Twilight Shadows : Evil is between us...
15 Bloodlines and Reflections
Os dias que se seguiram à chegada de Renesmee em Forks não foram tranquilos. Não houve explosões, nem ataques imediatos, nem sinais claros do inimigo. E talvez isso fosse o pior de tudo.O silêncio nunca foi um sinal de paz naquele mundo.
Renesmee se adaptou à casa dos Cullen com uma naturalidade que partia meu coração e o curava ao mesmo tempo. Ela caminhava pelos corredores como se já os conhecesse, tocava os móveis com curiosidade respeitosa, observava cada rosto como quem confirma memórias antigas, não vividas, mas sentidas.
Ela dormia pouco. Quando dormia, preferia ficar entre Edward e eu, como se precisasse da confirmação física de que éramos reais.
— Vocês ficam? — Perguntou certa noite, segurando nossas mãos antes de fechar os olhos.
— Sempre — respondi sem hesitar.
Edward ficou imóvel por um instante antes de se deitar ao lado dela. Vampiros não dormem, mas ele permaneceu ali, atento, a mão repousando sobre os cabelos cor de cobre da nossa filha, como se o simples ato de a tocar fosse algo que pudesse ser tirado dele a qualquer segundo.
Esme se tornou uma presença constante. Preparava o quarto de Renesmee com um cuidado quase ritualístico, escolhendo tecidos, organizando livros, deixando pequenos objetos feitos à mão. Em cada gesto, havia um pedido silencioso de desculpas por um tempo que ninguém ali tivera culpa de perder.
Carlisle observava Renesmee com fascínio contido. Médico, avô, estudioso, tudo nele tentava entender o que não podia ser explicado apenas pela ciência sobrenatural ou humana. Ainda assim, quando Renesmee segurava sua mão e sorria, ele deixava de analisar e apenas… sentia.
— Ela não é uma anomalia — ele disse certa manhã, depois de examiná-la cuidadosamente. — É um equilíbrio.
Charlie vinha todos os dias. Não fazia perguntas demais. Apenas sentava-se ao lado dela, deixava que Renesmee lhe mostrasse desenhos, histórias confusas e comentários profundos demais para sua idade.
— Ela é estranha — ele disse uma vez, limpando os olhos disfarçadamente. — Mas acho que puxou à família.
Renée chorou quando a viu. Chorou como se todos os anos de ausência tivessem caído sobre ela de uma vez só. Felix observava em silêncio, atento a cada reação, enquanto Bonnie se mantinha alerta, sentia a magia se mover, se adaptar, como algo vivo.
Jeremy não escondia o espanto. Jenna tentava ser prática. Rick e Vick se mantinham cautelosos. Caroline… Caroline não conseguia esconder o conflito que se formava em seus olhos sempre que olhava para Renesmee.
Edward percebeu.
— Você está com ciúmes — ele disse, numa noite tensa, quando ficaram sozinhos na sala e eu escutei tudo escondida.
— Não seja absurdo — Caroline rebateu, rápido demais. — É só… estranho. — Ela é minha filha.- suspirou o Ruivo
— Eu sei — Caroline respondeu, a voz falhando. — Mas vê-la aqui… viva… muda tudo.
A discussão não explodiu. Ela rachou. Silenciosa, profunda.Enquanto isso, Stefan se afastava de mim.Não fisicamente, mas emocionalmente.
Ele observava. Escutava. Lia os diários de Elizabeth Masen com atenção obsessiva. As páginas antigas falavam sobre sangue, profecias e as duplicatas.
Foi numa noite chuvosa que tudo começou a fazer sentido. Bonnie espalhou livros, grimórios e anotações pela mesa da biblioteca. Felix abriu um volume antigo, enquanto Lucia observava em silêncio.
— As duplicatas não nasceram do acaso — Bonnie começou. — Elas são uma maldição criada pelos Viajantes.
Felix assentiu. — Um feitiço de equilíbrio forçado. Sempre que a natureza cria algo imortal, ela exige um reflexo mortal. Um ponto de ancoragem.
— Stefan e Bella — Damon completou, sério. — Vocês não são apenas versões repetidas. São âncoras vivas.
O ar ficou pesado.
— As duplicatas estão ligadas por destino, não por escolha — Bonnie continuou. — São empurradas uma para a outra por forças que querem controlar o equilíbrio entre vida, morte e imortalidade.
Senti meu estômago revirar.
Stefan ficou pálido.
— Então… — ele começou, a voz tensa — e se o que sentimos…
— Não for completamente nosso — finalizei, num sussurro.
O silêncio que se seguiu foi cruel.
— Isso não apaga o que viveram — disse Bonnie, suavemente. — Mas explica por que sempre houve atração, conflito, dor.
Stefan se levantou abruptamente.
— Eu preciso de ar.
Nós discutimos depois. Não gritos, sem raiva, mas verdades e preocupações expostas de forma errada.
— E se nada disso for real, Bella? — ele perguntou, a dor exposta. — E se fomos apenas empurrados um para o outro? Manipulados como marionetes...
— E se parte foi — respondi, com lágrimas nos olhos — e parte não? Stefan, eu amo você, não é feitiço...
Ele não respondeu. E foi isso que mais doeu...
Enquanto isso, outro perigo se desenhava.
Lucia falou das sereias numa noite silenciosa.
— Sybil e Seline não querem Renesmee apenas por poder — ela explicou. — Elas servem a Cade. E o sangue da menina pode libertá-lo do Outro Lado.
Bonnie sentiu o arrepio antes mesmo de entender.
— O sangue dela é uma chave — murmurou. — Para abrir e fechar mundos.
— E os Viajantes querem controlar isso — Damon acrescentou. — Querem reescrever a maldição das duplicatas. Ou destruí-las.
Renesmee entrou na sala naquele momento, como se sentisse a tensão.
— Vocês estão com medo — disse, simples.
Ajoelhei-me diante dela.
— Estamos tentando proteger você.
Ela tocou meu rosto. E, por um instante, imagens que não eram minhas passaram pela minha mente: água escura, vozes cantando, símbolos antigos, correntes se rompendo.
— Eles não vão conseguir — ela disse. — Porque eu escolho.
Edward apareceu atrás de nós, a mão firme no meu ombro.
Mas todos ali sabiam:
Escolher nem sempre seria suficiente.
As duplicatas estavam despertando.
As sereias estavam se movendo.
Os Viajantes observavam.
E Renesmee…
Renesmee era o centro de tudo.
Fale com o autor