Two Broken Hearts
58 Amor e Conflitos
Eu estava sentada em uma das cadeiras de madeira polida do Seven, massageando os pés já fora das sandálias de salto, enquanto Alice tagarelava sem parar. Aquela cena não era inédita. Dessa vez, porém, um sorriso demorado perpassava o meu rosto. Primeiro, porque as palavras de Edward ainda ressoavam dentro da minha cabeça com violinos tocando ao fundo... Para Sempre... segundo, porque Alice tinha um sorriso de orelha a orelha, enquanto me contava os detalhes da sua noite com Jasper.
— Ele foi maravilhoso, Bella! UM PRÍNCIPE _ ela era só elogios, lançando olhares apaixonados para Jasper que conversava com Edward no balcão do bar. _ Conversamos sobre, você sabe... aquele almoço- catástrofe com os pais dele e o Jas me pediu desculpas por não ter sido mais persuasivo. Ele sabe que precisa se posicionar diante deles e me pediu uma nova chance para fazer isso.
— Que ótimo, Ali!
— É, sim. Acho que vamos dar um tempo de programas em família e investir mais no nosso relacionamento _ o sorriso dela se expandiu ainda mais, o que, um instante atrás, eu nem acreditava ser possível. _ NOSSO relacionamento. É tão gostoso dizer isso! Acho que não vou me cansar nunca.
Eu também sorri, vibrando por ela. Ainda não havia falado sobre a última confissão de Edward, sabia que Alice precisava — e merecia — desabafar. Além disso, eu ainda estava refletindo e digerindo todos os sentimentos entre nós. Todos os sentimentos escondidos durante todo aquele tempo.
Edward estava fechando o bar. Ele não havia dito nada, mas eu tinha certeza de que aguardava uma resposta à pergunta embutida nas entrelinhas de "a única mulher capaz de mudar o meu destino para sempre". Se eu havia compreendido bem o significado daquilo, então... droga... era bom demais. E, ao mesmo tempo, apavorante. Nós éramos dois ferrados, precisando desesperadamente de apoio e consolo. E uma boa dose de paciência extra. Por outro lado, se o nosso histórico de horror e drama não havia chegado ao fim, aquilo estava bem perto de acontecer. Eu já havia dado um passo significativo ao sair de casa e outro ao abandonar o jugo da mão controladora de Charlie Swan e encontrar um emprego. Edward tinha a sua independência. Embora não vivesse exatamente como um rei, ele conseguia se virar. E eu estava disposto a ajudá-lo.
Pensar naquilo fazia o meu coração disparar. O que eu estava pensando? Morar junto de forma permanente era uma grande coisa para um casal. E eu devia considerar a possibilidade de não ser a melhor decisão para uma união tão recente como a nossa.
Uma discussão me arrancou daquele maremoto de incertezas. As vozes alteradas vinham do bar. Para minha surpresa, vi a motoqueira selvagem empurrar o peito de Jasper com as duas mãos e afastá-lo do seu caminho. Ela marchou para fora do bar como um furacão, os cabelos louros ondulando ao seu redor.
O rosto de Jas estava vermelho e o maxilar contraído. Edward continuava terminando a contabilidade do bar tranquilamente. Antes que eu pudesse falar com Alice, ela já estava ao lado do namorado com um olhar inquisitivo e ciumento. Dessa vez, eu não zombei do comportamento da baixinha. A cena entre Jasper e a motoqueira havia sido realmente suspeita. No lugar de Alice, minha confiança recém-reconquistada também teria ficado abalada.
— Quem é ela, Jasper? E o que foi aquilo?!
Eu ouvi, claramente, as palavras de Alice de onde eu estava. E também vi Edward sorrir e balançar a cabeça, murmurando um "fodeu" bastante divertido.
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O conflito entre Alice e Jas era como uma bomba-relógio que precisava ser desarmada. Eu me aproximei o suficiente para segurar minha amiga se ela resolvesse partir para cima do namorado e lancei um olhar de advertência para Edward, que dizia "Você está terminantemente proibido de se divertir com a situação". Ele nem pareceu notar, ocupado com o trabalho e com os próprios pensamentos.
Imaginar o que se passava pela sua cabeça, naquele momento, não era uma tarefa tão difícil. Eu só esperava não ser tão transparente assim também.
— Eu estou esperando, Jasper _ Ali tinha os braços cruzados sobre o peito e um olhar furioso no rosto. _ Quem é aquela garota?
Jasper arriou os ombros e coçou a cabeça cheia de ondulações revoltas. Ele parecia aborrecido por aquele assunto vir a tona. Eu já havia percebido o quanto era discreto e não era difícil imaginar que ele estava poupando a motoqueira de virar motivo de fofoca. E o alvo da fúria de Alice, o que poderia ser muito mais complicado.
— Eu vou contar, mas ela não vai gostar nada de... _ o olhar de Alice foi um aviso claro de que Jasper demonstrar consideração pelos sentimentos da garota não iria ajudar a amenizar sua raiva. _ Ok. Rose é minha irmã caçula.
Eu vi o queixo da minha amiga despencar do alto do seu um metro e meio direto para o chão encerado do Seve'n Seven.
— Irmã?
— Exato _ ele confirmou, suspirando com um certo pesar. _ E ela vai ficar uma fera quando souber que eu disse isso. Rosalie vive a utopia de que é uma mulher madura e independente que controla a própria vida. Na verdade, ela é só mais uma garota rebelde brincando de casinha longe dos pais.
A opinião de Jasper me atingiu com a força de um soco no estômago. Parecia que ele estava falando diretamente para mim.
— E por que vocês estavam discutindo? _ a baixinha parecia muito mais calma agora. O furacão Alice havia passado sem causar estragos.
— O de sempre _ ele sorriu, revirando os olhos com uma condescendência um tanto irritante. _ Por que ela não volta para casa, para a sua família e para a faculdade. Rose trancou o curso de Direito e agora encena o papel de bargirl encrenqueira e perigosa, a procura de auto-afirmação.
— Não tem nada de errado com auto-afirmação _ eu me ouvi dizendo em voz alta. Não podia evitar que aquela conversa mexesse com uma série de questões dentro de mim e não queria transformar Jasper no alvo da minha crise de independência a qualquer preço, mas era isso o que estava acontecendo naquele exato momento. _ Quer dizer, ela é maior de idade, certo?
Jasper deu de ombros.
— Certo. Mas o que tem de mais em viver com os seus pais, enquanto você obviamente ainda precisa do apoio deles?
— E o que tem de errado em ser o seu próprio apoio?
A pergunta poderia ter partido de mim. Em vez disso, era Edward quem havia finalmente erguido os olhos da caixa registradora para tomar parte na discussão.
Eu senti uma onda de orgulho me invadir.
— Nada _ Jasper sorriu, mostrando as palmas das mãos em sinal de rendição. _ Não estou julgando vocês, mas Rosalie deveria mostrar mais consideração com os nossos pais. Eles sempre deram tudo a ela. Desde ajuda financeira até um amor incondicional _ ele defendeu. _ Não existe nada de errado em buscar o seu próprio caminho, mas também não vejo mal nenhum em ser um pouquinho grato com a mão que alimentou você a vida inteira.
Alice arregalou os olhos.
— Uau.
— O que? _ ele franziu o cenho.
Ela meneou a cabeça, em negativa.
— Você é um perfeito filhinho de papai, Jasper Hale. Eu te amo, mas você precisa abrir essa sua cabecinha para o mundo com urgência.
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Edward fechou a caixa registradora com um tranco, quando ela não quis ceder com gentileza. Então, ele pulou o balcão e passou por Jasper e Alice, caminhando até mim. Parecia exausto. Um lindo trabalhador exausto. Eu queria pular sobre ele e envolver sua cintura com as minhas pernas. Queria encher a sua boca de beijos. Queria dizer, mais uma vez, que o amava. E que sim, inferno, eu mudaria o seu destino. Para sempre.
— Tic tac, tic tac _ fez Edward, sorrindo torto enquanto adivinhava os meus pensamentos. Então, finalmente, me alcançou e rodeou meus ombros com o braço esquerdo, enquanto a mão direita acariciava o meu queixo com o polegar.
— Estou pronto para ir para casa. E você?
A pergunta me fez engasgar. A conotação nela era óbvia. Ele estava pronto. E eu, estava pronta também?
Jasper e Alice haviam resolvido, temporariamente, suas diferenças. Ou, pelo menos, dado uma trégua na divergência de opiniões.
Agora, era a vez de Edward e eu encontrarmos nosso lugar-comum.
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