Twists and turns of love
2 The contract
Notas iniciais
Acordei bem cedo para me despedir das minhas colegas, e logo tomei um susto com a chegada do doutor Edward na cela.
— Estou vendo que vestidos não fazem muito o seu estilo.
— Ai meu Deus!
— Desculpe, te assustei?
— Um pouco, e sim realmente não curto essas coisas de vestido.
— Mas vai precisar usar, são ordens explicitas. O meu superior não vai gostar de ver a senhorita assim.
— Assim como?
— Sabe, desobedecendo ordens, logo de primeira.
— Ele vai ter que entender, ao menos a blusa serviu.
— Que bom que pude ser útil, agora vamos, não podemos nos atrasar.
Atravessar aqueles portões e sentir aquela brisa calma era tudo que eu sempre quis. Fomos até o carro em silêncio, carregando os meus poucos pertences; ele gentilmente abriu a porta do carro para mim, gesticulei com a cabeça num gesto de agradecimento, partimos dali rapidamente. Queria saber o propósito de tudo aquilo, então resolvi perguntar, por que não? Que mal tinha nisso?
— Então agora o senhor pode me dizer quem é esse homem?
— Na verdade ainda não, mas acho que devo advertila de algumas coisas, tenho medo que a senhorita saia correndo quando souber de tudo.
— É tão horrível assim?
— Não, mas temo pela sua reação.
— Fala de uma vez, por favor!
— Eu não sei por qual motivo o senhor Potter escolheu a senhorita para isso, vou avisála que não tenho nada a ver, ele manda e eu simplesmente o obedeço. – Ele tirou do porta luvas um envelope e me entregou.
— O que é isso?
— Abra por favor. – Tirei do envelope alguns papéis e a foto de um homem.
— Já vi esse rosto antes. – Ele pisou no freio rápido.
— Como? Onde?
— Claro não esqueceria esses olhos nunca.
Flash Back On
Era uma manhã de sábado, o senhor Johson tinha acabado de me demitir, confesso que nunca fui eficiente em servir pessoas, mas aquele dinheiro faria muita falta.
— Vai para rua menina desastrada! – Ele gritava no seu sotaque italiano ridículo.
— Posso pelo menos pegar minhas coisas?
— Aqui está! – Ele jogou tudo na calçada. – E não volte mais aqui!
— Eu vou te processar velho, e agora como vou pagar o meu curso? -Recolhendo meus pertences da calçada, acabei esbarrando em um homem, bem vestido, terno cinza, acho que falava ao celular.
— Me desculpe, que desastrada...
— Então parece que acabou de ser demitida.
— Isso não é da sua conta, e pode deixar recolho tudo sozinha, não preciso da sua gentileza senhor riquinho.
— E também é maleducada, assim nunca vai encontrar um bom emprego.
— Já disse que não é da sua conta, para sanar isso eu estudo. — Ele sorriu ironicamente e saiu andando.
Flash Back Off
— Bom, então deve ter sido a partir desse momento que ele resolveu saber mais sobre mim.
— Sim, mas por que? Nunca entendi essa obsessão do senhor Potter com a senhorita, lembro que ele fez questão que eu não falasse o nome dele, que não comprometesse a imagem dele.
— O que ele realmente quer comigo?
— Vou te contar uma história, há alguns meses a empresa Potter’s Line entrou em uma grande crise, um declínio financeiro, eu como advogado decidi vasculhar as papeladas antigas da família de sangue do senhor Potter.
— Ele é adotado?
— Sim, os pais eram ingleses, morreram em acidente de carro, ele foi o único sobreviveu ao desastre.
— Minha nossa, então o sobrenome dele é da família adotiva?
— Sim, nome que ele fez brilhar no mundo dos negócios até agora.
— Continue contando.
— Onde estava? Sim, remexendo nos papéis encontrei um testamento da avó dele, a senhora Potter, no qual ela deixa tudo para o único neto, com a condição dele se casar.
— O quê? Sou eu a escolhida?
— Entenda é uma questão de salvar um patrimônio que foi erguido com muito esforço, sacríficos e noites mal dormidas.
— Mas por que não outra pessoa? Existem atrizes para isso, sabia?
— Sim, só que ele quer uma pessoa real, não vai durar muito tempo, depois que acabar o contrato a senhorita vai ser muito bem recompensada.
— Tudo bem, vou fingir que não estou sendo usada.
— A senhorita esta disposta a aceitar?
— É melhor que o senhor continue dirigindo.
Continuamos em silêncio, até chegarmos a um estacionamento amplo, com quatro belos carros, um Maybach Landaulet, um Aston Martin One77, uma Ferrari 599XX e um Zenvo ST1. Há muito tempo que não me espantava com tantas máquinas potentes juntas, trabalhei em uma oficina de carros por um ano, por isso entendia um pouco sobre carros. Entramos no elevador espelhado, em direção ao décimo segundo andar, minhas mãos gelaram quando as portas se abriram, nunca estive tão nervosa na minha vida, me senti intimidada logo pela decoração do lugar, tudo era moderno e limpíssimo, uma bela escada de vidro com detalhes em madeira, cortinas brancas de seda, sofás de canto de couro preto, ao fundo um belo piano de cauda, o piso de madeira dava um ar sofisticado. Alguns segundos observando tudo, apresentouse um senhor com mais ou menos uns cinquenta anos, bem vestido, formalmente, de terno preto, parecia francês.
— Doutor Edward seja bem vindo, o senhor Potter o aguarda no escritório.
— Obrigada Albert.
O senhor carequinha acenou com a cabeça e sorriu para mim. Acompanhamos ele pelo corredor, paramos de frente a uma grande porta de madeira, as portas se abriram revelando uma grande sala, que parecia mais uma biblioteca do que um escritório, prateleiras com muitos livros de todos os tipos, tudo bem organizado no seu devido lugar, poltronas brancas e uma mesinha de centro, no canto uma mesa de escritório e ao lado uma sacada com vista privilegiada. Ele estava sentado do outro lado da mesa, levantouse para nos cumprimentar.
— Bom dia senhor Potter. – Edward estendeu a mão para cumprimentálo.
— Bom dia doutor Edward. – Ambos apertaram as mãos.
— Senhorita Evans é um prazer reencontrála.
— Como vai senhor? – Falei com pouco caso, colocando as mãos nos bolsos.
— Muito bem, sentese por favor, temos muito o que conversar.
— Senhor eu tive a liberdade de adiantar algumas notícias à senhorita Evans, fiz mal?
— Não, o bom é que não vamos perder tempo com formalidades.
— Aqui estão os documentos que o senhor me pediu.
— Certo Edward, suponho que aqui também estejam os contratos que lhe pedi.
— Sim senhor.
— Ótimo, então senhorita Evans, o que achou do contrato? – Olhei com desespero para Edward.
— Senhor, a senhorita Evans não leu o contrato, apenas falei por alto o propósito dele.
— Sim tudo bem, mas ela deve ter algo a dizer sobre isso.
— Sim tenho.
— Fale, por favor?
— Como o senhor já deve saber... eu não tenho nada a perder.
— A sua resposta é?
— Sim, eu assino o contrato, afinal o senhor já fez a sua parte, o meu dever é fazer a minha.
— Perfeito, Edward mostre onde ela pode assinar.
— Espere! eu quero ler o contrato, não vou sair assinando nada sem saber do que se trata...
— Muito bem, se a senhorita quer ler pode ler, mas aviso que não tenho muito tempo.
— Não se preocupe, não vou tomar todo o seu tempo. – Ele franziu o cenho e se recostou na poltrona.
Tinha muitas coisas complicadas naquele contrato, não daria para ler e revisar tudo em tão pouco tempo, muitas cláusulas para entender, será que devo mesmo assinar? Estou com muitas dúvidas. O doutor Edward me entregou uma caneta, com ela em mãos fechei os olhos, devo assinar? Abri os olhos e comecei a ler bem rápido a segunda página do contrato, que falava sobre o casamento com separação total de bens, caso o divórcio seja provocado por ambas as partes o que está escrito no contrato será cumprido como manda a lei. Ele vai me mandar para prisão de novo? O que devo fazer?
— Senhorita Evans o seu tempo acabou, esta disposta a assinar ou não?
— O que aconteceria se eu dissesse que não vou assinar?
— Eu a processaria, e a senhorita supostamente me pagaria o que gastei para tirála da prisão, alegaria que fiz um empréstimo, e é claro, a senhorita trabalharia para pagar. E seria a minha palavra contra a sua, a senhorita vai perder muito mais se ficar contra mim, e acredite não vai me querer como um inimigo.
— E por que não?
— Sou do tipo de inimigo que faço tudo como manda o figurino, vejo que a senhorita é desafiadora, como eu gosto.
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