Turnaround In Love
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Capítulo 7 de TIL 💑
Embora, pela expressão no rosto de Davi, essa conversa estivesse longe de terminar, Jonas teve a leve impressão de que a resposta deles seria exatamente o que almejava. Isso tudo baseado nos olhares que seus filhos trocaram durante o breve silêncio que se seguiu à proposta.
– Jonas, — Davi começou a falar -, eu já disse uma vez e vou repetir: Eu não quero ser o novo Jonas Marra. Eu quero o meu lugar no mundo. Eu quero ser o Davi Reis... Que defende a tecnologia aberta. E que tá mais preocupado em melhorar o mundo, de alguma forma, do que com os zeros que vai conseguir na conta bancária. — Olhou bem fundo dos olhos do pai — Você tá preparado pra isso? Tá preparado pra ter um sucessor que não pensa como você, que não reza sua cartilha?
Os olhos de Megan brilharam, vendo e ouvindo Davi falando com tanta convicção. Aquele, definitivamente, era o Davi por quem se apaixonara.
Jonas sorriu, depois ficou sério e respondeu: — Estou. E é por isso que eu tomei essa decisão. Eu quero ouvir seus planos, suas estratégias, seus projetos para mudar o mundo. Tudo. — Jonas inspirou antes de continuar — Davi, você não é só o meu sucessor... É o meu filho. E eu como pai, quero apoiar você, quero poder conferir dos bastidores todo o seu crescimento. Mas mais do que isso... — Engoliu a seco — Eu quero participar da sua vida; conviver com você. Aliás, — Virou-se pra Megan -, com vocês dois. Peanuts, eu sei o quanto fui errado com você e o quanto te afastei de mim ao invés de te trazer pra mais perto. Por isso, eu quero me redimir. Quero ter a oportunidade de ser o pai que eu deveria ter sido há muito tempo.
Lágrimas brotaram nos olhos de Megan e um sorrisinho terno se formou em seus lábios. Ela nunca imaginava ouvir aquilo saindo da boca de seu pai. Ficou emocionada.
– Então, o que me dizem? Aceitam a minha proposta? — Perguntou Jonas, ansioso.
Davi e Megan se olharam mais uma vez, tentando decifrar o que o outro estava pensando daquilo.
– Jonas, antes eu queria conversar com a Megan. — A garota arregalou os olhos — Será que você, por favor, poderia deixar a gente sozinho, por um minuto?
Jonas gostou muito da atitude do filho, por isso, mais do que imediatamente, levantou do sofá — Claro. Todo tempo que quiserem. Eu vou... Aproveitar pra estragar um pouco meu neto. Não é isso que os avôs fazem? — Piscou um olho pra Megan — Fiquem à vontade. — Concluiu e saiu.
Davi seguiu Jonas com os olhos até ele desaparecer no corredor. Então voltou-se para Megan — O que você tá achando disso tudo?
– I don't know. Esperava que você me dissesse alguma coisa, Davi.
– Megan, eu quero ser sincero com você. Eu não sei se eu acredito nessa pose de bom moço do Jonas não. Só eu sei o que eu passei quando eu trabalhei com ele, junto com a Manu. Ele é um cara autoritário, prepotente... Queria que a gente baixasse a cabeça pra tudo que ele dizia. E quer saber a verdade? Acho muito difícil ele ter mudado assim, de uma hora pra outra.
– Yeah. Eu concordo com você, Davi. Mas eu acho também que todo mundo tem direito a uma segunda chance. Nosso dad passou por muita coisa nesse último ano... A maior delas foi descobrir que é seu pai. Sua cabeça deve ter dado um nó, just like, a sua. Imagina se descobrir dad do Golias, a única pessoa que teve coragem de desafiá-lo, de instigá-lo...
Davi soltou um sorriso, colocou as mãos dentro dos bolsos e a encarou com fascínio.
– What?! — Questionou em meio a um risinho — Por que tá me olhando assim?
– É que... Falando assim, você nem parece mais aquela Megan maluquinha que eu conheci.
– Really?! — Franziu a testa — E isso é ruim?
– Não. De jeito nenhum. Pra ser sincero, eu tô gostando muito dessa nova Megan. Encarou-a de cima a baixo e engoliu a seco — Gostando demais.
Ela olhou de lado, enquanto ele continuou olhando para ela, estudando-a.
– So... O que a gente faz?
– A gente aceita. E embarca nessa... Juntos. Quê que cê acha?
Ela silenciou, criando um pouco de suspense.
– Great.
Ele deu um sorriso, mostrando os dentes. Sentiu-se feliz como há muito tempo não se sentia. Era como se a vida tivesse lhe dando uma segunda chance de ter um pai de verdade...
De ter Megan.
Pensando nisso e sem medir as consequência de seu ato, ele esticou os braços e enlaçando a cintura de Megan, puxou-a com ímpeto de encontro ao seu corpo.
Como não teve tempo de agir, Megan se deixou levar, mas numa tentativa de se proteger, segurou seus ombros e envergou as costas. Contudo aquele gesto só serviu como um delicioso tempero para deixar Davi ainda mais faminto. E ele pensou que talvez aquele gesto pudesse passar a se repetir muito, dali pra frente.
Deu um sorriso sedutor e se inclinou, então suas testas e narizes se encostaram.
Entretanto, antes que pudesse acontecer qualquer coisa... A voz de Jonas vinda de detrás deles, sobressaltou -os e fez com que eles se separassem abruptamente.
– Peanuts, eu tentei mas... — Jonas parou de falar, ao perceber a expressão envergonhada nos rostos dos filhos. Sabia que aí tinha coisa e odiou-se por ter interrompido. Contudo já o tinha feito. Então o jeito era continuar a falar. — Mas... O Júnior estava agoniado. Acho que cansou de brincar com os gêmeos.
– Huuum mamã — Balbuciou Júnior, esticando os bracinhos para Megan, quase se jogando.
Megan riu e imediatamente pegou seu filho no colo — Que foi, my little prince?
Mas em vez de responder, o pequeno abraçou o pescoço da mãe e grudou ali. Talvez temendo que o levassem de novo para longe de seu porto seguro.
Jonas suspirou diante da cena, encantado. Sua filha estava se saindo uma mãe como poucas. Ficou orgulhoso.
– Bom, acho que eu acabei interrompendo vocês dois, né?!
– Não, Jonas. Você não interrompeu nada. — Davi tentou disfarçar — E... A gente já tava quase indo te chamar, porque... — Suspirou — Porque a gente resolveu aceitar. — Pausou — A Megan e eu seremos os novos diretores da Marra Brasil. Claro, que com a condição de que a gente vai ter aval pra dirigir a empresa como, e do jeito que a gente quiser.
Jonas quase pulou de alegria, tal era o sorriso que deu. — Eu sabia! Sabia que vocês não iam me desapontar. E que eu ia, finalmente, ter a chance de ter os meus filhos comigo. — Seus olhos brilharam. Estava claramente emocionado. Então sem pestanejar, estendeu a mão para o filho e apertou-a com força, puxando-o para um abraço e finalizando com duas tapinhas nas costas. Depois foi até Megan e deu um beijo demorado em sua testa.
– Tá. A gente aceitou. Mas quando é que a gente começa? — Davi perguntou curioso e até um pouco ansioso. Afinal, era com Megan que iria trabalhar.
Jonas encostou o indicador nos lábios, gesto que fazia sempre que queria pensar em algo. — Hum... Penso que o melhor seria na segunda porque assim eu teria a semana toda para entrar em contato com alguns investidores para convocá-los para uma reunião, claro que no nome de vocês. E vocês teriam tempo suficiente para articular uma maneira de convencê-los a nos ajudar.
Megan arregalou os olhos. — Daddy, você tem certeza que quer que eu também esteja nesta reunião? You know, que eu nunca fui boa pra essas coisas.
– Peanuts, você é muito boa em muitas coisas que você nem imagina... É uma pena nunca ter te dado oportunidade para que você se revelasse. Mas agora... Vai ser diferente. Eu prometo.
Megan deu de ombros. — Ok. Whatever! Só espero não decepcionar.
– Não vai, Megan. Tenho certeza. — Davi falou, convicto, deixando Megan aliviada.
– Thanks, Davi. — Megan sorriu com os olhos.
– Bom, eu não sei vocês, mas eu tô morrendo de fome. A Verônica foi buscar uma comida muito boa aqui do lado. Almoçam com a gente? — Jonas convidou.
– Caramba, Jonas... Eu até aceitaria mas é que a tia Rita chegou de viagem hoje e eu tô pensando em dar uma passada lá... — Pausou — Fica pra próxima, tá?
– Tá certo. Sem problemas. Mas e você, Peanuts, fica pra almoçar com a gente...?
– Eu... — Megan ia responder mas foi repentinamente interrompida por Davi.
– Não, Jonas. A Megan vai comigo.
– What?! — Megan espantou-se.
Davi se fez de inocente — Ué, Megan, esqueceu que a gente prometeu levar o Júnior pra ver o Linus?
Mas antes que Megan pudesse responder com um belo desaforo. Junior, que até então brincava com os brincos da mãe, ao ouvir o nome Linus, arregalou os olhinhos e batendo com a mãozinha no rosto de Megan, balbuciou: — Au au, mamã. Quelo vê au au.
Megan suspirou e Davi aproveitou a deixa para provocá-la — É mamãe, parece que você vai ter que ir comigo...
– This is not fair! — Reclamou Megan.
Davi arqueou as sobrancelhas e estalando a língua, constatou: — É. A vida não é justa.
Megan fuzilou-o com o olhar. Mas recebeu em troca um beijo que ele soltou para provocá-la ainda mais.
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Uma hora depois, Davi estacionou o carro em frente à casa de Rita. A primeira a descer foi Nina, com Júnior nos braços. Depois foi a vez de Davi, que desligou o motor e abriu a porta. Contudo parou no meio do que estava fazendo para observar Megan. Ela tinha descido o espelhinho de teto e estava calmamente retocando a maquiagem. E parecia não estar nenhum pouco preocupada com o fato de que alguém a aguardava.
Por alguns segundos, Davi ficou parado ali, fascinado com a presteza e delicadeza com que Megan se maquiava, ao mesmo tempo em que prestava atenção em toda sua transformação. Não que Megan precisasse daquilo. Sua beleza era natural. Mas é que as cores tão bem combinadas, deixavam-na ainda mais linda.
Como pudera deixar aquela mulher escapar? — pensou ele, com arrependimento. E para se desvencilhar daquele sentimento qua a todo segundo lhe perseguia, resolveu fazer aquilo que mais gostava... Provocá-la.
– Queria ver meus tios antes do aniversário de 90 anos. Pode ser?
Megan se virou pra ele, fuzilando-o. — E eu queria que você parasse com essas gracinhas.
Davi sorriu e chegando bem perto de seu rosto, sussurrou: — Se não o quê? Vai me bater?
A troca de olhares, alternando entre os lábios e os olhos, foi intensa. Mas Davi estava mesmo disposto a irritá-la naquele dia. E parecia estar se divertindo muito.
– Quando sair bate a porta devagar, tá? — Pediu. Os lábios roçando os dela. Depois puxou o freio de mão e saiu, deixando-a bufando de raiva.
Ao contornar o carro, Davi foi até a porta da casa de Rita e bateu.
– Não... — Disse Rita, espantada, ao abrí-la, segundos depois. — Eu num tô acreditando! Davi? — Olhou por cima dos ombros. — Danteeeeeee, corre aqui! É o Davi.
Davi sorriu, entusiasmado, ganhando um abraço apertado de sua tia.
– Oi tia Rita, tudo bem?
– Tudo ótimo, meu filho. Melhor agora. — Respondeu Rita calmamente para em seguida virar-se de novo, gritando a plenos pulmões — Ô Dante!
Davi fez uma careta, passando a mão pelo ouvido, discretamente.
– Que foi, minha preta? — Perguntou Dante ao chegar perto da esposa, esbaforido por ter corrido — Por acaso a casa tá pegando fogo pra você gritar desse... — Parou de falar ao se dar conta da presença de mais alguém — Davi? Mas é o Davi mesmo, rapá!
– Sou eu, tio. Pode comprovar. — Disse, zombeteiro, já puxando-o para um abraço.
Todos sorriam, contentes. Rita não tirava os olhos de Davi. Era como se tivesse com medo de que a qualquer momento o garoto pudesse desaparecer no ar.
– Mas, fala aí, Davi... Cadê a Man... — Rita titubeou ao ver uma garota que não era quem estava pensando aparecer atrás do sobrinho. — Megan? Megan...? — Arregalou os olhos para Davi em busca de uma resposta plausível para aquela súbita mudança de "namorada"- Depois eu quero uma explicaçãozinha disso, viu? — Falou baixinho trincando os dentes enquanto passava por Davi e se dirigia até Megan, que sorria.
– Hi, Rita! — Megan cumprimentou, recebendo um abraço apertado de Rita.
– Megan, minha linda, quanto tempo... — Passou o braço em volta dos ombros da garota — Olha Dante... É a Megan.
– Megan, seja bem vinda outra vez a minha humilde residência. — Dante disse de modo galanteador. Depois segurou a mão dela e tascou um beijinho. Davi arqueou uma sobrancelha.
– Oh, thanks, Dante. — Megan agradeceu, um pouco corada com o gesto.
– Ai meu Deus, Dante, olha o estado que você deixou a menina! Ficou toda sem graça, a coitada. — Bateu no marido com um pano — Vê se toma prumo, pelas caridade!
– No, Rita... O Dante só quis ser simpático comigo. No problem, ok?!
– Ok, minha filha, mas é que esse aí... — Parou de falar, olhando fixamente para um ponto. Todos seguiram o olhar dela que dava em Júnior, atrás de Megan. — Quem é esse menino tão lindo?
Megan sorriu, orgulhosa — Meu filho... Júnior.
Rita olhou para Megan rapidamente antes de fixar o olhar outra vez em Júnior, que nem se dava conta do que estava acontecendo, tão entretido estava com sua girafinha de pelúcia.
– Seu filho, Megan?! — Rita perguntou, aproximando-se do garotinho e pegando em sua mãozinha, com carinho.
– É, tia. Filho da Megan com o Artur. — Explicou Davi, com um tom um tanto ciumento.
– Com o Artur, é...? — Perguntou Rita, estreitando os olhos e analisando cada traço do garotinho. Mas foi quando ele sorriu que ela arregalou os olhos. — Ai meu Deus!
– Que foi, tia? — Davi perguntou, curioso.
Entretanto em vez de responder, Rita continuava a olhar o garotinho, abobalhada.
Davi, Megan e Dante fizeram cara de interrogação, sem compreender o que estava havendo com Rita, que parecia estar em transe.
– Preta? — Dante chamou uma vez. — Pretinha? — Chamou pela segunda vez, mas agora tocando em seu ombro.
E só aí Rita pareceu acordar — Hum? O quê...? Você falou alguma coisa, Dante?
– Falei, minha preta. Mas tu parecia tá em outro mundo. Que foi que houve?
– Não... Nada. É que por um momento eu achei que...
– Achou o que, tia? — Perguntou Davi, preocupado. — Fala!
Rita balançou a cabeça, como que espantando um pensamento. — Nada não, meu filho. É besteira minha. Esquece! Esquece! Deve ser coisa da minha cabeça. É. Deve ser isso. — Pausou — Só pode ser...
Davi franziu a testa. Não estava entendendo nada. Megan e Dante muito menos.
– Tia, eu trouxe a Megan pra almoçar com a gente. Quê que tem aí de bom?
– Ah, meu filho, tem muita coisa. Mas tá tudo dentro das panelas, lá em cima do fogão. É que o Dante e eu... A gente já almoçou. Se eu soubesse que vocês vinham, tinha esperado, mas vocês não...
– Tem problema não, tia. Pode deixar que a gente se vira com o que tem, né, Megan?
Megan abriu um sorriso — Yeah. A gente se vira. Vai ser like um self service, right?!
Davi balançou a cabeça, fazendo careta — Huuuum... Mais ou menos. Mais você vai gostar. Vamo lá?!
Megan ia abrir a boca para falar sobre Júnior, mas foi interrompida por Rita.
– Megan, será que eu posso levar o Júnior pra passear comigo aqui pela gambiarra? Posso?
– Oh, se ele quiser... Ou se você conseguir convencê-lo. Pode.
Rita sorriu, contente e mostrando as mãos para Júnior, chamou, com voz infantilizada — Ei, Júnior, bora passear com a tia Rita? Bora? Cê quer passear?
O garotinho olhou pra Rita, com a testinha franzida, desconfiado, mas o sorriso dela o cativou. Então ele esticou os bracinhos pra ela, que o segurou, com todo cuidado.
– Bó, mamã?! — Júnior chamou a mãe, fazendo gesto com a mãozinha.
Megan se aproximou do filho e sorriu com ternura — No, Júnior. Mamãe não vai. Você vai sozinho com a tia Rita. Você quer passear com ela?
O sorrisinho do pequeno se esvaneceu, mas ao voltar a olhar pra Rita, pensou melhor. — Qué mamã.
– Tá bom, my love... Vai com a tia Rita e com a Nina, ok?! — Deu um beijo carinhoso no rostinho dele.
– Vamos?! Tia Rita vai mostrar um montão de lugar legal pra você brincar. Dá tchau pra mamãe.
Júnior olhou para mãe, os olhinho brilhantes — Xau, mamã. — acenou com a mãozinha.
E os três foram embora, com Megan seguindo-os com o olhar até desaparecerem na esquina.
– Ele já já tá de volta, Megan. — Davi falou quando viu Megan suspirar.
– I know. Mas é que ele é tão pequenininho...
Davi se aproximou e fez um carinho no rosto de Megan, com os dedos — E tem sorte por ter uma mãe linda... Muito linda.
Ela segurou a mão dele que estava em seu rosto e os dois ficaram, por alguns segundos, se olhando, apaixonados.
Depois disso, Davi pegou a mão de Megan, que não hesitou em segurar. E os dois se dirigiram à cozinha... De mãos dadas.
"I have died everyday waiting for you
Darling don't be afraid I have loved you
For a thousand years 🎶
I'll love you for a thousand more
And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me..."
( A thounsand years — music)
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