Twisted Life
10 Realidade
A pergunta fez Vincent parar e pensar. Balançou levemente a cabeça e franziu as sobrancelhas suavemente enquanto abria um pouco sua boca. Em vários atos separados, estendeu sua mão direita sobre a mesa aonde estava sentado e coçou a cabeça. "Você já explicou isso antes... eu acho." — Disse o garoto, retornando a mão para debaixo da mesa.
"Expliquei apenas o que pessoas desinteressadas e fadadas à desinformação iriam querer. Você não é uma delas, ou é?" — Responde Masato, ainda observando Vincent nos olhos, com profissionalismo.
O garoto ficou um pouco surpreso com a resposta do professor, e se calou por alguns segundos, pensando na resposta adequada. "Bom, se quer saber mesmo..." — Disse o garoto. — "Pelo o que entendi, servimos a segurança pública, para proteger aqueles que necessitam, assim como super-heróis, não? Mas somos um segredo." — Completou Vincent, olhando de volta para os olhos de Masato, um pouco nervoso.
"Quase." — Respondeu o homem em tom frio. — "Não gosto de usar o termo "super-heróis", mas se olhar por certo ponto de vista, é exatamente o que representamos." Masato, deixando-se de apoiar-se a mesa do professor, começou a se dirigir lentamente com passos largos até a direção de Vincent. — "A organização age debaixo dos panos em conjunto com os governos a fim de manter tudo em ordem. É de extrema confidencialidade a existência de pessoas com super poderes. Pense como se fosse um segredo absoluto, assim como o que há dentro da famosa "área 51", lá nos Estados Unidos." — Explicou o professor, que se aproximou da mesa do garoto. — "É claro que já houveram incidentes onde a organização falhou com a confidencialidade. Mas ocorreram tantas poucas vezes que é quase nulo."
O rapaz ouvia tudo com atenção, genuinamente interessado na explicação do homem. A cada frase completa, as peças do quebra-cabeça iam se encaixando na mente de Vincent informações que completavam lacunas vazias no grande mistério que é essa nova realidade sendo vivida. enquanto falava, Masato perambulava pela sala. "Se quer ser um "herói"..." — Diz Masato, com desgosto na palavra "herói". — "Saiba que o cuidado em ser discreto é essencial. Seja forte. Seja ágil. Seja eficaz." — Diz o professor, em tom afirmativo com suas últimas três frases.
"Não me entenda mal, Vincent. Serei sincero com você." — Diz Masato, que aproximou-se da mesa do professor e apoiou-se, olhando diretamente para o rapaz, que escutava atenciosamente a cada palavra. "Você é um indivíduo bastante único por aqui. Tem potencial para ser grandioso." — Diz o homem. — "Quando o V neutralizou aquele divergente da semana passada, Alaska fez um relatório baseado no que ela viu."
Masato agarrou o documento que pegou na sala dos professores, e ergueu sua mão com o papel no ar. "Dentro desse documento é o seu relatório, ou melhor, do V." — Diz Masato, que tirou o papel de dentro do envelope de maneira suave, e pôs o envelope do relatório sobre a mesa dos professores. Segurando o papel com as duas mãos, ele começa a ler.
"Foi-se notado que a velocidade do indivíduo é potencialmente do nível do som, confundindo o divergente em ação. Sua força e defesa também são notavelmente extraordinárias, resistindo facilmente à uma grande quantidade de destroços acumulados atirados em sua direção, e em outro momento destruindo outros destroços acumulados, atirados em sua direção com apenas um soco. Os feitos do indivíduo indicam seu Grau como SS." — Terminou Masato, olhando para Vincent.
"Grau SS?" — Questionou o garoto, rindo de nervosismo levemente. — "Precisamos medir o nível de cada indivíduo num lugar como esse. O rank SS é o segundo melhor." — Explica Masato. Ficou um pouco pensativo com tamanha informação, e lentamente abaixou a cabeça com uma expressão surpresa. "Nossa... Isso é..." — Murmurou o rapaz. — "Incrível, eu acho." — Termina Vincent, olhando para Masato, aparentemente satisfeito.
"Sinta-se orgulhoso, jovem. Não são todos que chegam aqui com tanto potencial." — Disse o homem, permanecendo profissional sempre. — "Mas não se acostume com isso. A vida que vai levar daqui para a frente vai ser uma caixa de surpresas, mais do que a vida comum é, acredite em mim." — Terminou Masato, colocando o relatório de Vincent dentro do envelope novamente com cuidado.
"Posso assumir que você deve ser um pouco desleixado." — Disse Masato, friamente. Vincent imediatamente franziu levemente suas sobrancelhas e mudou sua postura enquanto estava sentado na cadeira, sentiu-se um pouco ofendido pela fala do professor. "Digo isto por que vai ter que mudar este estilo de vida. Em certos momentos, vai se encontrar em situações de possível vida ou morte. Tanto de pessoas inocentes, quanto aliados... e até mesmo você." — Concluiu Masato.
Assim que terminou de ouvir a explicação de seu professor, Vincent recolheu sua postura defensiva e sua expressão incômoda, tornando-se neutro diante do homem imediatamente. "É meu papel como seu tutor aqui dizer isto à você. Dizer e também ensinar. Siga-me." — Disse Masato, parando de se apoiar na mesa do professor, e andou até a porta, abrindo-a e esperando Vincent. "Aonde vamos?" — Perguntou o garoto, um pouco desconfiado e curioso. — "Vamos mostrar sua nova rotina." Disse Masato, com um leve sorriso assegurador no rosto.
Vincent o seguiu para fora da sala de aula, e começaram a caminhar com rumo indeterminado. "Todos os alunos possuem uma rotina personalizada baseada nas sua capacidades, especialidades, dificuldades e entre outros. Com você não será diferente." — Disse Masato, e virou-se junto com o garoto para o corredor primário do local, que devido o passar de tempo, encheu-se, momentaneamente, de funcionários. "Uau... Nunca vi tanta gente por aqui." — Disse Vincent, surpreso pela quantidade de pessoas. "Temos uma grande "equipe" trabalho por aqui. Um dia vai chegar a conhecer cada área." — Responde o homem.
Atrás dos dois, uma voz rouca, trêmula e profunda chama pelos dois, e assim que ouvem a voz, os dois param de andar e olham para trás. "Olha só. Se não é o Masato e seu novo aluno. Bom dia." — Disse o velho Fukushima, cientista chefe do centro de pesquisa. Vincent sentiu-se um pouco nervoso diante da presença de um ancião, já Masato, acostumado com a presença do senhor, o cumprimentou normalmente. "Gostaria de ficar e saber um pouco mais de você, rapaz... Mas estou com pressa." — Disse o senhor, olhando intensamente para Vincent com seus olhos profundos e rugosos. Nervoso, Vincent o olhou de volta nos olhos com certa estranheza e desconforto.
"Também estamos com um pouquinho de pressa." — Interrompeu Masato. — "Tenha um bom dia, Fukushima." — Terminou Masato, colocando sua mão nas costas de Vincent e ambos se viram, retomando a caminhada. "Ufa..." — Murmurou Vincent. "Que situação estranha." — Concluiu o rapaz. "Não se preocupe com o velho Fukushima. Ele sempre foi assim." — Respondeu Masato, acalmando o rapaz.
Vincent seguiu Masato até uma sala, que se parecia mais com uma espécie de recepção. Suas paredes claras como a neve e uma luz branca fortíssima destacava um desconforto no garoto, lembrando-o um hospital. Seu professor andou até a bancada aonde estava a recepcionista e colocou sua mão direita apoiada no espaço, e pegou com a atendente uma prancheta com um papel com textos não legíveis na atual posição de Vincent.
Vincent, calmamente deu alguns passos largos na direção de Masato e perguntou oque tem no papel, mas antes de Masato respondê-lo, é interrompido por uma voz feminina falando atrás dele, da entrada da recepção. "Procurei você pelo lugar inteiro. E por que o Vincent tá aqui?" — Disse a garota.
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