Turnaround In Love
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Capítulo 17 de TIL
FLASHBACK ON
– Tá bom. Eu vou embora. Mas... Isso está longe de terminar. Eu juro. — Davi disse quando foi expulso por Megan.
Em vez de responder a altura, Megan continuou segurando a porta aberta. Então ele deu um último sorriso e saiu.
Megan tratou logo de fechar a porta com chave para o caso dele querer voltar. Contudo, permaneceu ali parada olhando para a porta e permitindo que mil e um pensamentos sobrevoassem a sua mente. Enquanto isso, e sem que ela soubesse, Davi também, por algum motivo, não conseguia arredar o pé dali.
Ambos suspiraram e pousaram a mão na porta, como se pudessem sentir um ao outro através dela.
Então Davi resolveu fazer uma última tentativa, pois vai que a sorte estivesse do seu lado e Megan decidisse abrir a porta. Nunca se sabe, não é?
Segurou a maçaneta e com um giro rápido, fez uma tentativa. Em vão. A porta estava mesmo trancada.
Ficou frustrado, mas compreendeu, afinal, ainda não se enxergava merecedor da confiança ou do amor incondicional dela. Ainda haveria muita estrada pela frente até conseguir adentrar novamente o coração de sua bad girl.
Deu um suspiro profundo e girando os calcanhares, foi embora.
Enquanto isso, dentro do banheiro, Megan observava com atenção a maçaneta da porta, esperando por outra tentativa por parte de Davi. Mas parecia que o garoto havia desistido, infelizmente. Pois mal sabia ele que se ele tivesse tentado, Megan tinha jogado tudo para o ar e sim, tinha aberto a porta e feito amor com ele debaixo do chuveiro. Só de imaginar aquilo, Megan sentiu um frio na barriga e a respiração ficou intensa. Tão intensa ao ponto de levar Megan a fazer a última coisa que imaginaria fazer numa situação como aquela... Abrir a porta.
Mas para sua inteira decepção, ele não estava mais lá. Tinha ido embora. Desistiu. Como o covarde que sempre fora. Apesar de Megan perceber uma clara mudança no comportamento de Davi, tinha coisas que nunca mudavam, como o fato dele nunca lutar por ela até o fim. Sim, até o fim. Era essa a receita para sua total entrega. Ela queria sentir que Davi nunca desistiria dela, mesmo acontecendo mil intempéries no meio do caminho que os impeça de ficarem juntos. Megan precisava ter essa certeza. Sentir-se segura, protegida e mais do que tudo... Incondicionalmente amada!
Olhou para o caminho que dava para o quarto-garagem. Nada. Nada além de uma penumbra iluminada apenas pela luz da lua. Uma lágrima teimosa escorreu em sua face. Ela tratou logo de enxugá-la com o dorso da mão. Não queria chorar. Não por ele. Nunca mais por ele. Por isso mesmo, tratou de empinar o nariz e fechar a porta, batendo-a com toda força.
Meia hora depois, terminado o banho, Megan vestiu sua lingerie e a camisa de Davi. E depois de enxugar e pentear, saiu em direção à garagem.
Chegando lá, encontrou Davi deitado no sofá em uma posição não muito agradável, parecendo estar em um sono profundo. Olhou ao redor e percebeu que tanto a cama de baixo como a de cima estavam prontas. Ele as tinha arrumado como prometera. Bom garoto, pensou ela, e sorriu. Então voltou a olhá-lo, fascinada. E pensou, frustrada, que tudo seria tão mais fácil se o canalha não fosse tão lindo.
Chegou mais perto e agachou ao seu lado. Levantou a mão para lhe fazer um afago no cabelo, mas desistiu no meio do caminho. Não. Não podia se dar a esses arroubos se queria convence-lo de sua indiferença. Então em vez disso, tocou seu ombro, numa tentativa de acorda-lo.
FLASHBACK OFF
– Davi! — Megan chamou. — Davi! Wake up! Davi?!
E foi aí que, em um sobressalto, Davi acordou.
– Calma aí, eu dormi? — perguntou ele, se levantando.
– Yeah. Parece que sim.
– Droga! Então foi só um sonho?
– What?! Tá doido, Davi?!
O garoto ainda estava confuso quando seu olhar se deparou com Megan vestida em sua camisa branca de botões. Sentiu-se como se fosse a primeira vez que se deparava com semelhante visão. E pra piorar ainda estava com os cabelos molhados, o que o fez lembrar-se do sonho. Ficou estático, seu olhar percorrendo-a de cima a baixo.
– Davi?! Are you all right? — Megan perguntou, com o cenho franzido, arrancando-o de seus devaneios.
– Hum? Oi?! Ah, tô sim. Só que eu preciso tomar um banho urgente.
– Really? Achei que já tivesse tomado.
– E tomei. Mas é que... Eu tô precisando de outro... Bem gelado. Se é que você me entende.
– No. Eu juro que não estou entendendo nada.
Davi deu uma risadinha e corou.
– Melhor não entender. — Concluiu. Depois pegou uma toalha e um conjunto de roupa que estava pendurado em uma espécie de cabide improvisado. — Vou lá. Fica aí que eu já volto. — Despediu-se, pendurando a toalha no ombro, e saiu, deixando Megan a ver navios.
Quinze minutinhos depois, Davi voltou para garagem, ainda enxugando os cabelos com a tolha. Ele estava vestindo um calção e uma regata branca que destacava bem os músculos de seu braço.
– Megan, eu tava aqui pensando se você não quer... — Começou a falar , mas parou ao perceber que a garota não se encontrava ali — Megan?! Ué, pra onde será que foi essa garota?
Nesse instante, Linus entrou latindo muito. Davi estranhou. E só entendeu o que ele pretendia quando o animal mordeu a ponta do seu calção, puxando-o com insistência.
– Ei, quê que foi, garoto? Tá querendo me dizer alguma coisa? — Agachou e afagou seu amigo. — É sobre a Megan? Cê sabe onde ela tá?
O cachorro respondeu com um único latido firme.
– Sabe, né?! Então me leva até lá.
O cachorro deu mais um latido antes de correr até a cozinha, sendo seguido de perto por Davi.
Quando Linus chegou ao seu destino, começou a latir como um louco. E só parou quando seu dono lhe fez mais um carinho debaixo das orelhas.
– Bom garoto! Agora, vai dar um passeio por aí, tá bom?!Preciso de privacidade. — Piscou um olho para o amigo, que latiu e colocou a língua pra fora, como se realmente conseguisse entender seu dono. Depois deu meia volta e saiu em disparada para o jardim.
Davi riu. E depois ainda dizem que os cachorros não raciocinam? Isso é porque ninguém conhece o Linus, pensou, observando com admiração seu melhor amigo de quatro patas.
Parado na porta que dava para cozinha, Davi tentava imaginar o que Megan fazia ali àquela hora da noite. Resolveu ser discreto e espiona-la. Então abriu a porta bem devagar, fazendo o máximo de silêncio que conseguia.
Quando entrou se deparou com a garota em uma posição extremamente sexy, aos seus olhos. Ela estava na ponta dos dedos dos pés, tentando se esticar a fim de pegar algo em cima do armário. Só que à medida em que fazia isso, a camisa subia revelando um pedacinho de seu bumbum emoldurado em uma singela calcinha de renda. Davi encostou no batente da porta, cruzou os braços e por alguns segundos permaneceu ali admirando-a, fascinado.
– Achei que não quisesse que tia Rita soubesse que você tá aqui...? — Perguntou Davi, pegando Megan totalmente de surpresa. Um prato voou da mão dela e ia se espatifar no chão se não fosse o incrível reflexo de Davi que conseguiu segura-lo a tempo. — Ôpa! Quase!
– Oh, Davi! — Exclamou Megan, com a mão espalmada no peito. — Você quase me matou de susto, you know?!
– Foi mal, Megan! — Davi pediu desculpas enquanto apoiava o prato na mesa. — Mas eu posso saber o que cê tá procurando aí?
– Yeah. Pode. Estou procurando algo para comer. Estou faminta. Sorry!
Davi passou a mão no cabelo, envergonhado.
– Caramba, Megan, eu é que devia te pedir desculpas por não ter oferecido nada até agora...
– Não desculpo, okay! — Megan falou sério e deixou Davi preocupado — Kidding!
Os dois riram ao mesmo tempo. Depois Davi tratou de ir procurar algo para satisfazer a fome de sua amada. Abriu a geladeira e vasculhou-a toda enquanto era observado por Megan que esperava pacientemente, apoiada no balcão.
– Achei! — Exclamou Davi, retirando de lá um pote fechado com uma tampa.
– Ah, é?! What's this?
Davi abriu o pote e mostrou o conteúdo para Megan.
– Brigadeirão. Especialidade de tia Rita. Garanto que cê vai gostar! Vai, experimenta!
Megan encarou-o e com um sorriso provocante, enfiou o dedo no brigadeirão e o lambeu bem devagar.
A boca de Davi se abriu de leve.
Ela lambeu os lábios, provocando-o ainda mais, e enfiou o dedo outra vez na sobremesa.
Davi se inclinou para a frente, com as pálpebras semicerradas, e seu olhar foi de puro desejo.
– Huuuum. Huuuum. Esse brigadeirão está, like, dos deuses! — Elogiou Megan. — Você não quer um pouco? — Ela perguntou fingindo inocência, e apontando o dedo melado em direção ao garoto.
Mas se Megan sabia seduzir, Davi não ficava nenhum pouco atrás.
– Quero. Quero sim. — Respondeu, mas em vez de enfiar o dedo no brigadeirão, Davi pegou sua mão e envolveu seu dedo com a boca, sugando-o. Megan tremeu sob o toque dele — Tem razão. Tá delicioso.
Mas de alguma forma, Megan sabia que ele não mais se referia à sobremesa... E o clima entre os dois esquentou, levando Megan a tomar uma atitude antes que fosse tarde demais.
– Er... I think... Acho melhor a gente voltar para o quarto, right?
Davi sorriu de lado.
– É. É melhor sim. Porque a cozinha parece ter um certo poder sobre a gente... Já notou que sempre que a gente tá aqui rola clima?
– yeah. Já. Por isso mesmo, c'mon! — Megan chamou-o e girando os calcanhares, saiu, mas antes pegou uma colher na gaveta e levou o brigadeirão consigo.
Davi foi logo atrás, rindo um pouco por dentro.
Ao chegar lá, sem decoro, Davi sentou ao lado de Megan na cama. Mas com cuidado, para deixar uma certa distância segura entre eles. Megan sentou sobre os joelhos e continuou a deliciar-se com a sobremesa.
Davi a observava, encantado.
– Megan, posso te fazer uma pergunta?
– Yeah. Sure. — Respondeu com a boca cheia.
– Quais são as minhas chances?
Megan quase se engasgou diante daquela pergunta inesperada.
– What?! Que tipo de pergunta é essa?
– Só responde, Megan. — Davi falou sério.
– Okay. Se é o que você quer... Davi, quando a gente acabou o namoro, eu blindei o meu coração com uma película bem forte. E achei, really, que nunca ninguém iria conseguir atravessa-lo. But... Mas aconteceu. Uma pessoa conseguiu atravessar e ficar lá dentro para sempre. Ele foi o único que conseguiu me fazer amar de novo.
Davi baixou a cabeça, semicerrando o olhar. O ciúme ganhou seu coração em alta velocidade e ele fechou os punhos.
– O Artur? — conseguiu perguntar.
Mega sorriu, triunfante.
– No. O Júnior.
Instantaneamente, Davi elevou o rosto, encarando-a e rindo de seu próprio ciúme.
– Hum, palhacinha... — Megan mostrou a língua para ele em tom de brincadeira. Contudo Davi queria saber mais — Mas... Então isso quer dizer que você não ama o Artur? Que eu tenho chance?
Megan balançou a cabeça, negando.
– No. Isso quer dizer que não é da sua conta se eu amo ou não o Tuca.
Davi levantou um pouco, indignado.
– Não, senhora. É da minha conta sim! Pode ter certeza disso! E agora dá pra parar com a enrolação e me responder de uma vez, por favor!
– Davi, what's hell! — Esbravejou Megan — Eu me apaixonei sim pelo Artur, assim como você se apaixonou pela nerdestina. O que você queria? Que eu ficasse sentada em um banquinho esperando você se cansar da chumbrega? No! Eu segui em frente sim! E o Artur foi a melhor coisa que me aconteceu! Tá satisfeito, Davi Reis?!
Davi tentou disfarçar, mas seu olhar demonstrava tristeza. Mas logo esse sentimento se transformou em raiva e ele segurou o braço dela com força.
– Ah é, então por que você tá aqui? Sozinha comigo... Devia tá lá com ele comendo as porcarias das frutas podres dele!
– I don't know! Eu dêvo tá louca!
– Ou... Você sente o mesmo que eu e não quer admitir... Por orgulho.
Megan franziu a testa, indignada.
– What?! — Megan exclamou irritada e ficou de pé, cruzando os braços em posição de ataque — Davi, aonde você quer chegar com esse showzinho ridículo?
Davi também levantou.
– Onde eu quero chegar? Eu te digo onde eu quero chegar... — Enlaçou a cintura dela e puxou-a com violência em sua direção. Megan se inclinou para trás e segurou os ombros dele, impedindo-o de fazer o que quer que fosse que ele pretendia. Mas a expressão dele mudou. E o que era raiva se transformou em ternura — Megan, eu voltei.
A garota fez expressão de interrogação.
– What?! Será que dá pra você começar a fazer sentido, please!
– Eu voltei depois que a gente se despediu no aeroporto... Eu entrei no táxi, mas no meio do caminho, eu me arrependi e voltei. Pra te buscar, Megan!
Megan mal podia acredito naquelas palavras. Será mesmo? Ele tinha voltado por ela? Pra ela? Não. Calma! Não queria se iludir...
– Davi, que brincadeira é essa?
– Não é brincadeira. Eu tô falando sério. Eu nunca falei tão sério. Megan, eu não só voltei como eu passei dias te procurando nas redes sociais, nos sites, em tudo que é lugar. Mas parece que você sumiu ou não queria ser encontrada, sei lá!
– Não queria ser encontrada. — Explicou de forma natural — Quando eu descobri que estava pregnant, eu paguei a tudo quanto é jornalista pra que nada fosse publicado. E saí de todas as minhas redes sociais. Queria apenas preservar o meu baby.
– Entendi. Mas será que você faz idéia do quanto eu fiquei louco atrás de qualquer notícia sua? Ou até mesmo sinal de fumaça? Qualquer coisa!
– Bullshit! Se fosse assim, por que não me ligou?
– Eu te liguei. Várias vezes. Durante 365 dias. Mas, pelo jeito, você mudou de telefone.
– No. Eu nunca mudei de telefone. Ao contrário de você.
– Mas eu mudei sim. E você sabe disso. Porque eu mandei uma mensagem avisando...
Megan deu uma risada sarcástica.
– Really? So... Então essa mensagem nunca chegou. I'm so sorry!
– Como assim, Megan? Claro que chegou! Eu vi a mensagem e... — Davi parou de repente de falar.
– E... E... — Megan tentou força-lo a continuar — Davi?! What happened? Davi?!
Mas Davi ficou estático, olhando para o nada, pensativo.
FLASHBACK ON
– Manu, você viu meu celular? — Ele perguntou para namorada, que tinha acabado de chegar em casa.
– Vi. Tá aqui comigo. Toma! — entregou o celular nas mãos de Davi, que estranhou.
– E eu posso saber pra quê que você pegou meu celular?
Manuela respondeu de forma natural.
– Claro que pode. Eu peguei seu celular pra mudar o chip. Afinal, a gente vai morar aqui então já tava na hora de mudar o prefixo. — Davi franziu a testa, indignado, mas antes que ele pudesse reclamar, ela continuou, cínica — Relaxa, Davi! Antes de fazer isso, eu tive o cuidado de salvar todos os seus contatos. E ainda mandei mensagem pra todo mundo informando a mudança de número. — Forçou um sorriso, disfarçando. — Se quiser, pode conferir.
Ainda desconfiado, Davi rolou a barra da agenda eletrônica até encontrar o nome de uma certa garota americana. Sua única preocupação, no momento. Suspirou aliviado ao constatar que ele estava ali intacto. Depois encarou a namorada com cara de poucos Amigos.
– Manu, olha só, eu não gostei nenhum pouco de você pegar meu celular sem avisar, então é melhor ter mais cuidado da próxima vez, tá?!
– Tá. Desculpa. Eu achei que você num fosse se importar. — Justificou-se ela, com cara de "santinha".
FLASHBACK OFF
– Davi?! Please! Fala alguma coisa!
Davi acabou voltando para realidade.
– Megan, me tira uma dúvida... Os três últimos números do seu celular é 678?
– No. 786. Por quê?!
Davi bufou de raiva.
– Num tô acreditando nisso! Como eu fui idiota! Claro! Ela nunca me daria o seu celular, assim, de mão beijada. Por isso eu achei estranho na época. Mas eu nunca imaginei que ela pudesse... Droga! Ela me paga!
– Who? Ela quem? Do que você tá falando?
– Megan, acho que eu sei porque a gente nunca conseguiu se comunicar.
– Really? Por quê?
– Eu ainda não tenho certeza. Mas eu acho que a gente foi vítima de uma armação.
– A gente foi WHAT????!!!!
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