— Seja feliz, vossa alteza.
— Seja feliz, futura rainha. — Me afastei dele, levantando as sobrancelhas.
— Alexa é minha melhor amiga, é óbvio que eu sei disso.
Eu devia ter imaginado.
Saímos dali, enquanto eu ia até o quarto, pegando a base, corretivo e pó. Passei os três no pescoço, garantindo que nenhuma marca estivesse à mostra, e então arrumei a chave no pescoço. Meus olhos foram para a banqueta do piano que eu tinha em meu quarto, uma cópia não tão exata do piano que Alexa tinha no dela, e fui até a banqueta. Abri-a, pegando a pasta e foleando suas páginas.
Parei no último documento. Ele era lacrado, então rasguei o papel e conferi as fotos.
Guardei todo o resto da pasta, me sentando na banqueta e colocando as quatro fotos lado à lado sobre o teclado fechado do piano.
Eu e Arthur. Eu e Caleb. Eu e William. Eu e Dimitri.
Passei a foto de Arthur por último, colocando a de William por cima e então observando as fotos de Caleb e Dimitri.
Passei as unhas pelas fotos, suspirando. Empilhei todas as quatro, abrindo meu guarda roupa e procurando pelo diário lá dentro, então abrindo ele na primeira página e colocando as fotos ali.
Senti-me tentada a conferir o que Caleb havia escrito, eu realmente me sentia tentada a isso, mas sabia que não estava pronta.
Tinha medo de que o que ele tivesse escrito ativasse completamente todas as minhas emoções por ele, e eu não queria isso. Não agora, não quando eu precisava manter a cabeça focada em outras coisas. Já me bastava o fato de ter planejado aulas de francês com ele, para que meus pais acreditassem que eu estava tendo encontros com todos os três príncipes. Já me bastava isso.
Desci para o primeiro andar, caminhando pelo corredor e vendo William parado nas portas do salão.
Ele abriu um sorriso para mim, e assim que me aproximei ele se abaixou, beijando minha mão.
— Australianos sempre fazem isso? — Brinquei, sorrindo fracamente.
— Só quando queremos impressionar. — Piscou para mim, com um guarda abrindo a porta. William me deixou passar na sua frente, e nós dois entramos no salão de música.
Fazia tempo que eu não ia ali. Havia muitíssimas lembranças, além de eu ter instrumentos no meu quarto. Como minha mãe tinha decidido que eu e Alexa não precisávamos mais de um professor de música, ela se responsabilizou novamente por nos ensinar quando achássemos necessário. Não que isso fosse acontecer.
William observou o salão, cauteloso.
— Ainda machuca? — Perguntou, passando os dedos pelo piano, as teclas fazendo sons conforme ele as apertava.
— Não. — Falei, observando o salão. — É diferente. — Ele concordou, me encarando e então sorrindo fracamente.
— Obrigada pela chance. — Dei de ombros.
— Nada mais justo. Estaria sendo completamente ignorante se não lhe desse nenhuma chance.
Ele concordou, parando atrás de um violino e me encarando.
— É seu instrumento favorito, não?
Concordei com a cabeça, indo até ele e pegando o violino, virando-o entre minhas mãos.
Senti o peso dele antes de arrumar minha postura e apoiá-lo em meu ombro, tocando cinco notas antes de levantar o olhar e encarar William, que me observava.
Observei ele por instantes, entendendo o que Caleb havia dito.
William era um poço de segredos, era ainda mais fundo que Kyle. William não estava em dúvida entre mim e Alexandra, ele já havia notado qual era a herdeira, e se eu bem entendia...
Ele queria a coroa.
Abri um sorriso fraco, então desapoiando o violino de meu ombro e mostrando para ele.
— Tente. — Abri um sorriso brincalhão, enquanto ele bufou.
— Os australianos não...
— Não tocam? — Pisquei para ele. — Se acabarmos juntos, é bom que você saiba tocar. — Ele riu mais alto que eu estava acostumada a ouvir, pegando o violino e tentando algumas notas.
Fiz uma careta com o som.
— Realmente, entendo porque não tocam. — Ele tentou mais algumas, enquanto eu fazia uma careta. — Ok, pelo amor de Deus, Davis, me dê isso. — Ele riu fracamente, dando de ombros.
— Não vi a Princesa Alexandra hoje, ela está mal? — Perguntou, enquanto eu levantava as sobrancelhas para ele.
— Você não sabe? — Ele me encarou, confuso. — Alexa está indo para a Suíça com Matheo. — A boca de William se abriu em um perfeito O.
Ele estava blefando.
Ele piscou algumas vezes, fingindo choque, comigo dando de ombros.
Contive o revirar de olhos quando vi um reflexo de espelho pela cortina.
Caleb estava me espionando.
Sério? Eu quase podia jurar que Matheo estava junto, se não soubesse que o Suíço estava indo visitar os pais e informar a escolha de Alexa.
William e eu conversamos mais um pouco, mas não havia muito assunto, principalmente por ele não me conhecer, eu não conhecê-lo, e ainda sim estar claro, na minha mente, que ele não me queria, e sim a coroa, que era o que eu podia dar à ele.
Maxon sempre havia se preocupado com isso, era uma das suas maiores preocupações antes de a Seleção começar. As princesas de Illéa sempre se casavam com príncipes para formar alianças, mas como não tínhamos nenhum irmão homem, aquela era nossa seleção. Como apenas uma das herdeiras de Illéa subiria ao trono, os não herdeiros de outros países queriam garantir o casamento para que algumas famílias comandassem dois países. Era um jogo de política e tanto, mas era o que a realeza fazia.
Eu ensinava algumas notas no piano para William quando me levantei, deixando-o tocar uma leve melodia. Me encostei no piano, ficando de frente para Caleb e ainda podendo ter uma visão de William.
Encarei Caleb, irritada, enquanto ele abria um sorriso malicioso e então falando sem voz um “sério, Rose?”.
Trinquei os dentes para ele, voltando meu olhar para William, que já terminava a última nota.
— Nada mal, Davis. Talvez você possa ensinar isso para seu irmão. — Ele abriu um sorriso fraco, me encarando. — Não consigo forçar mais, William. — Abri um sorriso triste.
Ele concordou.
— Entendo. Você está dispensando?
— Preciso retirar alguém da elite, tentei lhe dar uma chance, ou algumas, mas não vejo química.
Ele concordou, se levantando e então me dando um beijo no rosto.
— Você pode partir amanhã. — Expliquei, encarando-o nos olhos. — A viagem até a Austrália é longa e cansativa, arrume suas coisas com calma. — Ele concordou, segurando minha mão e apertando-a.
— Escolha bem, Rosemarie.
Abri um sorriso fraco, então piscando para ele.
— Tomara que alguma princesa por aí se apaixone por você, William.
Ele abaixou a cabeça num cumprimento, se virando e saindo.
Assim que as portas bateram, Caleb bateu uma única e alta palma.
— Finalmente, estava quase dormindo, sério, Rose.
Revirei os olhos para ele, arrumando minha postura tranquila para séria.
— Eu poderia te expulsar por isso.
— Mas não vai. — Ele caminhou até mim, estalando o pescoço. — Sinceramente, é ótimo que você não tenha sido tão entediante nos nossos encontros, eu teria me matado na primeira semana. — Não pude deixar de sorrir, então negando com a cabeça.
— Tenho que ir treinar, Vermont.
— Eu sei, vou treinar com você.
Levantei as sobrancelhas.
— Não, não vai.
Ele cruzou os braços.
— Oui, je vais.
Bufei, irritada.
— Faça o que quiser. Não entendo francês.
Me virei, ignorando ele completamente e abrindo as portas.
Caleb me alcançou em segundos.
— Você ainda não entende, nossa primeira aula começa em exatamente... — Ele conferiu o relógio no pulso. — Cinco horas, trinta e dois minutos e sete segundos.
Bufei, rangendo os dentes.
— Caleb, eu tenho um encontro logo após o almoço, preciso me focar no treinamento.
— Você não vai nem notar que eu estou lá. Juro.
Não respondi ele, mas ele realmente manteve a palavra.
Caleb tinha conversado comigo algumas vezes nessa última semana, ele e Dimitri eram os que mais me viam, já que estudavam juntos na biblioteca e eu constantemente estava indo lá para pesquisas. Eles também me viam muitas vezes na sala dos homens, em reuniões secretas com meus pais. Como eu era a próxima herdeira, os conselheiros já não saíam mais do gabinete de meu pai, e como tínhamos um conselheiro traidor entre nós, preferíamos manter algumas reuniões em segredo.
Meio dia em ponto Carmyrin apareceu, informando que o almoço iria ser servido em exatos cinco minutos.
Logo após o almoço, Dimitri e eu gargalhávamos enquanto cavalgávamos. Ele corria na frente, fazendo com que eu risse do quanto ele estava tenso em cima do cavalo. Forcei minha égua mais alguns metros, cavalgando ao seu lado e virando meu rosto.
— Na Rússia é possível cavalgar? — Perguntei, com ele diminuindo a velocidade, também o fiz.
Ele deu de ombros.
— Em algumas regiões. Minha família em um château no sul da Rússia, o clima lá é ameno, mas mesmo no inverno se torna complicado. — Concordei com a cabeça, cavalgando normalmente ao lado dele. — Gosto de lá, sabe? — Encarei ele novamente, concordando. — Sempre gostei da Rússia, acho que é por ser um país tão vasto, tão enorme, mas ainda sim tão lindo à sua maneira. Acho que a Rússia foi um dos poucos países que conseguiu manter grande parte intacta com tantas guerras entre nós. — Concordei com a cabeça, abaixando os olhos para a crina da égua, passando os dedos pela trança.
— E você, o que mais gosta em Illéa? — Encarei ele, abrindo um sorriso brincalhão.
— Tudo. Eu amo absolutamente tudo. Até o cheiro de pães em Illéa é incrível.
— Aposto que tem o mesmo cheiro na Inglaterra. — Piscou para mim.
— Eu diria que não. Acho que Illéa sempre foi meu lar.
— É por isso que você demorou para se abrir com outros príncipes. — Notou. Concordei com a cabeça. — Os que serão futuros reis é mais complicado, você estava esperando a decisão de Alexandra e agora que ela decidiu, você dificilmente poderá se casar comigo.
Mordi a boca internamente, decidindo o que deveria falar.
— Ela não se decidiu completamente, ainda não divulgamos nossas escolhas, mas... a elite está praticamente dois a dois. Mandei William embora horas atrás, e em breve Alexa também escolherá quem mandará embora. Matheo, Arthur ou Daniel. Minha elite contém dois. Você ou Caleb. Se eu mantive você, é porque eu ainda posso, mesmo que seja mais complicado. — Ele me encarou, levantando as sobrancelhas, desacreditado. Ambos os nossos cavalos pararam no meio do campo, com os guardas ficando inquietos por isso. Era compreensível, estávamos à céu aberto, seria fácil jogarem um míssil ou qualquer outra arma de guerra em nossas cabeças. — Qualquer coisa passamos os seis meses de frio em Illéa, e os seis meses de suposto calor na Rússia. — Brinquei com ele, piscando, com ele revirando os olhos.
— Você faria isso?
— Pra tudo há seu jeito, Ivanov. Tudo.
Ele parou por alguns segundos, então franzindo o cenho.
— Espere, você disse que Arthur e Matheo são da Elite de Alexa, mas a sua elite tem Matheo, e teoricamente você e Alexa trocaram quando você começou a sair com Arthur.
— Sim. — Concordei, deixando-o raciocinar.
— Você mandou Gravesen embora? — Falou, em choque.
— Claro que não. As Elite ainda são, oficialmente, com Arthur na de Alexa e Matheo na minha, além de as duas precisarem opinar. Apenas conversamos. — Dei de ombros. — Minha decisão final é entre você e Caleb.
Dimitri me encarou, levemente em choque, antes de abrir um sorriso convencido.
— Aposto que você não me alcança. — E então ele saiu correndo com seu cavalo.
No final das contas eu alcancei ele.
Enquanto saíamos do centro de equitação, eu podia ver que ia ser uma disputa acirrada.
Dimitri estava conseguindo me ganhar, e Caleb, infelizmente, me fazia ter sentimentos por ele.
Fui até meu quarto, pegando a bolsa pequena e apoiando-a em meu pescoço e ombro, fazendo ela cortar meus dois seios.
Era estranho usar bolsa, mas eu gostava daquela em particular.
Enquanto ia até o gabinete de meu pai, abri a bolsa, enrolando o fio da câmera no pulso e então conferindo as fotos anteriores já tiradas. Abri um sorriso para algumas, quase batendo em alguns guardas pelo caminho. Parei na porta da sala de Maxon, então abrindo ela lentamente e vendo-o concentrado em alguns papéis na mesa. Preparei a câmera, tirando uma foto, o que fez sair um “clique” alto, e Maxon levantou o olhar, então abrindo um sorriso radiante e piscando.
— Criando gostos como o do próprio pai, Schreave? — Brincou, enquanto eu sorria fracamente.
— Alexa ficou com as características do senhor, eu peguei as da mamãe, acho que posso inverter uma ou outra.
Ele retribuiu o sorriso, voltando o olhar para a papelada.
— Você não tem aula com Vermont?
Bufei.
— Sim, tenho. — Maxon levantou o olhar e as sobrancelhas, me encarando. — Não é nada. Estou indo. — Ele concordou, enquanto eu fechava a porta e me virava, descendo as escadas tranquilamente e indo até a biblioteca, onde Caleb me esperaria.
Preparei a câmera, entrando na biblioteca e vendo Caleb me encarando de braços cruzados, em pé ao lado de uma mesa com dois livros abertos.
Tirei uma foto, enquanto ele levantava as sobrancelhas.
— Você está dois minutos atrasada e ainda ousa tirar uma foto?
Levantei as sobrancelhas como resposta, ignorando ele e tirando a câmera de meu pescoço, deixando-a em uma poltrona ao meu lado e me sentando.
— Onde começamos?
— Pela gramática básica. — Ele bufou, sentando-se ao meu lado e abrindo um dos livros, me informando a página antes de começar a explicar a lógica do francês.
Enquanto estudávamos, eu podia ver ele me analisando. Assim que terminei a última tentativa de entender o francês básico — e conseguir isso —, Caleb abriu um sorriso tranquilo.
— Pronta para tentar russo?
Revirei os olhos para ele.
— Não, obrigada. — Ele abriu um sorriso brincalhão, então mudando para maldoso.
— Vous êtes chaud aujourd'hui — Bufei, mas me recusei a perguntar o que ele queria dizer, apenas peguei o dicionário na mesa, então traduzindo palavra por palavra. Pelo menos dez minutos depois eu encarei ele, bufando.
— Sério, Vermont? — Ele abriu um sorriso malicioso.
— Eu não menti. — Bufei, irritada com isso.
— Ok, Vermont.
Ele se encostou na cadeira, passando a mão pelos lábios e me analisando.
— Como andam as coisas com os conselheiros?
Política era melhor do que sexo, realmente. Bom... conversar sobre política era melhor que conversar sobre sexo.
— Boas, até. — Dei de ombros. — Eu e meu pai andamos ignorando alguns deles, ficando de olho em informações repassadas, ouvidos nos lugares errados, esse tipo de coisa. Temos alguns suspeitos. — Caleb concordou, ainda me analisando.
— Você está cansada. — Analisou.
— Claro que sim.
— Que horas você tem ido dormir?
Bufei, sentindo vontade de bater com minha cabeça na mesa.
— Você quer terminar a conversa aqui? Porque é isso que vai acontecer se você continuar com isso.
Ele revirou os olhos.
— Não está mais aqui quem falou. E os sulistas?
Olhei em volta, preocupada.
— Como você...
— Matheo comentou algo comigo sobre isso. — Malditos príncipes. — Não sei de tudo, ele apenas me falou que Alexa andava perdendo os cabelos sobre isso, como notei que você começou a ter olheiras no exato momento que ela pisou para fora desse castelo, que foram há exatas nove horas e cinco minutos atrás, imagino que ela tenha passado o problema para você.
Tudo o que eu fiz foi levantar as sobrancelhas para ele.
— Como diabos você consegue notar tudo isso? — Ele deu de ombros, abrindo um sorriso brincalhão.
— Eu analiso. Falando nisso, você chutou Gravesen, não?
Caleb era irritante. Muito. Tanto que eu queria estar armada.
— Por Deus, Caleb, vamos voltar para a política. — Ele riu, se apoiando na mesa e concordando. — Acredito que os rebeldes possam ter um tipo de hierarquia maluca. Os nortistas eram ótimos, e até hoje tem ligação com meu pai, e prometeram tentar manter a ligação comigo ou com Alexa. Em breve vou ter que contatá-los, a propósito. Mas os sulistas são mais complicados, não sabemos toda a motivação deles, mas temos algumas ideias e... bom, elas não são nada, absolutamente nada, boas.
Caleb concordou.
— No que precisa de mim, Vossa Alteza?
Encarei ele por alguns segundos antes de responder.
— Quem te garante que preciso da sua ajuda?
— Ninguém, apenas ofereci minhas mãos e meu cérebro. — Ele parou por alguns segundos antes de me encarar novamente. — As mãos não são pros sulistas, é claro.
Bufei, então me encostando na cadeira, pensativa.
— Não vou metê-lo nisso, Vermont.
— Por quê?
— Porque se nos casarmos você vai ter muito tempo para criar cabelos brancos pelos sulistas. — Pisquei para ele, fechando meu livro e me levantando.
— Onde você vai? — Ele parou. — Isso significa que você está se decidindo?
— Quase. — Respondi sua última pergunta. — Vou me retirar aos meus aposentos, Caleb.
Peguei o livro e minha câmera, então me virei e saí caminhando tão rapidamente que mais parecia uma corrida.
Eu acho que talvez tivesse a solução para os sulistas.
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