Twisted Life
17 Calmaria
Desativando seu poder, a aura de Kizuko dissipou-se e assim que o mesmo notou o sangue do homem em sua mão, fez uma expressão de nojo e limpou o excesso de sangue nas roupas do divergente morto. Masato e Alaska observaram tudo e estavam chocados. Mesmo que Masato já tenha visto Kizuko em ação, nunca o viu matar alguém. Kizuko, após limpar o excesso de sangue, vai até Masato e o ajuda a levantar. O mesmo ainda está em choque e um pouco atordoado, mas tenta agir naturalmente. "Como vai esse machucado aí, cara?" — Perguntou Kizuko, observando o bambu preso no abdômen de seu amigo. Masato ri com dor e balançou a cabeça. "Ainda não me matou, então tá tudo bem." — Responde o rapaz.
Rapidamente Alaska se juntou-se aos dois rapazes para que pudessem voltar a organização. A garota estava igualmente atordoada como Masato, mas agia naturalmente assim como o mesmo. "Ele vai ficar bem?" — Perguntou a garota, aparentemente preocupada com o estado de Masato. "Ui, decidiu ficar boazinha agora, foi?" — Disse Kizuko, provocando a garota mais uma vez. "Mas sim, vai ficar sim. Não é nada grave." — Completou o jovem. A garota finge se irritar para esconder o fato de que ainda está chocada por ter visto Kizuko brutalmente matar uma pessoa a sangue frio.
Alguns minutos depois do ocorrido, estão todos de volta a organização. Masato foi levado para a enfermaria do local e agora estão ambos Kizuko e Alaska numa reunião com o professor na sala de aula sobre o incidente.
"O divergente possuía uma espécie de reator biológico no centro do peito — que gerava energia o suficiente para derreter o meu gelo." — Disse a garota. "Certo, entendi. Mas e o divergente? O que aconteceu com ele?" — Pergunta o professor. Um silêncio desconfortável tomou conta da sala, e Alaska olhou para Kizuko, esperando que o mesmo respondesse. O rapaz olhou para baixo e respirou um pouco. "Eu o matei." — Declarou Kizuko. O professor ficou sem palavras, desacreditado no que ouviu. "O... matou?" — Murmurou o homem. Fazendo um sorriso de canto, o rapaz cruza os braços e olha para o professor. "Sim, matei, acabei com ele. Esmaguei a cabeça dele no chão. Admito que exagerei na força — fiquei sensível pelo machucado que Masato ganhou." — Disse Kizuko, num tom irônico, gesticulando com as mãos.
"Alaska, por favor, retire-se da sala." — Disse o professor, encarando Kizuko com os olhos arregalados. Alaska, sem pensar duas vezes, já sabendo oque iria acontecer, saiu da sala sem hesitar. Assim que fechou a porta, apenas ouvia gritos e gritos. Decidiu então que é melhor voltar para casa e relaxar um pouco.
Horas depois, Masato acorda ainda na enfermaria, e se encontra com Kizuko sentado por ali, lendo um livro. O rapaz se senta na cama e coça os olhos. "Rghn... Que dor..." Murmura Masato, coçando os olhos. "Dormiu bastante depois que te larguei aqui, hein." — Disse Kizuko, ainda com os olhos cravados no livro que estava a ler. "Tirei umas fotos suas bem engraçadas dormindo de boca aberta." — Completou o rapaz, rindo levemente e fechando o livro. Masato então olha para seu amigo, ainda com sono. "Muito engraçado, seu merda... Oque você estava lendo?" — Pergunta Masato. "Nada demais, apenas um livro sobre autocontrole. Tem uns filósofos com nomes bem estranhos nesses livros." — Disse Kizuko, com um sorriso de canto.
"Autocontrole, é?" — Murmura Masato. "Aliás..." — Murmura Masato, antes de ser interrompido por Kizuko de repente. "Não cite uma palavra sobre aquele maldito divergente. Já tive minha cota de levar sermão de velho." — Disse Kizuko, se emburrando. Masato ficou surpreso um pouco, mas se acalmou rapidamente. "Que? Eu não ia falar sobre isso. Mas aconteceu alguma coisa? Parece que o professor te deu um esporro dos feios." — Disse Masato, de maneira sincera. Kizuko concordou com a cabeça e expirou suavemente. "É. Eu consigo ouvir a voz dele martelando no meu ouvido até agora." — Disse Kizuko.
"Aquele verme não iria se render entrar para a organização nunca, e prendê-lo não faria diferença alguma. Afinal, ou ele iria sair e fazer tudo de novo, ou outro iria aparecer para fazer igual. Admito que exagerei na força, mas matá-lo foi a melhor opção." — Explicou Kizuko. Masato então coçou a cabeça, tentando compreender o ponto de Kizuko. "Sim, mas sair matando os divergentes não vai adiantar nada. Você só vai querer sair massacrando todo divergente que ver por aí? Isso é loucura, Kizuko. É assassinato, não heroísmo." — Argumentou Masato.
Kizuko então começou a caminhar em círculos pela sala enquanto pensa. "Sim, eu sei. Mas esse não é o ponto. O professor — a organização, pensa que trazer essas pessoas para cá vão mudar algo. Eu nunca vi nenhum divergente virar um cidadão bom aqui." — Disse Kizuko. "Eles são cegos. Isso vai acabar com todos nós. Esse lugar é falho." — Continua o rapaz. Masato então bocejou e continuou ouvindo Kizuko. "Explica esse "falho" aí, que eu ainda não estou compreendendo as coisas direito." — Respondeu Masato. "Eles acham que podem controlar tudo e todos, mas não podem. Uma hora isso tudo vai sair do controle e ninguém vai poder fazer nada pra parar." — Explica Kizuko, dando voltas na sala.
"Nisso eu tenho que concordar. Não é como se tudo isso fosse mil maravilhas. Quem entra pra organização passa a ser controlado pro resto da vida. Só pelo fato que se quisermos sair da organização para sempre, simplesmente não podemos. É ridículo." — Complementa Masato, gesticulando com as mãos. "Mas infelizmente não podemos fazer nada. Fazer a diferença nunca é o suficiente. Temos que viver com isso. " — Disse Masato, enquanto colocava mão no abdômen, fazendo Kizuko notar e perder a linha de raciocínio. "Esqueci de perguntar, como você está se sentindo? Descobriram que entrou aproximadamente 3 centímetros de bambu dentro do seu abdômen, foi mais fundo do que eu imaginava." — Disse Kizuko, parando de andar em círculos.
"Eu estou bem. Só sentindo um pouco de dor. Obrigado por perguntar." — Disse Masato, concordando com a cabeça. Kizuko riu um pouco e olhou para baixo. "Enfim. Vou pegar alguma coisa para comer na lanchonete. Quer algo?" — Pergunta o rapaz. Masato pensa por uns instantes. "Vou querer um salgadinho de queijo." — Disse Masato, com vontade na voz. Kizuko ri enquanto se aproxima da porta. "Então eu vou lá. Eu já estou de volta. Qualquer coisa me ligue." — Disse Kizuko. "E obrigado por me ouvir." — Terminou o rapaz.
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