Two Broken Hearts
85 Planos, Promessas... e Jacob Black
Esme foi conduzida à viatura pelo Detetive Burns. O Dr Reynolds, Edward e eu seguimos para a delegacia em um táxi, logo em seguida.
Não precisar ser escoltada pela polícia trazia a sensação de um peso sendo tirado dos meus ombros, mas ver Esme com os pulsos algemados era muito melhor. Por um momento, experimentei o sabor agridoce da vingança, mas, depois, tudo o que conseguia sentir era raiva e decepção.
O Detetive Burns tomou o meu depoimento por último, depois de Esme, Edward e do advogado. Eu tentei descobrir o que Esme havia dito a ele, mas Burns era um poço de discrição e, aparentemente, muito ético quando se tratava de depoimentos.
— Se as informações naquela carta forem verídicas, eu lhe devo um pedido de desculpas, Srta Swan.
— SE? _ minha voz saiu tão aguda que doeu nos meus próprios ouvidos _ o Dr Reynolds mostrou a carta ao senhor? O meu pai investigou durante MESES. Ele mesmo sabia o tipo de mulher com a qual se casou.
— Eu entendo _ ele assentiu, bastante sério, os cotovelos apoiados sobre a mesa. _ Eu não digo sobre o adultério ou, até mesmo, os desfalques no Centro de Saúde, mas as acusações de assassinato exigirão algum tempo até serem solucionadas. Peço que você tenha calma, Isabella.
Eu exalei um suspiro irritado. Até quando mais eu precisaria ter calma?
— E o que vai acontecer com Esme enquanto isso?
— Ela ficará sob custódia _ ele sentenciou.
O detetive se levantou da cadeira e caminhou em direção a porta, a qual tinha seu nome gravado em uma chapa metálica do outro lado do vidro.
Eu fiz o mesmo, apertando sua mão quando ele a estendeu para mim.
— Não tem com o que se preocupar _ Burns assegurou. _ Se sua madrasta é o monstro que dizem ser, ela não vai poder fazer nenhum mal a você de trás das grades.
A carta de Charlie para mim era, em resumo, um pedido de desculpas. No entanto, havia algo mais próximo ao fim e eu não pude ignorar a sinceridade nas suas palavras, nem como elas me tocaram.
Eu levei dois dias inteiros até ter coragem para abri-la e, quando o fiz, solucei por quase uma hora antes de finalmente conseguir tomar uma decisão.
"... Bella, minha querida, logo essa mulher abominável e inescrupulosa que eu, estupidamente, ousei colocar em sua vida, estará em seu devido lugar: atrás das grades. Ela jamais poderá fazer mal a você ou a Edward novamente, eu prometo.
Quando isso acontecer, quero que você me faça um último favor. Sei que não tenho qualquer direito de pedir isso a você, minha filha, mas, mesmo assim, o faço, permanecendo a te amar e admirar onde quer que eu esteja independente da sua resposta..."
Edward e eu finalmente aceitamos o convite de Alice e Gwen e decidimos nos mudar para o apartamento das irmãs. Provisoriamente. As duas eram excelentes anfitriãs e nem mesmo Edward, com seu temperamento às vezes mau humorado e arredio, conseguia ficar imune ao charme delas.
Apesar disso, eu sentia falta da privacidade que tínhamos na vila de Ruth.
Na sexta semana após a abertura do testamento, o Dr Reynolds fez contato. Segundo ele, a herança estava em tempo de ser liberada, contudo, a investigação pela morte de Charlie estava atrasando o procedimento.
Ninguém poderia dispor do dinheiro enquanto os eventos que levaram a morte do meu pai não fossem solucionados.
— Vamos comprar um lugar só pra gente. Simples e bonito. Bem aconchegante _ prometi, entrelaçando os meus dedos nos dele. _ Você prefere uma casa ou um apartamento?
Estávamos deitados na cama de Alice. Edward havia acabado de sair do banho e o cheiro de sabonete e loção de barba enchiam o quarto com uma enxurrada de promessas delirantes.
Nós havíamos feito amor durante as duas últimas horas e cada vez que recomeçávamos era como algo que estivera escrito nas estrelas durante todo aquele tempo.
— Pra que pensar nisso agora? Nesse exato momento, a cama de Alice está me servindo muito bem _ ele abriu um sorriso torto de tirar o fôlego. _ Você é tudo o que eu preciso para me sentir em casa, Bella.
Eu sorri de volta, me sentindo nas nuvens.
Nas primeiras semanas após a morte de Charlie, eu transitei entre os sentimentos de ódio e tristeza profunda. Tive picos de raiva onde queria ir até a delegacia, agarrar Esme pelos cabelos e obrigá-la a confessar a verdade. Numa das vezes cheguei a dirigir até lá, mas fiquei sentada ao volante do carro, meu antigo C5, olhando as pessoas entrarem e saírem da delegacia e imaginando suas histórias, seus medos, anseios. Será que algumas delas também haviam sido implicadas em crimes que nunca cometeram?
Com o tempo, a dor pela morte de Charlie ganhou raízes profundas dentro do meu coração, mas eu estava aprendendo a lidar com os meus sentimentos. E Edward tinha total participação naquilo. Ele havia se tornado mais do que o meu amante. Era o meu porto seguro.
— Eu gosto de fazer planos com você _ confessei, tímida. _ Mas se você prefere viver o presente...
— Você é o meu presente e o meu futuro, Bella _ ele assegurou, com os olhos verdes cintilando. _ Eu te amo. Tenho tantos planos com você que, se eu começar a contar, vamos passar pelo menos uma semana deitados nessa cama.
Meu estômago se agitou ao ouvir aquilo.
— Que tipo de planos?
Ele revirou os olhos, puxando minha mão para beijar cada um dos meus dedos delicadamente.
— Quero três ou quatro Bellinhas correndo pela casa... pra começar _ ele gargalhou quando eu arregalei os olhos, totalmente surpresa. _ Mas acho que antes disso, eu devo ter a honra de receber você como minha esposa.
Eu engoli seco. Não era a primeira ou segunda vez que ele fazia aquele pedido, mas, dessa vez, a situação era bastante diferente. Nosso relacionamento estava cada vez mais sério e parecia natural darmos um passo como aquele, definitivo.
— E quando vai ser isso? _ eu arrisquei, me debruçando sobre ele deitado de costas na cama.
Edward riu.
— Por mim pode ser hoje mesmo. Poderíamos pegar um vôo para Las Vegas. Tenho certeza que tem algum cartório aberto por lá a essa hora.
Eu dei um tapinha em seu braço fingindo estar zangada e Edward me enlaçou pelos ombros, girando o meu corpo até eu estar deitada na cama e ele por cima de mim.
O peso do seu corpo sobre o meu trazia excelentes recordações sobre aquela noite.
— Alice e Gwen vão voltar esta noite? _ Edward perguntou, a voz rouca e excitada.
Alice estavana casa de Jasper e Gwen trabalharia até de manhã no bar.
Eu fiz que não com a cabeça.
— Ótimo _ ele aprovou, selando os seus lábios nos meus e me apertando com força entre os braços, me obrigando a esquecer qualquer coisa que não fosse a união mágica dos nossos corpos naquele exato momento.
O Detetive Burns apareceu no apartamento de Alice e Gwen quase uma semana depois.
Ele cumprimentou Edward e eu rapidamente, parecendo entusiasmado.
Meu coração acelerou. Ele tinha as provas. Só podia ser isso. Esme seria incriminada e finalmente Edward e eu poderíamos viver em paz.
— Sei que não fui muito justo quando nos conhecemos... deixei as evidências me guiarem na direção errada _ ele disse, olhando para Edward que estava sentado no braço do sofá, o cenho franzido. _ Eu sinto muito.
Edward ergueu uma sobrancelha. Por fim, assentiu a contragosto. Não era seu costume perdoar facilmente, a vida havia lhe ensinado duramente.
— Preciso da ajuda de vocês _ Burns admitiu, sentado ao meu lado no sofá. _ Especialmente da sua _ disse, olhando para Edward.
— Em que podemos ajudar? _ eu perguntei por ele, ansiosa por esclarecer logo aquele caso e ver Esme atrás das grades para sempre.
O detetive Burns exalou um suspiro e eu percebi como ele havia envelhecido nos últimos dois meses. Parecia cansado, sinceramente abatido. Trabalhar na polícia não devia ser fácil, principalmente se dedicando a casos como intrincados como aquele.
— O celular da sua mãe foi apreendido pela polícia em uma batida na mansão dos Swan _ eu vi Edward estremecer a menção da palavra mãe e apertei a sua mão suavemente. _ Haviam algumas ligações perdidas, a maioria do mesmo numero. Estava identificado como Ashley Baltimore. Nós ligamos para o numero e um homem atendeu. Ele chamou pela Sra Swan algumas vezes antes de desligar.
— O que isso significa? _ Edward perguntou, relutante, dando de ombros. _ Por que precisam da minha ajuda?
Burns hesitou um momento antes de voltar a falar.
— Achamos que esse sujeito pode ser Jacob Black.
Edward e eu olhamos um para o outro. Eu apoiei os cotovelos sobre os joelhos e abaixei a cabeça, me sentindo enjoada.
— Está se sentindo mal, Srta Swan? _ o detetive indagou, se inclinando brevemente na minha direção, mas eu recusei ajuda.
Outra vez o fantasma de Jacob Black vinha nos assombrar. Eu queria desesperadamente cooperar com as investigações e colocar de vez aquela história em pratos limpos, mas não às custas da segurança de Edward.
— Eu fico constrangido por ter que fazer esse pedido _ o policial confessou, suspirando alto e parecendo desesperado. _ Mas você revelou em depoimento que tem um envolvimento com Jacob Black e nós imaginamos que você poderia nos ajudar a chegar até ele. Não conseguimos rastrear a ligação e nem sabemos onde começar a procurar. Além disso, não queremos dar a ele nenhuma chance de escapar.
Edward olhou de relance para mim antes de encarar o Detetive Burns.
— Eu posso encontrar Jacob Black, mas ele não vai falar facilmente _ Edward meneou a cabeça, consciente do que estava falando. _ Ele é casca grossa. E tem as costas quentes.
— Nós também, Sr Cullen _ o policial garantiu. _ O Sr Black vai ter que falar se não quiser apodrecer atrás das grades junto com a assassina de Charlie Swan.
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