Notas iniciais
RÉ-LOU, PIPOU! Drama Queen está um tanto quanto empolgada porque descobri hoje que passei na facul que queria, no curso que queria. Chorei horrores. Como agradecimento ao meu querido KARMA que sempre funciona, fiquei até de madrugada na sexta de Carnaval só pra publicar mais um capítulo mega meigo de Malexa. Aproveitem enquanto ainda é tempo HU3. Um agradecimento à Lady West pela recomendação (desculpe a Cams por ter esquecido, e me desculpe por não tem lembrado ela hahahahaha). Enjoy! — D. Queen

Acordei com um Matheo impaciente revirando na cama. Por incrível que pareça, ele procurava uma maneira de sair de lá sem me acordar. Não teve muito êxito, diga-se de passagem. O sol ainda não havia surgido completamente no horizonte e, por estarmos no fim do outono, julguei que fosse quase sete da manhã.

— Ainda está cedo... — resmunguei, passando meu braço sobre seu peito e puxando-o de volta. — Fique mais um pouco, hm?

— Eu estive pensando — ele rapidamente se desvencilhou, levantando-se e indo até minha escrivaninha —, esse líder dos rebeldes sulistas...

— Santo Deus, Matheo, você passou a noite em claro? — sentei-me, notando as marcas arroxeadas sob seus olhos. — Eu não deveria ter mostrado esse projeto pra você.

— Claro. Casar? Tudo bem — ironizou. — Dividir os projetos? Nunca.

— Não é bem assim — argumentei.

— Tem razão. Não está tudo bem em casar, não é mesmo? — virou-se para frente, mexendo nas pilhas de papéis. — Você ainda vacila. Eu notei.

— Matheo... — levantei-me e o abracei por trás, depositando um beijo em sua nuca, e outro em sua bochecha. Eu odiava vê-lo daquela maneira, ainda mais por culpa minha. Eu realmente vacilava em casar. Mas era o que meu instinto dizia ser melhor: aguardar um pouco mais. — Conte-me, o que descobriu?

— Bom... — ele sorriu com a proximidade. Aproximei meu rosto do seu, analisando os papéis. — Você lembra que tínhamos oito nomes antes de simplesmente zerarmos, certo? Veja bem, anjo, acho que procuramos errado. Não acho que o líder dos rebeldes tenha sido afetado diretamente por medidas tomadas por seu pai ou seu avô.

— Então... — dei-lhe espaço para continuar. — Como podemos... Você sabe...

— Pense por um minuto, Alexa — ele se levantou, segurando três fichas em sua mão, sem me deixar olhar as informações. — O que há de mais importante que nós mesmos?

Não respondi. Peguei as fichas e coloquei-as sobre a escrivaninha, pulando em Matheo. Ele me segurou sem dificuldades, rindo da minha atitude. Prensou-me contra a parede para ter uma maior mobilidade dos braços enquanto eu o beijava. A resposta? Família. A única coisa no mundo pela qual somos altruístas.

Desci de seu colo na mesma velocidade em que subi, pegando os papéis e correndo com eles em direção ao quarto de Rose. Matheo e Gabe me seguiram, e destranquei o quarto com minha própria chave. Felizmente, nenhum príncipe dormira lá aquela noite.

— Rosemarie, acorde! — exclamei, puxando suas cobertas e abrindo as cortinas. Ela não parecia de muito bom humor, mas despertou rapidamente ao ver os outros dois homens no quarto. — Tenho um trabalho para você.

— Puta merda, não sabe bater? — ela resmungou, ignorando meu olhar repreensivo sobre o palavrão. — O que é que há de tão importante pra me acordar num sábado às sete horas?

— Nathan — falei, sem medir as palavras.

— A filha perfeita aprendeu a fórmula mágica da ressuscitação? — puxou as cobertas de volta, ignorando-me. — Deixe-me dormir, em vez de cutucar minhas feridas, Alexandra.

— Não — bufei. — Mas a filha perfeita aqui pode lhe dar um nome, se quiser vingança. E eu sei que você quer, porque somos iguais, Rose.

Ela analisou a situação por um tempo. Puxou os papéis das minhas mãos e correu para fechar a porta do quarto. Acendeu o abajur para enxergar melhor, e seus lábios se fecharam em uma linha fina. Quando terminou de ler, entregou as fichas para um Gabriel extremamente curioso.

— Nosso pai não pode sequer suspeitar disso. Ele vai querer fazer justiça do jeito dele — falou, por fim. — Você tem certeza disso?

— Tenho — afirmei. — Matheo me ajudou com isso.

Ela arqueou as sobrancelhas.

— Uau, que garantia — ironizou. — O que devo fazer?

— Pesquisar. Eu lhe dei três nomes, Annabelle. Quero um. Você tem uma semana para isso, quero o nome em cima da minha mesa quando chegar — sorri. — E não pense em tomar nenhuma atitude sem me comunicar antes. Ele também feriu Matheo.

Ela concordou, segurando a mão de Gabe. Delacroix envolveu meus ombros com o braço, puxando-me de volta para o quarto e piscando para minha irmã, antes de sair. Fechou a porta atrás de nós e me levou até o espelho, abraçando-me por trás. Sorri ao ver nosso reflexo, o que fê-lo sorrir também.

Matheo usava apenas uma calça cinza de moletom, que deixava sua cicatriz e sua tatuagem à mostra. Eram bonitas. Seus braços grandes e firmes seguravam-me pela cintura, coberta pelo pijama de frio que eu usava. Era bom estar ali, sem toda a questão da sexualidade que envolvia nós dois. Sua barba por fazer roçou divertidamente pelo meu pescoço.

— Cabelo mais comprido, barba... — o suíço riu. — Tem certeza que você não quer um russo?

— Idiota — mordi o lábio, virando-me de frente para ele. — Gosto de ter onde pegar, hm?

— Eu também — ele sorriu, puxando-me para a cama. — Quero você pelo menos um quilo mais pesada nessa semana que vamos pra casa. Ainda não recuperou o que perdeu naquele mês — Matheo se referia ao mês do coma.

— Não acho que vá ser possível — brinquei. — Creio que faremos exercício de mais lá — deitei sobre seu peito, bocejando. — Tenho tempo para tirar um cochilo antes de irmos?

— Se não tivesse, eu atrasaria o voo.

Já era noite quando chegamos à Suíça. A neve já caía, conferindo à paisagem uma aparência gélida. Era até divertido que o carro oficial fosse uma 4x4 com correntes nos pneus, bem diferente das limusines de Illéa. Algumas pessoas se reuniam nos pequenos pubs espalhados por lá, e as placas com as mais diversas línguas enchiam meus olhos. Aquele lugar era lindo. Não se via a pobreza, a fome. Não se viam moradores de rua. Incrível.

O palácio era maravilhoso. Branco e dourado, tinha seu jardim inteiramente coberto pela neve. As luzes conferiam-lhe um ar majestoso, e a vegetação caduciforme congelada isolava o lugar do restante do mundo. Magnifique. Por dentro, o lugar era ainda mais exuberante. Cascatas de água morna, feitas das mais diversas pedras preciosas, aqueciam todo o salão principal. Quadros e mais quadros enfeitavam as paredes, e Pachelbel tocava ao fundo.

Charlotte Delacroix nos recebeu de braços abertos. Tinha um grande sorriso estampado por trás do batom vermelho. Apertou o filho de maneira tão forte que pela primeira vez na vida, cheguei a acreditar que uma mulher poderia ferir Matheo. Em seguida, passou seus braços para mim, abraçando-me como minha própria mãe fazia.

Mon couple préféré dans ce monde — sorriu. — Meu casal favorito nesse mundo.

— Mãe... — Ele sorriu também. — Sem exageros, hm? Nous ne sommes que des petits amis.

— Claro, claro... — pigarreou, virando-se de costas e indicando para que a seguíssemos. — Alexa, meu bem, em que época do ano pretende se casar?

— Eu gosto da primavera, Vossa Majestade — respondi, sem jeito — Et pas la peine de parler ma langue, s'il vous plaît.

— Não é trabalho algum! Há eras que eu precisava de desculpas para treinar — comentou, subindo as escadas — Só espero que meu filho não tenha desaprendido o francês nesses nove meses. É muito tempo, nove meses. Se ele não tivesse levado tanto tempo para te conquistar, eu já poderia estar segurando meu neto.

— Mãe! — Matheo exclamou, enquanto eu contive a risada. — Ainda vai levar algum tempo até darmos um neto para a senhora, tudo bem?

Nous verrons. — ela sussurrou. O príncipe ao meu lado apenas envolveu melhor meus ombros, levando no rosto a expressão de “eu bem que te avisei”.

Subimos até o quarto andar, processo que levou mais tempo do que de costume, tendo em vista minha fascinação pelo lugar. Cada obra de arte do palácio parecia sugar minha atenção por ao menos cinco minutos. Era tudo tão maravilhoso, tão novo, que me deixava admirada. As paredes das escadarias eram todas cobertas de afrescos, o corrimão de mármore havia sido esculpido diretamente na rocha da própria escada.

Mas eu simplesmente travei ao ver aqueles quadros.

Era uma sala grande, próxima ao hall do quarto andar. Parecia aparentemente vazia, não fosse por um cavalete e equipamentos de pintura bem no centro do octógono. As paredes estavam cobertas pelos mais belos quadros do Romantismo, e foi quando a minha ficha caiu. Charlotte Delacroix. Trigésima primeira descendente de Eugène Delacroix, um dos maiores pintores que toda a humanidade já viu.

Como eu não havia percebido antes? Por incrível que pareça. Havia me esquecido de que a família de Matheo não apenas fala francês, como também tem sua origem na França. E todos aqueles quadros... Eu poria minha mão no fogo se não fossem os originais.

— Os que estão no Louvre são réplicas — Matheo riu ao ver meu espanto. — Todas as réplicas foram feitas pelas quatro gerações anteriores aos meus avós. Mais da metade do dinheiro da família vem da falsificação de obras de arte. Não que eu me orgulhe disso, mas simplesmente não é possível abrir mão de um desses.

— Isso é tão... — não terminei. Aproximei-me do de maior destaque, e um dos meus quadros favoritos durante boa parte de meus estudos sobre Romantismo. — A Liberdade Guiando o Povo. Pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X.

— Por que eu não estou surpreso? — brincou.

— Por algum acaso você não teria A Barca de Dante, de 1822, teria? — questionei. Ele apenas confirmou com a cabeça, dando um sorriso malicioso. — O que preciso fazer pra você me mostrar?

Ele não respondeu. Apenas segurou-me pela mão e continuou mostrando o quarto andar. Aparentemente, aquele era o andar dele. Notei a ausência de criados apenas no momento em que o príncipe explicou o quanto a realeza suíça prezava a privacidade. Os criados só entravam quando os ambientes estavam vazios, ou nas raras vezes em que eram chamados.

— E esse é o meu quarto — ele parou em frente a uma porta dupla de mogno. O cômodo atrás dela poderia ser tão grande quanto um salão, mas era o quarto dele. — Mi casa es su casa.

— Volte para o francês, Matheo — brinquei, abrindo a porta e entrando. Já não me aguentava de curiosidade.

Puta que pariu. Só digo uma coisa: não digo nada. E digo mais: só digo isso.

O lugar me deixou sem palavras. Sabe quando você deita a cabeça no travesseiro, e pensa em como transformar seu quarto a ponto de deixá-lo perfeito? O quarto de Matheo não era apenas o meu quarto dos sonhos: era meu quarto dos devaneios, também.

Tudo era em mogno e mármore, desde a cama king size até a banheira de hidromassagem da suíte. Uma das paredes era inteiramente coberta de prateleiras, cheias de livros, e organizados não por ordem alfabética, mas por importância do autor dentro de cada fase literária. As janelas eram enormes, e cobertas por cortinas de veludo azul. As paredes tinha um tom perolado, que casava com o mármore e contratava com o mogno de maneira tão perfeita que era quase irreal que tudo isso estivesse num único cômodo. A parede da cabeceira da cama era repleta de desenhos enquadrados, e ainda que de longe, eu sabia que todos eles eram de Matheo. Uma fogueira crepitava, aquecendo o ambiente, e o jogo de cama de seda azul era um tanto quanto convidativo, diga-se de passagem.

— E você dizia que não tínhamos nada em comum.

Matheo mordeu o lábio, esperando alguma reação minha. Tudo o que eu queria era me trancar com ele naquele lugar por tempo indeterminado, e nada mais. Era simplesmente... Inacreditável.

— Isso é... Uau.

— Sabia que iria gostar — beijou minha testa e fechou a porta atrás de nós, levando-me para a cama. Um pacote grande repousava sobre a cama, envolto numa embalagem prateada. — É pra você.

Sabe aquele momento que você está tão deslumbrada por algo que se esquece dos bons modos? Foi exatamente o que aconteceu. Abri o embrulho, e minhas mãos tremiam conforme a imagem do presente se formava.

— Eugène é um gênio — brinquei.

— O trocadilho fica melhor em francês — ele riu — Eugène est un génie.

— Matheo... — pigarreei, admirando o quadro. Como ele sabia que A Barca de Dante era o meu favorito? Eu apostava em Rose. — Eu não posso aceitar.

— Por que não poderia? Ele voltará a ser meu quando nos casarmos, legalmente falando. Mas quero que fique com este, anjo — passou os dedos por meu cabelo. — S'il vous plaît.

— Eu... — suspirei. — Obrigada. É o melhor presente que eu poderia ganhar. Obrigada, de verdade. Não sei nem como agradecer.

— Eu me livraria de todos os quadros se fosse preciso pra ter você aqui ao meu lado todos os dias — colocou a pintura sobre o piano, beijando-me em seguida e jogando-nos na cama logo depois. — Mas, se faz tanta questão, consigo pensar em uma maneira ótima de me agradecer por isso.

Eu amava aquele homem.

Notas finais
O que acharam??? Por favor, comentem e recomendem, já estamos no fim :C Ah, e me digam suas suposições para o que acontecerá nos próximos capítulos, estou morrendo de curiosidade para saber o que suspeitam :3