Two Broken Hearts
41 Amarga Tortura
Notas iniciais
Eu segui Jacob na direção do bar, nossas mãos entrelaçadas. Quem olhasse para nós, teria certeza que éramos um casal de namorados. A precipitação dele, agindo daquela forma, não me pegou de surpresa. Cada vez mais, Jake estava me parecendo o tipo de cara que sabia agir como lhe era conveniente. Ele vinha se mostrando interessado em mim naquele tempo, então nada mais lógico do que demonstrar algum sentimento de propriedade num lugar como aquele.
Pouco antes de chegarmos ao bar, meu coração disparava no peito quase como se pudesse explodir. Eu sabia que estava a poucos segundos de encarar, ou não, Edward Cullen, pela primeira vez em dias. Para variar, o bar onde ele costumava ficar estava mais apinhado do que todos os outros. O primeiro rosto que reconheci entre os clientes que gritavam seus pedidos acima da música alta, foi o de Tanya. Quando ela me avistou, sua expressão tranquila e relaxada mudou completamente. Seu rosto desfigurou. Eu soube, então, que havia tido sorte. E só um instante depois, lá estava ele.
Os olhos de Edward e os meus se encontraram, e foi o suficiente para minha respiração acelerar. De repente, aqueles dias separados simplesmente não pareciam ter passado. Era como se eu o tivesse visto na noite anterior. Ou naquela manhã. Meu coração afundava no peito a cada passo que eu dava na sua direção e eu tentei me desvencilhar de Jake, mas parecia impossível com a pressão delicada mas forme que ele exercia sobre a minha mão.
Jake e eu, então, nos apertamos em direção ao bar e lutamos um pouco por um espaço no balcão. Edward servia drinks em copos longos e coloridos, mas seus olhos pareciam relutantes em se separar dos meus e faziam isso o mínimo necessário. A princípio, ele não pareceu associar a presença de Jacob a minha, mas quando viu nossas mãos entrelaçadas, o seu rosto congelou.
_ Vamos querer tequilas. Duas doses _ Jake pediu, com um sorriso indisfarçado no rosto. Ele estava feliz. Eu odiava ser aquela que acabaria com a sua alegria, mas não estava me sentindo nem um pouco disposta a bancar a namorada de Jake aquela noite. _ Ok pra você?
_ Ok _ eu respondi, sem sequer olhar para ele. Meus olhos ainda pareciam presos aos de Edward por algum tipo de magnetismo inexplicável.
Edward cumpriu a tarefa em silêncio, servindo as doses de tequila a mim e a Jake em um piscar de olhos. Alguns clientes reclamaram no balcão e eu soube que havíamos furado fila. Edward, deliberadamente, havia nos servido antes de todos ali.
Ouvi Tanya bufar a poucos metros de distância, o cabelo louro jogado sobre o ombro nu. Ela estava usando um vestido vermelho que, mais uma vez, não deixava muita coisa a imaginação.
_ Edward, eu pedi um daikiri de morango há quase dez minutos _ ela reclamou, com a voz tipicamente afetada que eu me lembrava do episódio dentro da minha casa. Aquela recordação, aliás, ainda me provocava ânsia de vômito.
Ele não ergueu os olhos para ela, nem respondeu, ocupado em servir canecas de cerveja para um grupo de rapazes que preenchia o espaço entre Tanya e eu.
_ Vamos dançar? _ Jacob perguntou, se inclinando até que sua boca fizesse cócegas na minha orelha.
Eu percebi o maxilar de Edward trincar com força. Eu já havia feito uma análise demorada do seu estado físico, o suficiente para ter certeza de que ele não estava machucado, embora sua aparência não fosse das melhores. Ele parecia exausto. Talvez o Seven estivesse exigindo mais dele do que eu imaginava.
Eu me virei brevemente para Jake, que me encarava com um par de olhos negros esfuziantes.
_ Vou terminar de tomar minha bebida aqui. Se você quiser...
_ Eu espero você, gata _ ele não me deixou terminar, envolvendo minha cintura com o braço e me puxando para mais perto, com a boca grudada a minha orelha de novo._ Mas essa noite você é minha _ ele disse, pausadamente _ E eu não vou te deixar escapar.
Jacob e eu terminamos nossas doses de tequila — ele em dois goles, eu da forma mais demorada possível. Estudar os gestos e olhares de Edward Cullen me pareciam a coisa mais interessante a fazer naquele momento. Analisei a forma como ele flertava com Tanya e me perguntei quais seriam os limites no envolvimento dos dois. Eles estariam namorando agora? Será que, por isso, ele não havia me procurado naquele meio tempo?
Ela sorria e se inclinava na direção dele o tempo todo, exibindo o decote generoso e os seios fartos. Tanya era do tipo de garota previsível, mas os homens pareciam gostar disso. Edward, em especial. Eu podia apostar que ele era do tipo de homem que preferia lidar com mulheres que podia entender e controlar.
Eu ignorei Jacob durante todo o tempo em que estive ali, mas podia sentir os seus dedos percorrendo minha nuca e brincando com fios do meu cabelo. O seu toque não era prazeroso para mim. Pelo contrário, eu me sentia incomodada. Mas não podia negar que apreciava a forma como os olhos verdes de Edward recaíam sobre nós dois, como se ele estivesse sob algum tipo de tortura lenta.
_ Pista? _ Jake perguntou quando o copo diante de mim ficou vazio, deslizando um dedo pela lateral do meu pescoço até a área descoberta do meu ombro.
_ Uma cerveja _ eu gritei para Edward, que estava debruçado sobre o balcão, parecendo entediado enquanto Tanya ria sem parar.
Ele estreitou os olhos para mim e, lentamente, se moveu na direção do freezer. Eu reparei o seu andar cadenciado e a expressão amarga em seu rosto. Apesar disso, ele era tão bonito que chegava a doer. Os olhos verdes que pareciam sorver tudo a sua volta, a musculatura rígida sob a camisa preta, suas pernas compridas no tecido de brim. Tudo nele parecia tentador. Mas eu conhecia o suficiente além daquilo, para saber que tentador não chegava a exprimir o mínimo sobre ele.
Edward Cullen era como uma droga. E quanto mais perto eu chegava dele, mais parecia intoxicada com a sua presença. E mais distante eu ficava da minha sanidade.
_ Duas _ Jake ergueu um dedo e, depois, me olhou com surpresa em seu rosto. _ Tequila e cerveja, tem certeza?
Eu respirei, fundo.
_ Essa noite, eu tenho.
O Cullen trouxe duas garrafas de Budweiser, que colocou sobre o balcão, a nossa frente. Ele abriu uma a uma, com os olhos presos aos meus. Eu peguei a garrafa e tomei um gole longo, sem desviar o olhar. Se aquilo era um desafio, eu responderia a altura.
A corrente entre nós era uma coisa mórbida, doentia. Mas parecia inquebrável. Quando eu ouvi uma voz conhecida, masculina, em algum ponto atrás de mim, meu reflexo foi me virar naquela direção. Mas a mão de Edward alcançou a minha sobre o balcão e, de repente, ele não estava apenas me encarando obsessivamente. Ele estava falando comigo.
_ Eu preciso falar com você_ sua voz baixa e rouca sussurrou, e ele parecia realmente tão torturado que eu tive vontade de puxá-lo e beijá-lo ali mesmo.
Dei uma olhada de relance sobre o ombro e vi que Jake cumprimentava Emmett e um grupo de caras com camisas do time de futebol da NYU. Meu coração subia pela garganta e eu podia escutá-lo bater mais alto do que a música. Os dedos de Edward roçavam nos meus sobre a madeira polida do balcão do bar. Eu correspondi, os entrelaçando. Sabia que meu olhar era tão torturado e desejoso quanto o dele. Eu queria que aquele balcão não existisse. Eu queria que não houvesse qualquer obstáculo entre nós, tanto os físicos quanto os emocionais.
_ Depois do expediente _ eu sussurrei de volta e ele assentiu com a cabeça, um delicioso sorriso de alívio se formando em seu rosto.
Eu podia jurar que estava tirando um peso enorme do coração de Edward naquele momento.
E quando Jacob voltou sua atenção para mim novamente, eu tinha um enorme sorriso no rosto. Aquele sorriso tinha nome e sobrenome, e nada tinha a ver com o homem ao meu lado.
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