Turnaround In Love
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Capítulo 9 de TIL 💑
FLASH BACK ON continua...
Caminhando tal qual uma modelo, Megan foi ao encontro de Artur. Ele estava sentado na grama de um dos parques mais famosos de São Francisco. E só se deu conta da presença da bad girl, quando ela o cumprimentou, sentando-se ao seu lado.
Megan havia ensaiado um belo discurso para convencê-lo a ficar com ela. Não precisou mais do que cinco frases.
Sua última pergunta antes de beijá-la foi: Como ela o tinha encontrado. A garota respondeu que agora tinha uma "irmãozinho" hacker. Isso dissipou qualquer dúvida que Artur poderia ter em relação a iniciar uma vida junto com a bad girl.
Então eles se beijaram, deitados na grama. E a partir dali, Megan — mesmo sabendo que jamais esqueceria um certo nerd brasileiro — passou a morar com Artur em São Francisco.
Ao mesmo tempo, um pouco longe dali, Davi também tinha ido encontrar com Manuela. Contudo, o momento não foi tão romântico como ele havia imaginado e planejado, pois ainda encontrava-se abatido pelo adeus à Megan.
Ao chegar perto dela, a conversa fluiu muito bem. Eles se beijaram, mas Davi não sentiu quase nada, pela primeira vez. Perspicaz como era, a pernambucana percebeu o comportamento do nerd, então usou de todas as suas armas para que ele não desistisse dela. Uma delas foi a sedução, já que em sua mente, Davi só precisava de um tempo longe da Marra girl para relembrar de sua paixão por ela. A outra foi um convite irrecusável para expandir os negócios da Brazuka em terras nordestinas.
Sem remédio e sem esperanças com relação a uma certa americana, Davi aceitou. Então os dois embarcaram naquele mesmo dia para Recife.
E também foram morar juntos.
–------------ Dia 04/11/2014 -----------------
Eram seis e meia da manhã quando Artur escutou um barulho vindo do banheiro. Batendo os olhos repetidamente para que eles se adaptassem à luz, ele acabou acordando.
Em meio à luz tênue do quarto, procurou por Megan, que não estava do seu lado. Decerto era ela quem estava no banheiro, pensou. E sentando-se na cama, procurou por seus chinelos e foi até lá, preocupado com o barulho que ficava cada vez mais estranho.
– Pirralha? — Chamou, batendo na porta. — Tá tudo bem aí?
– No, Artur... Get out! — Megan respondeu de dentro do banheiro, com a voz arrastada —
Não quero que me veja assim, please.
Mais preocupado ainda, Artur não pensou duas vezes e abriu a porta.
Para sua surpresa, Megan estava sentada, em frente ao sanitário, com as costas encostada na parede, e com os braços abraçando os joelhos.
Artur franziu a testa e ao encará-la percebeu que a garota estava com feição de enferma.
– Oh, Artur, acho que estou virando do avesso. Right? — Megan reclamou, pois já não aguentava mais vomitar.
Artur se agachou ao seu lado.
– Megan, você se lembra de ter comido alguma coisa que possa ter te feito mal, ontem?
– No. Eu comi o de sempre. Just... De madrugada eu acordei com um vontade totally crazy de comer um bread com pasta de amendoim.
– E eu nem preciso perguntar se você comeu, né?! Tá na cara.
– Yeah. Comi. But não acho que tenha sido essa a causa, because eu também já estava assim in Brasil. Acho que deve ser estresse pelos acontecimentos. Hoje a minha mom ligou e disse que meu dad foi condenado a cinco anos de prisão. E eu nem pude estar lá para me despedir, Artur. — choramingou.
Artur levou a mão até os cabelos de Megan e lhe fez um carinho.
– Calma, pirralha, vai ficar tudo bem, você vai ver. Seu pai pode conseguir um habeas corpus por bom comportamento e sair bem antes do que você imagina.
– Você acha mesmo que há essa possibility, Tuca?
– Acho. Assim como eu acho que a senhorita deve procurar um médico hoje mesmo. Pirralha, você definitivamente não está bem. — Megan balançou a cabeça recusando a idéia, mas Artur foi insistente — Você não me disse uma vez que tem um médico brasileiro que mora aqui e que é muito amigo da família? Então, que tal se você fosse nele?!
– No, Artur. I hate doctors. Eu sempre fui muito saudável. Isso deve ser apenas uma indigestão. Vai passar. Believe me!
Artur revirou os olhos — Caramba, Pirralha, faz o que eu tô dizendo, o que custa?
– No. E não adianta insistir. I will not go. Period! — Cruzou os braços fazendo birra.
Artur bufou e levantou — Tá bom, Megan Lily, você venceu. Eu vou... Tomar um banho pra ir me encontrar com aquele meu sócio. Porque se tudo der certo, acho que iremos retomar o negócio das frutas orgânicas. Só que eu vou te ligar mais tarde pra saber como você está. Então, fica com o celular próximo, tá certo?!
– Okay. — Enguiou, antes de continuar — Good luck com as frutas orgânicas.
– Valeu! Vou só pegar uma toalha ali no armário... — Apontou com o polegar pra trás, por cima do ombro — ...Já volto! Quer ajuda pra levantar?
– Yeah. — Respondeu Megan, esticando os braços para que o namorado segurasse e a ajudasse. Ela ainda se sentia fraca.
Ao ficar em pé, Megan foi até a torneira para lavar o rosto. Olhou no espelho e se assustou. Estava realmente abatida e com um gosto terrível na boca. Por isso, abriu o armário, pegou uma escova e já ia começar a escovar os dentes quando ouviu o seu celular vibrar. Olhou o visor.
Era sua mãe.
Franziu a testa irritada e gritou para o namorado: — This is not fair, Artur Nigri!
– Quem manda ser uma pirralha mimada que só obedece à mamãezinha! — Rebateu Artur do quarto.
– I hate you! — Esbravejou Megan, mesmo sabendo que ele estava certo. Se sua mãe pedisse, ela ia acabar indo à droga do médico, pensou. Pâmela Parker tinha um poder de persuasão incrível.
– Também te amo. — Foi a resposta de Artur, acompanhada de uma risada vitoriosa.
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Algumas horinhas depois, mesmo contra a vontade, Megan foi à Clínica. Sua mãe havia lhe explicado o endereço com tanto cuidado que Megan não encontrou dificuldade nenhuma para encontrá-la.
Chegando lá, foi logo se submetendo a uma bateria de exames. Muitos dos quais nem sabia para que servia. Fazê-los antes da consulta era protocolo do lugar. E Megan teve de admitir que até gostou, pois assim só precisaria voltar se algum de seus exames estivesse alterado. O que era quase impossível, pensou com convicção.
Sentada em uma cadeira que ficava na recepção, Megan aguardava, nem tão ansiosa, o momento em que a recepcionista iria chamá-la para que ela pudesse entrar na sala do médico. Juntamente com ela, algumas pessoas também aguardavam. Uma delas estava grávida. Observou Megan, que olhou de soslaio e percebeu que ela acariciava a barriga com todo carinho. No mesmo instante, fez uma conta mental e determinou oito anos para que ela e Artur pudessem "pensar" em providenciar o primeiro. A garota se achava ainda muito imatura para tamanha responsabilidade.
– Megan Lily? — A recepcionista chamou, arrancando-a de seus devaneios. — A senhorita já pode entrar.
– Oh, thanks! — Agradeceu pegando sua bolsa e se dirigindo até a porta indicada pela recepcionista.
– Hi doctor! — Megan cumprimentou ao entrar na sala.
– Megan Lily Parker-Marra! Eu quase não acreditei quando li seu nome aqui. Não foi você mesma quem disse uma vez que odiava médicos?! — Levantou e estendeu a mão para ela, que a apertou. — Queira se sentar, por favor. — Apontou, com educação, para uma cadeira felpuda em frente a sua mesa.
Megan sentou e cruzou as pernas, apoiando a bolsa no colo.
– E ainda odeio. But... Meu namorado e minha mom resolveram se unir em um complô contra mim. E me obrigaram a vir.
– E fizeram muito bem... No seu estado, os cuidados devem acontecer o quanto antes.
Megan franziu a testa, sem entender — What?! I don't understand! Seja mais claro, please!
– Eu vou ser mais claro. — Pegou um dos papéis que estava no meio de um montante em cima da mesa. Estreitou os olhos e analisou mais uma vez o seu conteúdo. — É. Não há mais nenhum dúvida. Seu beta HCG é conclusivo. Você está grávida, Megan Lily Parker — Marra! Parabéns!
Por alguns segundos, o mundo pareceu rodar para Megan. E demorou um pouco para que ela conseguisse digerir aquela frase. Arregalou os olhos.
– Grávida?! No! You kidding me?! Deve estar havendo algum engano. — Dizia Megan, com um tom de voz nervoso — This is impossible! Eu sempre tive cuidado. Sempre tomei minhas pílulas no horário certinho. I have never forgotten!
– É. Eu acredito. — Pegou uma pasta e abriu — Mas dando uma olhada aqui em seu histórico no prontuário, parece que recentemente você sofreu um acidente e ficou cega, não foi?
– Yeah. But o que isso tem a ver?
– É que aqui consta que você tomou alguns antibióticos e até um anti-depressivo, o que é normal em um trauma, ainda mais chegando a ficar cega. — Megan fez cara de interrogação e o médico explicou — Megan, são raras as vezes, mas possivelmente esses medicamentos diminuíram a ação dos anticoncepcionais que você tomava. O que pode explicar sua gravidez mesmo com esse cuidado britânico.
E foi quando escutou essas palavras que finalmente a ficha caiu para Megan. Ela arregalou os olhos, espantada.
– Oh my God! I'm pregnant!
O médico sorriu — Sim. E pelos meus cálculos, de acordo com a data da última menstruação, você já está com cinco semanas. — Megan franziu a testa, e o médico em sua experiência já sabia o que ela ia perguntar, então se adiantou a responder: — Não se preocupe. Por você ter um biotipo magro, a barriga demora um pouco a aparecer. Mas a partir dos três meses, ela começa a crescer de forma acelerada. Logo, logo, você vai ter de mudar todo o seu guarda-roupa.
Megan esboçou um sorriso. E seus olhos brilharam. Então seu coração acelerou.
– A baby?! Eu vou ter um filho. — Disse Megan com uma expressão quase maternal. Então instintivamente colocou a mão no ventre e — assim como a mulher fazia lá fora — passou a acariciá-la.
O médico sorriu mais uma vez com ternura e abrindo uma gaveta, retirou de lá um cartão — Aqui. — Entregou a Megan — É o telefone de um ginecologista-obstetra, amigo meu. Ele é muito competente. Você pode ligar pra ele e marcar para começar o seu pré-natal.
– Thanks, doctor. — Agradeceu, pegando o cartão. Depois levantou e esticou o mão em direção ao médico — De verdade. Muito obrigada.
O médico levantou e apertou a mão dela — Acho que agora você mudou de idéia a respeito dos médicos. Estou certo?
– Yeah. Mudei. — Sorriu com ternura — Bye, doctor!
– Tchau, Megan! E mais uma vez, parabéns!
– Thank you! — Agradeceu, abriu a porta e foi embora, numa felicidade que jamais em sua vida inteira, conseguiria explicar com palavras.
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Algumas horas depois, Megan chegou em casa, depois de ter passado um bom tempo dirigindo sem rumo. Nesse pouco tempo, passou por lugares incríveis de São Francisco e ouviu uma quantidade significativa de músicas, enquanto tentava colocar as idéias no lugar. Precisava pensar em como, em um segundo, sua vida tinha dado uma volta de 360 graus.
Entrou no quarto, trancando para que ninguém a incomodasse em seu momento sublime. Retirou toda a roupa que vestia, trocando-a por um blusão com estampa de artista. Daqueles confortáveis que ela adorava usar para dormir.
Foi até o espelho e mirando-se por inteiro, apertou a vestimenta por trás e esticou a barriga, imaginando como ficaria quando ela estivesse verdadeiramente crescida. Sorriu feliz. Depois pegou um almofada da cama e colocou por baixo do blusão, imitando um barrigão de dar inveja. Seu sorriso foi ainda mais estonteante.
Em meio a essa alegria, deixou-se desabar na cama, os cabelos dourados esparramados sobre o lençol de seda.
E ficou acariciando o ventre...
"Como cortar pela raiz se já deu flor?
Como inventar um adeus se já é amor?
Não me deixe preencher com vazios
O espaço que é só teu 🎶
Não se encante em outro canto
Se aqui comigo você já fez morada..."
– Megan Lily grávida... I like it! — Disse para si mesma, com satisfação, olhando para o teto.
Mas de repente, as palavras do médico lhe sobrevoaram a mente.
" Sim. E pelos meus cálculos, de acordo com a data da última menstruação, você já está com cinco semanas."
Levantou de supetão, os olhos arregalados. Recordou que certa vez leu em um site que se devia contar duas semanas a menos da idade gestacional para se ter uma idéia do exato momento — com uma margem de erro de um ou dois dias — em que ocorreu a concepção. Sendo assim, isso teria ocorrido há três semanas, data em que... Oh My God! — Exclamou — Ela estava com o... Com o... — Estremeceu só de pensar — ...Davi.
Deitou na cama e fechando os olhos, deixou que lembranças de um dia em especial lhe viessem a mente.
–---------------- Dia 14/10/14-----------------
"Quando Megan acordou ao lado de Davi, percebeu que seu amor ainda dormia profundamente. Aproveitou para admirá-lo um pouco já que acordada, ela não podia. Afinal, para Davi, ela ainda continuava cega.
Uma lágrima desceu em seu rosto ao relembrar seu primo Danilo falando que tinha ouvido uma conversa em que Davi dizia estar prestes a terminar com ela. Ficou arrasada.
Esticou o braço em direção ao peito dele e fez uma pequena carícia. Era como se quisesse ter certeza que era ele quem estava ali. Do seu lado. Ainda.
Davi foi despertando aos poucos. Então sentindo a mão de Megan, segurou-a e a encarou, ainda sonolento.
– Me ajuda, Davi, a encontrar meu óculos. Eu não estou achando. — Megan disse, puxando papo.
– Você não precisa do seu óculos. — Respondeu Davi com voz rouca, fazendo um carinho de leve na mão de Megan.
– Huuum... Eu não quero que você me veja assim, feia. — Megan falou manhosa.
Davi virou para o seu lado com a cabeça apoiada na mão e o cotovelo descansando sob a cama.
– E você consegue ficar feia? Heim?! — Perguntou Davi com galanteio. — É impossível.
– Davi, só você mesmo pra me botar pra cima... — Megan disse, enquanto seus dedos brincavam com os dele.
Ouvindo isso, ele começou a dar umas bitoquinhas carinhosas nos dedos dela. E essa foi a deixa para que Megan rolasse para cima dele, seduzindo-o com um beijo em seus lábios enquanto bagunçava seus cabelos.
– Bad girl, bad girl, eu tenho que trabalhar... — Resmungou rouco. Mas não fez nenhuma força para tirá-la de cima dele.
– No. O trabalho pode esperar. Eu não. Eu preciso que você me ajude a despertar outros sentidos. — Respondeu Megan, que segurou o rosto dele entre as mãos e capturou seus lábios para um beijo de tirar o fôlego.
Sem resistir, Davi enlaçou sua cintura e rolou, ficando em cima dela.
E os dois fizeram amor a manhã inteira com direito até a um bom e refrescante banho. Juntos. Seus corpos se roçando enquanto a água do chuveiro caía sob suas cabeças."
–-------- Voltando para o dia 4/11/14 -------
De repente, alguém bateu na porta, trazendo Megan de volta à realidade.
Sentou-se na cama e ajeitou os cabelos que estavam emaranhados.
– Quem é? — Perguntou já caminhando até a porta.
– Sou eu, pirralha. Abre! Quero saber como você tá... — Artur respondeu, do outro lado da porta.
Ao ouví-lo, Megan parou de supetão. Agora que a verdade tinha vindo à tona. Como contar para o Artur que estava grávida? E o que é pior, que o filho não era dele.
– Wait a minute! — Exclamou, enquanto tomava coragem para abrir a porta.
Então depois de um longo suspiro, ela enfim abriu, com um sorriso misterioso.
– Hi, Tuca! Que bom que você chegou. I need talk you...
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