Notas iniciais
Desculpem a demora! Eu tento postar logo, mas as tarefas do meu cotidiano quase numca deixam... Espero que curtam o capítulo hihihi

Capítulo 23 de TIL

Alguns minutinhos se passaram até que a enfermeira saísse do quarto. Minutos intermináveis para Davi, que queria, com todas as forças, voltar ao assunto interrompido com Megan.

– Então, o que você queria me dizer? — Davi questionou Megan, que estava ajeitando seu filho no leito para uma posição mais confortável.

Ela se virou para ele, e se fez de desentendida.

– What? Dizer? I don't remember.

Davi franziu o cenho, desconfiado.

– Não, calma aí, Megan, você ia me dizer alguma coisa importante antes da enfermeira entrar.

– Me? Oh, Davi, não devia ser tão importante porque eu juro que não me lembro. — Megan afirmou, tentando ao máximo aparentar seriedade. — Sorry.

Davi ficou decepcionado. No fundo, ele teve a ilusão de que ela diria que ele era o verdadeiro pai do Júnior.

– Tá. Deixa pra lá, então. — Davi disse, vencido. E Megan acabou dando um suspiro de alívio. Essa foi por pouco. Muito pouco mesmo.

– Com licença — A enfermeira pediu ao entrar outra vez no quarto. — Desculpa vir aqui de novo. Mas é que preciso saber quem será o acompanhante do paciente.

Ambos se viraram, quase que ao mesmo tempo.

– Como assim, quem será o acompanhante? — Indagou Davi, confuso.

– I think... Eu achei que os dois poderiam ficar. After all, nós somos os pais dele.

Davi virou o rosto para Megan. Outra vez ela mentia sobre o parentesco dele com Júnior.

– Desculpa, mas é que o Hospital só permite um acompanhante para cada paciente. — A enfermeira explicou, deixando bem clara a falta de alternativas.

Megan baixou o olhar. Não queria ficar sozinha. Então, percebendo isso, Davi segurou o rosto dela entre as mãos, obrigando-a a encará-lo.

– Megan, fica tranquila. E confia em mim, tá bom?! Eu prometo que eu vou dar um jeito de... — Davi pausou e olhou por cima do ombro para verificar se a enfermeira estava atenta. Droga, ela estava sim. Por isso, em vez de continuar, se ateve a depositar um beijinho cálido nos lábios de Megan. Um bem demorado, daqueles que transmitem confiança. — Melhor eu ir. — Falou ao término do beijo, e ainda encarando-a com intensidade. — Cuida bem do nosso filho.

Os lábios de Megan se curvaram em um sorriso triste.

– Pode deixar. Eu cuido... Bye, my love. — Megan se despediu como costumava fazer quando eles namoravam. E Davi ficou paralisado. Será que ela estava fingindo para enfermeira? Vida real e imaginária brincando com o seu bom senso, faziam com que Davi se sentisse ainda mais confuso.

– Senhor, por aqui, por favor! — A enfermeira impôs, quebrando o clima do casal.

Davi revirou os olhos, mas apenas Megan o viu fazer isso. Pois quando ele se virou para enfermeira, forçou um sorriso. Então ela o conduziu para fora do quarto. Mas antes de fechar a porta, Davi deu uma última piscadela para Megan.

Ele estava aprontando alguma coisa. Megan soube quase que no mesmo instante. Mas o que seria? Se perguntou, curiosa.

Sozinha no quarto — e depois de receber um travesseiro e um lençol das mãos da enfermeira — Megan resolveu que já estava na hora de avisar aos avós do ocorrido. Pegou o Marraphone e discou, primeiro para sua mãe, que estava viajando em turnê com o marido por causa do lançamento de seu mais novo filme. Quase se arrependeu, pois ouviu quando Pâmela gritou para que o motorista parasse e desse meia volta. Mas, depois de muita conversa, Megan conseguiu persuadí-la do contrário, afirmando que Júnior já estava fora de perigo. E em casa. Sim. Ela teve de mentir. Conhecia sua mãe muito bem para saber que ela não sossegaria se ela dissesse que ele ainda permanecia no Hospital, sob cuidados médicos.

Depois disso, contactou Jonas, que ficou bastante preocupado, mas ao saber que Davi estava com ela, sossegou. Duas mentiras numa mesma noite. Possivelmente iria para o inferno. Mas qualquer coisa era melhor do que a presença de Pâmela Parker e Jonas Marra, em um Hospital, deixando bem claro para todos que um Parker-Marra deveria ser tratado de forma diferenciada.

Ao desligar o celular, Megan se lembrou de que havia mais alguém para avisar. Sim. Artur precisava saber, afinal, ele era o pai de criação.

Criação... Pai de criação... Megan repetiu a palavra em sua mente, se dando conta de que era a primeira vez que se referia a ele dessa forma.

Por fim, rolou a barra do Marraphone a procura de seu nome. Entretanto, foi interrompida com o barulho de duas batidinhas na porta. Mirou a porta e esperou para ver de quem se tratava. Outra enfermeira. Na verdade, enfermeiro, que trazia consigo uma bandeja com alguns instrumentos hospitalares. Ele estava todo paramentado com jaleco, touca e máscara. E não que Megan fosse uma expert no assunto, mas o que aquele enfermeiro pretendia com tudo aquilo? Afinal, o soro de seu filho tinha acabado de ser trocado. E não se encontrava nem na metade do percurso.

– Excuse-me! — Megan chamou a atenção do enfermeiro, que ouviu, mas não a encarou, detendo-se em apoiar a bandeja em uma mesinha de canto. Megan franziu o cenho. Que enfermeiro mal educado! Nem boa noite deu ao entrar e agora fazia de conta que não a escutava. — O senhor vai trocar o soro, again? Sorry, mas a enfermeira acabou de sair daqui e... — Parou de falar abruptamente quando viu o tal enfermeiro retirar a máscara e a touca. Então, instintivamente, colocou a mão na boca, aberta, e seus olhos arregalaram. — Oh, my God! Davi?!

O sorriso meio de lado do garoto o entregou na hora. Megan abriu um sorriso de canto a canto da orelha, mal acreditando no que via.

– Eu falei para confiar em mim, não falei?! — Davi questionou, brincalhão.

– Yeah, falou, but... Nunca imaginei que fizesse algo tão... Crazy!

Davi deu uma risadinha e já ia começar a se explicar se não fosse ter ouvido o barulho de alguém abrindo a porta. Imediatamente se virou de costas. E Megan tentou se recompor para não entregar o "meliante" pelo olhar.

– Boa noite! — Cumprimentou o médico ao entrar. E Megan logo percebeu que ele já não trajava o jaleco. E nem segurava o prontuário. — Como está nosso pequeno paciente?

– Very good! — Megan tratou logo de responder. — Mas ele ainda não acordou. É normal?

– Sim. Crianças costumam ficar muito cansadas depois de alguns episódios de convulsão. — Explicou o médico, tranquilizando-a. — Talvez acorde lá pela madrugada.

– Very good. Thanks, doctor!

O médico sorriu diante do agradecimento. E só aí se deu conta de que não estavam sozinhos.

– Enfermeiro, estou trocando de plantão com meu colega. — Anunciou — E vou dormir um pouco. Qualquer coisa que precisar, ele já está ciente do caso, então é só chamá-lo. Tá certo?

Davi arregalou os olhos e tremeu nas bases. E agora? Como responderia àquela pergunta sem que ele descobrisse sua farsa? Pensou e repensou, e sentindo que o médico já se encontrava impaciente, mostrou o polegar — sem se voltar pra ele — como que dizendo que estava tudo ok. E seja o que Deus quisesse!

Megan teve de se segurar para não cair na risada, ao mesmo tempo em que torcia para que Davi não fosse descoberto.

O médico franziu o cenho diante do gesto do enfermeiro. Mas resolveu deixar pra lá. Não ia se estressar bem no seu horário de descanso. Por isso, despedindo-se de ambos, foi embora.

Davi suspirou aliviado e só aí Megan pôde soltar seu riso.

– Caramba, essa foi por pouco! — Davi comentou, limpando o suor imaginário da testa.

– Yeah. Foi mesmo. — Megan concordou quando, com muita dificuldade, parou de rir.

Davi se aproximou dela e segurando sua cintura, puxou-a para si. Seus corpos se colaram, pois Megan não ofereceu resistência.

– Viu o que eu sou capaz de fazer só pra ficar perto de você?

Ela sorriu e segurou o rosto dele entre as mãos, encarando-o com paixão.

– Vi. Isso foi so cute! — Ela elogiou o gesto. E Davi sorriu, fascinado.

Então os lábios de Megan tocaram os dele de leve. Em um beijo sutil e doce. Mas que conseguiu estremecê-lo por completo.

Entretanto, apesar de quererem mais, ambos se deram conta de que aquele não era nem o lugar, nem o momento de se entregarem ao fogo que os consumia cada vez que se tocavam, ou beijavam. Por isso, mesmo contra a vontade, Megan se soltou dele, e ele não fez nenhuma menção de impedí-la.

– Eu dei um pulo na sua casa... — ele começou a falar — E trouxe uma bolsa com alguns pertences do Júnior. Pedi a tal de Nina para arrumar tudo. Acho que ela sabe do que ele precisa, né?!

Megan sorriu, agradecida.

– Yeah. A Nina é uma expert no Júnior. Não sei o que seria de mim sem ela. — Afirmou e pegou a bolsa das mãos dele. Abriu e verificou o conteúdo, ficando muito satisfeita com o que viu. Nina tinha feito um ótimo trabalho.

– Que bom que tá tudo aí. — Disse Davi. — Agora vem cá... — Davi segurou a mão dela e puxou-a para si. — Que eu tava morrendo de saudades! — Enlaçou a cintura dela.

Eles se encararam, apaixonadamente. Então ela abraçou o seu pescoço, acarinhando sua nuca.

Mas quando seus lábios começaram a se aproximar, o celular de Megan começou a vibrar. Mesmo decepcionado, Davi soltou uma risada, como que debochando da própria falta de sorte. E Megan o acompanhou no riso, mas teve de parar abruptamente ao mirar o visor.

Era Artur.

Davi também parou de rir quando viu a expressão de Megan mudar.

– Vai, Megan, atende! — Mandou, Davi, soltando-a dos braços, com cara de dor. — Ele é o pai. Deve estar querendo saber notícias do Júnior.

Megan ficou sem saber como reagir. Se atendesse, magoaria Davi. Mas se não atendesse e Artur ficasse sabendo por outra pessoa sobre Júnior, ele nunca a perdoaria. Encarou Davi, que mordia o canto do lábio inferior, como sempre fazia quando estava nervoso. Ficou tocada por vê-lo assim, tão frágil e vulnerável.

Do lugar onde se encontrava, Davi observou quando Megan, finalmente, apertou um botão do Marraphone. Mas para sua surpresa, era o botão que rejeitava a ligação.

Arqueou as sobrancelhas.

– Megan, você... — Davi começou a falar.

– Yeah. — Ela completou antes que ele pudesse continuar. — Depois eu falo com ele. Por hoje, eu sou a mom do Júnior. — Apontou com a mão para o próprio peito. — E você é o Dad. — Apoiou a mão no peito dele. — Right?! — Sorriu com ternura.

Diante daquelas palavras, Davi sorriu emocionado. E segurou a mão dela que estava em seu peito, acariciando-a com o polegar.

– Right. — Davi respondeu. — Como você quiser... Meu amor. — Sussurrou esta última frase. Para em seguida, encostar a mão dela nos lábios e beijá-la, sem deixar um segundo de encará-la.

Depois disso, ele se sentou no sofá e puxou-a para que ela se sentasse em seu colo, de lado. Então ele a abraçou pela cintura, enquanto ela lhe fazia um cafuné na cabeça.

– Megan — Ele começou a falar em meio a uns beijinhos que depositava em seu ombro. — Acho que te devo um pedido de desculpas. Essa semana me comportei como um verdadeiro idiota. Mas... Se serve de consolo... O mais castigado por ficar longe de você fui eu. — Mordeu o ombro dela com carinho, olhando-a com uma expressão infantil. — Você me desculpa?

– Yeah. Desculpo. Mas...

Davi fez uma careta.

– Ih, meu Deus, vai ter um mas...?

Megan riu e antes de continuar, tascou um beijinho na ponta do nariz dele.

– Mas... Você vai ter de prometer que de hoje em diante vai confiar em mim. Eu estou com você, Davi. E só com você. Mas eu ainda tenho de falar com o Tuca sobre a gente. E não vai ser por telefone. Seria muito desleal da minha parte.

Os olhos de Davi brilharam.

– Calma aí, eu ouvi direito? Você vai falar com o Artur sobre a gente? É isso mesmo? Ou eu tô sonhando?

– No, Davi. Eu vou falar com o Tuca sim. Já chega de fugir... Mas eu vou esperar ele chegar, ok?!

– Ok. E quando é que ele chega mesmo? Amanhã? — Davi perguntou em tom de brincadeira.

E os dois riram enquanto se abraçavam bem forte, selando o momento. Mas foi Davi quem tomou a iniciativa de quebrar o abraço. Precisava tirar uma dúvida que o estava corroendo por dentro.

– Tá. Mas e quanto ao tal de Lucas?!

Megan fingiu uma expressão safada.

– Ah, relax, Davi. O Lucas não é nenhum pouco ciumento.

Davi franziu a testa indignado. E levantou do sofá tão subitamente que quase derrubou Megan no chão.

Ela só fez rir, o que aumentou ainda mais a sua indignação.

– Quê?! Tá ficando doida?! Eu não te divido com homem nenhum. Se esse babaca idiota não é ciumento, eu sou. E muito!!! — Esbravejou Davi e Megan riu ainda mais. — Para de rir! O que eu sou pra você? Um palhaço?

– Sorry, Davi! — Megan pediu em meio ao riso descontrolado. — Mas é que você fica muito engraçado quando está ciumentinho. — Davi fez uma careta pra ela. — Davi, não existe nenhum Lucas! — Explicou.

A ficha caiu para Davi.

– Num tô acreditando nisso! Você inventou esse cara. E eu caí como um patinho.

– Yeah. — Chagou perto dele e aproximou os lábios dos dele. Mas não o beijou. — Isso é pra você se lembrar que eu ainda sou uma bad girl.

– Bad girl, é?! — Murmurou ele, balançando a cabeça em provocação.

Ela o imitou balançando a cabeça no mesmo ritmo.

– Yeah... Linda e loira. — Passou a mão nos cabelos, jogando-os para trás.

– Huuum. Tá se achando, heim?!

– No. Só estou me dando o devido valor.

Ele sorriu, fascinado. Adorava quando ela se portava como a Megan de antes. Era como se ele nunca a tivesse perdido. Suspirou e percebeu quando ela bocejou.

– Tá com sono? — Ele perguntou, fazendo um carinho em seu rosto.

– A little bit. Só um pouquinho. — Respondeu em meio a um outro bocejo.

– Vai dormir... Eu posso ficar vigiando o Júnior, se você quiser. Depois a gente troca.

Megan sorriu, os olhos quase fechando.

– Okay. Acho que vou aceitar. — Concordou e deu um selinho nele. — Night, Davi.

– Boa noite, meu amor. — Davi respondeu e retribuiu o selinho com outro, um pouco mais demorado.

Então ela deitou no sofá e se enrolou no lençol. Minutos depois, se entregou ao sono. Davi permaneceu por um bom tempo admirando-a foi quando, de repente, escutou um gemido vindo do leito de Júnior.

Imediatamente, correu até lá e observou quando os olhinhos do pequeno começaram a se abrir. Os cílios batendo bem rápido para se adaptar à luz.

– Ei, garotão... Finalmente, você acordou. — Davi disse baixinho enquanto alisava com carinho os cabelos do filho. — Você deu um baita susto na gente, heim?!

– Gagau... — Pediu o pequeno, que estava com fome. Davi ficou aliviado por ele não ter chorado. E, sem delongas, foi buscar a mamadeira na bolsa de Megan.

– Toma. — Disse Davi, encaixando o bico dentro da boquinha dele. Para em seguida, ele segurar com suas próprias mãozinhas.

Davi sorriu com ternura paternal. Os olhos de Júnior brilhava para ele. E foi aí que em meio ao sugar do mingau, ele esticou um bracinho e fez um gesto de abrir e fechar a mãozinha, como que pedindo para que Davi se aproximasse.

Mesmo estranhando, ele levou o rosto para bem perto do garotinho, que sorriu e segurou o lóbulo de sua orelha. Era assim que Júnior gostava de ficar quando tomava sua mamadeira. Era uma mania bem particular dele. Davi ficou sabendo naquele momento e se deixou ser acarinhado por ele.

Até que...

De repente, o garotinho tirou a mamadeira da boca, fazendo um som de estalo. Sorriu e balbuciou uma palavra que deixou Davi emocionado.

– Pa... Papai...

Notas finais
Até eu me emocionei com esse fim...