Two Broken Hearts
69 A Verdade que Ninguém Sabia
Pov Edward
Eu poderia ter me limitado a defesa, mas aquele, claramente, não era o meu estilo. Por isso, eu fui o primeiro a agir.
Dustin cambaleou quando eu acertei um soco no seu queixo. Antes que Ethan pudesse sair em seu socorro, eu o atingi também, com um golpe duro na boca do estômago. Seus olhos esbugalharam. Ele levou as mãos ao local, tentando recuperar o fôlego.
Eu estava com a vantagem. Ouvi o barulho do motor de um carro e percebi que o táxi se afastava, pilotado pelo motorista, cúmplice de Henrietta. Então, olhei ao redor e descobri que a governanta do Coronel havia desaparecido. Aquela bruxa. Com certeza, estava voltando correndo para o patrão a fim de contar as novidades. Logo, o resto do exército apareceria para garantir que eu não sairia dali ileso.
Dustin avançou sobre mim como um trator, mas eu estava preparado. Eu me esquivei e ele se chocou contra o meu ombro esquerdo, tropeçando nas próprias pernas. Eu aproveitei a chance e passei uma rasteira, derrubando-o no chão de lama.
— Quando isso vai acabar? Hein? Quando vai acabar? _ eu gritei para ele, que se erguia cauteloso, tocando o queixo lacerado.
— Quando você quiser, irmão. Basta voltar pra casa com a gente.
Eu ia recusar o convite, mas senti meus pulmões esvaziarem subitamente e ficou impossível falar. Ethan havia me atingido com uma cotovelada abrupta nas costelas. Eu grunhi, apertando os dentes, sentindo os noventa quilos de massa corporal que ele jogou no seu golpe.
Ele me jogou de peito no chão, enrolando um dos braços ao redor do meu pescoço.
— Você tinha tudo, Edward. Por que? Por que escolheu não ter nada?
Ele nunca entenderia. Nunca entenderia que, escolhendo não ter nada, eu havia aberto as portas para um mundo que me possibilitara possuir tudo. Entre elas, a melhor de todas. Isabella. O amor que eu nunca havia tido, o amor que eu desconhecia. O amor com o qual eu sonhara na infância e do qual me esquecera a medida em que os anos avançavam. Porque ao passo em que ficava mais velho, eu havia relacionado ao amor a uma história de contos de fadas. Uma mentira como papai Noel ou o coelhinho da Páscoa, contada pelos adultos para tornar o mundo menos duro, menos desumano.
O amor que não havia acontecido pelo coração da minha mãe ou do meu pai.
Ethan não compreendia. Dustin não compreendia. Eles eram pessoas duras, marcados pelas suas próprias histórias de vida. Eles eram crias do Coronel, massas de manobra como eu mesmo havia sido.
Minhas pernas fraquejaram e eu eu não pude me erguer, mas Ethan me levantou, me deixando ajoelhado no chão de terra, enquanto o aperto ao redor do meu pescoço permanecia.
Dustin estava a minha frente e se aproximou com passos vacilantes, enfiando a mão no bolso traseiro da calça jeans. Ele retirou de lá, uma arma calibre 38, que encostou na minha testa.
Eu senti o cano quente contra a minha pele e soube que, enfim, estava acabado. A minha guerra contra o Coronel havia encontrado o seu fim.
— Edward, você precisa vir com a gente _ ele disse, sem se mover um milímetro. _ O seu avô quer você e nós vamos levá-lo de volta.
— Por bem ou por mal _ Ethan acrescentou, afrouxando o aperto em torno do meu pescoço apenas o suficiente para me permitir respirar de novo. Eu engoli uma lufada de ar que me fez tossir e minha cabeça girar. _ Eu espero que por bem.
— Levanta, Edward.
Eu fiz como Dustin mandou e me levantei. Meus pulmões ainda lutavam para respirar com normalidade.
O Gladiador segurou meus braços para trás.
— O Coronel tá puto com você. Mas se ele quer te ver, quer dizer que ainda existe esperança _ concluiu, passando para o meu lado, enquanto Dustin fazia o mesmo do lado oposto. Eles me seguraram pelos braços, como na maldita escolta de um criminoso. _ Isso é bom. Nós sentimos sua falta _ ele disse sem jeito, enquanto os dois me conduziam na direção da fazenda. _ Você é um de nós, Edward. Não tem que tentar ser diferente, não tem que tentar ser uma coisa que você nunca vai ser.
— Você é um soldado _ o Hulk arrematou, com um brilho satisfeito nos olhos.
— Eu odeio interromper o seu delírio fanático quase religioso, mas cadê o Jacob? _ perguntei, enojado com o rumo da conversa. _ Ele não deveria estar aqui com o resto dos moleques do Coronel?
— Não somos moleques _ Dustin avisou, em tom de repreensão. _ Jake tinha um outro serviço pra fazer.
— Que serviço?
— Não é da sua conta _ Ethan se meteu. _ Nem da nossa. O Coronel sabe o que faz e o que é melhor pra cada um.
— É claro que ele ficou com a melhor parte _ eu provoquei, avistando os contornos da casa do Coronel a uma longa distância. _ Ele é o preferido do chefe de vocês. Sempre teve mais personalidade.
— Cala a boca, Edward _ Dustin me advertiu pela segunda vez. _ Jake não é metade do soldado que eu sou. Eu tenho muito mais valor do que ele.
— E você seria o preferido, se não fosse um babaca o tempo todo _ Ethan disse para mim, sorrindo. _ Ele é o seu avô. Ele te adora, sempre teve você em alta conta. Por que se voltou contra ele?
Eu dei de ombros.
— Gosto de viver perigosamente _ sorri com escárnio, sabendo que não adiantava falar a verdade. Eles não entenderiam.
— Deve gostar mesmo _ os olhos de Ethan me encararam com ceticismo. _ Pra se envolver com a filha do inimigo.
As palavras dele me provocaram um desconforto no estômago.
— O que Isabella tem a ver com isso? E por que o Charlie é o inimigo?
Dustin sorriu de canto.
— Ela tem tudo a ver com isso. Seu avô não vai deixar vocês em paz. Você é a chave da vingança contra Esme, Edward. A responsabilidade de destruir o casamento dela com Charlie era sua e você falhou.
— Eu sei disso, droga _ eu rosnei, endurecendo os músculos. Eles precisaram dar um puxão forte para que eu continuasse andando. _ Mas por que envolver Isabella?
— Porque ela é frágil. Ela é vidro puro _ as palavras dele me machucaram mais profundamente do que qualquer golpe físico. Ele tinha razão. Ela estava aprendendo a ser forte, mas ainda era como uma taça de vidro colada que requeria cuidados _ O Coronel sabe tudo sobre a garota. E sobre o tal Charlie. Ele tem um arquivo completo sobre a família.
— Ele sabe que destruir a família perfeita de Esme é a melhor forma de acabar com ela completamente _ Ethan justificou. _ E estudar o inimigo é a única forma de vencê-lo.
— Eu não entendo _ admiti, porque pra mim ainda não estava claro. _ Por que isso é tão importante para o Coronel? Por que ele quer tanto destruir Esme? Ele nem se importava com Carlisle pra querer recuperar sua honra!
Dustin arregalou os olhos, interrompendo seus passos. Obrigatoriamente, Ethan e eu paramos também. Para minha surpresa, eles se entreolharam, e o Hulk soltou uma risada que parecia constrangida.
— Jake achava que você não sabia, mas Ethan e eu tínhamos certeza de que sim. É impossível alguém ser enganado por tanto tempo. Principalmente, vivendo dentro da mesma casa _ ele declarou, incrédulo. _ Você só pode estar me sacaneando.
— Cala a boca, Dustin _ Ethan mandou, abaixando a cabeça e afrouxando o aperto no meu braço, parecendo refletir. _ Você não tá vendo que ele tá falando sério? Ele não sabe de nada _ ele se virou para mim, com o cenho franzido e olhar hesitante. _ O Coronel não está fazendo isso pelo seu pai, Edward. Está fazendo por ele mesmo.
Eu encarei Ethan, esperando por alguma coisa que fizesse sentido. Aquelas palavras não significavam nada. Pessoalmente, o meu avô não tinha nada contra Esme que pudesse fazê-lo querer se vingar dela. Ela havia ido embora há muitos anos e concordara, com boa vontade, em me deixar sob a sua tutela. Além disso, não havia levado um centavo pelo que eu sabia e nunca voltara para reivindicar nada.
Ele suspirou com pesar.
— Ele e Esme eram amantes, Edward. Eles tiveram um caso desde que ela chegou nessa casa, antes mesmo de você nascer. Quando ainda estava grávida do seu pai. Foi por isso que ele a deixou ficar. Foi por isso que não deixou seu pai expulsá-la _ Ethan deu a sua sentença.
— Eu ainda não acredito que você realmente não sabia _ Dustin balançou a cabeça, perplexo.
O mundo que eu conhecia desabou sobre mim. De uma forma insana e doentia, tudo começava a fazer sentido pela primeira vez. O Coronel não era um homem de cobrar a honra dos outros, apenas a dele mesmo. Quando Esme foi embora, não foi só o marido e o filho que ela abandonou, mas também o amante.
Eu senti a garganta seca e dolorida. O Coronel havia conseguido me ferir outra vez. De uma forma ou de outra, ele sempre conseguia.
— Quando seu pai descobriu que ela era... bom, você sabe o que... ele não quis continuar com ela. Então contou que ela estava grávida e o seu avô ficou louco de raiva _ Ethan narrou os fatos que ele parecia conhecer com detalhes. _ Ele não ia deixar ela entrar nessa casa de jeito nenhum, com ou sem barriga. Mas ela apareceu de mala pronta e disse que iria ficar. Ele viu sua mãe pela primeira vez e... bem, se apaixonou perdidamente por ela.
— Como você sabe disso? _ eu lutei para que as palavras saíssem, mesmo quebrando tudo no caminho. Esme. Ela valia ainda menos do que eu acreditava a princípio. Era doloroso demais ser filho de alguém que não tinha princípios, que não pensava em ninguém além de si mesma. Ser filho de duas pessoas assim, era como ter uma faca cravada no peito a cada dia, a cada descoberta cruciante.
— Todo mundo sabe _ Dustin constatou. _ Os peões, empregados da casa, todo mundo. Os dois não faziam segredo. Exceto de você, eu acho.
— O Coronel não queria te magoar _ Ethan saiu em defesa do patrão. _ Ele se importa mesmo com você.
O sangue borbulhou dentro de mim. O meu peito estava prestes a explodir e não havia nada que eu pudesse fazer para manter o auto-controle.
Eu não podia lutar contra o Coronel... eu não podia voltar e dizer a ele tudo o que estava sentindo... não havia como confrontá-lo, porque, inevitavelmente, eu sairia perdendo.
O ódio dentro de mim foi tão grande e o sentimento tão incontrolável, que eu me desvencilhei de Ethan e Dustin ao mesmo tempo. Eles não esperavam por aquilo e, muito menos, pelo que veio a seguir.
Eu me movi na direção de Dustin e me lancei sobre ele, que perdeu o equilíbrio. Nós dois fomos ao chão e eu imobilizei meu ex-melhor amigo, enquanto socava o seu rosto sem piedade.
Ethan deve ter ficado surpreso e, por isso, demorou a agir. Quando o fez, tentou me arrancar de cima de Dustin, mas eu nem me movi.
— Pára, Edward! Você vai matar ele!
As palavras dele me detiveram por um momento. Dustin ergueu os braços para mim, suplicando misericórdia. Seu rosto era um cataclisma de ferimentos que virariam contusões sérias no dia seguinte. Eu nunca havia batido daquele jeito em alguém. Nunca havia machucado outra pessoa com aquela ferocidade.
E algo nos meus olhos o manteve quieto, porque ele nem tentou revidar.
— O que você tá pensando, Edward? _ Ethan perguntou, perplexo, passando a minha frente para ajudar o amigo a se levantar _ Nós somos a sua família!
— Minha família? _ eu rosnei, ficando de pé num rompante _ Minha maldita família?! Vocês foram atrás de mim, me deram a porra de uma surra e me mandaram direto para o hospital. Vocês apontaram uma arma pra minha cabeça, seus filhos de uma puta! Vocês mereciam muito mais do que ter a cara quebrada _ eu saltei sobre Dustin, que deu dois passos para trás e quase caiu, achando que eu iria agredi-lo de novo.
Em vez disso, eu o empurrei com as mãos espalmadas sobre o seu peito. Ele cambaleou e eu aproveitei para enfiar a mão em seu bolso e desarmá-lo.
Os dois me encararam, apreensivos.
— Você não faria isso com a gente, né? _ Ethan questionou, sem ousar se mover enquanto eu mantinha a arma apontada para os dois.
— Por bem ou por mal. Você lembra?
Sem dizer uma só palavra, ele tocou o ombro esquerdo de Ethan com os dedos. Os dois me observaram pela última vez, antes de suspirarem e darem meia volta, arrastando seus passos na direção da fazenda.
Eu deixei que eles se afastassem, sem tirar os olhos dos dois. Sabia que os rapazes do Coronel eram treinados para serem traiçoeiros e vis.
Eu era um deles. Ou havia sido.
Consultei o relógio e descobri que haviam se passado quase duas horas desde que eu deixara a fazenda. Eu precisava encontrar um meio de chegar no aeroporto e embarcar no primeiro vôo disponível.
Voltar para casa.
Voltar para Isabella.
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