Twisted Upon A Time
1 Midas
Depois de uma longa cavalgada, Henry chegou ao escritório e viu que a secretária eletrônica tinha uma mensagem. Apertou o botão e escutou:
“Henry, venha para o castelo o mais rápido que puder. Abigail está desesperada pois acha que foi roubada. Até breve. Beijos.” Era a voz de sua avó Branca. Parecia preocupada.
Deixou um bilhete para Nova. Pegou a espada e as chaves, montou em sua moto e partiu para o castelo de seus avós.
***
- Oi, querido. Não te vejo há três dias. Parece tão magrinho. Está comendo direito? — perguntava Branca enquanto abraçava seu neto.
-Lógico, vó. Estou bem. Como andam as coisas aqui no palácio?
-Tudo muito bem. Tirando um ou outro caso, todos estão felizes e satisfeitos. — sorriu a rainha. — Mas venha, Abigail nos espera. Ela precisa de sua ajuda.
E os dois seguiram para o salão oval onde uma distinta senhora loira tomava chá.
-Olá, majestade. — disse Henry educadamente.
-Bom dia. Como vai? — respondeu Abigail. — Mas deixe desse negócio de majestade. Sou uma amiga da família.
-Certo, certo. Como posso ser útil?
-Oh, algo terrível aconteceu. Creio que Robin Hood tem atacado novamente. A luva de meu pai foi descaradamente surrupiada. — disse a senhora.
-Fique calma, Abi. Henry pode ajudar. Ele é bom com esses assuntos. — emendou Branca com voz suave.
-Talvez. Tentarei ao máximo. Mas conte-me mais sobre o objeto. Por que alguém iria querer uma luva? Foi de um rei, tudo bem, mas ainda é só uma luva. — questionou Henry.
-Não, meu jovem. A luva tinha seus poderes mágicos. Não era a pele de meu pai que transformava os objetos em ouro, eram as luvas. Mas as lendas foram se espalhando e ele decidiu deixar que todos pensassem que Midas realmente tinha um toque mágico.
-Começo a entender o porquê de alguém roubar as luvas.
-Mas existe um detalhe: as luvas só funcionam para aqueles que as recebem de presente. Antes de meu pai morrer, ele me contou toda a história e as entregou para mim. Disse para usar com responsabilidade e não cometer tantos erros quanto ele.
-Apesar de tudo, seu pai era sábio, querida. — comentou Branca de Neve.
-Sim, e muito bondoso também. — respondeu Abigail. — Pode me ajudar a recuperar as luvas de Midas, Henry? Se elas ficarem longe por muito tempo, perderão suas habilidades de transformar as coisas em ouro. E apenas serão um acessório como outro qualquer.
-Eu entendo. — disse o rapaz. — Você precisa delas para que o reino não entre em ruína. Eu as encontrarei, fique tranquila. O ouro sempre deixa rastro. Me dê até o final da semana.
Depois de muitos agradecimentos e um lanche digno da realeza, Abigail despediu-se, tomou sua carruagem e retornou a seu reino que não ficava muito distante dali.
Henry decidiu não voltar ao escritório. Foi direto para seu casarão. Iria pesquisar na encanto.net por possíveis anúncios para as luvas douradas.
***
No fim da tarde, Nova ligou. Henry tinha cochilado no sofá.
-Alô...
-Oi, chefe. Sentiu minha falta hoje? Temos algum caso? Ai, estou tão animada. Encontramos outra mina com diamantes próprios para fazer pozinho mágico.
-Legal, Nova, legal. Te vejo amanhã. Tchau. — e voltou a dormir.
Nova ainda era uma fada atrapalhada. Uma vez por semana fiscalizava a produção do pó das fadas, nos outros dias trabalhava como assistente de Henry. Gostava de seus empregos, gostava de seu chefe. Ainda tinha esperança de que seu romance com Zangado fosse possível, mas enquanto não acontecia, a fadinha enfiava a cara no trabalho. Trabalhar era a nova terapia de Nova.
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