Twelve Signs
3 Em busca de Yic
Os preparativos para o evento de primavera dava vida ao vilarejo. Era o momento em que as cozinheiras mais velhas se reuniam para fazer seus melhores pratos, os alfaiates preparavam as melhores fantasias e os caçadores decidiam o melhor momento para entrar na floresta em busca de javalis, cervos ou pássaros. Ao todo, quatro dias inteiros e incontáveis armadilhas, espalhadas por toda floresta e região das montanhas. eram necessários para que os caçadores conseguissem alguma coisa. Isso porque a primavera em Erinn era uma época específica onde não havia muito o que se caçar, o que tornava a paciência e a insistência as principais armas na região.
No centro do vilarejo, caminhavam o ancião e Kita, que se maravilhava quando algo acontecia em Erinn. O ancião, sabendo que o evento vinha de um dos governadores, apenas se mantinha apreensivo.
Passaram por uma estrutura que mais lembrava um casarão abandonado. Eles param em frente a porta.
— Já aprendeu a ler, Kita? disse o velho fitando uma placa.
— sim, vovô. Ali diz biblioteca central Yic & Len.
— muito bem, Kita. Meu irmão e eu construímos este lugar. Yic era apaixonado por livros, assim como eu um dia fui. O velho olha para o lado, como se tentasse esquecer de algo.
— não é mais, vovô?
— Ainda sou, porém fui proibido de entrar aqui. Quando Yic desapareceu, houve um boato de que havia algo escondido ali dentro, o qual apenas eu e ele sabemos. A notícia corre rápida por aqui, e não demorou a chegar aos ouvidos dos doze. Fui interrogado, invadiram minha biblioteca e vasculharam cada canto do lugar, porém não encontraram nada. Em função do alarde que foi provocado, fui proibido de entrar aqui sob pena de morte. E, como os moradores desse vilarejo não servem para muita coisa, como diria meu irmão, esse lugar ficou jogado às traças. Len, absorto em pensamentos, vira-se e continua caminhando.
— e realmente existe algo ali, vovô? Disse Kita tentando seguir seus passos, ao mesmo tempo em que tenta vasculhar o interior da biblioteca.
— Havia. Assim que meu irmão desapareceu, eu vim para cá o mais rápido que pude. Encontrei a porta pesada de madeira, que guardava a sala onde ele escondia o baú, escancarada. Fui para a floresta, no último lugar em que poderia encontrá-lo, porém não havia nada lá.
Essas palavras foram ditas com uma raiva imensurável, nunca antes vista no sereno ancião. E, movido pela sua curiosidade natural aliada ao estranho estado de espírito vindo de seu avô, Kita decide por si só ir atrás de Yic, sabendo apenas da história que acabara de ouvir. Ambos seguem a caminhada, imersos em seus pensamentos.
Len tinha por hábito caminhar todos os fins de tarde nos campos do vilarejo. Permanecia andando por cerca de uma hora antes de resolver entrar em casa e se dedicar aos afazeres domésticos. Para o velho, era indispensável varrer a casa e preparar um chá antes de deitar-se.
Fingindo estar concentrado no estudo de alguns livros, Kita voa pela porta, em direção à floresta, assim que seu avô sai para a caminhada. Com a ajuda da sua idade e de um fôlego incrível, não demora muito a chegar no local que teria sido o último lugar em que seu avô havia procurado por Yic. O local era composto por um lago, repleto de rochas recobertas com musgos e uma pedra enorme cuja altura, da base até a extremidade, totalizava 15 metros.
Com o objetivo de observar o maior número de detalhes possível antes que escurecesse completamente, Kita correu em direção a pedra e, quando começou a escalar, teve um forte pressentimento de que não era ali o local em que deveria estar. Afastou-se da pedra e, como se estivesse hipnotizado, começou a andar na direção oposta, afastando-se do lago e adentrando a floresta. Caminhou 5 minutos, guiado apenas pelo instinto, quando subitamente para. A sua frente, um símbolo completamente estranho desenhado no chão, uma tocha queimada e um livro no centro do símbolo.
Correu em direção ao livro e o apanhou. Um forte clarão cegou Kita momentaneamente e uma risada estrondosa quebrou o silêncio da floresta. Com o susto, o menino cai sentado no chão e, sem enxergar absolutamente nada além de um enorme vulto à sua frente, começa a gritar desesperadamente.
— Calma, garoto! Disse a voz. Vamos explicar algumas coisas... Primeiramente você...
— Cala a boca, idiota! Uma outra voz interrompe. Acha que esse demente vai entender alguma coisa nessa situação? Você o assustou com essa risada medonha!
— Agora a culpa é minha, Yic? Você quem não viu a cara do garoto...
— Yic?! Pergunta o garoto completamente pasmo, recuperando aos poucos a visão.
— Sim, sou eu. Olha garoto, está escurecendo. Vamos voltar para casa e amanhã explicaremos o que você precisa saber. Por enquanto, apenas saiba que o que seu avô lhe falou é verdade. Porém, pela sua cara vejo que aquele idiota não falou coisíssima nenhuma, então quem vai ter de explicar tudo somos Ganta e eu...
— HAHAHAHAHA, se você me deixasse terminar alguma frase, hein Yic?
Kita recupera a visão, e o vulto toma a forma de duas pessoas idênticas, vestidas apenas com uma calça surrada segurada por um cinto. As duas figuras eram de coloração azul brilhante. Possuíam cabelos negros que iam até a cintura, dentes cerrados e pontiagudos e um físico de quem não come há semanas.
Um grito de pavor ecoa pela floresta. Kita reconhece ser a voz de seu avô e sai em direção a ela.
— Por aí não, garoto! Ruge a voz de Gunta. Vá naquela direção! Disse apontando para a direção do lago
Kita dispara. Após um curto trecho, o menino vê seu avô estirado no chão, banhado em sangue.
— Kita, chame ajuda! Caí em uma armadilha!
O menino, em estado de choque corre em direção ao vilarejo. Porém, devido ao desespero provocado pela situação de seu avô, desmaia e acaba caindo em um montinho de folhas formado por uma rajada de vento que vinha de todas as direções. As figuras de Yic e Ganta, que, até então, observavam a certa distância desaparecem. Escuridão e silêncio novamente tomam conta da floresta.
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