Notas iniciais
Olá, minhas queridas, como estão? Alguma de vocês já leu A Escolha? Eu e a Cams já! Ou seja, daqui cerca de dois ou três capítulos é possível que alguns spoilers comecem a aparecer. Sei que estão estranhando que eu, Drama Queen, esteja publicando um PDV da Rose, mas a Cams está em viagem, então... Gostaríamos de agradecer os comentários, mas pedimos encarecidamente que os outros leitores também comentem. É muito chato ver tantos acompanhamentos e poucos comentário, parece até que não gostaram. Críticas são muito bem vindas!

Abri meus olhos, vendo o sol passar por entre as frestas da cortina fina que impedia que luzes noturnas entrassem no meu quarto. Deveriam ser que horas? Eu não saberia dizer, mas sabia que ainda faltava mais tempo do que eu gostaria para que minhas criadas aparecessem em meus aposentos.

Virei para o outro lado da cama, passando o braço por baixo do travesseiro e o abraçando, decidida a tentar dormir mais um pouco. Mas era como se eu não tivesse pregado o olho a noite toda, havia dormido pensando nos trinta e cinco homens que estavam no palácio, e durante o sonho havia continuado a pensar neles, e quando acordei, a mesma coisa. Não iria conseguir fechar os olhos novamente.

Eu tinha que admitir, um meio deles não eram nem um pouco atraentes, mas a outra metade fazia valer a pena. Bonitos, inteligentes e acima de tudo: pareciam legais. Mas, analisando como eu usaria critérios para tirá-los de lá — mesmo que não gostasse nem um pouco de fazê-lo —, eu não fazia ideia do que faria.

Iria vendo os que teria menos química? Os menos aperfeiçoados de beleza? Os que não eram de reinos tão importantes? Eu não sabia que critérios iria usar, e tinha apenas algumas horas para descobrir quais seriam.

Não precisávamos tirar eles agora, de inicio, mas tanto meu pai quanto minha irmã concordavam que seria uma ótima ideia — apesar de que pela última, poderíamos ficar apenas com suas preferências e tudo estaria perfeito.

A pior parte é que eu não fazia ideia do que fazer, quer dizer, eu gostava disso tudo, e nisso eu e Alexa tínhamos que concordar... Trinta e cinco homens lutando por você? Acho que não havia uma garota sequer no mundo que odiaria isso. E se houvesse, que ela fosse apresentada a mim.

Pensei em ficar na cama pensando mais sobre isso, mas não seria uma coisa boa para meu humor durante o dia, assim como não seria muito bom ter uma aparência cansada e ridícula ao conhecê-los oficialmente essa manhã.

Levantei-me da cama, decidida que se continuasse ali iria continuar pensando nos trinta e cinco homens que dormiam um andar abaixo de mim, e caminhei pelo quarto, abrindo a porta que levava a minha varanda e deixando o ar fresco da manhã de Angeles entrar em meu quarto. Absorvi a visão que tinha e respirei fundo, soltando o ar lentamente e fechando os olhos.

Certo, eu tinha algumas decisões a tomar, não era tão ruim. A realidade é que toda a falta de apoio, todos os erros que eu já havia cometido — tudo — me deixava morrendo de medo. E então ouvi duas batidas fracas na porta de meu quarto, e eu sabia que meu dia tinha acabado de começar.

— Entrem.

Virei-me e vi minhas criadas olharem surpresas da minha cama para mim.

— Já está levantada, senhorita Rosemarie?

— Devem imaginar as razões. — foi tudo o que tiveram de resposta, e uma das criadas abriu a proteção que cobria um novo vestido.

Eu tinha que dar os créditos, ele era lindo. Elas me guiaram até o banheiro, após encherem minha banheira e fizeram o que tinham de fazer. Assim que elas começaram a preparar o vestido, eu as impedi.

— Pretendo ir cavalgar antes de colocar o vestido.

— Mas... — Carmiryn foi cortada pelo olhar mortal que outra criada lhe deu.

— Senhorita, você precisa estar de volta em no máximo duas horas, para que possamos lhe preparar.

— Tudo bem, eu estarei. — elas me ajudaram com a roupa de cavalgada, e então, após me darem um suco natural e duas torradas, se retiraram.

Engoli aquilo muito mais rapidamente do que seria saudável de se fazer e peguei meu capacete de cavalgada, conferindo minhas botas e arrumando o cabelo. Coloquei a mão na maçaneta da porta e respirei fundo. O dia seria longo, mas era hoje que eu começaria a definir meu futuro, e alguma coisa certa eu teria que fazer na minha vida.

Ouvi um pequeno alvoroço no segundo andar e parei no topo das escadas, pensando se seria saudável descê-las. Comecei a descer elas mais rápido do que meus próprios padrões, vendo que era apenas Silvia dando uma pequena lição em uma das criadas. Não saberia dizer de qual príncipe era, mas ela provavelmente seria rebaixada de cargo, pela expressão no rosto de Silvia.

Apenas continuei descendo o segundo lance de escadas. Eu estava prestes a seguir pela entrada norte, com dois guardas que sempre cavalgavam comigo, quando fui impedida pela visão de um dos príncipes caminhando pelo jardim solitariamente.

Ah, caramba.

Refiz meu percurso, saindo por uma porta lateral e que normalmente apenas a segurança utilizava, e caminhei pelo pequeno caminho de ladrilhos em pedra, passando por algumas arvores e... Quem diria.

Alexandra Schreave quebrando regras era algo pagável de se ver.

Nem ela nem o príncipe ao seu lado haviam me notado, ou ao meus guardas, e continuei meu caminho até os estábulos. Assim que cheguei aos mesmos, um cavalo já me esperava, e um homem que deveria ser um pouco mais velho que meu pai me entregou minha égua.

— Olá, garota. — passei a mão pela sua crina, acariciando seu couro. Ela relinchou, animada.

Aparentemente, alguém já havia feito o que eu gostava de fazer quando queria pensar. A égua já havia sido escovada, e agora só me restava ir cavalgar. O mesmo homem que havia trago a égua me ajudou a montar, e dois guardas meus, assim como outros dois do próprio estábulo apareceram montados. Essa era nova. Eu sentia que tinha dedo da Rainha nisso.

Eles abriram o portão que me levaria para o local que sempre cavalgava e então eu já estava longe. Soltei uma risada animada, vendo que meu cabelo já estava completamente bagunçado. Mas em momentos como esses eu não me importava com nada disso que Silvia havia me ensinado, ali, montada na égua, eu podia ser uma garota normal. Mesmo que dentro dos meus limites e entre inúmeros guardas armados.

Quando terminei a cavalgada, levei a égua até seu estábulo, e quando me virei, dei de cara com um príncipe que parecia ter tido a mesma ideia que eu. Ele deveria ter dado alguma ordem máxima aos guardas, já que meus pais haviam deixado claro que era perigoso sair para os jardins, mesmo que durante o dia, creio que esse homem na minha frente era alguém importante.

— Princesa. — ele sorriu para mim, e retribui o sorriso.

— Príncipe... — olhei o broxe em seu terno — William. — e foi nesse momento que notei que meu cabelo deveria estar pior que nunca, estava sem maquiagem alguma no rosto e estava vestida muito mais do que inadequadamente.

Silvia ia me matar caso descobrisse uma mísera parte disso.

— Peço, hm... — limpei a garganta, virando levemente o rosto — desculpas. Não estou ainda pronta para o café da manhã. — eu tinha que admitir, ele era bonito, mas com o sorriso que abriu o fez ficar muito mais do que meramente bonito.

— Eu que peço desculpas, não deveríamos sequer ter nos encontrado ainda.

— Concordo plenamente, mas já o fizemos. — soltei uma risada fraca, que foi acompanhada pela dele. — me desculpe perguntar, mas você é...?

— Príncipe William Davis, Austrália. E, agora eu vou pedir inúmeras desculpas antes mesmo de lhe perguntar isso, mas... Alexandra ou Rosemarie? Posso demorar um pouco para me acostumar. — abri um sorriso e ri mais alto do que o apropriado.

— Rosemarie. Você vai descobrir que minha irmã não anda muito pelos estábulos.

Ele concordou com a cabeça, e notei que até mesmo os criados tentavam disfarçar o que estávamos fazendo, assim como eu pude ver ninguém mais ninguém menos que Carmiryn escondida, fingindo conversar com um guarda. Mas sem tirar os olhos de mim.

— Quero pedir a todos presentes que essa conversa não saia daqui. — olhei para alguns criados, que concordaram sem delongas, e então olhei para o Príncipe Williams. — Foi um prazer conhece-lo.

— O prazer é todo meu. — comecei a caminhar, o vendo morder o lábio enquanto tomava uma decisão.

Assim que passei por ele, ele se virou rapidamente.

— Senhorita...

— Sim? — tentei disfarçar que já esperava pelo seu chamado, mas não sei se obtive muito sucesso.

Como diria Alexa para mim: “Você está tão desesperada assim?”.

Não, eu não estava. Não podia estar.

— Você tem tempo?

— Dependendo para quê. — não seria tão fácil assim, não.

— Para me apresentar todos os cavalos? Gosto de cavalgar.

Mordi a bochecha por dentro, sorrindo minimamente, ele tinha um ponto comigo.

— Claro. Por aqui.

Quando eu estava quase finalizando, uma criada minha — e não Carmiryn, que havia desaparecido — se postou a minha frente com um olhar preocupado.

— O que aconteceu? Está tudo bem? — perguntei preocupada, William ficou tenso ao meu lado, também preocupado.

— Sim, sim, está, Princesa, mas precisamos lhe aprontar, sua majestade apareceu em seu quarto alguns minutos atrás e não gostou muito de que você tivesse saído sem dar informações. — ah, caramba, meu pai devia estar muitíssimo irritado.

— Certo, — olhei para William e abri um sorriso contido. — vejo você mais depois, afinal. — ele concordou, e num gesto que com certeza a realeza conhecia muito bem, pegou minha mão direita e levou-a à seus lábios, depositando um beijo ali e então a soltando de modo relutante.

— Vejo você. — e foi isso, saí caminhando dali com uma de minhas criadas e dois guardas, me recusando a olhar para trás e vê-lo me seguindo com o olhar.

Mas eu não conseguia tirar o sorriso bobo de meu rosto.

— Você irá se denunciar assim, senhorita. — a garota não conseguia segurar a língua, e eu não poderia culpa-la.

— Me desculpe. — ri baixinho, mas não conseguia conter o sorriso em meu rosto.

Minhas criadas me aprontaram novamente, e agora eu já não estava com botas de equitação, e sim com saltos de princesa. Olhei-me no reflexo do espelho e apertei minhas bochechas, tentando parecer um pouco melhor. Mesmo com toda a maquiagem que haviam colocado em mim, eu ainda não achava boa o suficiente.

Meu vestido era bonito, como sempre, mas eu não conseguia me imaginar ali, preferia a mim mesma com calças de cavalgada e um capacete na cabeça, assim como o cabelo todo desarrumado, do que como eu estava agora.

Não, devo corrigir essa frase.

Eu me sentia mais eu mesma dentro das roupas de cavalgada, mas eu era muito mais bonita vestida como uma princesa. E era por isso que meus pais não permitiam que eu passasse com roupas de cavalgada todos os dias. Infelizmente, era a pura realidade.

Minhas criadas estavam a minha volta, dando os últimos retoques no vestido bege que eu usava, e então finalizaram tudo.

— Você está linda, senhorita. — a outra criada falou, e sorri para ela.

— Obrigada.

Olhei-me no espelho e levantei a cabeça, agora não era mais Rose Schreave. Era a Princesa Rosemarie Schreave.

— Boa sorte, Princesa. — Carmyrin falou, e concordei, com a outra criada indo abrir a porta para mim e abrindo um sorriso.

Arrumei meus pés uma última vez dentro daqueles saltos de matar e levantei a cabeça completamente, a criada abriu a porta e saí dali. Pisquei para os guardas, que relaxaram em suas posições, como sempre faziam ao me ver tranquila, e um mordomo começou a me seguir.

— Princesa, quer saber seu cronograma? — isso era muito mais do que óbvio.

Apenas acenei com a cabeça, concordando.

— Após conhecer os príncipes e o café da manhã, você terá a aula de violino que foi desmarcada ontem por sua mãe, também tem uma reunião com seu pai e sua irmã, logo em seguida sua mãe quer dar um passeio pelo jardim com a senhorita, e então o almoço estará servido, logo após o almoço, você terá algumas horas vagas até as cinco horas, quando terá uma aula sobre estratégia de guerras na história de Illéa com Silvia, junto à sua irmã. Após isso, você terá o resto do dia e noite livres até o jantar, onde seu pai pediu encarecidamente que após isso você e sua irmã se retirassem para seus aposentos. Amanhã é um novo dia e pediu para que as duas estivessem presentes numa reunião. — uma surpresa maior é que eu me sentia incluída em todos os acontecimentos dentro do palácio, e isso se dava ao fato de que nem sempre era o que acontecia.

— Mais alguma coisa?

— Não, senhorita. — ele se retirou, e foi nesse momento que Alexa apareceu ao meu lado, nós duas olhando uma para a outra pelo canto de olho.

Alexa apenas deu uma olhada rápida para um guarda, que se postou a frente das portas duplas, e outro guarda fez o mesmo, os dois as abrindo ao mesmo tempo, e nós demos de cara com um salão cheio com trinta e cinco homens, todos eles com posturas perfeitas. Isso ia ser difícil. Mas o que era um bom desafio para uma Princesa de Illéa, não é mesmo?

Admito que o ponto alto de meu dia foi exatamente esse, os príncipes olhando para mim e para Alexa, e pareciam um tanto quanto confusos e curiosos. Eles realmente demorariam um tempo para identificar qual de nós duas era Rosemarie, e qual era Alexandra. E nesse meio tempo, iria ser divertido brincar com eles.

— Senhores. — Silvia falou, com todos se levantando pomposamente em questão de segundos. — essas são Alexandra e Rosemarie Schreave. — ela falou, se abaixando numa reverência para nós duas.

— Bom dia, senhores. — Alexa e eu falamos ao mesmo tempo, e ela continuou — vamos tentar ser o mais rápidas possíveis, queremos conhecer vocês rapidamente antes do nosso café da manhã, não devemos nos demorar muito. — eles concordaram e nós fomos até uma área com três sofás. Dois virados para todos os príncipes, e um virado para nós duas.

Sentei-me em um e Alexa se sentou em outro, nós duas com uma prancheta cada, e começamos a conhecê-los. O primeiro era Arthur Gravesen, e eu realmente queria que Alexa tivesse marcado um xis em sua planilha, mas ela não o fez. Eu odiava aquele garoto, eu realmente queria ele fora.

Já nos conhecíamos há um tempo, e realmente não tinha nenhuma afeição pelo mesmo — muito pelo contrário, admito.

— Bom dia, Arthur. — Alexa o cumprimentou com um sorriso no rosto, e a conversa se seguiu rápida entre os dois por alguns minutos, e logo o próximo veio. Seu nome era James Miller, seu sotaque era quase fofo, devo dizer.

— Bom dia, James, como vai? — perguntei, com o mesmo abrindo um sorriso calmo.

— Bem, e as senhoritas?

— Muito bem, obrigada. — Alexa sorriu tranquila para ele. — está gostando da estadia no palácio?

— Sim, o clima aqui em Angeles é ótimo, e as pessoas também são bem receptivas. Quem dera todos os países que visitei fossem assim. — alguns minutos depois o próximo veio, e foi seguido de mais alguns até a vinda de Matheo Delacroix.

Minha vingança por Arthur veio com Matheo. Alexa não gostava dele, e era por esse motivo que eu não coloquei um xis em seu nome. Ela queria rir de mim? Eu iria rir dela. Simples e claro como água.

— Bom dia, Matheo, como vai? — perguntei levantando o olhar de minha planilha para ele, que abriu um sorriso. — Muito bem, e a senhorita?

— Também. — fiz uma pausa — o que está achando de Illéa?

— É um ótimo país, devo dizer, e o clima aqui é realmente muito melhor que o da Suíça. Até as pessoas são menos frias. — eu teria que discordar disso, se o assunto fosse Alexa. — grande parte, é claro. — e isso havia sido uma indireta para Alexa, que havia se mantido calada desde que nossa conversa havia se iniciado.

— Espero veemente que você não tenha desfeito as malas ainda. — Alexa comentou, e ele abriu um sorriso para ela.

— Muito pelo contrário, Alexandra. — ele se despediu de nós duas e voltou para seu lugar, enquanto Alexa apenas revirou os olhos e marcou um xis com força no nome de Matheo em sua planilha. Fiz questão de deixar claro que não colocaria um xis em seu nome.

Alguns homens se passaram antes de eu ter certeza de que muitos deles sairiam.

— Bom dia, Caleb. — Alexa cumprimentou o homem que havia acabado de se sentar na nossa frente. — Como vai?

— Bem, obrigado, e vocês?

— Bem, também. — abri um sorriso para ele.

— Ahn, antes de vocês me fazerem alguma pergunta, qual de vocês duas é Alexandra, e qual é Rosemarie?

— Sou Rosemarie — recebi um aceno de concordância. — como foi sua primeira noite? Dormiu bem?

— Muito bem, fazia um tempo que não dormia tão bem, admito. — olhei para ele por alguns segundos, abrindo um sorriso contido logo em seguida.

Dispensamo-lo, e ele foi mais um que entrou com um xis na planilha de Alexa. Ela realmente não estava animada para a Seleção. Muitos outros vieram, e por mais que os xises só aumentassem na planilha de Alexa, a minha planilha continuava quase limpa — com exceções, é claro —, e quando chegou a vez de Aaron, foi até bonitinho ver Alexa sem jeito, devo admitir. Ela não conseguia esconder nem de mim que sentia algo por ele.

— Olá novamente, Alexa. — ele cumprimentou Alexa, que sorriu, tentando conter um sorriso tão aberto — Rose. — abri um sorriso verdadeiro para ele. — Como vão vocês? — e aí estava Aaron, ele nem sequer nos deixou falar. Algumas regras realmente nunca cairiam bem para ele, afinal de contas.

— Bem, e com você? — falei, animada.

— Bem, também. — ele olhou para Alexa.

— Também vou muito bem, como foi seu voo?

— Foi tranquilo, não foi um dos melhores que já tive, mas também não foi um dos piores.

— Fico feliz em saber disso. — ao que parecia, eu com certeza era a intrusa nessa conversa.

Ele se retirou alguns minutos depois e o próximo veio. É claro que eu iria manter Aaron, por mais que ele tivesse suas preocupações e problemas em casa, não faria isso com Alexa. E nem seria possível tirá-lo sem ela querer também.

Alguns homens depois, veio William.

— Bom dia, William. — Alexa o cumprimentou, e por um primeiro momento em toda a minha vida, notei que Alexa não sabia de algo que eu sabia. Eu sabia que ela tinha estado com Aaron antes do permitido, mas ela não sabia sobre mim e William.

Isso era uma bela descoberta.

— Bom dia, princesas. — ele sorriu para nós duas. — como vão?

— Genuinamente bem, e você? — Alexa fez questão de marcar o xis no nome dele bem na sua frente.

Discrição não era algo que ela queria usar no momento.

— Ótimo, fiquei sabendo que os estábulos aqui contêm ótimos cavalos. — ele comentou, e a pequena piada interna me fez sorrir.

— É, uma cavalgada sempre caí bem com os cavalos que temos a nossa disposição.

— Vejo que você gosta de cavalos.

— Muitíssimo, William. E você?

— Gosto a ponto de perguntar se você teria algum momento do dia para cavalgar comigo. — eu tinha que admitir: ele era bom.

— Você saberá. — abri um sorriso de canto de boca e ele se despediu.

— Rápido ele. — Alexa comentou para mim e abriu um sorriso um tanto quando malicioso para mim, antes de o próximo homem se sentar na nossa frente.

William realmente era um cara legal, mas isso não mudou em nada para Alexa, que manteve o xis em seu nome. No final, havia apenas dois nomes que não tinham xises em sua planilha. Na minha tinham muito mais.

— Aos príncipes que os nomes serão ditos, pedimos que fiquem mais um pouco. — falei enquanto me levantava do sofá, após o último príncipe ir se sentar em sua mesa. Todos eles olharam para mim, e baixei o olhar para minha planilha. — Edwin Van Dick, Olaf Jónsson... — falei oito nomes, e então concluí — Aos que não foram mencionados, vocês poderão ir até o salão de jantar, em breve seu café da manhã será servido. — Todos os homens ali presentes sabiam o que ia acontecer, e os príncipes que passavam por nós duas tentavam esconder seus sorrisinhos convencidos.

Era essa uma característica da realeza, uma característica que ninguém se escapava: nosso ego era um tanto quanto alto... Talvez de mais.

— Como já devem imaginar... — Alexa começou a falar quando as portas se fecharam após a saída do último Príncipe. — estão aqui porque serão mandados para casa. Poderíamos mantê-los aqui por mais tempo que o necessário, mas julgamos que vocês não tem química com nenhuma de nós duas. Então, é isso. Qualquer dúvida, vocês podem falar comigo ou com minha irmã, que iremos lhes explicar tudo. — concordei com a cabeça, vendo eles se levantarem de suas cadeiras, alguns se despedindo de nós, e outros não tão amigáveis assim.

Quando o último se despediu de nós duas, fomos até o salão de jantar, onde o café da manhã foi servido.

— Obrigada a todos pela sua presença, tenham uma ótima refeição, senhores. — meu pai apertou a mão de minha mãe por cima da mesa e sorriu para mim e para minha irmã, e logo em seguida começamos a comer, enquanto eu e Alexa olhávamos em volta.

Nós duas podíamos ter inúmeras diferenças, mas uma coisa era verdade: não conseguíamos disfarçar algumas coisas tão bem quanto outras. Um mordomo encheu novamente meu copo de suco e segurei seu braço.

— Você poderia me trazer um papel e uma caneta? De preferência dois papéis cartão branco, por favor. — ele concordou com a cabeça e se retirou dali, enquanto Alexa me olhava como se soubesse o que eu estava fazendo.

O mordomo voltou com os dois papéis e a caneta e me entregou, e quando terminei de comer, escrevi os dois cartões rapidamente, dobrando cada um ao meio e escrevendo o nome dos garotos na frente.

Alexa já havia entendido o que eu estava fazendo, gostando ela ou não, logo esses homens teriam uma entrevista a fazer no Jornal Oficial de Illéa, e tínhamos alguns poucos dias para que eles tivessem o que falar para o povo que representavam. Na saída, enquanto eles saíram, Caleb Vermont e William Davis foram parados rapidamente pelo mordomo, os dois pegando os papéis, enquanto os outros príncipes próximos pareciam curiosos e preocupados.

Ah, acho que eles haviam esquecido um pequeno fato... Eles podiam ser amigos, podiam conversar entre reuniões, podiam ser tudo, mas isso era uma competição...

E em competições, ninguém gosta de perder.

Notas finais
E então, o que acharam? Não se esqueçam de comentar. Ah, e claro, lembrem-se de dar uma passadinha no nosso tumblr, pra conferir a playlist e alguns pequenos trechos do próximo capítulo que sempre estamos publicando! http://two-crowns.tumblr.com/ Vejo vocês nos comentários!