Two Abandoned Souls

3 Capítulo 2 ~ Mistery


Notas iniciais
Gente, nem consigo me desculpar pela demora ao postar esse. Não tenho nem palavras! Pois bem, espero que gostem e continuem acompanhando (juro que vou tentar não torrar tanto a paciência de você). Gostei muito de escrever esse capítulo e espero que vocês se divirtam da mesma forma lendo!

O que aconteceu no momento seguinte foi o caos total. Garotas começaram a soltar gritinhos histéricos e senti uma mão agarrar meu braço e me puxar para longe do homem que eu estava dançando até momentos atrás. Não! Eu quero saber quem é! Quero pelo menos sentir sua pele...

- Jessica? É você? – A voz da pessoa que agarrou meu braço era Yoona, eu até sabia que ela tinha pavor a escuro e esse devia ter sido seu primeiro reflexo, mas mesmo assim fiquei irada e preferi repassar todas as palavras na minha cabeça antes de responder!

— Eu estava dançando, se você não notou!

— Mas Jessica... ta tudo escuro! O que aconteceu?!

A vontade de mandá-la largar meu braço e ir atrás de luz em um lugar obsceno veio na minha cabeça com uma força tão grande que foi até difícil segurar. Não queria me lembrar da discussão que tínhamos tido antes da festa começar. A mesma confusão que tinha me feito chorar e desistir completamente de todas as meninas daquele dormitório!

— Jessica, por favor! Me ajuda, eu to apavorada! – Sua voz estava mostrava o desespero que ela realmente estava sentindo e isso me fez me senti r um pouco melhor. Mas ela era Yoona. Por mais incrível que isso possa parecer, eu ainda via nela uma menina que foi minha melhor amiga por tanto tempo. Abracei ela e encostei sua cabeça no meu peito, como se ela fosse uma criancinha e eu estivesse ali para confortá-la.

Por mais estranha que a situação fosse, comecei a me sentir mais confortável, depois de tantas brigas e de tantos rompimentos, eu estava com minha melhor amiga. Mesmo que fosse em uma sala completamente escura com pessoas gritando ou gargalhando, ambos em mesma proporção. Por um momento lembrei o quão bom era um abraço amigo quando se mais precisa. Mas apenas por um momento.

No segundo seguinte lembrei de um outro abraço... daquele que eu estava recebendo na pista de dança. Quem era aquele cara? Ainda podia ver seu contorno na escuridão, parado exatamente no mesmo local do qual eu havia saído há segundos atrás. Pessoas passavam por ele, mas ele continuava olhando fixamente para mim... Aparentava ser um pouco mais alto que Onew, um pouco mais alto que a maioria dos meus conhecidos e mesmo naquela escuridão total, era possível ver que sua camisa era apertada por causa de seus músculos.

— Sica? Vamos sair? Melhor irmos pra rua, lá deve estar mais iluminado – Dessa vez era Tiffany que estava ao meu lado. Uma de suas mãos estava no ombro de Yoona e ela estava a uma certa distância de mim, de modo apreensivo. Ela sabia que tinha sido ela a causa de toda a confusão que tinha acontecido mais cedo. Mesmo que no fundo ainda tentasse colocar na minha cabeça que aquela situação era inevitável, ainda não aceitava da forma correta.

— Vamos sair daqui... Yoona, fica com a Fany só um minuto, tenho que falar com al... – Ele não estava mais lá... apenas alguns segundos que eu tinha me virado para tentar reconhecer Tiffany no escuro tinham sido o suficiente para que ele sumisse completamente. Como isso seria possível?

- Você não vem com a gente? – Tiffany tinha um tom confuso, ela sabia que eu não gostava muito de escuro, mesmo que não fosse uma fobia como a de Yoona, mas sabia também que eu estava sozinha na festa. Ou teria visto a pessoa que eu estava dançando há alguns minutos?

- Esquece, eu vou com vocês... – Meu coração de repente ficou vazio. Como alguém que eu não tinha visto nem o rosto nem ouvido o som da voz poderia me deixar daquele jeito? Como alguém poderia mexer com o meu coração nesse momento em que ele estava tão machucado?

— Vamos, a Tae está lá fora, guiando as pessoas para pegar a escada, parece que o gerador do prédio queimou também e nem os elevadores estão funcionando. – Sua continuava confusa, talvez por estar preocupada com o fim trágico da festa.

— Fany, você sabe cadê o garoto que eu estava dançando até agora há pouco? Esqueci de falar algo muito importante com ele – soou falso e tosco, claro que ela não iria acreditar naquilo, se é que ela sabia de quem eu estava falando.

— Não Jessie, não vi. Nem sabia que você estava dançando, agora podemos ir embora?! Estou começando a ficar preocupada com essa escuridão! — Yoona apertou meu braço e ao mesmo tempo apertou o de Tiffany, ficar no escuro por muito tempo parecia ter deixado-a tão assustada que ela já não estava falando direito, apenas nos puxava na direção da saída.

Tiffany foi um pouco mais na frente, porque tivemos que tatear um pouco até achar a porta, a luz da cidade também havia apagado há alguns segundos e tudo estava começando a ficar realmente escuro.

— Como nós vamos descer a escada desse jeito? É bem capaz de cairmos e ninguém vai nos achar tão cedo! – Yoona parecia realmente preocupada, mas isso não impediu que Tiffany e eu gargalhássemos na mesma hora, o que foi realmente irritante, porque fazia tempo que não riamos juntas.

— Calma Yoona, não tem do que se preocupar. Quando o zelador vier amanhã, seu corpo ainda estará aqui! – Yoona estremeceu e eu tive que rir novamente, aquela era a Fany que eu conhecia. Ou costumava conhecer.

— Então? É Melhor ficarmos em casa mesmo? E esperarmos a luz voltar?

— Creio que não, todos estão lá em baixo e a Sica ainda tem que achar o garoto que ela estava dançando, não é? – A pergunta dela era direcionada a mim, mas eu percebia que havia um interesse especial por trás dela, não era apenas uma pergunta banal.

— Tenho sim, mas não é isso que você está pensando! Vou continuar solteira por algum tempo! – Ela riu e se aproximou de mim, segurando novamente o braço de Yoona – Pronto, agora que estamos juntas, vamos descer juntas. Se cairmos, não vai ter problema!

Podia notar que Yoona não estava muito confortável com aquela idéia, mas mesmo assim pude sentir que naquele escuro, onde ninguém mais podia nos ver, estávamos voltando a ser nós mesmas. Riamos quando pisávamos em falso e quase provocávamos uma catástrofe e nos divertíamos a cada surto que Yoona tinha por ter visto um vulto descendo ao nosso lado.

— Querida, por favor! Dá pra parar de ver coisas! – Minha paciência já esgotara completamente quando ela tinha apontado para outra “pessoa” no meio do escuro. Fany riu pelo nariz, tentando parecer séria e continuou o caminho falando sobre prováveis espíritos que moravam nas estações de gás do prédio, só pra fazer com que ela ficasse com mais medo, mas parou quando percebeu que ela estava apertando nosso braço forte demais.

— Então Jessie... Quem era?

- Hã? Não entendi... – A pergunta só veio fazer sentido um pouco depois de ser feita – Não é ninguém... esquece... na verdade, acho que nem sei quem é!

— Tipo, não sabe se o conhece realmente? – Isso não era bem verdade, mas preferi responder de forma afirmativa.

Estávamos chegando ao térreo quando vimos um vulto no meio do hall do primeiro andar, parado, olhando pra gente. Yoona, por mais incrível que pareça, foi a última a perceber e só parou quando seguramos o braço dela.

— Quem é você? – A minha pergunta devia ser firme, mas minha voz tremia. Podia sentir que todas estavam com tanto medo quanto eu, ainda mais depois das história de fantasma que foram contadas.

— Achei que vocês já tinham decido. Mas fiquei esperando aqui, acho que quero falar com você. – A voz era grossa e agradável aos ouvidos, mas nunca tinha a escutado antes. Será que era ele? O cara da pista de dança?

— Nossa! Você me assutou! É o rapaz que a Sunny convidou não é? Reconheci sua voz agora! — Tiffany desvendara parte do mistério, pelo menos eu entendia agora o porquê de não ter reconhecido sua voz, mas mesmo assim, ainda estava intrigada, seria ele o rapaz que dançou comigo? – AH! Então foi você que dançou com a Jessie lá na festa? Ela não parava de falar de você!

Eu queria bater nela, mas minha mente vagueou novamente, então ele estava ali, e parecia ter sentido o mesmo que eu. Agora só restava saber... quem era ele?!

-------- X --------

A porta do elevador estava fechada. Só restava ele ali na minha frente, olhando curioso pros meus olhos. Seu olhar infantil ainda me fazia ter alucinações mesmo sabendo que a situação deveria ser séria e que eu deveria prestar toda a atenção possível naquele diálogo.

— Aconteceu alguma coisa? Porque se for alguma bobagem eu vou te bater! Você sabe que a Vic ta me esperando lá dentro! – Tentei parecer descontraído, mas não deve ter colado muito porque nem eu consegui acreditar.

Taec continuava fitando meus olhos, como se pudesse ver minha mente ou como se estivesse se esforçando realmente para fazer isso. Umedeceu os lábios com a língua e aquele era um costume que ele sempre tinha antes de falar algo sério, normalmente isso era um motivo de preocupação para mim, mas eu estava tentando parecer imparcial, entre o prazer de estar ali com ele e o medo daquele momento ser um dos piores da minha vida.

— Eu é que pergunto. Aconteceu alguma coisa? – Ele estava realmente sério, já era a segunda vez que ele umedecia os lábios em vinte segundos.

— Não, eu acho... não tô entendendo, onde você quer chegar?

— Você estava estranho hoje. Saiu de uma vez do quarto quando enquanto eu tava me vestindo e pareceu estranho lá na sala hoje. Eu fiz alguma coisa?

Essa é a hora que você faz “ooooown” e começa a chorar. Ele parecia uma criancinha, sua voz era de súplica, como se pensasse que eu estava com raiva dele ou algo do tipo. Ele nunca tinha falado assim antes comigo, aquilo o fazia parecer tão inofensivo. E isso me atraia da mesma forma que quando ele parecia forte e protetor.

— Não cara! Claro que não! Eu tô legal! Não se preocupa, devo ter ficado assim o dia todo por causa dos problemas da faculdade.

— Você tem certeza? – Ele parecia aliviado, mas por um momento senti que ele estava olhando para mim de uma forma diferente. Diferente da forma em que costumávamos nos olhar... senti que ele não estava olhando pra mim como quem olha para um amigo.

- Vamos para a festa? Já estamos a tempo demais aqui! Todos já devem estar lá, curtindo e a Vic deve estar louca! – Tentei desviar o assunto. Sabia que se minhas suspeitas fossem confirmadas, não me agüentaria muito tempo antes de me jogar nos braços dele e sentir aquele abraço forte para sempre.

Taec sorriu e isso me deixou feliz, ainda que eu tivesse meus “problemas” com ele, era muito bom vê-lo sorrir... ele era meu grande amigo.

— A porta não ta abrindo! – Ele apertava o botão com força, mas nada acontecia... até a luz apagar.

Ele xingou de forma audível, o que me fez rir um pouco. Será que estava faltando luz apenas no elevador? Teríamos realmente que ficar ali no escuro, em um local apertado, até a energia voltar?

--x--

Já haviam passado uns dez a quinze minutos desde que a energia tinha acabado. Minha roupa já pingava de suor e eu podia sentir que Taec já respirava de forma pesada. Nunca tinha pensado que estar preso em um elevador fosse tão ruim. No começo, nos divertimos, rindo das pessoas que socavam a porta do elevador, pois achávamos que elas iam nos tirar de lá em minutos, mas aí descobrimos que todos começaram a descer pela escada e ignoraram completamente o fato de estarmos presos no elevador. Até JunHo tinha ido até a porta para avisar que estava subindo porque preferia ficar em casa, mas todos estavam saindo.

— Então... aqui ta ficando muito quente. – Taec começou a tirar a blusa e eu só conseguia vê-lo por causa da lanterna de segurança do elevador que nós colocamos bem no centro, para iluminar tudo. Naquele escuro, ele parecia ainda mais sexy.

— Verdade, mas acho melhor você se manter com as calças. Se a energia voltar, todos vão ver seu pequenino... – tentei brincar um pouco e ele até riu, mas a resposta foi tão surpreendente que me deixou sem reação por algum tempo.

— Bobagem, você sabe muito bem que de pequenino eu não tenho nada, se quiser comprovar... é só me deixar alegre! – Nisso, ele se levantou e começou a tirar a calça.

Tentei rir, mas percebi que saiu mais forçado do que o esperado. Ele estava novamente apenas de cueca na minha frente, a Box preta que deixava bem destacado, com ajuda da luz que ia de baixo pra cima, o que ele nem de longe tinha de pequeno. Mais uma vez minha mente foi longe e inúmeras imagens de nós dois juntos que nunca aconteceram e provavelmente nunca aconteceriam vieram a minha mente.

— E você, vai morrer de calor aí mesmo? Acho que tô começando a ficar sem ar... – Ele não estava ofegando até pensar que deveria estar ofegando. Seu corpo estava coberto de suor e ele estava deitado, com a mão nos olhos, ofegando.

Tem horas nessa vida que você não consegue resistir a tentação. Essa era uma dessas horas. Tirei a blusa lentamente, ainda pensando bem no que eu ia fazer e no que estava fazendo. Você está enlouquecendo Nichkhun!

Cheguei bem perto dele e senti todo aquele calor passando dele pra mim. Sentia seu cheiro forte e isso me deixava completamente louco. Precisava senti-lo, mas precisava fazer isso de um modo que ele não percebesse minhas intenções.

— Será que seu coração está muito acelerado? Isso pode estar consumindo muito ar, você sabe! – É o que Nichkhun? O que você andou bebendo?!

Ele tirou a mão do olho e me fitou confuso, talvez estivesse acreditando realmente nisso. Aproveitei-me desse momento de confusão dele e encostei minha cabeça em seu peito. Seu coração estava acelerado e o som das batidas me fazia sentir minha vida pulsando junto a dele... como se fossemos uma pessoa só naquele momento.

Ele começou a se levantar bem devagar, mas não fez menção de tirar minha cabeça do seu peito. Apenas segurou meu rosto e me guiou até o rosto dele. Novamente estávamos nos fitando, mas era a primeira vez que fazíamos isso com ele de cueca sexy deitado em um elevador e eu com todos meus hormônios gritando pra agarrar ele naquele momento.

A forma que ele conduzia meu rosto para próximo do seu me deixou desnorteado no começa, até eu entender o que ia acontecer... Ele vai me beijar!

Eu já estava ofegando, não podia deixar esse momento se demorar por mais tempo, precisava sentir seu gosto, sua boca na minha, precisava sentir que ele era meu. Deslizei minha mão sobre seu peito até encontrar o cordão de ouro do Jay. Puxei o cordão com força. Não adiantou você colocar uma coleira. Ele é meu agora e sempre será!

Tive apenas um milésimo de segundo para tentar entender o erro que tinha cometido. Ao sentir que ainda estava com o cordão, ele instintivamente me afastou de forma brusca. Senti todo o momento sendo quebrado. Ele apenas se levantou e começou a se vestir novamente.

— Temos que sair daqui... antes que acabe completamente o ar e só encontrem nosso corpo aqui dias depois!

Notas finais
Pois bem, sei que foi um capítulo com mais dúvidas do que revelações, mas acreditem... as melhores revelações estão por vir... kekekekeke