Twisted Life
23 Curvas da vida
Era início do inverno de 2010, e naquela época a organização ainda estava se recuperando das consequências trazidas pela "batalha entre o céu e a terra". Masato, assim como Alaska, envelheceram e tornaram-se renomados professores da organização, prontos para receberem e cuidarem de uma futura nova geração de alunos promissores. O outono vinha ao seu fim, e as folhas alaranjadas das árvores finalmente ao solo alcançavam. E com isto, o clima natalino vinha com fervor, como todos os anos.
Como uma maneira de aliviar o clima estressante e tenso da organização dos últimos anos, e também como um preparativo para os mais novos professores, o diretor Yamanachi organizou uma busca mais intensa por indivíduos com habilidades. Visto que, o número de alunos veio a crescer desde o acidente de 2004. Masato estava ansioso com sua nova realidade, deixou de ser um aprendiz para se tornar um tutor, e estava certo de que não cometeria erros passados. Mas, no fundo, ainda havia algo que o mantinha inquieto nos momentos que ficava em silêncio.
Mesmo quando achava que superou, as memórias daquele dia vinham em sua cabeça de uma maneira invasiva, penetrando sua visão. E mesmo que fechasse seus olhos, a visão só se tornava mais real. Kizuko Oma podia ser visto por muitos como o "Invicto" ou "abençoado", mas para Masato, era uma pessoa real, e também seu melhor amigo. Alguém com falhas e dificuldades da vida. Sua morte foi catastrófica, não só para Masato, mas eventualmente para a organização e dentre outros.
Não era só um jovem. Era um símbolo de força e poder. Uma arma e ameaça. Claro, isso para os que o enxergavam como algo para se usar e se aproveitar; algo que o próprio se negava ser. Sua ausência causou retrocesso nas pesquisas da organização, causando poucos anos depois a falta de funcionários do laboratório.
Porém, graças ao diretor, foi recrutado um divergente que escolheu por uma vida melhor. Um divergente com um intelecto brilhante, sua genialidade era maior do que uma equipe de inteligência especializada do governo japonês. Com sua mente incansável, os aparelhos de teletransporte foram melhorados, os sistemas gerais operacionais da organização de Quioto disparou comparada à outras, dentre outras eventuais melhorias. E em 2015, Fukushima Hagako tornou-se cientista chefe.
Masato e Alaska desenvolveram uma amizade genuína desde a morte de Kizuko. Ambos movidos pela perda, perceberam que tinham muito em comum, em contraste total com a indiferença que havia entre os dois quando se conheceram. E com o a busca proposta por Yamanachi, os dois amigos fizeram um combinado em prol da nova geração.
De que, diferentemente do que fizeram com Kizuko, protegeriam seus alunos independente da vontade da organização. Nada de rótulos e nada de experimentos, para que tivessem uma nova realidade fácil de mastigar. Apesar de sentir muita falta de seu amigo, Masato se arriscou em procurar um novo sentido, a fim de que pudesse sentir saudades sem se magoar.
Passaram-se dois meses desde que a busca começou. E de fato, muitos dispostos foram recrutados e passaram a frequentar a organização com frequência. De crianças a adultos. Masato havia encontrado poucas pessoas, mas estava satisfeito por fazer sua parte. Até o dia em que estava a ler um livro em sua sala.
"Se fosse á alguns anos, eu conseguiria entender... Essas teorias matemáticas são muito complicadas..." — Murmurou Masato, terminando de ler a uma página e virando a página. E quebrando a paz indomável e o silêncio glorioso da leitura complicada de Masato, Alaska abriu a porta da sala suavemente, apoiando-se na porta e olhando para Masato com uma cara pretenciosa. O homem a encarou, levantando as sobrancelhas quietamente.
"Você tem cara de quem tem boas notícias. " — Afirmou o professor, fechando seu livro.
"Não sei se de fato são boas notícias, mas pra você devem ser." — Disse Alaska, apoiando uma de suas mãos na cintura — "Receberam um relato de possíveis duas garotas com poderes. Garotas pequenas, na casa dos 6 anos." — Disse a mulher, com um leve sorriso no rosto. Os olhos de Masato então brilharam e rapidamente se levantou da cadeira, passando pela porta.
"Oque está esperando? Vamos trazê-las a organização." — Exclamou o homem, passando com velocidade pelo corredor largo, antes que sua amiga chamasse por seu nome, o fazendo virar.
"Não tenha pressa. Tem coisa ainda pra falar." — Disse a professora, deixando de se apoiar na porta e indo em direção ao seu amigo — "Aparentemente, as duas são irmãs. A mais velha protegeu a mais nova de apanhar do pai, trágico." — Explicou Alaska, com uma expressão mais séria. Masato então ajeitou seu óculos, perdendo sua animação com o peso da explicação.
"Presumo que foi aí que os poderes se revelaram. Entendo. Qual a situação então?" — Questionou Masato.
"As duas foram trancafiadas pelos pais em uma espécie de armazém. E devem estar ainda nesse momento."
"Vamos salvá-las então, Alaska." — Respondeu Masato, profissionalmente e determinado.
Mas então antes de se virar, percebeu que sua amiga ainda tinha algo a falar, então a encarou, levantando as sobrancelhas com uma cara de quem está ficando impaciente.
"Aí vem o problema. A gente até chega lá, mas vai demorar. O teletransporte é passando por uma atualização agora mesmo e o relato veio do interior. Uma cidadezinha de campos de arroz. Vamos ter que ir de carro." — Disse a mulher, coçando seu nariz enquanto apoia sua outra mão na cintura. O homem então se virou, resmungando enquanto gesticulava consigo mesmo. Fazendo sua amiga rir.
A viagem foi longa, foram quase uma hora de carro sem trânsito, e o por do sol estava no seu fim, trazendo consigo a noite. Graças ao clima do inverno, a região estava com ventos fortes e frios, especialmente aquela hora. Quando enfim Masato e Alaska saltaram do carro e andaram pelos campos de arroz em direção a pequena cidade, o homem não conseguia se não tremer de frio. Já a mulher, nem se quer percebeu.
"Cacete, que frio! Como você consegue ficar tão... de boa?" — Questionou o homem, esfregando suas mãos para gerar calor.
"Minha habilidade é a criocinese, seu idiota. É claro que minha resistência ao frio é maior que a sua." — Respondeu Alaska num tom de deboche, enquanto apressava o passo levemente para ultrapassar Masato. O mesmo, ao perceber isso, começou a andar mais rápido para acompanhar sua amiga.
"Ei, me espere. Vou morrer de hipotermia se me deixar aqui." — Dramatizou o homem, rindo fracamente, enquanto ambos se aproximavam da cidade de interior.
Após uma curta mas intensa caminhada até o local, ambos se surpreendem com a simplicidade da cidade comparada a grande Quioto. Apesar disto, a simplicidade não significava que era um local confortável. Ao menos, aquela entrada da cidade possuía condições relativamente mais precárias quanto ao resto, especialmente pela falta de iluminação, dificultando a visibilidade da área.
Masato e Alaska pararam por um instante ao pisar no asfalto mau aplicado, e ao concordarem com a cabeça, começam a caminhar enquanto olham para os lados, procurando o tal armazém aonde as duas irmãs estavam presas. Alguns dos poucos moradores presentes na fria rua apenas observavam os dois adultos, mas alguns encaravam Alaska devido suas roupas chamativas. Num local como aquele, não era comum ver uma mulher vestindo roupas brancas e uma enorme capa azul, sem contar com a coloração anormal de seu cabelo.
"Estão olhando pra você." — Comentou Masato, enquanto observava os arredores.
"Estão com inveja da minha capa." — Respondeu Alaska, com um pouco de orgulho da voz.
"Na minha opinião, estão te achando uma esquisita." — Disse Masato, enquanto ria levemente. Alaska apenas resmungou e continuou andando pelas ruas frias, desoladas e estreitas. Ao longo das ruas, notaram a repentina mudança de qualidade das estruturas, de casas simples porém pobres, de um lugar ao outro, a condição de vida aumentou repentinamente. Casas mais bonitas, melhor iluminação e dentre outros.
Os dois amigos então notaram ali, alguns metros até o fim da rua, um enorme armazém trancafiado com dezenas de cadeados em sua porta, como se estivesse segurando algo ou protegendo.
"Só pode ser este." — Murmurou Masato — "É o único da cidade." — Terminou o homem, enquanto virava sua cabeça para Alaska com confiança, e numa concordância de ambas as partes, eles partiram em direção ao armazém rapidamente. O ar que já era frio, se tornou solitário. Não só o local estava quieto, também como a cidade desde que entraram. Porém mesmo que fosse estranho, os dois partiram para a busca sem medo ou receio.
Ao se aproximarem da porta, Alaska rapidamente estendeu sua mão aberta, e utilizando sua habilidade, num instante todos os cadeados se congelaram, e devido pressão, imediatamente se partiram em mil pedaços. Com isso, Masato lentamente entrou na frente de Alaska, e com cautela, empurrou a porta de metal rangente suavemente, permitindo que o ar frio entrasse dentro do espaço.
O armazém estava escuro de início, mas rapidamente ao segundos se passarem, era possível notar as coisas dentro do lugar. Caixotes e mais caixotes, possivelmente de enlatados e suprimentos diversos. Mas quando Masato deu dois passos para a frente, se surpreendeu com oque estava alguns metros a frente de si.
Ao forçar a vista, conseguiu notar e observar as duas irmãs que estavam procurando. Alaska então rapidamente puxou de seu bolso uma lanterna, e a ligando, apontou para as duas meninas.
Eram duas crianças indefesas que estavam passando por maus tratos. Masato rapidamente notou a diferença de etnia entre as duas. Uma sendo certamente asiática, enquanto a outra possuía traços tanto asiáticos quanto ocidentais, apresentando uma pele morena e olhos menos puxados. Assim que a lanterna expôs as duas garotas, a asiática rapidamente entrou na frente de sua irmã, e surpreendentemente, revelou-se. Num instante, a garota revelou dois braços extras abaixo de seus naturais.
Com isso, a garota ficou em pé na frente de sua irmã, a protegendo com fúria. Curiosamente, dentre as duas, a asiática era a que mais apresentava hematomas e ferimentos de agressão física. Diferente da outra, que apesar de possuir alguns machucados, eram significantemente menos graves que o de sua irmã. A garota protegia a ocidental com fervor, rangendo seus dentes e franzindo suas sobrancelhas numa tentativa de intimidar os dois adultos, que a observavam com uma mistura de choque e surpresa.
A irmã ocidental, observava tudo com um olhar de choro, como se estivesse morrendo de medo do que pudesse vir a acontecer com as duas, não só consigo. Masato então ousou, e deu apenas um passo a frente. Isso causou com que a irmã asiática não só começasse a "rosnar" contra Masato, mas também com que a irmã ocidental agarrasse a perna da asiática e ali ficasse.
O homem então sorriu levemente, e olhou para Alaska, que parecia certamente nervosa e incerta sobre a situação. Masato observou as duas por alguns segundos, enquanto refletiu brevemente. Duas garotas com poderes, se então resgatadas, virarão possíveis órfãs visto que seus pais serão presos por maus tratos. Oque seria dessas crianças? Oque aconteceria com elas? Foram pensamentos que rodaram a cabeça de Masato num instante.
E olhando aqueles olhos raivosos, que apesar de transbordarem uma fúria indescritível, no fundo carregavam um temor profundo. Um medo do desconhecido terrível que a faria atacar qualquer um que ousasse se aproximar demais de si ou de sua irmã indefesa. Masato então sentiu que precisava fazer algo a respeito para que o futuro de ambas fosse promissor. Para que ambas tivessem uma vida boa depois de poucos anos terríveis de vida. E ao pensar mais a fundo, Masato se questionou uma coisa.
O que Kizuko o diria? O que ele faria numa situação dessa? O homem se pegou pensando sobre, e riu consigo mesmo ao ver o quão contraditória essa pergunta é, confundindo não só as irmãs, mas como Alaska também.
"Eu certamente nunca faria nada que você viesse a fazer, seu louco." — Pensou Masato, rindo suavemente enquanto observava as irmãs com esperança.
Eram 20:47 quando a polícia e as ambulâncias tinham finalmente chegado.
Masato e Alaska então se encarregaram das duas meninas. Com isso, Masato se encontrava em uma das ambulâncias com a menina asiática, enquanto os médicos chegavam os batimentos e dentre outros procedimentos antes de irem para o hospital. Após uma louca estratégia e muita paciência, Masato conseguiu acalmar a garota, a fazendo ter o mínimo de confiança no mesmo para que pudesse oferecer ajuda a ambas.
"E qual seu nome, pequenina?" — Perguntou suavemente o homem, com um olhar sereno enquanto estava agachado do lado da cama que a menina estava sentada. De maneira hesitante, a menina observou o Masato por alguns segundos antes de responder com uma voz fraca.
"É Keiko." — Respondeu a menina, olhando para Masato com cada vez menos desconfiança.
"Keiko." — Murmurou Masato, repetindo o nome da garota para se lembrar — "Nome bonito. Combina com você. E como se chama sua irmã?"
A garota olhou para o lado, observando sua irmã também sentada em uma maca, conversando com Alaska, e aparentemente, também se sentindo confortável.
"Yuro."
"Você e sua irmã são bem diferentes. Tem algum segredo mágico pra isso?" Perguntou Masato num tom curioso e amigável, levantando suas sobrancelhas para parecer mais carismático. A garota olhou para sua irmã novamente, e hesitantemente, a menina juntou suas mãos e as encarou.
"O Takeru me 'tirô' da parte baixa e me 'botô' na casa." — Disse a menina, com dificuldade nas palavras.
"O... Takeru?" — Questionou Masato.
"O pai da minha irmã."
Masato então concordou com a cabeça assim que percebeu do que se tratava. Keiko foi tirada as ruas e levada para dentro da casa do pai de Yuro, e se tornaram irmãs. Mas do que seria das duas a partir dali, ocupava a mente de Masato. O homem então se preparou para continuar a conversa com a menina, até notar Alaska andando até ele.
"Entendi, Keiko.. Muito obrigado." — Disse o homem, olhando para a menina com genuinidade — "Eu já volto, ok? Fica sentadinha aí." — Terminou Masato, passando em volta da maca e indo em direção a Alaska. A mulher estava com um olhar ainda incerto, sem saber o certo oque fazer.
"E então? Oque faremos com elas?" — Questionou Alaska, apoiando as mãos na cintura.
"Vou levar a menina comigo."
"No caso, a..." — Disse Alaska, olhando para Keiko e apontando levemente para a garota.
"Keiko. Vou levar ela comigo." — Respondeu Masato.
Alaska então inclinou levemente a cabeça para a esquerda enquanto olhava para Masato.
"Espera, levar ela com você? Tipo, pra sua casa?" — Perguntou a mulher com curiosidade.
"Sim, vou adotá-la." Respondeu Masato, com certeza na voz.
A mulher levantou a sobrancelhas e fez uma expressão de surpresa, mas de quem já esperava isto.
"Bom, isso é bem a sua cara. Mas e quanto a Yuro?"
"Você podia cuidar dela também, não acha? Você vive falando em ser mãe."
"Não acho que estou pronta pra cuidar de uma... criança. Nem cuidar de planta sei." — Respondeu a mulher, insegura quanto essa decisão.
"Vai, você consegue. Só por um tempo até acharmos alguém que possa de fato cuidar dela e que nos permita a monitorar durante a adaptação." — Incentivou Masato, dando um leve sorriso.
A mulher então respirou profundamente, e resmungando, ela se virou enquanto balançava a mão e andava de volta para Yuro, que estava tentando sair da maca.
"Tá, tá. Mas se eu algo der errado, a culpa vai ser sua." — Disse a mulher.
Masato então riu levemente, e então se virou e notou Keiko ali, sentada, esperando para que ele voltasse e que pudessem ir para o hospital. Sentindo-se aquecido, o homem anda em direção à ambulância, se aproximando da maca e do paramédico por perto.
"Tudo pronto, doutor?" — Perguntou Masato, num tom calmo.
"Apesar dos ferimentos dela, o pulso e batimentos também estão normais. Ela está bem calma para uma situação dessa." — Comentou o médico, lendo suas anotações — "Vamos para o hospital tratá-la em breve."
Ouvindo as palavras, Masato se sentiu aliviado. E então aproximou-se de Keiko, e se agachou ao lado dela novamente.
"Onde a gente vai?" — Perguntou a menina, com inocência na voz.
"Para o hospital, pequena. Botar curativos nos seus machucados."
"Mas e minha irmã?"
"Ela também vai para o hospital, querida. E quando vocês estiverem bem, eu e a tia Alaska vamos levar vocês para tomar sorvete." — Disse Masato, com calma e serenidade na voz, enquanto sorria levemente para a garota.
"...Oque é 'sorvete'?" — Perguntou a menina, curiosa ao ouvir a nova palavra.
Masato então gargalhou, surpreendendo a menina.
"É uma comida bem doce e gelada. Toda criança gosta." — Explicou o homem — "Você tem cara de quem vai gostar de sabor chocolate!" — Concluiu Masato, sorrindo para a garota.
"Eu gosto de chocolate!" — Disse a menina, com mais ânimo na voz fraca ao ouvir a palavra.
"Vamos comer muito chocolate juntos então." — Terminou Masato, rindo levemente com a menina, que em comparação com a situação em que se conheceram, agora estão bem mais próximos e confiantes. O mesmo então pensou em Kizuko, mas de uma boa maneira. O imaginou nesta situação, tentando o ajudar com a menina e falhando miseravelmente, provavelmente a fazendo chorar ou até mesmo o atacar.
Naquele momento, Masato sentiu que poderia seguir em frente com uma vida nova. Adotar uma criança não foi uma decisão qualquer. Foi uma escolha pensando no futuro de si e desta menina.
E então ele fechou seus olhos com satisfação e paz. Paz de espírito. Como se estivesse num sono profundo após um dia longo e cansativo no trabalho.
Até que, de repente, ouviu alguém lhe chamar no fundo de sua mente. E então cutucá-lo, tentando-o acordar de seu sono ininterrupto.
"...Masato."
"Masato, acorda."
"Ei, Masato!"
"...Masato!!"
E então o homem abriu seus olhos com plenitude e calma, como se não tivesse pressa para levantar. Masato olhou em volta e se viu em sua casa, especificamente na sala, deitado no sofá. E quem o chamava era Keiko, crescida e forte, com uma expressão impaciente, mas ao mesmo tempo como se estivesse acostumada.
"Você dormiu no sofá de novo assistindo esses vídeos de vida animal." — Disse a garota, impaciente.
Masato piscou algumas vezes, e então se levantou lentamente.
"Perdão, acabei apagando de novo, dia cansativo. Sabe como é." — Murmurou o homem. A garota então deu alguns passos pra trás e deu a volta no sofá, indo em direção á porta da frente.
"Tudo bem. Mas anda logo, já são quase oito horas! Vamos nos atrasar pra chegar na organização." — Exclamou a garota, esticando seus braços.
Ao se levantar, Masato se espreguiçou e começou a se alongar.
"Sabe que podemos ir quando quisermos né? Não temos um horário limite."
"Sim, eu sei! Mas sabe como odeio chegar tarde nos lugares." — Respondeu a garota — "Vamo, vamo! Preciso fazer uma hora de esteira hoje. Mais cedo do que tarde." — Concluiu a mesma, abrindo a porta e saindo, esperando seu "pai" do lado de fora.
Masato então olhou para Keiko com alívio, sabendo que no fim ele voltaria para essa vida todas as manhãs. Apesar de uma rotina corrida e cansativa, o homem se sentia disposto todos os dias para satisfazer a garota. Desde aquela decisiva e fria noite, Masato soube que havia escolhido seu destino tanto quanto o de Keiko, e esta foi uma decisão que o mesmo faria igual em qualquer cenário.
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